Capítulo 19
Tempo estimado de leitura: 12 minutos
Cinco dias após meu último encontro com %Aidan% no restaurante japonês, completou um mês do meu acidente.
Era dia seis de maio, mas constatar esse fato sobre meu acidente foi uma mera casualidade. Seis de maio também era aniversário de Nina, a protagonista de
Singular, o segundo livro da série de Kate, e aniversário de dois anos do lançamento dele.
Passei a manhã toda trocando mensagens com uma estagiária do setor de design da editora, a orientando a fazer um post que eu mesma teria feito se Andrew não tivesse insistido que eu deveria deixar os estagiários trabalharem nisso e focar no meu trabalho de verdade.
Eu tinha feito muitas artes quando era estagiária e trabalhar sozinha era uma característica minha, mas Andy tinha razão. Aquele tipo de coisa não era mais meu trabalho há muito tempo, então eu tinha que parar de dar uma de doida autossuficiente e dar a chance dos estagiários se empenharem e demonstrarem suas habilidades. Mas aquela garota em questão... Ela era novata e meio enrolada.
Tudo bem, não apenas meio, mas
muito enrolada.
Eu estava seriamente tentando não perder a paciência com as perguntas óbvias que ela me fazia, mas estava ficando difícil. Mesmo assim, tentei ser gentil e explicar tudo o que ela precisava para ganhar confiança.
Acho que funcionou... Cerca de uma hora depois do que deveria ter sido resolvido em vinte minutos.
Tentei desenhar um rascunho de como eu queria o post e esperei seu retorno. Ele veio com três versões na paleta de cores de
Singular e elementos que lembravam o livro. Escolhi um e me organizei para postar no Instagram oficial de Kate. A editora tinha acesso àquele, mas ela também tinha um pessoal, que cuidava sozinha.
Entrei na conta rapidamente, que já era conectada no meu computador, e fiz o post comemorativo. Deixei a página aberta durante alguns minutos, atualizando vez ou outra para ler os comentários dos leitores e, em um momento de curiosidade, resolvi cutucar o
meu próprio Instagram.
Eu não havia espiado nada desde o acidente e deletei o aplicativo do celular antes de abrir a rede social, então não fazia ideia do que encontraria. Mas era sexta-feira e não havia muito o que fazer naquele dia, já que tinha acabado de enviar alguns capítulos de volta para Kate e estava esperando ela escrever mais uma leva para eu ler.
Minha conta no Instagram era aberta e eu tinha cerca de duzentos mil seguidores. Eu lembrava dessa parte, mas não de que tinha várias fotos minhas com %Aidan% no meu feed. Algumas eram bem uma vibe de namorados e o rosto dele nem sequer aparecia, enquanto outras tinham sido tiradas em encontros. O último registrado havia sido dois meses antes do meu acidente e houve várias postagens depois dele, a maioria da mini turnê literária de Kate.
Cliquei no último post e li alguns comentários. A maioria me desejava melhoras após o acidente. Me lembrei de %Aidan% mencionando que os fãs tinham aceitado nosso relacionamento relativamente rápido, especialmente quando descobriram que eu era fã dele (e alguns tweets antigos meus defendendo ele de
haters na internet).
Subitamente, tive vontade de atualizar a conta. Eu era relativamente ativa no Instagram e mesmo que não estivesse sentindo nenhum tipo de abstinência de rede social, ainda era algo que eu gostava.
Então sem pensar muito, preparei um post de carrossel com as minhas fotos favoritas dos meus últimos dois encontros com %Aidan% e publiquei com uma legenda agradecendo a todas as mensagens de melhoras enviadas.
Quase no mesmo instante, uma onda de notificações chegou e algumas eram na minha DM. Curiosa como eu era e agoniada em não responder mensagens, resolvi dar uma espiada. Havia algumas marcações de %Aidan% e mais mensagens de melhoras, mas teve uma coisa que chamou minha atenção nas solicitações de mensagens.
Não havia foto no perfil e eu não reconhecia aquele usuário, mas a primeira mensagem que havia sido enviada, cerca de uma semana depois do meu acidente, dizia:
"Você devia ter morrido naquele acidente, sua puta nerd idiota". Um sorriso irônico apareceu no meu rosto e continuei a ler a enxurrada de ofensas que me foram enviadas.
"%Aidan% se tornou um idiota depois que se envolveu com você". Ah, agora a pessoa estava xingando %Aidan%? Fã ou hater? Eis a questão.
Continuei a ler. Havia uma imagem minha e de %Aidan% com riscos na minha cara que diziam:
Eu só conseguia imaginar que era a cara de uma adolescente revoltada porque não iria casar com o ídolo, mas então fiz a besteira de clicar em uma mensagem de vídeo com tela preta.
Assim que começou a rodar, descobri ser um vídeo de um pau. O cara estava com ele na mão, se masturbando, e imediatamente procurei o botão de fechar até que vi que havia uma legenda.
"Você deve estar trepando com ele de novo não é, sua puta? Que tal trepar comigo também, quero ver o que tem de especial nessa sua boceta pra amarrar %Aidan% há três anos..."
Nojo.
Nojo.
Nojo.
Era só isso o que eu sentia. Imediatamente entendi que não era uma adolescente irritada e sim o
stalker de %Aidan%. Maldito obcecado. Eu deveria responder falando que o pau dele era feio e torto ou algo assim, e chamá-lo de nojento e todas as ofensas que eu conseguisse imaginar.
Falar que a mãe dele devia ter vergonha de ter colocado um traste que nem ele no mundo.
Mas antes que eu pudesse clicar em aceitar a solicitação de mensagem para responder, %Aidan% apareceu no escritório como se fosse uma intervenção divina.
— Pensei em fazer kimbap, você quer?
— Claro. — Desviei meus olhos rapidamente pela tela, fechando a DM.
Mas devo ter parecido super desconfiada já que, um segundo depois, %Aidan% estava ao meu lado.
— O que você tá fazendo? — ele perguntou, quando viu meu Instagram aberto. — Postou algo?
— Sim. Também te marquei em umas fotos, agradeci as mensagens de melhoras e... Li outras na DM.
— Por quê? É só um monte de "fique bem, %Lexi%" dos seus fãs e fãs da Kate.
— Ah, é? — Ele arqueou uma sobrancelha. — Deixa eu ver mesmo assim.
— Eu sabia. Você tá escondendo alguma coisa, né? É o stalker?
— %Alexa%. Me mostre agora — ele exigiu.
Suspirei, resignada, e cliquei na janela de mensagens. %Aidan% pegou o mouse e leu uma a uma, travando a mandíbula de irritação a cada atrocidade com que se deparava. Então, ele viu o vídeo. Porque o idiota não fez nem questão de colocar como visualização única.
— %Aidan%... — Até tentei impedi-lo, mas desviei o olhar para o teto quando não consegui. Eu não queria ver aquela merda outra vez. Felizmente, não tinha som.
— Chega pra lá. — Ele me expulsou da cadeira.
— O que você vai fazer? Eu tenho que trabalhar.
— Você não estaria futricando o Instagram se tivesse algo pra fazer, meu bem — ele retrucou, enquanto começava a printar todas as mensagens que eu tinha recebido, e usar uma extensão no navegador para baixar o vídeo.
— Eca. Por que você tá baixando essa merda no meu computador?
— Pra usar como prova. Vou mandar pro meu e-mail e então encaminhar pro meu advogado. Achei que esse filho da puta tivesse parado de te encher. Quem ele pensa que é?
— Acho que ele é apaixonado por você, %Aidan%.
— Que peninha, porque só tenho olhos pra uma mulher e
definitivamente não curto paus.
O jeito que ele falou me fez rir pelo nariz, e ele me encarou com o cenho franzido.
— Desculpa. É que eu acho engraçado você agindo assim.
— Não tem graça, %Lexi%. Eu quero esse idiota na cadeia. Ninguém mexe com você. E ele ainda insinuou fazer sexo com você! Ele quer morrer, isso sim! E ainda teve o resto das ofensas...
— Pensei em ofender ele de volta, mas aí você chegou. Achei que era um sinal de intervenção divina, mas agora tô na dúvida.
— Eu odeio quando te destratam. Você é minha mulher e é minha obrigação te defender de qualquer idiota — ele falou com convicção e eu quase chorei um pouquinho (não disse por onde) ao ouvi-lo me chamar de sua mulher.
Quer dizer... %Aidan% e eu éramos praticamente casados há dois anos. A diferença era que não tínhamos preenchido nenhuma papelada idiota e tínhamos nossa próprias finanças separadas. Eu até achava melhor assim, embora sempre tivesse dito a %Cami% que só me casaria um dia se fosse com um homem rico.
Bem, %Aidan% era um homem rico. Mas eu não queria me casar. Ao menos, achava que não. Eu ainda não tinha me lembrado de tudo, mas desde nosso encontro, coisinhas pequenas sobre a personalidade dele e sobre nosso relacionamento me vieram à mente.
Eu também tinha conseguido me manter na minha própria realidade desde então. E com isso, quero dizer que não voltei para
Tenaz nenhuma vez desde a fatídica
correção de cena em que Ayla era atacada.
Encarei isso como uma coisa boa. Eu havia ficado assustada
pra cacete com aquilo e era bom não correr nenhum risco de ser atacada em um beco.
Especialmente quando eu mal saía de casa.
%Aidan% terminou de enviar os arquivos e os deletou do meu computador (e da lixeira) rapidamente enquanto ainda resmungava.
— Tá tudo bem, %Aidan%. É só um idiota. Espero que consigam localizar logo esse Zé Ruela de pau feio — comentei e %Aidan% virou a cara para mim. — O quê? Era pra eu falar que é bonito?
— Por que você fica tão sexy quanto tá com raiva? E quando me chama de %Alexa%? — brinquei, apoiando as mãos nos ombros dele e sentando em seu colo.
— %Alexa%... Você não devia estar trabalhando? — ele indagou, as duas mãos movendo direto para a minha bunda, por baixo do vestido que eu usava.
— Como você disse... eu não estaria futricando o Instagram se tivesse algo pra fazer... — Sorri, agradecendo mentalmente pelo meu rápido período de quatro dias que já tinha acabado graças ao anticoncepcional que o regulava.
%Aidan% deu uma risadinha maliciosa e então se levantou comigo no colo, me colocando sobre a mesa. Ele afastou meu computador com cuidado e me fez deitar, com as costas sobre a mesa.
Em seguida, levantou meu vestido até a cintura e se livrou da minha calcinha — felizmente, não a destruindo dessa vez —, antes de abrir minhas pernas de uma vez só.
— Pensando bem... Acho que vou fazer um lanchinho antes do almoço.
Então ele se abaixou e me fez vez estrelas.