Capítulo 12
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Se eu soubesse que tudo o que precisaria para fazer %Aidan% perder o controle era provocar ciúmes nele com as coisas mais bestas possíveis, eu teria feito bem antes.
Bem, teoricamente eu ainda tinha pulado em cima dele na manhã anterior, então não era como se fizesse muito tempo. Claro que antes disso, ele esbarrou em mim por acidente algumas vezes, invadindo meu espaço pessoal como quem não queria nada, na inocência.
Eu sabia que ele estava tentando ser um cavalheiro comigo até que eu me sentisse mais confortável ao redor dele, mas aquele beijo e aquela mão em volta do meu pescoço me fez perceber que eu, de fato, não era a única me segurando.
%Aidan% moveu a boca para meu pescoço e eu ri, sentindo cócegas.
— O café vai esfriar... — murmurei, como se isso realmente importasse.
Eu não estava nem aí para o nosso café da manhã.
%Aidan% se afastou e me encarou.
— A gente não precisa dele quente — justificou. — Mas acho que mudei a opção no meu cardápio — acrescentou, roubando mais um beijo, antes de se afastar e me segurar nos braços no estilo noiva.
Gritei, surpresa quando ele me levantou de repente e ri alto quando ele nos levou direto para o quarto. Metade das cortinas ainda estavam fechadas, deixando a parte da cama longe da claridade alta que entrava pela parede de vidro e tudo parecia aconchegante. %Aidan% me jogou na cama e eu ri quando ele subiu em cima de mim. Havia um sorriso brincando em seus lábios também.
— Se você for dar pra trás de novo, é melhor fazer isso agora — brinquei.
Em resposta, ele me beijou outra vez, um pouco mais carinhoso e com menos urgência.
— Se o celular tocar hoje eu nem vou ver, deixei na cozinha — me disse.
— E não tem mais nenhuma encomenda pra receber?
— Não que eu me lembre. — Ele roçou o nariz no meu e resolvi provocá-lo um pouquinho mais. Na minha cabeça, aquela seria a primeira vez que eu me lembraria de transar com ele, mas por algum motivo eu queria o %Aidan% intenso. Não o %Aidan% gentil e carinhoso que me tratava como uma rainha. Eu amava esse %Aidan% também, mas acho que o tesão acumulado me deixou com espírito de cadela. %Aidan% podia agir como cadelinha fora da cama, mas por enquanto eu queria o macho alfa que me agarrou pelo pescoço.
Eu nem sabia se eu gostava daquele tipo de coisa, mas aparentemente sim.
— O que aconteceu com o %Aidan% malvadão? — perguntei quando ele beijou meu pescoço outra vez.
%Aidan% riu pelo nariz e se afastou para me encarar.
— Você quer esse? Eu tava tentando ser gentil já que você não se lembra de mim.
— Alguma coisa me diz que o %Aidan% malvadão vai me fazer lembrar dele por dias.
— Ah, é? E o que você quer que eu faça?
— Primeiro, quero que tire a roupa — falei, sem pestanejar. — Vou fazer isso também, não quero nada entre a gente. Não tô com paciência hoje.
— Ah, %Lexi%... Ser paciente seria um milagre pra você, amor — ele brincou. — Mas eu discordo sobre você tirar sua roupa.
— Porque quem tem que fazer isso sou eu. — Ele sorriu e se afastou, me puxando para que eu me sentasse.
Sem hesitar, %Aidan% colocou as mãos na barra da minha blusa e eu levantei os braços de bom grado enquanto ele a puxava para cima. Eu estava sem sutiã, já que não gostava de usar em casa, e provavelmente deveria me sentir um pouco tímida perto dele, mas ele já tinha visto tudo.
Na verdade, via tudo há três anos. Eu vinha pensando nessa informação desde o momento em que ele falou sobre minhas pintinhas e não fazia sentido sentir vergonha do meu corpo. Eu gostava do meu corpo, mesmo que estivesse longe de ser perfeito.
E pelo visto, %Aidan% também.
Ele se inclinou para me beijar e eu ri, o empurrando.
Ele revirou os olhos e se levantou, tirando tudo em poucos segundos. Não tirei os olhos dele e o observei por inteiro. %Aidan% parecia uma estátua grega, com exceção de uma parte, que tornava tudo melhor.
— Satisfeita? — ele perguntou, seu olhar dizendo claramente que sabia que eu estava gostando da visão.
Fiquei de joelhos na cama e desabotoei o short jeans. Tão rápido quanto ele, me livrei do restante das minhas roupas. Meu corpo doía por ele, mas eu queria provocá-lo um pouco mais.
Sorri e o chamei com um dedo, fazendo-o rir. No instante em que ele subiu na cama e se aproximou, o empurrei novamente, fazendo-o cair de costas sobre o colchão. Era bom ter uma cama grande e não se preocupar com espaço.
— Achei que você me queria no comando — ele comentou, quando subi em cima dele e comecei a distribuir beijos pelo seu tórax.
— Quero aproveitar você um pouquinho. Você fez isso comigo ontem, mas eu não tive oportunidade — expliquei, me inclinando para morder sua tatuagem.
%Aidan% gemeu baixinho e me segurou com firmeza, sua ereção firme como uma rocha entre nós.
— %Aidan% — respondi, rindo baixinho, antes de me afastar e segurá-lo com uma mão.
%Aidan% me observou com um semblante sério e franziu o cenho quando comecei a trabalhar com minha mão nele. Quando o tomei com a boca, vi ele jogar a cabeça para trás e me senti satisfeita. Mas não tanto quanto no momento em que ouvi ele gemer meu nome baixinho, uma mão indo direto para o meu cabelo. Não me pressionou, mas apoiou a mão ali e segurou firme nos fios vermelhos.
%Aidan% estava me deixando fazer o que quisesse com ele e eu estava adorando cada segundo, cada reação sua e respiração ofegante. Ele tinha me deixado uma bagunça no dia anterior, então eu faria o mesmo com ele.
Mas como nem tudo eram flores, o macho alfa resolveu reaparecer e me afastou repentinamente, invertendo nossas posições.
— Estraga prazeres — resmunguei, com um sorriso.
— Se eu te deixasse continuar, a brincadeira ia acabar antes de começar, amor. Não esquece que fiquei longe de você por dois meses.
— Ah, é. Você devia estar com saudade. — Enrosquei minhas pernas em sua cintura, o trazendo para perto.
— Morrendo — ele respondeu, pressionando sua ereção contra minha entrada.
Eu seria hipócrita se dissesse que não estava louca por aquilo também. Meu corpo estava encharcado por ele. %Aidan% juntou nossos lábios novamente e usei minhas pernas para trazer seu quadril para ainda mais perto.
Com facilidade, ele deslizou para dentro de mim, me preenchendo por completo. Meu corpo sensível doeu de uma forma deliciosa e se esticou ao redor dele para acomodá-lo. %Aidan% levou as mãos até meios seios e os apertou com desejo enquanto deslizava para fora e dentro de mim uma e outra vez. Gemi com a fricção de nossos corpos e a firmeza de seu toque. Eu não queria nada delicado, só queria que ele acabasse comigo. E não me importava nem um pouquinho de ficar com algumas marcas depois.
%Aidan% se enterrou vezes e mais vezes em mim enquanto suas mãos percorriam meu corpo. Então resolveu trocar de posição e se afastou, me colocando de barriga para baixo. Puxou meu quadril e deu um tapa estalado, me pegando de surpresa, antes de se enterrar em mim outra vez.
Eu teria rido, se não estivesse tão excitada. Ao invés disso, tudo o que fiz foi gemer. Aquela posição trazia mais pressão entre nossos corpos e ele bateu uma e outra vez contra mim, segurando meus quadris com afinco. Senti meu corpo começar a se apertar ao seu redor e de repente, %Aidan% enrolou meu cabelo em uma mão, puxando-o com firmeza, antes de colocar uma mão em meu tórax, me puxando para trás. Usando a mão livre, ele percorreu meus seios sem parar de se movimentar e mordeu meu ombro.
— %Aidan%... — murmurei ofegante, sentindo a tensão em meu corpo crescer.
Eu queria ver o rosto dele quando caíssemos de prazer, mas não consegui dizer isso. No entanto, como se estivesse pensando na mesma coisa, %Aidan% se afastou e me jogou na cama outra vez. No próximo momento em que entrou em mim, aumentou a velocidade de seus movimentos, levando nós dois para a borda.
Um instante depois, eu tremi violentamente contra ele, cravando as unhas em seus ombros. %Aidan% continuou por mais alguns segundos e então enterrou o rosto no meu pescoço no segundo em que o senti se derramar em mim.
Nossos peitos subiam e desciam enquanto tentávamos recuperar o fôlego, nossos corpos ainda conectados. E foi somente quando nos acalmamos que %Aidan% saiu de dentro de mim. Em seguida, selou nossos lábios em um beijo suave e se afastou para me pegar nos braços com cuidado.
Ele nos levou ao banheiro e foi direto para a banheira, me colocando sentada em um canto enquanto a ligava. O %Aidan% fofinho tinha voltado e eu sorri.
Esfreguei minhas coxas uma contra a outra, sabendo que ficaria dolorida em breve. Enquanto %Aidan% preparava um banho para nós, um flash de memória me atingiu.
Era a mesma noite em que nos conhecemos.
6 de abril de 2019, 00:26 - Manhattan, Nova York, NY Suspirei, entediada enquanto encarava todo o salão do bar vazio. Aquele lugar costumava ser um restaurante até um ano atrás, quando Brandon, o namorado de Karol, resolveu comprá-lo e transformar o lugar em um bar chique. Fazia parte do prédio de um grande hotel, então costumava ser bem movimentado, mas naquela noite só havia nós três e alguns amigos que foram embora antes da meia-noite.
Tagarela como eu ficava depois que o álcool começava a circular em meu sangue, fiquei conversando com o casal de amigos por mais tempo, mesmo depois de até mesmo %Cami% já ter ido embora. Eu sempre podia pegar um táxi para casa, de qualquer forma, e não estava nem um pouquinho cansada. Tínhamos comemorado um novo contrato da Double K, a marca de roupas que Kate e Karol eram donas, e talvez eu tivesse ficado um pouquinho hiperativa demais naquela noite, por resolver fazer companhia para meus amigos quando soube que eles esperariam um cliente que havia alugado o local todo por duas horas, a partir da meia-noite.
Eu falei para mim mesma que ficaria até uma da manhã e depois iria para casa, mas à meia-noite e vinte, Brandon recebeu uma ligação informando sobre alguma briga em outro bar dele, no Queens. Ele tinha um em cada bairro de Nova York, mas aquele ficava a cerca de vinte minutos de distância. Por conta disso, acabei sozinha em um bar vazio, após eles me pedirem para ficar ali e atender o tal cliente especial. Na minha época de bicos, eu trabalhei em um bar de Brandon no Brooklyn e foi assim que o conheci. Mais tarde, depois que comecei a trabalhar na editora, eu soube que ele era o namorado da melhor amiga de Kate.
Fiquei mexendo no celular e futricando o Instagram enquanto o tal cliente não aparecia. Brandon explicou que ele costumava beber whisky com gelo e, às vezes, pedia alguns petiscos prontos.
Eu nem notei quando ele chegou. Ouvi sua voz a um metro de distância e me sobressaltei com o susto. Depois quase caí para trás quando vi %Aidan% %Callahan% me encarando. Imediatamente pensei que talvez eu estivesse alucinando, mas então a miragem de %Aidan% falou novamente.
— Onde está Brandon? — ele quis saber.
— Ah, ele... Teve um probleminha em outro bar e me pediu pra te atender.
— Você trabalha aqui? — Ele perguntou, com indiferença.
— Não... — Consegui responder. — Sou amiga de Brandon, eu costumava trabalhar pra ele em um bar do Brooklyn, mas agora trabalho em uma editora — tagarelei. Só podia ser efeito do álcool ainda correndo em minhas veias, porque de jeito nenhum eu conseguiria formular uma palavra coerente na frente de %Aidan% %Callahan%, ainda mais encontrando ele de surpresa.
Por que Brandon não me disse que
ele era o cliente especial?
Será que minha maquiagem estava borrada? A última coisa que eu queria nessa vida era encontrar meu cantor favorito pessoalmente pela primeira vez, sozinha, e estar com cara de chapada.
Discretamente, me virei e encarei meu próprio reflexo no espelho atrás de mim, que ficava junto à prateleira de bebidas. Felizmente, parecia estar tudo em ordem.
— Um dose de whisky com gelo, por favor — %Aidan% pediu, sem fazer mais perguntas.
Preparei a dose e ele pegou o copo, antes de se afastar para o outro lado do bar. Ficamos em silêncio pelos próximos vinte minutos e mandei uma mensagem para Brandon.
%Lexi%: %Aidan% %Callahan%? Sério, Brandon? Você não pensou nem por um instante me avisar que seu cliente especial é o meu cantor favorito?" Obtive uma resposta depois de cinco minutos.
Brandon: Surpresa! Considere um presente de aniversário atrasado. Foram dois meses de atraso, mas o que vale é a intenção, né?" Filho da puta traiçoeiro e...
Legal pra caralho! Com um sorrisinho nos lábios, digitei outra mensagem.
%Lexi%: Nem pense em voltar tão cedo aqui! Deixa que EU cuido dele. Tinha começado a chover há alguns minutos e gotas grossas de água escorriam pela parede de vidro. %Aidan% estava em pé e de costas, observando a vista, e eu estava observando ele, é claro. Até que de repente, ele se virou e fui pega.
Desviei o olhar rapidamente e fingi que estava organizando alguns itens no balcão. %Aidan% veio buscar outra dose e eu a preparei em silêncio.
— Faz tempo que você tá aqui?
— Brandon me pediu pra ficar. Eu não sabia que... Era você o cliente.
— E isso faz alguma diferença?
— Não, de forma alguma. — Sorri e me virei para pegar um pouco de água para mim e... Bem, eu não sabia o que fazer, então precisava ocupar minhas mãos com alguma coisa.
— Tá chovendo bastante hoje...
Franzi o cenho. Por que ele tava falando de chuva, de repente?
Espera... Ele tava tentando puxar papo
comigo? — Pois é... — Ri baixinho e dei uma espiada nele pelo espelho. %Aidan% me encarava e desviou o olhar rapidamente quando percebeu que eu percebi. Levou alguns segundos, mas eu já sabia que ele era meio lerdo.
Meio que fazia parte do charme dele e eu, como fã, achava esse um fato curioso. O TDAH do gato estava em dia.
Me voltei para ele outra vez e coloquei meu copo de água em cima do balcão.
— Sabe... Eu menti — confessei. — O fato de você ser o cliente de Brandon faz diferença, sim.
— Por que eu sou sua fã há quatro anos e Brandon sabe disso e não me disse nada.
Um sorriso apareceu no canto dos lábios de %Aidan%.
— Sério? E por que ele não disse nada?
— Ele disse que era meu presente de aniversário atrasado. Sinto muito. Mas eu não sou maluca nem nada. Quer dizer... só um pouquinho, mas não vou te incomodar — falei rapidamente.
— Você quer se sentar comigo ali? — Ele apontou para um sofá em frente a uma das mesas.
Eu que não iria negar um convite desses. Imagina só...
Hahaha. Quando eu saísse daqui já poderia dizer que era uma fã de sucesso. Talvez eu até conseguisse um autógrafo dele depois. Eu preferiria uma foto, mas não queria incomodar ele com isso.
— Você mora perto daqui? — ele perguntou.
— Hm, na verdade, não. Moro com minha irmã no Brooklyn. Ela estava aqui mais cedo, mas foi embora.
— E você vai pra casa sozinha? A essa hora?
— É só pegar um táxi. Não seria a primeira vez. — Sorri, dando de ombros. — E você? Tá hospedado aqui?
— Não. Mas moro perto. Comprei um apartamento recentemente e... Acho que você deve saber disso.
— Ah, sim... Eu meio que sei de tudo mesmo. Amo suas músicas.
— Fico feliz. — Ele sorriu. — Qual a sua favorita?
—
“Limbo”? Que surpresa. Essa música teve menos destaque que as outras. Eu nem promovi.
— Mas é muito boa. E eu sei que deu trabalho pra você, eu assisti a live de lançamento. Mas ter sido difícil acho que é o que torna ela mais especial.
— Eu tenho até uma tatuagem de referência, olha... — Me virei, mostrando meu tríceps direito. Havia um pequeno rabisco de um
doodle que eu mesma desenhei em referência ao videoclipe. A música inteira representava sonhos e a letra era um amor. Diferente das letras sensuais que %Aidan% costumava escrever.
— Bonita. Fica bem em você.
Ele falou que fica bem em miiiiim, AAAAA, surtei internamente, mas segui plena por fora. O álcool às vezes era de grande ajuda mesmo, até esqueci da água em cima da mesa.
— Eu também adoro a sua. — Apontei para o pescoço dele. — Deve ter doído muito.
— Você pode tocar se quiser — ele ofereceu, claramente se divertindo com meu papo de fã. %Aidan% era conhecido por ser bem gentil mesmo.
— Posso? Nossa... Ela é bem mais bonita de perto. — Toquei a pele dele levemente e arrastei o polegar por uma das florzinhas de ameixa. Um rastro de tinta se formou e imediatamente removi a mão. — Meu Deus, você retocou? Eu te machuquei?
— Não, relaxa. — Ele sorriu. — Retoquei há algumas horas. Amanhã eu viajo e queria fazer isso antes.
— Caramba... Você nem devia estar bebendo. Todo tatuador indica um controle na dieta pra não prejudicar a... — Parei de falar quando notei %Aidan% sorrindo abertamente. — Ei, isso não é engraçado. A autora que eu agencio também é enfermeira e ela me disse umas coisas que até hoje eu penso. Você tem que levar isso a sério!
%Aidan% assentiu, fingindo aceitar a culpa, e colocou o copo quase vazio em cima da mesa.
— Prometo não beber mais.
—
Aff, você não devia ter me deixado te tocar. — Estendi a mão para o pescoço dele num impulso de limpar a mancha preta na parte da pele íntegra, mas não o fiz. Vai que eu contaminava, o troço infeccionava e depois eu acabasse sendo processada por prejudicar a integridade física dele e...
Tudo bem, acho que não era para tanto.
No entanto, quando fui puxar o braço de volta, %Aidan% segurou minha mão e em seguida, a colocou no próprio rosto.
— Acho que aqui você pode tocar sem culpa — brincou.
— Você tá bêbado? Alguém pode dizer que eu tô me aproveitando de você.
— Não tem ninguém aqui. Somos só nós dois.
Meu estômago se apertou de ansiedade quando ouvi isso. Quase me belisquei para saber se não estava sonhando.
— Felizmente. Assim eu não preciso dividir sua atenção com outra pessoa — brinquei, me sentindo ousada de repente.
— E nem eu a sua — %Aidan% respondeu na lata. Pelo visto, eu não era a única me sentindo ousada naquela noite. — Qual o seu nome?
Ah, é mesmo. Eu havia me esquecido de me apresentar. Que coisa.
— %Alexa%. %Alexa% %Danforth%.
— E quantos anos você tem, %Alexa%? — Ele quis saber e me deliciei com o som do meu nome em sua voz.
Eu era três anos e três meses mais nova que ele, para ser exata. %Aidan% faria vinte e nove em novembro.
Ele pareceu absorver a informação por alguns segundos, e então falou.
— Sabe... Eu pensei em te oferecer uma carona pra casa. Te acompanhar no táxi e então voltar, pra você não ter que ir sozinha, mas...
— O prédio onde eu moro fica a dois quarteirões daqui — ele comentou.
— Ah, é? — perguntei, e eu tinha certeza de que meus olhos só podiam estar brilhando com malícia porque não tinha nenhuma parte pura em mim naquele momento.
— Você pode ficar no quarto de hóspedes, se quiser, e ir pra casa depois do café da manhã ou...
— Ou? — Arqueei uma sobrancelha, curiosa.
— Minha cama é grande o suficiente pra nós dois.
Meu. Deus. Ele tava abertamente dando em cima de mim!
Que descarado! — Sério? Você nem me beijou ainda e já tá me oferecendo esse convite? E eu achando que você era tímido.
Tímido era o meu pau inexistente. Que safado.
— Eu queria ter certeza antes. — Ele deu de ombros e roubou um gole do meu copo de água.
Ponderei por alguns segundos.
Era provável que eu nunca mais fosse vê-lo depois daquela noite. Além disso, quando eu teria a chance de viver uma
one night stand com o meu cantor favorito de novo? Eu tinha era que aproveitar mesmo. Não era todo dia que um cara lindo e gentil aparecia na minha frente, ainda mais um de quem coincidentemente eu era fã. Tecnicamente, tinha sido proposital, mas eu não sabia. Eu iria lembrar de agradecer à fada madrinha Brandon no dia seguinte.
Eu nunca havia tido nenhuma noite casual com ninguém, considerando que havia terminado um relacionamento de um ano e meio com meu chefe e ele havia sido o único homem que tinha me tocado até então. Contudo, aquela era uma oportunidade única na vida. Eu estaria sendo burra de deixar passar.
%Cami% provavelmente me xingaria por uma semana se eu deixasse passar, porque ela sabia o tanto que eu gostava de %Aidan% %Callahan%.
E era uma quantidade assim...
Razoável. Tomei uma decisão e assim que ele colocou o copo de volta na mesa, eu virei seu rosto para mim e o beijei. Foi só um selinho, e ele pareceu surpreso no início, mas, um segundo depois, levou a mão para meu rosto e aprofundou o nosso beijo.
Meu coração disparou e eu perdi a noção do tempo, mas quando nos afastamos, sorrimos um para o outro.
Eu estava totalmente agindo que nem uma
groupie, mas não estava nem aí. Se o sujeito de várias das minhas fantasias queria passar a noite comigo, então quem seria eu para negar?
Cinco minutos depois, Brandon apareceu sozinho e eu corri para pegar minha bolsa e celular que havia deixado no balcão enquanto ele e %Aidan% se cumprimentavam.
Quando me coloquei ao lado de %Aidan% novamente, ele entrelaçou nossas mãos e nos despedimos de Brandon. Antes de passarmos pela porta, acenei para meu amigo com um sorriso no rosto.
%Aidan% me levou até o apartamento dele e aquela foi nossa primeira noite juntos. Pela manhã, acordei e vesti a camisa dele na noite anterior e tomamos café da manhã juntos também pela primeira vez.
Dias atuais, 10:44 - Apartamento de %Lexi% e %Aidan%, Nova York, NY Naquele mesmo apartamento. Três anos atrás. Nosso relacionamento tinha sido fruto de uma noite casual de sexo quente? Meu Deus, eu fui uma cadela total, quem diria? Me lembrei de cada momento daquela noite e...
— Eu não acredito que dormi com você na mesma noite em que nos conhecemos — comentei com %Aidan% e ele se virou para mim no mesmo instante.
— O quê? Você lembrou daquela noite?
Assenti e %Aidan% riu, me beijando em seguida.
— Me conte tudo, amor — ele pediu.
Nós entramos na banheira e ele pegou uma esponja para esfregar em minhas costas. Então eu contei a ele tudo o que me lembrava, inclusive nossa primeira vez juntos. %Aidan% murmurou vários "hm" e "uhum" enquanto ouvia atentamente e, no final de tudo, as lembranças ativaram o meu lado cadela outra vez e o beijei novamente. %Aidan% correspondeu na mesma intensidade e, alguns momentos depois, tivemos nosso segundo round do dia na banheira.
O café da manhã continuou esquecido na cozinha por mais alguns minutos.