Capítulo 8
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Depois que me levantei para um novo dia na skin de Ayla, tudo que encontrei foi um caos.
Eu não tinha ideia de qual parte da história eu tinha ido parar, até descobrir que era o último dia de obrigações acadêmicas de Ayla. Isso meio que explicava por que eu estava me sentindo como uma zumbi o dia todo. Além de não dormir direito, ela estava à beira de ter um colapso nervoso, o que meio que aconteceu depois que ela se livrou de tudo.
Minha skin de Ayla encontrou com Zico e Dean e caiu no choro nos braços de Zico, coitado. Ele nem sabia o que fazer, e eu duvidava muito que Dean soubesse. No entanto, os dois murmuram palavras de consolo para ela. Ver Dean novamente era animador, mas minha skin de Ayla estava extremamente cansada e deprimida depois daquela última semana de provas e seminários. Se eu bem me lembrava, ela até havia esquecido o que ia falar no meio de uma apresentação.
Que terror para um estudante precisando de nota.
Mas eu sabia que ia ficar tudo bem, afinal, eu li o livro.
He he. O dia passou rápido e logo me vi olhando para o teto e dando um sorrisinho, feliz por não ter que fazer nada. Obviamente aquela felicidade que eu estava sentindo vinha toda de Ayla. Mas ela também havia falado com Seojun, seu ex-namorado e melhor amigo, então supus que estava feliz por isso também.
Seojun era um ator consideravelmente famoso e havia sido o primeiro e único namorado de Ayla, antes dela se envolver com Dean. Ele era sete anos mais velho, e um amor de pessoa. Também era o protagonista do segundo livro da série, e até hoje eu não havia encontrado nenhuma leitora da Kate que não gostasse desse homem. Era praticamente impossível não gostar dele quando o cara era extremamente gentil, cuidadoso e amoroso.
Franzi o cenho, percebendo a similaridade com a personalidade dos dois. Embora Dean fosse inspirado em %Aidan%, havia muita coisa que meu namorado tinha em comum com Seojun, e eu só notei isso depois de conviver um pouquinho com ele.
Era como se %Aidan% fosse uma mistura dos dois. E não ironicamente, Dean e Seojun eram meus favoritos na série toda.
Embora eu gostasse do Yeong e do Sean também, os irmãos Lee, protagonistas dos livros quatro e cinco — os últimos da série — respectivamente. Eu não havia conhecido muito do Sean ainda, mas desde que ele apareceu em
Perspicaz, o livro três, o idiota já me ganhou. Eu realmente tinha um probleminha com personagens em zona cinza porque Sean não era bem um mocinho habitual e tinha várias atitudes questionáveis, por mais que fossem divertidas também.
De todo modo, meu tipo ideal de cara se resumia a Dean e Seojun, então perceber que meu namorado era uma mistura dos dois fazia meu coração dar pulinhos de felicidade.
Ouvi a campainha tocar e me levantei para abrir a porta, dando de cara com Zico.
— Meu Deus. Se eu não soubesse que era você, eu morreria de susto, sinceramente — ele disse, fazendo uma careta assim que me viu.
Minha skin de Ayla ainda estava meio sem energia, então só perguntou o que ele queria.
Eu sabia muito bem o que Zico estava fazendo ali. Ele tinha ido me buscar para me levar ao clube em que ele, Dean e alguns amigos se apresentariam, e essa era a única coisa capaz de tirar Ayla de casa.
Depois dele me convencer, saí para me arrumar. Esperei minha skin continuar a agir no automático para se arrumar sozinha e depois de alguns segundos percebi que isso não ia acontecer. Suspirei e tirei a roupa que eu vestia, procurando algo confortável para a noite e...
Espera aí. Arregalei os olhos, encarando meu próprio reflexo no espelho. Aquela era a primeira noite que Ayla e Dean também passariam juntos e... Que lingerie
feia ela estava usando.
Eu tinha a lembrança de algum protagonista de Kate zoando alguma calcinha estampada de uma mocinha, mas não fazia ideia de quem era. Nem se era daquela série. De todo modo, me recusei a usar uma calcinha branca de bolinhas vermelhas e um sutiã bege. Eu podia fazer bem melhor. Era a primeira noite deles, pelo amor de Deus.
Obviamente, Ayla não sabia daquilo, mas eu sim. E se o Dean era a cara do meu namorado, eu só tinha que aproveitar a situação. Ri sozinha, enquanto escolhia um conjunto de renda preto. Meu inconsciente só podia estar cheio de tensão sexual mesmo para me mandar de volta para o livro justo no dia em que Ayla e Dean dormiriam juntos pela primeira vez.
Ah, que sorte. Eu mal podia esperar por esse momento. Eu podia ter perdido o primeiro beijo, mas isso era bem melhor. Me senti como o próprio emoji roxo com
chifrinhos sorrindo.
Terminei de me arrumar em alguns minutos e fiz apenas uma maquiagem leve para disfarçar minha cara de zumbi. Descobri que deu certo assim que encontrei Zico outra vez.
— Minha nossa — Zico colocou a mão na boca, fingindo espanto. — A maquiagem realmente faz milagres em você, Ayla. Sua cara de zumbi já era.
Minutos mais tarde, chegamos ao clube e Zico me apresentou a alguns outros amigos que também se apresentariam naquela noite.
Dean se ofereceu para buscar um refrigerante para mim e eu o observei de longe. Uma garota de vestido preto o parou quando ele estava voltando e eu os encarei, sabendo que ele a rejeitaria em breve. Como se sentisse meu olhar, ele levantou a cabeça, me encontrando no mesmo instante. Ayla teria desviado o olhar, fingindo que observava o local, mas quando ela não fez isso, percebi que eu estava no comando outra vez.
Geralmente era o que acontecia quando não havia diálogos ou descrições detalhadas.
Continuei encarando Dean e, como esperado, ele rejeitou as investidas da garota educadamente, antes de me encontrar outra vez. Ele se sentou ao meu lado em silêncio e deu um gole em seu copo de whisky, antes de se recostar no sofá que estávamos e levantar o quadril levemente para tirar algo do bolso.
Uma carteira de cigarros. Eu já sabia o que ia acontecer e não fiz nem questão de esperar Ayla dizer.
— Você não pode fumar comigo aqui.
— O quê? — Dean me encarou.
— Eu tenho alergia a tabaco, Dean. E estamos em ambiente fechado, por mais que seja um clube. Você não quer me ver tendo uma crise de tosse e falta de ar, né? E eu odeio o cheiro disso.
Não era bem isso que Ayla dizia para ele, mas eu resolvi improvisar.
Dean piscou duas vezes e então assentiu, voltando a guardar a carteira de cigarros.
Imediatamente agradeci mentalmente a %Aidan% por ter parado com aquela merda. Eu
realmente odiava cigarros. E se meu namorado não pretendia largar o tabaco pela própria saúde, fiquei feliz em saber que ele tinha feito isso pela minha.
Depois de alguns minutos, os meninos foram para o palco se apresentar e eu me diverti assistindo. Até que chegou o momento crucial em que Dean cantou uma música sozinho.
"Eu vou te foder se você deixar..." Um sorrisinho apareceu no meu rosto, sabendo que eu deixaria
sim e de bom grado. Na verdade, eu estava contando os minutos para ir embora. Já que eu não estava aproveitando %Aidan% na vida real, então eu o faria ali, em sua skin de Dean.
Eu tinha uma queda pela voz de %Aidan%. Foi o que me chamou atenção primeiro, antes mesmo de conhecer seu rosto. E no corpo de Ayla, eu sentia como ela também gostava da voz de Dean. Nós ainda éramos %Alexa% e %Aidan% em um universo diferente, e eu não tinha do que reclamar.
Quando Dean voltou para onde eu estava, nós assistimos uma batalha underground de rap que rolava no palco e tivemos um diálogo automático. Fui uma mera expectadora naquele momento, mas me senti animada por dentro mesmo assim.
Dean perguntou por que Ayla não estava animada durante a apresentação dele e ela deu uma desculpa esfarrapada de que era porque o conhecia. Ele retrucou dizendo que ela havia gritado quando Zico se apresentou e Ayla rebateu falando que Zico não estava cantando "eu vou te foder se você deixar”, mas que teria sido diferente se ela não o conhecesse ou soubesse que não o veria mais. Eu sabia que ela agiria como uma maluca se não fosse por isso.
E acho que Dean também, porque ele apoiou a mão do outro lado da grade da varanda onde estavam, encurralando Ayla. Minha skin se encolheu involuntariamente e eu sorri por dentro. Quem nos visse, pensaria que estávamos abraçados, mas Dean apenas se inclinou para falar em meu ouvido:
— Nesse caso, eu gostaria que você não me conhecesse — ele murmurou, a voz rouca me fazendo arrepiar.
Ai, %Aidan% %Callahan%... Por que você tinha que ser tão bonito e provocante? Senti um frio na barriga e meu coração acelerou.
— O quê? Por quê? — perguntei, rindo sem graça, olhando para o palco. Dean riu baixinho, antes de se inclinar novamente.
— Porque eu adoraria te ouvir gritando meu nome.
Minha nossa. Que Deus tivesse piedade de Ayla e de mim, porque certamente aquele homem
não tinha.
Depois de mais alguns minutos divididos entre diálogos inocentes e mais provocações de Dean, eu (Ayla) anunciei que queria ir para casa e praticamente decretei que ele me levasse embora.
Eu sabia que Ayla dirigia para casa mesmo sabendo que Dean não estava bêbado, mas não me importei. Eu não estava com vontade de dirigir e fiquei feliz quando aquele diálogo não ocorreu. Eu iria tranquilamente no banco de carona e se Dean fosse parado e multado por beber uma dose de whisky, então azar o dele.
Como eu ainda precisava de uma desculpa que o fizesse subir até meu apartamento, falei que daria um pouco de água para ele quando chegássemos com a justificativa de que não o vi tomando nada.
Funcionou. Era melhor do que obrigá-lo a tomar café à noite.
Desculpa, Kate. No entanto, mais um diálogo automático veio e, de repente, Ayla e Dean estavam discutindo e indiretamente mencionando o beijo que ambos passaram um mês fingindo que não havia acontecido. Eu sabia que eles iam começar a se pegar a qualquer momento, então apenas esperei pacientemente enquanto me divertia com a mini discussão cheia de tensão sexual dos dois.
E quando Dean se aproximou no meio da discussão e colocou uma mecha de cabelo atrás da minha orelha, eu já sabia o que ia acontecer.
— Dean... O que você tá fazendo? — perguntei, sentindo o coração bater na garganta.
Dean me olhou nos olhos e sorriu, roçando o nariz no meu.
— Beijando você — respondeu, antes de me puxar para si, juntando nossos lábios.
Gemi contra sua boca, lembrando da primeira e única vez que beijei %Aidan%, ainda no hospital, e como tinha sido completamente inocente comparado àquele beijo. No próximo instante, estávamos no sofá e eu suspirei baixinho quando Dean levou os lábios até meu pescoço.
— Dean... — o chamei quando ele pressionou nossos corpos, me fazendo gemer com a fricção.
— Eu adoro quando você diz meu nome, Ayla...
Filho da puta. Me seduzindo e sabendo que estava obtendo sucesso. Eu que não iria reclamar.
—
Eu vou te foder se você deixar, amor... — ele cantarolou baixinho no meu ouvido, alguns instantes depois.
Quando chegou o momento em que nos movemos até o quarto e Dean me jogou na cama, eu achei que finalmente ia ter um momento de sucesso naquele livro. A hora havia chegado e eu estava mais do que feliz por aquele sonho ser
tão real. Começamos a nos livrar das primeiras peças de roupas e então, do completo e
absoluto nada...
No quarto de hóspedes do apartamento que dividia com %Aidan%. Ri como uma maníaca, irritada para um
caralho. Me sentei na cama e soquei o travesseiro, odiando ter acordado naquele momento. Eu estava excitada e agora sexualmente frustrada por causa de um maldito sonho.
Respirei fundo por alguns segundos, e então decidi me recompor e parar de dar uma de doida. Peguei meu celular e vi que eram oito da manhã. Normalmente eu vinha acordando depois de oito e meia, mas de jeito nenhum eu conseguiria voltar a dormir depois daquela
pataquada de sonho.
Decidi agir como uma mulher madura de vinte e oito anos e me dirigi ao banheiro para tomar banho e escovar os dentes. Banho quente, porque de jeito nenhum eu tomaria um frio. Eu podia estar sexualmente frustrada, mas ainda odiava água fria.
Depois de uns dez minutos, vesti um vestidinho azul solto e fui até a cozinha para preparar o café da manhã, enquanto tentava me forçar a esquecer meu momento interrompido com Dean.
Infelizmente, não tive muito sucesso.
Porque quando cheguei na cozinha, a primeira coisa que notei foi %Aidan%, cozinhando sem camisa. E como se notasse minha presença, ele se virou naquele momento, revelando um tronco musculoso e bem construído, com ombros fortes, e músculos na medida, do jeitinho que eu gostava.
Eu ainda não o tinha visto sem camisa nenhuma vez; %Aidan% estava sempre vestido. E certamente eu não lembrava ainda de não vê-lo com roupas.
Assim, meu queixo quase caiu e eu teria sorrido se ainda não estivesse com tanto tesão por ele. O universo definitivamente não estava cooperando ao colocar meu então namorado real semi nu na minha frente. Só podia ser algum tipo de teste de resistência.
— Bom dia. Você acordou mais cedo hoje... — %Aidan% comentou, meio sem jeito, provavelmente se dando conta de que havia sido pego em flagrante sem roupas apropriadas.
Como se eu fosse reclamar disso.
— Bom dia... — respondi, meio distraída, observando ele colocar a comida em um prato.
— Fiz café da manhã pra gente, você quer torradas com ovos mexidos ou geleia? — perguntou, mas honestamente, eu mal ouvi. — %Lexi%? O que quer comer? — ele reforçou, quando não respondi.
Respirei fundo uma vez, ainda o encarando em silêncio, até que meu cérebro com defeito de filtragem mais uma vez falou por mim:
%Aidan% piscou levemente confuso, mas antes que pudesse perguntar algo, eu andei até ele em passos determinados e pulei em seus braços. Instintivamente, ele me segurou e agradeci mentalmente por suas mãos estarem desocupadas ou teríamos feito uma bagunça.
— Você. Quero comer
você, %Aidan%.
Se o universo não estava cooperando comigo e minha decisão de me manter comportada, então eu ia aceitar o que ele estava me oferecendo de bom grado.