Capítulo 11 • Capítulo 11
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Senti um movimento de respiração embaixo do rosto e inspirei profundamente. %Aidan% tinha a respiração pesada e eu estava deitada em seu peito nu, com uma das pernas em cima dele.
Estiquei o braço me aconchegando mais e o abracei pela cintura, mas... Por que ele parecia tão largo? Encolhi o braço novamente e tateei por seu peito e... Que peito grande ele tinha. Eu não me lembrava de sentir aquilo tudo nas vezes em que nos deitamos juntos no sofá.
Abri os olhos, mas o quarto estava escuro. Tirei a perna de cima dele e %Aidan% se mexeu, virando de lado e me empurrando um pouquinho com o movimento, apenas para me trazer para mais perto outra vez, passando um braço pela minha cintura e uma perna enorme por cima de mim.
Eu estava sonolenta ainda e me acomodei mais com o nariz em seu peito. Fechei os olhos e adormeci mais uma vez, apenas para acordar quando uma pequena claridade passou pela brecha das cortinas.
Na verdade, o quarto estava claro demais para ser uma simples brecha, considerando que tínhamos cortinas blackout. Pisquei algumas vezes, minha visão clareando mais, e a primeira coisa que notei foi que aquele não era o mesmo quarto em que dormi com %Aidan%, muito menos o quarto de hóspedes. Tampouco era o quarto de Ayla. Franzi o cenho, ainda imóvel, e percorri os olhos pelo cômodo até me deparar com %Aidan% dormindo um pouco distante da cama. Não, não era distante. Ele estava em uma cama de solteiro que havia sido junta com outra cama. Mas se %Aidan% estava ali, então quem estava comigo? Imediatamente, meu cérebro deu um click e resolveu voltar a funcionar.
A primeira coisa que notei foi o peito nu com a pele mais escura, alguns tons acima da de %Aidan%. O peito era maior, de fato, ele todo era bem maior. E se havia camas juntas em um quarto que eu desconhecia, então aquele só podia ser Seojun, ex-namorado de Ayla.
Eu tinha voltado para Tenaz enquanto dormia e acordado em um capítulo em que ela viajou com os amigos, alguns capítulos depois da primeira noite dela com Dean. Uma pena ter perdido aquilo. E perdido a viagem até ali, quando Dean surtava internamente de ciúmes ao testemunhar a química entre Ayla e Seojun.
Levantei a cabeça para observar o rosto dele e coloquei uma mão na boca, quase tendo um troço.
Seojun era igualzinho a um ator coreano de quem eu era fã.
Um grande e belo gostoso.
Minha nossa, que sortuda eu era. Quem diria que eu ia dormir e acordar em cima de Park Yong Gyu?
Se eu fosse me divertir assim sempre que dormisse ao invés de ter ocasionais episódios de insônia e terror noturno, então era uma maravilha.
Minha skin de Ayla resolveu se mover automaticamente naquele momento e cutucou Seojun na barriga, tentando acordá-lo. Ele não se mexeu, então o cutuquei de novo e, dessa vez, ele resmungou.
— Seojun, me solta, eu quero levantar — Minha skin de Ayla disse.
— Não — Seojun resmungou, me puxando para mais perto.
— Seojun... Aqui não. Você não pode me abraçar assim na cama quando tem outra pessoa do lado...
— E daí? Vocês nem são um casal mesmo — ele resmungou de olhos fechados, ainda sonolento.
Ah, meu Deus! Que gostinho era vivenciar essa cena! HAHAHAHAHA!
Enquanto eu surtava internamente, minha skin continuou a falar com ele.
— Seojun...
— Shhh! — Seojun colocou a mão no meu rosto, depois na minha cabeça, fazendo um carinho desajeitado que só bagunçou meu cabelo.
— Seojun, meu cabelo. Você tá bagunçando tudo — reclamei automaticamente.
— E daí? — ele repetiu. — Você fica linda descabelada.
Fechei os olhos e respirei fundo. Eu sabia que Ayla estava tentando manter a paciência, mas eu estava aproveitando cada segundo.
— Você tá fazendo isso de propósito, não tá? — perguntei.
— Hm? Não faço ideia do que você tá falando.
— Sabe muito bem sim. Não esquece que eu te conheço.
— Tá falando do seu amiguinho colorido? — ele resmungou, com uma pitada de escárnio na voz.
— Você tá provocando ele de propósito, não é?
Seojun negou, dando um beijo em minha testa, e alegou estar agindo como sempre. Isso era verdade, mas a parte sobre não provocar era mentira. Eu sabia, ele sabia e Ayla sabia também. Até mesmo Dean saberia se não estivesse ainda dormindo profundamente.
— Independente disso, nós não estamos sozinhos no quarto — insisti.
Ayla estraga prazeres.
— Quer dizer que quando estivermos sozinhos eu posso fazer o que eu quiser? — Ele brincou e eu segurei um sorriso.
Ai ai, Seojun... Você não era meu crush à toa. E eu adorava saber que ele era mesmo uma ameaça para Dean. Ao menos naquele momento da história. Eventualmente, Ayla teria uma recaída com ele quando terminasse com Dean alguns capítulos depois, e só nessa época seria tarde demais. Dean pediria Ayla em namoro naquela viagem, mas se não tivesse feito isso, eu duvidava que ela tivesse permanecido com ele por muito mais tempo. Ayla era prática e não gostava de enrolação, e Dean era o primeiro cara com quem se envolvia depois de seu término com Seojun, no ano anterior.
Tipo eu com %Aidan%. Andrew não tinha nada a ver com Seojun, mas bem que Tenaz poderia ser uma fanfic de nós dois. Em partes, pelo menos. Nunca reparei nisso antes, mas agora que eu estava vivenciando tudo, havia algumas semelhanças. Eu sabia que Kate curtia uma fanfic, mas a menos que ela fosse uma vidente, aquilo era apenas coincidência porque Tenaz foi escrito antes de eu conhecer %Aidan%. E mesmo tendo sido lançado quando já estávamos juntos, o texto original não tinha passado por muitas mudanças.
Minha skin de Ayla continuou a discutir com Seojun e depois de uns instantes, ele finalmente a deixou se levantar.
Levantei de uma vez, sentindo uma tontura e caí sentada na cama.
— Ai... — resmunguei, colocando a mão na cabeça.
— Ayla? Você tá-
A voz de Seojun morreu quando abri os olhos, não me encontrando mais em Tenaz e sim na minha realidade, deitada sobre o ombro de %Aidan%. A primeira coisa que reconheci foi o quarto. Ali, havia mesmo uma brecha entre as cortinas iluminando o cômodo o suficiente para que eu soubesse que lugar era aquele.
Eu estava com uma perna por cima de %Aidan% e minha camisola azul-marinho havia escorregado, a expondo inteira; já ele, estava com uma mão casualmente espalmada em minha coxa, logo abaixo da bunda.
Tsc tsc, possessivo até dormindo.
Taí outra coisa que %Aidan% e Dean tinham em comum, além da música e do aniversário (Kate precisava de uma data e eu sugeri uma a ela, hehe).
Me mexi na cama e rolei para o lado, me livrando de sua mão possessiva, e tirei meu celular debaixo do travesseiro.
Já passava das nove e meia da manhã, e notei que eu havia conseguido dormir umas três horas a mais do que costumava, ao menos desde o acidente. Me espreguicei, sentindo o alívio de ter meu corpo e mente completamente descansados pela primeira vez em... Sei lá quando. Certamente não desde o hospital, por mais que eu tenha passado quatro dias inconsciente.
%Aidan% se moveu ao lado e abriu os olhos.
— Bom dia.
— Bom dia — respondi com um sorriso. — Dormiu bem?
— Eu sempre durmo melhor com você.
— Aparentemente eu também. — Ri baixinho. — Eu sabia que você era minha melatonina pessoal.
Um sorriso brincou em seus lábios e ele se espreguiçou, antes de se sentar na cama e se levantar, indo até o banheiro. Aproveitei para fazer o mesmo e usei o banheiro do quarto de hóspedes para tomar um banho quente e escovar os dentes. Encontrei ele novamente no corredor, indo até a cozinha. Estava usando apenas um short na altura dos joelhos, mas continuava sem camisa, o que era uma alegria para meus olhos.
— Vou fazer café pra mim, você quer? — Ele apontou para um recipiente cheio de cápsulas da máquina de café.
Me aproximei e cutuquei as cápsulas até encontrar uma de chocolate branco e entreguei a ele.
— Você quer pão? Vou fazer torradas pra mim, quer? — ofereci e ele assentiu.
Nos movemos em um silêncio confortável enquanto preparávamos o café da manhã e percebi que aquela era a primeira vez que fazíamos aquilo juntos, o café da manhã. Antes disso, um de nós acordava antes que o outro e deixava a comida pronta. Fazer juntos deixava tudo um pouco melhor. Era bom ter %Aidan% ao redor enquanto nós dois fazíamos coisas simples como aquela. Ele já tinha me dito que era um costume nosso cozinhar e testar receitas juntos, mas eu só estava vivenciando aquilo novamente há pouco tempo.
Um sorriso apareceu em meus lábios e eu resolvi contar a ele sobre meu sonho com Tenaz.
— Sonhei que ia parar em Tenaz de novo e acordei em cima do Seojun. Você... Ou melhor, o Dean, tava numa cama do lado dormindo. E o Seojun abraçado a mim. Ele tava a cara do Park Yong Gyu, sabe? Aquele ator que eu gosto. Foi muito real.
%Aidan% se virou e me encarou com um olhar atravessado.
— Você tá dizendo na minha cara que sonhou com outro homem enquanto dormia comigo, %Lexi%?
— Ei, não é como se fosse grande coisa. Faz parte do enredo do livro. Eu ainda tava solteira nessa parte, ou melhor, a Ayla. Ela não tinha nada sério com o Dean ainda — retruquei. — E de fato, o Seojun era uma ameaça nesse ponto da história — acrescentei, terminando de colocar as torradas em um prato.
— Haha, ainda bem que eu te fisguei logo, né, amor? — Ele fingiu o riso e cerrou os olhos. — Vai que seu ex também fosse uma ameaça.
Eu ri, divertida, e ele me deu as costas.
— Você é tão gostoso com ciúmes, %Aidan% — murmurei sem pensar e bati a mão na boca, no mesmo instante.
%Aidan% se virou para mim lentamente.
— Eu o quê? — Ele arqueou uma sobrancelha.
— Nada, eu falei sem pensar. Você pode fazer minha bebida gelada? — pedi, tentando mudar de assunto, mas %Aidan% me ignorou.
Ele andou até mim e encostou o corpo ao meu, levando uma das mãos ao meu pescoço, envolvendo-o de leve, mas ainda assim firme.
— Não me provoque, %Lexi% — murmurou contra meus lábios.
— Ou o quê? — rebati, corajosamente, sentindo meu estômago se apertar enquanto minha mente corria solta ao redor de diversas possibilidades.
— Ou eu vou fazer você se arrepender.
Dei um risinho, malicioso.
— Quero ver você tentar — provoquei. A mão dele se apertou ao redor do meu pescoço e eu mordi o lábio inferior, ainda sorrindo.
— Você tá precisando de uma lição, garota — ele comentou, a voz pingando de malícia. Seus olhos astutos estavam semicerrados e havia uma determinação neles.
De repente, %Aidan% me puxou para um beijo, pressionando o corpo contra o meu e eu gemi baixinho, surpresa com a intensidade que emanava dele.
Pelo visto, eu tinha cutucado a cobra com vara curta.
Mas algo me dizia que eu não me arrependeria nem um pouquinho.