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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Division

Escrita porPams
Revisada por Lelen

3 • Quarta Missão

Tempo estimado de leitura: 29 minutos

  O que é a lealdade? Para uns era a forma de demonstrar sua amizade a uma pessoa, para outros uma declaração de amor. Em minha segunda vida, minha lealdade a Division poderia significar minha sobrevivência e, talvez, daqueles que eu amo.
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  Um suspiro final após puxar o gatilho nunca foi tão doloroso para mim, aquele primeiro alvo havia me deixado com o gosto de sangue na boca, ou a sensação dele, já que não fui eu que saiu sangrando no final. Voltei o olhar para meu treinador que também mantinha sua atenção no homem abatido há quilômetros de distância de nós, sendo amparado por sua família visivelmente desesperada.
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  O que será que estavam fazendo naquele vale? 
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  Naquele dia? 
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  E qual o motivo para que ele fosse meu primeiro alvo?
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  — Então? — perguntei a ele erguendo meu corpo com seriedade na voz.
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  — Razoavelmente bem. — Ele sorriu de canto discretamente, mantendo o olhar no horizonte, provavelmente não queria que eu visse a ponta de orgulho em seu olhar.
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  — Razoavelmente bem? — indaguei, mantendo a entonação no fato de ele classificar como razoável.
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  — Para a primeira vez, você acertou o alvo, é isso que importa. — Ele colocou as mãos nos bolsos da calça e virou de costas, impulsionando seu corpo em direção ao carro. — Guarde o Seto Kaiba, vamos voltar.
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  — Apenas isso, vir, atirar e voltar? — indaguei ainda perplexa pela sua frieza diante das minhas palavras. — Aquele homem… Era uma vida ali.
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  — E o que você quer fazer a respeito? — O agente se voltou para mim, com o olhar apático e insensível. — Ligar para o resgate? Mandar flores para o funeral? Este é só o primeiro de muitos, sugiro que se acostume.
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  — E por que ele? — Insisti em minhas perguntas, tentando não surtar internamente e procurando um propósito melhor em minha segunda vida do que matar pessoas sem perguntar o motivo, apenas para o prazer da diretora Huston. — O que este homem fez de errado?
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  — O que %Violet% Grimer fez de errado para ter sido sentenciada à morte? — retrucou ele, me deixando sem palavras e reflexiva.
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  Em meu caso, eu realmente não tinha feito nada e meu final havia sido triste e doloroso.
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  — Então, ele também é um inocente? — O confrontei controlando a raiva que começava a sentir. — A Division me forçou a matar um inocente?
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  — Primeiro, não existem inocentes, sempre temos um pecado escondido. — Seu olhar se manteve frio, seu tom mais áspero e firme. — Segundo, você não foi forçada a nada… Você fez sua escolha.
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  — Ah sim, matar ou morrer — disse alto e claro, sentindo um embrulho no estômago por aquela segunda vida.
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  — Bem… — Ele sacou a arma que escondia na cintura e apontou para minha cabeça, me fazendo engolir seco. — Você pode voltar atrás e escolher novamente.
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  — Você teria coragem? De me matar? — retruquei, mantendo-me firme em meu olhar, sem demonstrar medo ou covardia.
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  — Seria um desperdício, confesso, mas sigo ordens. — O homem engatilhou a arma, a frieza que emanava de suas expressões me deixava perplexa. — Faça sua escolha, agente alpha.
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  — Como você mesmo me chamou… — Eu desviei meu olhar dele, forçando uma serenidade incomum, comecei a desmontar a arma e a guardei na maleta. — Sou uma agente e já fiz minha escolha.
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  Collins travou a arma novamente e a guardou na cintura, dando o primeiro passo para retornar ao carro, consegui ver de relance um sorriso no canto de seu rosto. Eu respirei fundo sentindo minhas pernas trêmulas, um medo interno que a todo momento desejava me consumir, tinha que combatê-lo constantemente para não ser vencida pelas circunstâncias.
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  Ao chegar no carro, coloquei a maleta no banco de trás e me sentei ao lado do motorista, permanecendo em silêncio todo o restante do caminho. Chegando na base, fomos recebidos pelos olhares curiosos da senhora Huston, que mantinha uma suavidade no rosto de quem havia passado o dia no spa e recebido a melhor massagem do mundo.
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  — Relatórios? — indagou a mulher, que teoricamente era a dona da minha segunda vida.
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  — Ela está pronta — respondeu Collins, prontamente, com seu habitual tom sério e a voz grossa. — Sua mais nova agente alpha.
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  — Muito bem. — A senhora Huston voltou seu olhar satisfeito para mim com um sorriso de canto. — Agora, oficialmente, seja bem-vinda ao setor alpha da agência Division, agente Scar.
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  Senti aquela nomeação como uma espécie de batismo, oficialmente, eu havia renascido e minha segunda vida estaria ativa para a Division.
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  — Com isso, nosso acordo se conclui aqui — disse Collins num tom baixo para a diretora.
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  — Não vamos falar sobre isso agora — disse a mulher, como se quisesse repensar o que quer que tenha sido o acordo de ambos.
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  — A senhora prometeu — reforçou o homem.
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  — E sou uma mulher de palavra. — Assentiu ela, com o olhar de ofendida. — Você cumpriu sua parte e terá seu tesouro de volta, mas antes…
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  Ela parou por um momento e olhou para mim. Certa de que eu não deveria saber sobre o assunto privado do meu treinador.
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  — Apenas finalize formalmente o treinamento dela, certamente ainda faltam as explicações sistêmicas, então apresente-a ao capitão Foster — ordenou Huston, suavizando mais seu olhar.
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  — Sim, senhora — disse Collins, voltando o olhar para mim. — Venha comigo.
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  Ele seguiu na frente, em direção ao corredor de acesso ao nível três.
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  — Espera, não terminamos? — disse ao me afastar da diretora e o seguir, totalmente perdida no assunto. — O que mais tenho que aprender? Matar não é o suficiente?
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  — Não. — O agente segurou o riso, mantendo seus passos apressados.
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  — Então o que mais? — Insisti continuando a segui-lo. — Eu já não sou oficialmente a Scar? — indaguei, já me apropriando do meu novo nome.
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  — Sim, mas ainda não tem conhecimento do sistema da Division, por isso vou te apresentar ao seu hacker pessoal — explicou Collins, ao parar diante de uma porta branca e digitar a senha de entrada na fechadura eletrônica. — Este é o setor de T.I. que fornece o melhor suporte aos agentes alpha.
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  — Os nerds da tecnologia? — brinquei ao entrar atrás dele, rindo baixo.
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  Podiam até ser nerds, entretanto, com aquela surpreendente estética de atores coreanos dos doramas que minha irmã sempre me indicava na Netflix, o que me impressionou muito por todos serem aparentemente bonitos e com noções de moda, pois as roupas eram descoladas e elegantes.
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  — O que achou? — perguntou Collins, me olhando discretamente.
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  — Uau. — Somente quando ele perguntou, eu finalmente me atentei ao espaço em si, uma decoração que misturava o design industrial com discretos elementos da tecnologia e muita vegetação em pontos estratégicos.
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  Se eu não soubesse que aquele lugar ficava andares abaixo do nível principal da base, eu diria que era no mínimo a cobertura de um prédio ao centro de Manhattan. Tão espaçoso, arejado e uma sensação aconchegante que o piso amadeirado me transmitia juntamente com a iluminação. Pelo cuidado em montar um espaço assim, certamente eles eram o cérebro desta agência.
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  — Este lugar não é a Division que eu conheço — comentei, em sussurro.
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  — Sempre penso isso quando venho aqui — disse o agente, seguindo em frente novamente.
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  — E meu hacker, quem é? — indaguei curiosa, ao olhar para os sete homens que trabalhavam ali.
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  Collins parou de repente e apontou para um garoto com cara de adolescente.
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  — Aquele ali — disse ele, voltando as mãos aos bolsos.
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  — Um adolescente? — indaguei.
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  — É o melhor de todos eles — afirmou Collins, com segurança nas palavras.
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  — Um adolescente? — Eu voltei meu olhar para o agente, um tanto indignada. — A Division não tem limites? Uma criança?
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  — Quem disse que sou uma criança? — Logo o garoto apareceu em nossa frente, me dando um susto interno. — Confesso que tenho dezesseis anos, mas já sou emancipado.
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  — Jung, esta é sua nova agente — disse Collins me apresentando ao rapaz. — Cuide bem dela.
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  — Prazer, senhorita Scar. — O garoto voltou o olhar para mim e deu um sorriso bobo, com ar de animação por finalmente me conhecer. — O agente Collins contou sobre você, estou ansioso para trabalharmos juntos.
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  Eu apenas conseguia enxergá-lo como um daqueles colegiais de dorama que tinha uma vida dupla depois da escola.
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  — O agente Collins contou sobre mim? — Voltei meu olhar para o garoto que já estava se retirando. — Aonde vai?
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  — Não precisa mais de mim, agora você vai trabalhar diretamente com o Jung — informou Collins, com o olhar despreocupado.
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  — Mas você não tem que me apresentar ao capitão Foster? — indaguei, me sentindo estranha por imaginar que meu carrasco iria finalmente se afastar de mim.
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  — Jung lhe apresentará a ele, meu trabalho com você acabou. — O agente voltou o olhar novamente para o hacker. — Cuide bem dela. 
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  Senti uma sutil entonação naquela frase, principalmente por ele repetir novamente, como se soubesse que Jung seria a única pessoa em que eu poderia confiar ali dentro. Foi um breve aperto em meu coração por aquilo, imaginar que mesmo sendo a agente perfeita aos olhos de Huston e seguindo as regras, eu ainda poderia estar correndo algum risco. Jung assentiu com a cabeça ao pedido com tom de ordem dele, e o silêncio pairou por alguns instantes enquanto meu carrasco se afastava ao se retirar.
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  — Então você é a nova agente treinada por Collins. — O olhar de Jung para mim me constrangeu. — Estou louco para ver em que arma letal ele te transformou.
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  — Bem, eu matei um homem nesta manhã… E estou esperando pela lista do almoço — brinquei de leve, tentando não voltar ao meu surto anterior na colina.
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  — Fique tranquila, com o tempo você se acostuma. — As palavras do rapaz pareceram sinceras em sua intenção de consolo.
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  — E você é meu hacker, mas se tenho você, por que preciso aprender mais alguma coisa? — indaguei ao mudar de assunto e deixar transparecer minha curiosidade.
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  — Bem, eu vou te ensinar alguns truques, não todos, pois preciso manter meu emprego — brincou ele, rindo de leve pelo comentário final. — Mas caso precise se virar sozinha, estará pronta para invadir alguns sistemas.
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  — E o que vou aprender hoje? — perguntei, me empolgando um pouco. — Invadir o pentágono?
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  — Quase isso. — Jung deu alguns passos até uma das estações de trabalho. — Puxe uma cadeira que vou te mostrar algumas coisas legais.
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  Assenti ao me voltar para o lado e pegar nas costas da cadeira e puxá-la para me sentar. Jung, à primeira vista, me pareceu um garoto descontraído e gentil, além de divertido, principalmente após descobrirmos nossos gostos semelhantes para animes e do fato de eu ter nomeado minhas ferramentas de trabalho com nome de personagens. Ficamos horas conversando e nem mesmo vi o tempo passar, só notei que já era noite quando paramos no computador para fazer um lanche.
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  — E qual é a do nome Scar? — perguntei a ele, ao dar mais uma mordida em meu sanduíche.
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  — Ah, este nome. — Jung tomou um gole da coca em sua lata e ficou em silêncio por um tempo, parecia estar se decidindo se continuaria o assunto ou não.
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  — Eu posso saber a história dele ou é assunto sigiloso? — insisti um pouco, meio curiosa.
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  — Bem, eu não sei a história, mas sei que a pessoa que inventou esse codinome foi o agente Collins para a mulher que ele treinou antes de você.
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  — Achei que eu havia sido a única que conseguiu sair viva das garras dele — brinquei, rindo baixo. — Teve outra agente?
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  — Ah, sim, teve… — Jung respirou fundo, um tanto pensativo sobre o assunto, enquanto encarava a tela do computador. — É complicado falar sobre isso e, pelo que parece, não terminou bem.
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  — Ela morreu? — indaguei.
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  — Pior. — Jung me olhou, pude ver o medo em seus olhos. — Ela era a melhor que tinha e traiu a Division.
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  — Pior que morrer é trair a agência? — Aquilo me indignou um pouco.
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  — Traidores são punidos da pior forma possível, e mandaram justo o agente Collins para caçá-la — contou Jung, voltando sua atenção para o último pedaço de sanduíche em suas mãos. — É só isso que eu sei… Mas dizem que o agente Collins ficou um ano inativo por causa dessa missão e quando voltou...
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  — Ele conseguiu completá-la?! — Meu olhar ficou fixo nas expressões faciais dele.
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  Seu silêncio foi como uma resposta positiva para minha pergunta. Saber aquela história havia me deixado pensativa o restante da noite, curiosa para saber quem era a tal mulher que ocupava o meu codinome, o motivo de sua traição e se ela e Collins haviam tido algo a mais que apenas os treinos pesados e exaustivos que eu tive.
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  No final da noite, fui promovida para um quarto melhor que aquela cela fria em que dormia, e o espaço parecia mesmo um quarto de hotel daqueles de luxo com direito a banheiro privativo e closet com a seleção das melhores marcas de roupas de sapatos, todas com minha numeração e tamanho exato.
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  Muito capricho e organização.
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  Mas, até quando eu seria tratada como uma realeza? 
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  Até eu não ser mais necessária?
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  Quanto mais eu me perguntava sobre a antiga Scar, mais eu pensava em como seria a minha segunda vida em carreira solo. Não tão solo assim, já que eu teria o apoio de Jung em todas as minhas missões, já o estava considerando como um novo e necessário amigo para que minha sanidade continuasse em equilíbrio.
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  Meu hacker havia me explicado sobre minhas missões, o que me levou a quase surto quando relatou o fato de eu receber sete listas com dez nomes cada de lugares diversos e com datas e horários agendados para o serviço. Eu teria que ser o mais precisa e pontual possível, porém, o que me chocou não foi a quantidade mínima de pessoas que estaria em cada lista, e sim o fato deles saberem a localização e hora exata que cada um estaria.
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  — Estou curiosa sobre você — comentei ao finalizar a sequência de exercícios que ele havia me passado.
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  — Sobre mim? — Jung, que estava jogada no sofá ao lado, se remexeu, mantendo a atenção voltada ao jogo em seu celular.
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  — É — assenti —, você é uma criança, não deveria estar aqui.
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  — Já disse que não sou uma criança e sou emancipado. — Seu tom demonstrou chateação inicial. — Mas vou te perdoar, porque você é bonita.
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  Eu soltei uma gargalhada boba, então me controlei assim que o outro nerd no canto da sala me olhou torto.
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  — Então cada agente alpha tem seu próprio hacker? — indaguei e voltei meu olhar para ele.
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  — Sim. — Jung sorriu de canto. — E eu esperei por meses para ter minha agente.
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  — Oh, me desculpe a demora. — Ri baixo. — Acredite, foi um surto chegar até aqui.
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  — É, acho que para a maioria de nós é assim — sussurrou Jung.
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  — E como veio parar aqui? — indaguei a ele.
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  — A vida não é fácil quando se é órfão. — Jung parou seu jogo e voltou a atenção para mim. — Foi o agente Collins quem me recrutou, estava em uma missão quando nossos caminhos se cruzaram e eu o ajudei, então entrei para a Division.
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  — E você gosta de trabalhar para eles? — Meu olhar curioso permaneceu fixo no garoto.
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  — Me divirto com o que faço — confessou, dando uma risada boba.
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  Ele parecia mesmo se divertir com seu emprego na Division, já eu, é um tanto complicado dizer que poderia me divertir matando pessoas. Assim, foram necessárias mais três semanas de treinamento técnico para entender o básico de tecnologia que precisava para finalmente ser apresentada ao capitão Foster.
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  — Bom dia, você deve ser a nova agente Scar — disse o homem grisalho, arquendo a sobrancelha, me analisando com o olhar de baixo para cima.
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  — Bom dia, capitão Foster. — Mantive meu tom sério e o olhar inexpressivo, não me deixando intimidar por ele.
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  — Recebi boas avaliações a vosso respeito e não vou me prolongar em dizer que espero êxito em todos os alvos. — O homem esticou a pasta que estava em suas mãos para mim. — Aqui está sua primeira missão, imagino que Jung já tenha lhe passado todos os protocolos.
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  — Sim, senhor. — Engoli seco, ao deixar meu olhar atravessá-lo e pousar em outra agente que me encarava sem a menor discrição.
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  Peguei a pasta de sua mão.
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  — De acordo com as coordenadas do seu alvo inicial, você parte à noite — anunciou o capitão voltando sua atenção para a direção que meu olhar estava. — Ah, agente Stone, acho que já conhece a nova agente Scar.
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  A mulher permaneceu em silêncio me encarando, o que me passava uma sensação ruim e a ideia de que ela queria mesmo era arrancar meu coração fora. Apenas me forcei a ignorar sua existência momentânea e, me afastando de Foster, segui meu caminho em direção ao nível três, onde pegaria meus novos documentos e cartões com Jung para minha viagem inaugural.
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  Claro que a Division não iria me soltar no mundo, confiando em minha lealdade de agente recém treinada, com isso, um chip de rastreamento foi implantado em meu ombro esquerdo para que, através de satélite, meu hacker pudesse ter em tempo real minha localização precisa.
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  Cada passo que eu der, a diretora Huston e meu novo capitão saberão.
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  — Então, conseguiu entender? — perguntou Jung, ao me explicar pela segunda vez as funcionalidades do aplicativo oculto da Division em meu smartphone.
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  — Sim, entendi cada detalhe. — Assenti ao pegar o aparelho de sua mão e guardar dentro da bolsa. — Já estou com tudo aqui. Preciso de mais alguma recomendação?
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  — Não morra, por favor — disse o hacker com os olhos marejados como os de uma criança.
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  — Não passamos muito tempo juntos, mas sei que gostou de mim da primeira vez que me viu — brinquei com ele.
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  — Bem, você me chamou de criança, isso feriu meus sentimentos — brincou ele, comigo. — Mas você é legal, vamos nos divertir trabalhando juntos.
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  — Com certeza, só não vai me espionar no banho — brinquei novamente, rindo um pouco dele.
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  — Você não faz meu tipo — retrucou Jung, fazendo uma careta.
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  — Serei escoltada por alguém? — indaguei ao perceber a presença de alguns guardas.
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  — Sim, eles te levarão até o centro comercial, de lá, você segue sozinha pelo trajeto que traçamos até o seu alvo inicial — respondeu.
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  — De acordo com esta lista, ficarei seis meses fora, o que farei no meio tempo entre os alvos? — perguntei, ainda confusa pela distância de datas.
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  — Você pode usar este tempo para descanso ou treino, quanto mais habilidade tiver, mais precisa será — aconselhou o hacker em resposta.
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  — E quando eu terminar? Voltarei para a base? — Desviei minha atenção para um hacker chamado Hwang, que curiosamente conversava com outro agente alpha, o senhor Smith.
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  — Estou preparando sua base de descanso, então em breve lhe envio as coordenadas dela — informou Jung com o olhar orgulhoso de sua competência. — Ah, depois quero que me diga suas cores favoritas.
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  — Não me diga que também tem bom gosto para decoração — comentei, surpresa com seu olhar empolgado.
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  — Claro que sim, fui eu quem fez o projeto base deste lugar — contou ele, ainda mais orgulhoso.
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  — Olha só, temos um aprendiz de arquiteto aqui — brinquei, com risos discretos.
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  — Digamos que eu tenho um gosto refinado. — Assentiu Jung, se sentindo o Oscar Niemeyer da Division.
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  — Ok, eu te envio depois, agora tenho que ir. — Dei o primeiro passo para me retirar, então me voltei para o rapaz novamente. — Assim que eu terminar esta missão…
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  — Te envio a próxima — completou ele a frase, antes de eu terminar a pergunta.
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  Assenti com a cabeça e finalmente segui para a saída. Eu sabia que minha primeira missão não seria tão fácil assim, mas o que me impressionou foi ver o olhar atravessado e intimidador de todos os outros seis agentes alpha para mim, como se esperassem apenas pela permissão da diretora para me cortar em pedaços e jogar aos lobos.
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  Apenas quando desci do carro há poucos metros do centro comercial, e recebi a primeira mensagem de Jung no celular, foi que minha ficha caiu. Eu estava de volta ao mundo, mas não como %Violet% Grimer, não como uma acusada por homicídio, e sim como uma alpha da Division, agente Scar pronta para cumprir todas as missões que me propusessem.
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  — De volta ao jogo, Scar — sussurrei para mim mesma, ao respirar o ar puro que recendia da vegetação próxima, me fazendo ter uma leve e momentânea sensação de liberdade.
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  Ainda que eu tivesse que suportar os pesadelos à noite, ainda que eu tivesse que prender minha ânsia de vômito após finalizar alguns alvos, ainda que eu não fosse realmente livre para fazer o que quiser, aquela era a minha segunda vida, então só havia uma forma de sobreviver: sendo a melhor. Eu havia me saído bem naqueles quatro anos como agente alpha.
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  Três missões bem sucedidas…
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  Vinte e uma listas…
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  E um total de duzentos e dez alvos abatidos.
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  Naquela manhã chuvosa de sexta-feira, eu estava em minha aula de jardinagem, era para ser um dia tranquilo de folga, até que percebi a estufa esvaziar aos poucos, restando apenas uma pessoa. Mantive a serenidade do momento e continuei com a atenção nos pequenos vasos decorados a minha frente, enquanto replantava as mudinhas de suculenta.
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  — Confesso que ao longo desses quatro anos, sempre me perguntei se em algum momento te veria novamente — comentei elevando um pouco a voz para que me ouvisse.
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  — Não poderia deixar de cumprimentar minha melhor agente após o sucesso de três missões consecutivas. — A voz de Huston soou no lugar, trazendo um certo peso ao ambiente.
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  Jung já havia me dito que só havia dois motivos para um agente alpha na ativa receber a visita surpresa da diretora: seu desligamento por um erro cometido, ou, uma missão especial. Eu sabia que não era a primeira opção, o que me deixou tensa no início.
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  — Tenho que admitir que Collins fez um bom trabalho, a treinou de forma impecável, você se tornou uma agente sem falhas e sem atrasos — disse a mulher num tom de elogio espontâneo.
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  — Garanto que ele só possui metade dos créditos — assegurei a ela, com firmeza.
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  Meu sucesso se dava a mim, ao meu esforço e o quanto eu conseguia aguentar a barra que era viver a minha segunda vida, e não a ele, por mais que tivesse me treinado bem.
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  — Então, nós duas sabemos o que a traz aqui. — Me afastei dos vasos, apoiando as mãos na bancada de mármore em que trabalhava, então deixei minha atenção inteiramente nela e em seus pequenos e sutis gestos corporais.
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  A diretora Huston sorriu de canto, como se gostasse da forma em que eu conduzia aquela visita, então retirou uma pasta de dentro da maleta em sua mão e esticou para mim.
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  — Quero que saiba que esta é a sua missão mais valiosa — revelou ela, sendo direta nas palavras. — E pode considerá-la seu teste de lealdade a Division.
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  — Teste de lealdade? — Eu segurei o riso, não entendendo a necessidade. — Achei que todos os meus alvos já valiam para isso, sabe muito bem o nome de cada um que esteve na minha lista.
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  — Sim, eu sei — assentiu a mulher, levantando seu olhar superior —, e é por isso que seu sucesso nesta missão vai revelar se realmente merece ser a agente Scar.
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  — Se eu realmente mereço… — retruquei a ela, com confiança ao pegar a pasta de sua mão. — Eu sou a agente Scar.
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  — Prove-me, então — instigou ela ao acenar para que eu abrisse a pasta.
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  Voltei meu olhar para aquela pasta preta, respirando fundo, desejando que o alvo não fosse ninguém da minha família. Pois preferia morrer a fazer aquilo.
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  — Outra lista?! — indaguei, me preparando para abrir.
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  — Abra e veja. — Reforçou ela, parecia ansiosa por minha reação.
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  Ao virar a aba, meus olhos passaram pelos papéis dentro, até que chegou primeiramente em um nome.
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  — Nathaniel Villin — sussurrei o nome, ao voltar o olhar para a foto embaixo.
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  Meu corpo gelou de ver um rosto conhecido, trajando roupas totalmente diferentes do habitual e um semblante sutil de felicidade. Algo que nunca imaginei ver.
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  — Então este é o nome verdadeiro do agente Collins?! — indaguei, mantendo meu olhar fixo naquela foto.
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  — Não, este é o nome da criança que está em seus braços — respondeu a diretora da forma mais serena e despreocupada.
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  Aquela era a primeira vez que uma criança me foi apresentada como um alvo e, curiosamente, era também ligada ao homem que, por algumas semanas, foi meu pior tormento. Voltei meu olhar para Huston, tentando não demonstrar minha surpresa e susto pela importância da missão.
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  — Tenho mantido altas expectativas em você, agente Scar — afirmou ela, dando o primeiro passo para se retirar —, espero que não me decepcione, afinal, você sabe o que acontece com traidores.
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  Assenti com o olhar de imediato, porém, minha mente começou a refletir aquelas palavras. Um traidor é punido da pior forma possível, e se minha missão era para aquela criança, logo, o propósito é ferir o agente Collins, o que me leva a lembrar da conversa entrelinhas que ele teve com a diretora logo após meu primeiro alvo.
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  Será que o agente Collins também é um traidor?
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Se você não pode voar, então corra
  Hoje nós vamos sobreviver
  Se você não pode correr, então ande
  Hoje nós vamos sobreviver
  Se você não pode andar, então rasteje.
  - Not Today / BTS

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Lelen

Pra mim Collins já virou o Lee Soo-hyuk na minha cabeça, então é isso HASOIDHASOD
EU TÔ OFENDIDA, CRIANÇA É COVARDIA, MEU POVO!
Nonononono. Bora saber o que raios rolou com nosso agente e por que sa doida quer a cabeça de uma criança QUE TEVE NEM TEMPO PRA SE CORROMPER DIREITO. Olha só, senhora. Veja bem. O tiro pode sair pela culatra (tô esperando mais é que saia, viada) a não ser que isso aqui vire Fullmethal Alchemist e a criança seja igual o Selim
Bora, quero att pra saber wtf tá rolando, MIMDÊ!

Pâms

Agora o barraco desabou kkkkkkkkk

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