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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Division

Escrita porPams
Revisada por Lelen

5 • Division

Tempo estimado de leitura: 46 minutos

  Não há um segredo que fique encoberto por toda a vida, nem uma mentira que não encontre a verdade; e certamente havia muitos segredos que envolviam a Division e seus clientes, arquivos ocultos que precisavam ser encontrados. 
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  Foi surpreendente saber a história de Collins, mais ainda os segredos da agência que estavam todo aquele tempo escondidos de posse dele. Uma leve herança deixada por Allison, como sua moeda de troca para um futuro melhor para Nathaniel. Pude sentir que, para %Matthew%, foi surreal descobrir que sua vida havia sido uma mentira, se tornando um mero peão descartável naquele tabuleiro de xadrez, onde os verdadeiros jogadores eram as pessoas que estavam acima de Huston.
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  — Por que escolheu nos ajudar? — perguntou ele, ao voltar a sanidade e se afastar de mim.
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  — Porque eu vi as minhas sobrinhas no lugar do Nathaniel — confessei a ele, respirando fundo para acalmar meus impulsos internos.
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  — Elas estão em perigo agora. — Soou como um sentimento de culpa. — Espero que tenha previsto isso.
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  — É claro que previ, e minha irmã sabe se cuidar, ela vai ficar bem e deixei uma pessoa de confiança para vigiá-la — assegurei a ele, que as coisas estavam sob controle. — Além do mais, tenho um plano.
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  — Um plano?! — repetiu ele, com as expressões confusas. — O que pretende fazer?
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  — Primeiro, teremos que deixar nossas famílias em segurança, depois eliminar toda a força de combate dela — relatei sem muitos detalhes, de forma objetiva. — Mais especificamente os agentes alpha.
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  — Você sabe que não será fácil, não é?! — Ele riu de nervoso ao passar a mão no cabelo e me olhar como se eu fosse uma sonhadora. — Eu treinei cada um deles, assim como você. Sabemos do que são capazes, e eles não são os únicos com quem teremos que nos preocupar.
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  — Eu sei. — Bufei discretamente pela falta de fé da parte dele. — Um já foi eliminado, Shake foi enviado para me entregar minha carta de demissão quando eu concluísse com o Nathaniel, mas o demitido foi ele, então falta cinco.
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  — Tudo bem, e depois que eliminarmos eles? — Collins manteve-se atento a mim.
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  — Sem o esquadrão de Elite, ela ficará com medo, então faremos uma visitinha a nossa querida diretora — completei minha ideia inicial. — Mas… Aceito sugestões.
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  — Ela não é uma mulher de palavra, acho que já percebeu — retrucou ele.
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  — Não quando se tem algo a perder em jogo — acrescentei meu raciocínio. — Você disse que a Allison pegou arquivos importantes e, te conhecendo bem, eles não voltaram para as mãos da dona.
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  — Quer usá-los para negociar? Então porque eliminar os agentes? — indagou ele, tentando entender meu plano.
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  — Primeiro, fazemos pressão nela, deixando-a sem recursos, depois propomos o nosso acordo como sua única saída — concluí.
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  — Terão muitas pessoas atrás da sua família, então, deixa que eu cuido dos meus recrutados — disse ele, assumindo a responsabilidade.
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  — Hum… — Eu arqueei a sobrancelha direita pensando no assunto. — Tudo bem, contanto que deixe a Stone para mim.
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  Eu tinha preparado o melhor da terceira Scar para ela.
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  Os dias foram passando e, felizmente, nossa dupla de desertores ganhou um aliado preciso e formidável. Jung conseguiu montar um sistema oculto totalmente controlado por ele e indetectável pela agência, foi assim que ele entrou em contato comigo e me auxiliou a esconder minha irmã, seu marido e minhas sobrinhas, juntamente com Nathaniel. Seria perigoso para o pequeno se Collins o deixasse com o mesmo contato de antes, um alvo fácil de ser encontrado pela Division. 
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  — Você vai realmente ficar bem? — John indagou, não conseguia controlar seu olhar incrédulo por me ver viva.
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  — Sim, e vocês vão ficar em segurança. — Voltei a olhar para Kate. — O senhor Kim vai conduzi-los para um lugar seguro e fora do rastreamento da agência, assim que terminarmos, terão suas vidas de volta.
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  — Esperamos que sim — John sussurrou. — Não foi fácil pedir férias adiantado.
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  — John!? — A voz de Kate soou com repreensão.
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  — Está tudo bem, Kate. — Eu contive minha expressão sem graça. — Ele está certo, preciso devolver a liberdade de vocês.
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  — Arriscando a sua. — O olhar preocupado dela me matava por dentro. — Você continua sendo a minha irmã, não é sua culpa o que aconteceu.
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  Na verdade, em partes é resultado das minhas escolhas.
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  — Apenas se mantenham em segurança. — A abracei e também as meninas. — E obrigada por cuidar do Nathaniel.
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  — Ele parece ser tranquilo e vai ter as meninas para brincar com ele. — Assentiu minha irmã com um sorriso esperançoso. — Não será um trabalho para nós.
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  Ao me despedir delas e de John, me aproximei do contato que os manteria em segurança.
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  — Obrigada, senhor Kim. — Respirei fundo, ao me lembrar do dia em que o conheci.
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  — Eu que agradeço, me deu uma segunda chance, por isso, sempre estarei em dívida com você. — Um olhar sereno de gratidão que me confortava.
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  O senhor Kim foi uma das poucas pessoas das quais consegui salvar da minha lista, lhe dar uma nova vida sem que o sistema soubesse das minhas trapaças. Uma leve travessura que tinha o apoio e cobertura do meu hacker pessoal, afinal, assim como a Division, eu também tinha os meus segredos.
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  — Papai, eu não posso ir também? — perguntou Nathaniel, ao abraçá-lo mais uma vez.
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  — Não, querido, mas prometo voltar antes mesmo que possa ter saudades — disse %Matthew% dando um sorriso singelo para a criança.
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  — Mas eu já estou com saudades… — O olhar marejado dele fez meu coração apertar um pouco.
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  — Pequeno Nate… — disse ao me aproximar deles e me abaixar à sua altura, mantendo um sorriso no rosto. — Eu prometo que vou cuidar do papai e fazer ele voltar bem rápido.
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  O menino sorriu de volta para mim e pulou em meu colo, me dando um abraço apertado.
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  — Obrigado! — Seu tom ficou um pouco mais animado, então, ao se afastar para me olhar, seu rosto permaneceu com traço de tristeza. — Você também vai voltar, mamãe?! 
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  — Nathaniel?! — Agora Collins que o repreendeu.
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  — Deixa ele — sussurrei para %Matthew% e voltei minha atenção para o pequeno. — É claro que eu vou voltar.
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  Senti um brilho nos meus olhos e uma aquecida no meu coração. 
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  — Eles precisam ir — alertou Collins erguendo seu corpo.
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  — Sim. — Eu abracei Nathaniel mais uma vez, então o conduzi até minha irmã.
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  Mesmo que fosse uma breve despedida, era difícil não me emocionar.
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  — Próximo passo — disse em alto e bom tom, e olhei para ele. — Quantos agentes faltam?
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  Como ele havia ficado com esta tarefa, infelizmente não tinha lhe dado muito tempo para cumpri-la, graças a ajuda do senhor Kim, resgatar a minha irmã foi a parte fácil, mesmo estando com Nathaniel em minha responsabilidade.
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  — Apenas dois, Stone e Scorpios — respondeu Collins ao pegar a mochila que estava no chão e ajustar nas costas.
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  — Os piores por último — comentei, sabendo que não seria fácil.
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  — Bem, se nossas cabeças estão a prêmio, nada melhor do que facilitar para eles e atraí-los até nós — sugeriu ele, me surpreendendo.
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  — Nada mal, Collins. — Mantive um elogio discreto.
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  — Pode me chamar de %Matthew% se quiser, somos uma dupla agora — brincou ele, rindo baixo. — Dizer meu sobrenome, soa muito formal.
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  — Hum… Tudo bem, então, %Matthew%.
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  Eu passei por ele segurando um riso me direcionando para a porta. Após passarmos pelo corredor, descemos alguns lances de escadas dos fundos na saída de emergência e, por uma falta de atenção de minha parte ao manter meu olhar no celular, pisei em falso em um degrau. Senti meu tornozelo repuxar no mesmo momento em que meu corpo desequilibrou, no susto, Collins me agarrou pela cintura puxando-me para ele, o que nos fez mais uma vez ficar bem próximos.
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  — Te peguei — sussurrou ele, tão próximo que conseguia sentir sua respiração.
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  Algo de errado não estava certo comigo. Eu não queria me sentir atraída por ele, entretanto, meu coração estava acelerado e ele havia notado isso.
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  — Não vou te deixar cair, jamais — disse, mantendo o tom baixo.
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  — Em outros tempos, você mesmo teria me jogado desta escada — retruquei, o fazendo lembrar nosso início.
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  — Se você quiser, ainda posso fazer isso — brincou %Matthew%, me fazendo rir, mesmo sentindo uma dor latejante no tornozelo.
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  — Muito engraçado. — Me afastei com cuidado, mas, ao pisar com o pé lesionado, prendi um grito de dor, apertando sua mão que ainda segurava a minha. — Não acredito que você está me fazendo passar por isso pela terceira vez.
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  — Vejo que não está nada bem. — Ele se abaixou e pegou em minha perna, avaliando a situação. — O que você fez?
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  — Eu apenas pisei… Em falso — expliquei, o observando se levantar. — A velha história do tornozelo problemático.
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  — Consegue andar? Temos que ir logo, antes que nos localizem aqui — disse Collins, com o olhar mais sério. — Jung não faz milagres e não podemos prejudicá-lo.
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  — Eu sei… Já passei por coisas piores e você sabe disso, então, está tudo bem — assegurei a ele, ao me apoiar no corrimão e começar a descer. — Vou conseguir.
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  — Mas não estamos com tempo para isso. — Ele me pegou no colo, me deixando quase estática no susto.
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  — Eu já disse que estou bem, posso ir andando. — Me debati tentando descer, mas sem sucesso.
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  E, talvez, lá no fundo eu não quisesse mesmo descer.
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  — E eu já disse que estamos sem tempo e sua mobilidade está reduzida — continuou ele, descendo as escadas não se importando com meus argumentos.
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  O tempo fechou contra nós quando chegamos nos últimos lances de escada e vozes começaram a aparecer, olhamos para cima e o vulto de muitos homens de terno surgiu. Nosso tempo estava mesmo esgotado, era certo que Jung conseguiria alguns minutos de falha no sistema para que pudéssemos andar livremente sem que as câmeras de segurança nos registrassem, porém, nada dura para sempre.
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  — Me coloca no chão — pedi a Collins, assim que se aproximou da porta.
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  — O que acha que vai fazer? — indagou ele ao abrir a mesma.
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  — O que eu fui treinada para fazer. — Assim eu pulei do seu colo, deixando meu corpo ir ao chão, então me ergui rapidamente e peguei o primeiro objeto que vi pela frente.
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  Sorte ou não, era uma vassoura que tinha sido esquecida próximo a porta. Collins entendeu o recado, pois era óbvio que não sairíamos dali sem uma boa briga antes. Foi questão de minutos até que os homens das escadas nos alcançassem, pois no estacionamento já tinha meia dúzia à nossa espera. Fácil não foi para mim com o tornozelo inchado e latejando, cada soco que eu dava uma pulsão de dor, como se fosse o meu corpo que recebesse.
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  — %Matthew%… — o chamei com dificuldade, assim que um homem robusto consegui me derrubar ao chão, ao perceber minha lesão. — Collins…
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  Por mais que eu me debatesse e tentasse empurrá-lo, suas mãos em meu pescoço continuavam firmes, enquanto minhas forças pareciam se esgotar com a presença da dor. Até que minha visão escureceu e acabei desmaiando.
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  — %Matthew%!? — disse ao acordar no susto, ao perceber que ainda estava viva.
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  Olhei para frente e o vi dirigindo, enquanto eu estava no banco de trás.
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  — O que aconteceu? — perguntei a ele, passando a mão no meu pescoço, notando o dolorido.
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  — Eu salvei você — disse ele, com o velho e conhecido tom arrogante que me faz querer socar sua cara sempre. — Mas isso não é nenhuma novidade.
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  Eu fiz uma careta, para que ele visse do retrovisor dianteiro. Isso arrancou algumas risadas dele.
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  — Para onde estamos indo? — indaguei, me mexendo no banco e vendo meu tornozelo enfaixado.
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  Enfermeiro Collins, quem diria. Pensei comigo e segurei o riso.
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  — O que foi? — retrucou ele, com outra pergunta.
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  — Nada. — Respirei fundo, ignorando a dor do tornozelo. — Não me respondeu.
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  — Para um lugar seguro, em que possa descansar e se recuperar — disse em tom de ordem, mostrando que nossos planos sofreriam uma leve alteração de curso. — Não vou deixá-la encarar a Stone dessa forma, não conseguiu nem mesmo derrubar aquele mercenário.
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  — Eu teria vencido se ele não tivesse percebido meu tornozelo — argumentei.
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  — Por isso mesmo, deixou seu oponente encontrar seu ponto fraco. — Sua voz repreensiva me fez voltar aos tempos de treino. — Você tem que estar cem por cento para isso.
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  Engoli a seco minha raiva e não o questionei. De certa forma, ele estava irritantemente certo em sua colocação, por isso, sem relutar, mantive meu silêncio durante todo o caminho até nosso esconderijo.
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  Algumas horas em um voo particular com um conhecido de Collins, mais trinta minutos em um carro alugado e lá estava a nossa cabana escondida entre as árvores no alto de uma colina.
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  — Uau — disse pela vista, após descer do carro e contemplar a paisagem. — Incrível.
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  — As árvores não te lembra alguma coisa? — perguntou ele, instigando minha percepção do espaço.
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  Mantive uma breve reflexão enquanto rodeava a cabana, até que parei por um momento e o observei carregando as caixas do carro para dentro. Confesso que tive uma sensação familiar quando passamos pela estrada de terra secundária, uma breve nostalgia tomou conta de mim, me fazendo lembrar os acampamentos do colegial. Foi então que despertei dos meus devaneios e adentrei a cabana, curiosa pelo lugar.
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  — Foi aqui que me perdi, não foi? — indaguei a ele, recordando o passado. — No acampamento do colegial.
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  Ele me olhou inicialmente confuso, então riu baixo.
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  — Achei que fosse perguntar se estamos perto das instalações da Division — comentou ele, ainda surpreso com minha pergunta contrária ao que imaginou. — Me sinto meio desapontado agora.
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  — Nós estamos? — indaguei também surpresa.
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  Ele riu novamente, balançando a cabeça de forma positiva.
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  — E onde exatamente estamos? Você não quis me dizer no aeroporto em San Diego — insisti, pois não saber nossa localização me deixava ansiosa.
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  — A leste de Missouri, em algum lugar da Floresta Nacional de Mark Twain — respondeu ele, se aproximando mais das caixas e começando a abri-las. — Me ajuda?
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  — Só tem armas aí dentro. — Cruzei os braços e o olhei desinteressada. — E o quão distante estamos da Division?
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  — Dez quilômetros ao norte e chegaremos no perímetro três — respondeu %Matthew% ao retirar a maleta do Seto Kaiba de dentro da caixa. — Mais cinco quilômetros e chegamos no segundo perímetro…
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  — Onde treinávamos — comentei o interrompendo.
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  — Exatamente, e mais dois quilômetros entramos no perímetro um — continuou ele, mantendo-se concentrado nas maletas que retirava das caixas. — Jung vai nos dar dois dias de vantagem para nos preparar, a última localização que tiveram de nós foi pelas câmeras do aeroporto de San Luis.
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  — Dois dias é o suficiente para meu tornozelo melhorar — assegurei a ele, voltando o olhar para meu pé. — Então, seguiremos com o nosso plano.
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  — Este é o propósito — concordou ele, erguendo seu corpo e voltando o olhar para a janela. — Logo vai escurecer, acho melhor descansarmos um pouco, a viagem foi pesada.
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  — Eu vou tomar um banho então — avisei a ele, seguindo para o cômodo do quarto. — E nem ouse me espionar.
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  — E o que de interessante eu teria para ver? — questionou ele, em provocação.
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  Eu o olhei de relance fazendo uma careta, me esforcei para não demonstrar que estava ofendida com suas palavras, então ouvi gargalhadas vindo dele enquanto entrava no quarto.
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  — Presunçoso, acha que é quem? — sussurrei, me aproximando do armário e abrindo para procurar toalhas limpas.
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  A cabana pertencia a Collins, o que era curioso para mim saber que ele tinha propriedades desconhecidas pela Division. Muito bem construída e decorada para um agente egocêntrico, não me espantaria se dissesse que tinha as mãos e dicas de design de Jung.
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  Após um banho refrescante, vasculhei entre as roupas da minha mochila algo leve e confortável para usar, afinal, na primavera, mesmo sendo uma estação suave, o tempo parecia mais abafado naqueles dias.
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  — %Violet% Grimmer?! — O tom de brincadeira de %Matthew% soou com um fundo de elogio e surpresa.
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  Não dava para negar, o delicado vestido floral em meu corpo realmente não condizia com a mulher que eu havia me tornado. E, confessando, nem mesmo sabia o que aquela peça de roupa fazia em minha mala, mas a reconhecia do último dia de ação de graças que tive em família. Uma explicação? Kate.
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  — Engraçadinho. — Adentrei mais na sala até chegar na janela, e direcionei minha atenção para fora. — Eu continuo sendo a Scar que treinou para eu ser.
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  — Em partes. — Ele se aproximou de mim, mantendo aquele olhar sutil do qual eu não estava acostumada. — Ainda consigo ver o olhar singelo da jovem do tribunal em você.
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  — Quem é você e o que fez com o Collins que eu conheço? — indaguei num tom de brincadeira, porém, fiquei levemente estática ao perceber mais um passo de aproximação vindo dele, mantendo minha atenção nele, ansiosa por seus próximos movimentos.
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  — Não sei… Ficar longe da Division esses três anos, ser um pai presente para o Nate, tudo isso me fez mudar em muitos aspectos. — Ele voltou seu olhar para fora também, parecia contemplar o céu estrelado.
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  Enquanto eu comecei a contemplá-lo de forma espontânea com meu coração pulsando mais forte e ávido.
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  — Coll… %Matthew% — o chamei, com a voz baixa.
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  — Sim? — Ele voltou seu olhar para mim, profundo e enigmático.
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  — Em algum momento você se arrependeu de ter me escolhido? — indaguei aleatoriamente, pois, lá no fundo, nem mesmo eu sabia o motivo de estar fazendo aquela pergunta, mas ansiava a resposta.
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  — Por quê? — retrucou ele.
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  — Curiosidade — expliquei, sendo a primeira coisa que me veio à mente.
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  — Em algum momento… — Ele elevou sua mão direita e tocou na mecha de cabelo que havia caído em meu rosto, colocando-a atrás da minha orelha. — Vai descobrir que não, eu não me arrependo…
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  Confesso que não sei o que deu em mim, menos ainda nos meus reflexos involuntários, contudo, meu corpo, agindo sem meu consentimento como uma atração magnética, tomou impulso e se jogou com leveza para cima de %Matthew% até que nossos lábios se encontraram. O que eu estava fazendo? Juro que não há explicações para tal ato de minha parte, apenas fechei meus olhos e senti sua aceitação com uma pitada de intensidade vindo de sua parte.
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  Se nosso fim de noite havia sido confuso e surpreendente a ponto de nos deixar perplexos na manhã seguinte, a proposta de Collins me acordando antes do sol sair para um treino surpresa foi ainda mais chocante. Meu tornozelo continuava longe de estar em melhores condições, porém, não negaria a oportunidade de socar aquele rosto lindo no café da manhã.
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  — Está descontando suas frustrações de adolescente em mim? Ou pretende fazer direito? — reclamou ele, ao me derrubar pela sexta vez com o mesmo golpe, enquanto prendia meus braços ao chão segurando meus pulsos. — Você não está prestando atenção.
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  — Engano seu. — Eu bufei ao tentar me soltar sem sucesso, então voltei meu olhar revoltado para o lado, aceitando a derrota temporariamente.
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  — Não deixe seu ponto fraco visível, não é por um tornozelo… — Ele soltou meus pulsos e tomou impulso para se levantar. — Você sabe fazer melhor que isso.
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  Eu aproveitei o segundo de distração dele e, ainda ao chão, lancei minha perna esquerda contra ele o desequilibrando, assim que o corpo de %Matthew% foi ao chão, eu me lancei contra ele e soquei sua cara, no impulso da raiva, deixando uma pontinha de sangue no canto da sua boca.
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  — Tem razão… — disse ao finalizá-lo, então ergui meu corpo e estiquei a mão para ajudá-lo a se levantar. — Eu sempre faço melhor.
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  Ele sorriu de canto e segurou a minha mão, se levantando com minha ajuda. No impulso do seu corpo erguido, Collins aproveitou o momento e me puxou para mais perto dele, deixando novamente nossos rostos bem próximos.
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  — Me impressionou — disse ele, quase em sussurro, deixando o clima um pouco mais denso entre nós.
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  — Tive o melhor treinador de todos — afirmei, ao elogiá-lo indiretamente.
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  É errado dizer que foi parcialmente constrangedor estar tão próxima dele daquela forma, após o beijo da noite anterior? Mas eu estava, ainda que externamente mantive meu olhar confiante, por dentro, meu corpo estremecido não conseguia reagir a intensidade do olhar dele, que acelerava meu coração. Seria tão mais fácil para mim se continuasse apenas o detestando pelas dores que me fez passar.
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  Se ele percebeu meu nervosismo interno, não sei, mas pouco a pouco continuou se aproximando até que parou seus lábios a milímetros de distância dos meus. Em um piscar de olhos, meu carrasco se afastou com tranquilidade, seguindo para os degraus que compunham a varanda da cabana. Pegando o rifle M4 SA-F02, que tinha trazido para fora por precaução, voltou o olhar para mim.
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  — Que tal mudarmos um pouco, quero ver como está sua pontaria — declarou, esticando o instrumento para mim.
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  — Jura? — Tentei controlar meu olhar de sarcasmo para ele. — Qual a parte do “eu sou a melhor” que você não entendeu?
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  — Está com medo de perder para mim? — instigou ele, com sua arrogância conhecida.
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  — Só não quero gastar munição à toa — argumentei, ao me aproximar de Collins e pegar o rifle de sua mão, então o provoquei. — Se quer me testar, não deveria ter pegado o Light Yagami… Pode acabar se ferindo.
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   %Matthew% deu um sorriso de canto, como se aceitasse o desafio, então, passando por mim, seguiu em frente.
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  — Vamos — disse.
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  — Tem certeza que não vão nos ouvir? — reforcei minha preocupação.
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  — Estamos a uma distância considerável, não se preocupe. — Sua confiança não me convenceu a princípio, porém, deixei passar o argumento.
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  Adentramos a floresta, ficando o mais próximo possível da cabana, onde passamos algumas horas entre o som da natureza à nossa volta, sendo embalado pela sequência de tiros que eu dava.
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  — Sabe de uma coisa, eu acho que você é quem deveria fazer isso — disse ao retirar a venda que ele tinha amarrado em minha cabeça para inibir minha visão, e  deixar o Yagami em cima de uma tora de madeira, já não aguentava mais e me dava por vencida. — É você quem ficou curtindo a aposentadoria, e certamente está fora de forma.
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  — Você acha? — Ele me confrontou com seu olhar sarcástico de quem confia em si mesmo. — Nem mesmo conseguiu acertar uma árvore vendada.
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  — Sim, eu acho. — Mantive meu questionamento.
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  Em um piscar de olhos, Collins se colocou em minha frente e, mantendo os olhos fixos nos meus, sem piscar, retirou sua 9mm da cintura e apontou para várias direções atirando. Ao mesmo tempo que meu coração paralisou com seus movimentos seguros e precisos, ele também acelerou com sua aproximação.
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  — Diga agora o que acha do aposentado? — perguntou ele, mantendo o sorriso de canto presunçoso.
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  Eu dei um passo para longe e virei meu olhar para as direções que ele atirou, constatando sua taxa de acerto de cem por cento em todos os alvos que tinha demarcado para mim.
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  — Convencido — sussurrei, não dando o braço a torcer.
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  Ele soltou uma gargalhada boba e se colocou ao meu lado.
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  — Este foi realmente o lugar em que se perdeu quando mais nova? — indagou, mantendo o tom baixo.
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  — Por que está voltando nesse assunto? — O olhei curiosa.
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  — Porque… — Seu olhar pareceu distante e reflexivo. — Foi aqui, em um dia nublado que estava correndo próximo ao perímetro três, que ouvi um grito ao longe… Quando me aproximei, avistei dois adolescentes aparentemente desacordados e machucados que tinham se perdido no meio da floresta… Quando a garota finalmente abriu os olhos, pela sua forma de andar, parecia ter deslocado o tornozelo, mancando enquanto tentava se apoiar em uma árvore.
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  — Era você? — Por essa eu não esperava.
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  Logo a lembrança do meu acidente no acampamento tomou conta da minha mente, eu e Vincent tínhamos discutido por ele ter perdido o mapa com as orientações que ganhamos no início da competição de duplas, o que significava que poderíamos chegar em último na caça ao tesouro. Seguimos pelo caminho errado e acabamos nos perdendo, após um pequeno acidente que nos fez descer rolando pela inclinação da floresta.
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  — Minhas vistas estavam embaçadas, mas eu me lembro de ter visto o vulto de alguém… — concluí voltando-me para ele. — Achei que fosse um animal selvagem na época, mas foi você, e então fez aquela trilha improvisada pra eu encontrar o acampamento.
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  — Se você diz. — Ele manteve um sorriso disfarçado no rosto e deu impulso para seguir em frente.
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  — Ei! Aonde pensa que está indo? — gritei.
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  — Precisamos voltar para a cabana, agora. — Alertou ele, continuando a caminhar.
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  — Como assim? — Eu voltei ao tronco e peguei o Yagami, desnorteada por sua revelação. — Como você me joga uma declaração dessas e depois sai como se nada tivesse acontecido?
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  Ele apenas ignorou meus gritos de questionamento e continuou seguindo em frente até chegarmos na cabana. Contudo, eu não me dei por vencida, queria saber a história toda.
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  — Então não foi pelos meus olhos, não é?! — indaguei ao entrar após ele, fechando a porta. — Você me salvou duas vezes…
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  — Faz diferença de quantas vezes foram? — Ele me olhou curioso por minhas indagações. — Fiquei aliviado quando soube que você não tinha morrido naquele massacre, mas angustiado por saber que havia sido acusada injustamente.
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  — Então você sabe quem fez aquilo? — Me aproximei dele, tentando entender tudo e não surtar com a realidade.
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  — Foi uma guerra de gangues, você estava no lugar errado na hora errada. — %Matthew% segurou a minha mão, demonstrando seu olhar incomum de empatia e ternura, o mesmo que fazia com seu filho.
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  — Eu não preciso da sua pena. — Me soltei dele, permanecendo séria em meu semblante.
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  — Eu nunca tive pena de você… — Ele se aproximou um pouco mais, deixando seu rosto bem próximo do meu. — Pelo contrário…
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  Eu nem mesmo consegui assimilar suas intenções, até que seus lábios tocaram os meus inesperadamente, fazendo meu corpo gelar de início se aquecendo gradativamente ao longo da intensidade que o permitia acrescentar.
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  — Babaca… — sussurrei ao sentir sua respiração próxima, mantive meus olhos fechados para não surtar com aquilo. — O que acha que está fazendo? Eu ainda vou te odiar depois disso.
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  — E quem disse que eu quero que me ame?! — Ele segurou em minha cintura me puxando para mais perto e me beijou novamente, com mais intensidade ainda.
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  Minha mente estava num misto de confusão que apenas me concentrei em sentir o calor que emanava de seu corpo, ao mesmo tempo que controlava meu coração acelerado. E quando achei que as coisas não poderiam ficar mais loucas, o som de tiro surgiu no meio de tudo, interrompendo o beijo.
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  — Hum… Acho que cortaram o nosso clima — disse ele, ao se afastar de mim, e piscar de leve.
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  — O que? — Tentei controlar minha cara embasbacada, assim que percebi que a cabana estava cercada de agentes.
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  Minha única reação àquilo, foi pegar o Yagami novamente e começar a atirar juntamente com %Matthew%, e parecia que nunca terminaria nosso confronto, com tiros, pancadaria e mais homens aparecendo por todos os lados.
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  — Você disse que teríamos dois dias! — Não consegui evitar meu tom raivoso para Collins, ao parar para retomar o fôlego, após abater o último homem ainda respirando. — O que é isso?
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  — Perece que eles aumentaram o perímetro — explicou ele, com serenidade como se não fosse nada, então pegou a arma de um deles que estava ao chão e me olhou. — Sinto muito pelo seu tornozelo, mas acho que não podemos esperá-lo.
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  — Claro que não, perdemos o elemento surpresa. — Continuei mantendo minha voz áspera, demonstrando minha insatisfação com seu erro de cálculo. — E o beijo foi o que? Achou que eu ficaria menos revoltada?
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  — Não exatamente. — Ele riu. — Foi porque estava com vontade mesmo.
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  Em meio ao silêncio da minha raiva, eis que uma voz surge do lado de fora, atraindo nossa atenção.
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  — COLLINS!!!! — Mais uma vez a voz do homem gritou o nome do meu agente carrasco.
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  Uma troca de olhares apenas para assentir o que nossas mentes já trabalhavam em sincronia, antes de sair pela porta parcialmente destruída, selecionamos os instrumentos julgados necessários. Ao sair, nos deparando com Scorpion parado em frente à cabana.
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  — Vai na frente, eu cuido dele — afirmou %Matthew%, certo de suas palavras, mantendo a atenção no inimigo.
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  — Fique com o Roronoa Zoro e cuide bem dele — disse ao entregar minha katana para Collins. — E não demore.
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  — Chegamos ao One Piece agora? — brincou ele, em provocação.
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  — Não demora. — Elevei mais a voz para ele, que bateu continência debochadamente.
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  Minha ordem final o fez rir discretamente, enquanto seguia em direção ao agente Alpha. Enquanto isso, eu me aproximei de um dos carros dos agentes que estava vazio e dei partida, seguindo na direção que ficava a agência demarcada no GPS do veículo. Chegando ao segundo perímetro, uma surpresinha me aguardava no meio do caminho, como se soubesse que eu passaria por aquela trilha. Parei o carro em frente a ela e, desligando o motor, desci com toda a segurança que possuía.
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  — Stone — disse seu nome, num tom mediano.
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  — Scar. — Ela manteve o olhar de falsa superioridade para mim. — Sabe que essa será a última vez que vamos nos enfrentar.
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  — Acredite, vou apreciar cada segundo até o seu último suspiro — assegurei à minha rival favorita.
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  Assim como eu me mantive parada concentrando minha força e pensamentos em como a venceria, Stone, em seu impulso descontrolado, correu para cima de mim com os punhos fechados. Consegui desviar dos dois primeiros socos, sendo acertada pelo terceiro, após socar sua barriga, ela tinha técnica, porém, sem nenhuma estratégia de defesa ou ataque contra um oponente. O pior é que nosso nível de força era exatamente igual, então eu teria que ser mais esperta e inteligente que ela, ao usar minhas habilidades.
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  — É só isso que a melhor tem para mim? — Ela riu, enquanto zombava de mim.
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  Na raiva, minha imprudência lançou a perna lesionada em sua cara a derrubando no chão, contudo, o impacto me fez sentir uma leve dor, que de imediato foi percebida por Stone. Trocamos mais alguns socos e chutes sincronizados, quando ela conseguiu me jogar contra o carro, o impacto do meu corpo senti os músculos latejarem, antes de chegar ao chão.
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  — Droga — disse ao cuspir um pouco de sangue no chão.
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  — É sério que ainda está aqui?! — A voz repentina de Collins, me fez paralisar por segundos. — Levante e termine logo com isso.
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  — Levantar?! — Stone me pegou pelos cabelos, levantando meu rosto. — Não vai sobrar nada da Scar.
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  Mais um soco e meu corpo foi ao chão novamente. Tudo em mim doía, até mesmo o meu orgulho parecia estar com uma enorme ferida. Quando foi que eu me deixei ser vencida com tanta facilidade? Rastejando no chão, procurando a força que um dia achei ter.
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  — Eu terei mesmo que intervir?! — Ouvi o grito de Collins.
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  Sendo seguido por uma gargalhada de Stone.
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  — Ela é minha — sussurrei, ao apoiar minhas mãos no chão, puxando o ar para meus pulmões.
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  — Você não consegue levantar, melhor agente… Terei que te matar como está. — Assim que ela se aproximou novamente com a arma engatilhada, me lembrei da manobra que havia feito com Collins e repliquei em minha rival.
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  Lançando minha perna boa nela, a desequilibrei, e no impulso do meu corpo, tomei a arma dela e apenas disparei sem pensar duas vezes. O corpo de Stone caiu ao chão no mesmo momento em que o meu terminou de se levantar.
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  — Eu disse que ela era minha. — Voltei meu olhar raivoso para Collins, que mantinha um sorriso presunçoso no canto do rosto.
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  — Acho que desta vez, quem demorou foi você — brincou ele, me provocando.
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  — Não me teste — o alertei, num tom bravo.
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  Bufei de leve e dei alguns passos mancando até o carro. Minha intenção era uma entrada triunfal, com explosões e tiroteio, entretanto, o estraga prazeres do %Matthew% queria algo mais silencioso e discreto. Assim, no silêncio do escritório da diretora, com a mesma concentrada na grande tela, cheia de janelas de câmeras e informações chegando para ela em tempo real, ela nos recebeu forçadamente para uma pequena reunião.
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  — Estou impressionada em como vocês dois conseguiram formar uma bela dupla, mesmo se odiando — comentou ela, ao perceber minha presença atrás dela, com a arma apontada para sua cabeça.
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  — Eu apenas vim pedir minha demissão — disse da forma mais simples que poderia.
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  — E eu achei que ela precisasse de uma companhia — alegou %Matthew%, ao encostar na parede ao lado da janela e colocar as mãos nos bolsos.
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  Huston riu, então se virou para me encarar.
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  — Demissão? Acha que este trabalho nos dá esta opção? — retrucou a mulher, não se intimidando pela arma apontada para ela.
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  — Não só acho como tenho certeza — assegurei com confiança. — Pode não estar com medo da gente, mas tenho certeza que tem medo das pessoas para quem presta contas.
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  — As pessoas para quem eu presto conta dariam um fim em vocês em menos de doze horas — informou ela, achando que iria nos amedrontar. — A Division não é qualquer agência.
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  — Nós já sabemos disso. — Collins a confrontou num tom seco e revoltado. — Vocês não prestam serviços ao governo, são meros mercenários que recebem dinheiro para tirar pedras do caminho de quem paga mais.
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  — Se é assim que vocês enxergam. — Ela riu com ar de sarcasmo.
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  — Você me fez matar uma mulher grávida. — A confrontei, trazendo a realidade à tona.
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  — Tem certeza que a matou? — Ela manteve sua imponência, então estalou os dedos como se anunciasse para alguém.
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  Assim a porta se abriu revelando dois agentes mercenários, arrastando alguém.
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  — Foi difícil detectar seu cúmplice, mas conseguimos — explicou ela, acenando com a cabeça para que um dos agentes elevasse o rosto do homem arrastado.
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  — Jung — sussurrei, tentando não me abater com o impacto da situação, ver meu novo amigo machucado e desacordado.
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  — O que você fez a ele? — indagou %Matthew% ao se afastar da parede e dar passos curtos para se colocar ao meu lado.
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  — O que eu faço a todos os traidores. — Suas expressões suaves me enjoavam ao mesmo tempo que enfurecia. — Mas não se preocupem, ele ainda não morreu.
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  — Você vai se arrepender por isso. — Eu engatilhei a arma, precisava do meu respingo de autocontrole para não estragar nossa negociação.
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  — O que vocês querem afinal? — indagou Huston, voltando o olhar para %Matthew%. — Se sabem a verdade sobre a Division… Os arquivos estão com você, não é? Os mesmos que Allison roubou. Não deveria ter acreditado quando disse que tinham sido destruídos.
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  — Agora chegamos ao ponto central da demissão da Scar. — Collins se pronunciou, com aquele olhar de quem estava no controle de tudo desde o início.
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  O que sempre me impressionava ao mesmo tempo que irritava.
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  — Não vamos te devolver os arquivos, mas sabemos o estrago que ele pode fazer, tanto para Division quanto para as pessoas que estão acompanhando essa conversa pelas câmeras e escutas — assegurou ele, com firmeza. — Mas é claro que você sabe que também é vigiada por eles dia e noite.
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  — E quer negociar o silêncio de vocês — constatou ela. — Estão loucos se acham que eles vão permitir que vivam para contar a história.
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  — Para ser honesta, seria o contrário, se não sobrevivermos é que a história será contada — revelei a ela, nosso plano original.
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  — Acredito que todos ganham mais se nos deixarem aposentar em paz — completou %Matthew%, voltando seu olhar para câmera mais próxima.
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  — Achei que estava aqui para me demitir e não me aposentar — brinquei de leve, arrancando risadas dele.
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  De repente, o telefone do escritório tocou, atraindo nossa atenção. Huston se afastou de nós com tranquilidade e atendeu a ligação, após trocar algumas frases curtas com respostas rápidas, ela colocou o aparelho no viva voz.
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  — Considerem-se aposentados — disse uma voz feminina do outro lado da linha. — Deixe que eles sigam suas vidas com seus familiares.
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  — Ah, o Jung também faz parte da lista de funcionários — adverti a eles, demonstrando que não sairíamos em dupla e sim em trio.
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  — Senhores? — indagou Huston, mediante a minha condição.
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  — Sem contestações. — Uma outra voz masculina deu a ordem final, encerrando a ligação.
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  — Considerem-se com sorte — disse Huston, com o olhar frustrado de quem perdeu a guerra.
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  — Você é quem deveria se considerar com sorte depois de tudo isso — disse %Matthew% ao se afastar de mim e apoiar Jung, para carregá-lo em suas costas.
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  — Te admiro, diretora Huston, por sua força e inteligência, mas seu grande erro foi não ter mantido sua palavra com o Collins — relatei suas falhas visíveis.
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  — Não. — %Matthew% riu. — O erro dela foi dar a lista com o nome do Nathaniel para você.
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  — Hmmm… — Eu ri, assentindo. — Errado ele não está.
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  Guardei a arma no bolso e segui para a porta juntamente com Collins. Melhor do que uma entrada triunfal com bombas explodindo e o prédio em chamas, era uma saída de sucesso pela porta da frente com todos os olhares em nossa direção. Assim que chegamos no carro, %Matthew% deu a partida e seguiu pela trilha principal para sair dos perímetros e chegar à cabana.
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  — E agora? Acabou? — perguntei, ao voltar meu olhar para ele.
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  — Quem disse que acabou? — Ele sorriu de canto. — Não foi você que disse que deveríamos destruir todos e não só fazer acordos?
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  — Mas nós demos a nossa palavra. — O questionei. — Se revelarmos ao mundo, vamos nos igualar a ela.
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  — E quem disse que precisamos revelar ao mundo? — A voz de Jung soou do banco de trás, com um tom animado.
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  — Jung?! — Eu me virei para ele, num suspiro aliviado. — Você está bem!
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  — E desde quando não estive. — Ele me lançou um sorriso travesso de quem tinha segredos escondidos debaixo do carpete.
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  — O que vocês dois sabem que eu não sei?! — Olhei para %Matthew% que se fez de inocente, e depois para o hacker.
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  — Enquanto vocês estavam em sua negociação, digamos que eu não estivesse totalmente desacordado — confessou ele, numa risada boba. — Consegui gravar as vozes que saíram na ligação e neste mesmo tempo ativei meu localizador para rastrear o ponto inicial.
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  — E conseguiu?!
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  — Mas é claro, afinal, sou o melhor hacker que vão conhecer. — Ele piscou de leve para mim, se sentindo o charme em pessoa. — Meu localizador apontou quatro pontos em regiões diferentes, dois na Europa, um na Ásia e o último aqui nos Estados Unidos.
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  — E estão considerando ir atrás deles? — indaguei, voltando a questão para Collins.
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  — Nós vamos atrás deles assim que estabelecermos nossa própria base — explicou ele, nossa necessidade atual para o início da parte dois do nosso plano de eliminação.
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  — Eu prometi a minha irmã que devolveria a vida dela, a liberdade deles. — O lembrei da necessidade de tudo aquilo acabar.
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  — E você acha que teremos paz enquanto a Division existir? — retrucou %Matthew%, me chamando à razão enquanto se atentava ao caminho. — Imagine que daqui três anos eles mandem novos agentes alpha para nos exterminar, você sabe tanto quanto eu que se os arquivos vazarem para o mundo, a única que será exposta é a Huston.
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  — Tenho por mim que não é tão difícil encontrar outra pessoa para o cargo — comentou Jung, ao entrar na conversa, à medida que saboreava o pacote de salgadinho que achou atrás do banco.
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  — Você sabe que nós dois juntos pode ser perigoso — questionei, trazendo a realidade à tona.
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  — Então é melhor eles continuarem com medo. — %Matthew% piscou de leve ao olhar para mim pelo retrovisor.
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  Sim… Ainda não tinha acabado, mas essa…
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  Essa será outra história!
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Obrigada, amor
  Eu devo tudo isso a você
  Me deixou toda bagunçada
  O amor dele é o meu favorito
  Mas nós juntos, infelizmente, pode ser perigoso.
  - Kill This Love / BLACKPINK

  “Força: Não é o que temos que nos define, e sim como nos levantamos após uma queda.” - Pâms.

Fim

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Lelen

LIBERDADE, ENFIM!
Eu fico no aguardo da “outra história” com a retaliação desses dois, também aceito uns spin offs com a história do Jung (AMEI ESSE MENINO, PQP, MIMDÁ ELE PRA EU CUIDAR <3); a história do acampamento/Violet perdida na floresta; o depois do fim, com o que aconteceu com a família da irmã da pp + Nathaniel (NENÉM MAIS LINDO).
Ok, no final o Collins ganhou meu coração, o senhor agente rabugento se mostrou muito de coração puro e eu amei conhecer esse outro lado dele <3
Posso ficar esperando uma pequena continuação com esse final de vingança? HEHEHEHEH

Pâms

❤❤❤❤❤❤❤❤

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