Capítulo 4
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Peguei minha taça de vinho e brindei com Yunho, que me lançou aquele sorriso fácil e descontraído. Era impossível não relaxar na presença dele, mesmo que minha mente estivesse um pouco agitada.
— Nada mal. — Ele comentou, provando seu vinho e examinando o líquido na taça. — Acho que posso começar a confiar mais nas suas escolhas.
Revirei os olhos com um sorriso.
— Como se minhas escolhas já tivessem te desapontado alguma vez.
— Só quando insiste em me arrastar para bares à meia-noite na véspera de Natal.
— Admite, você está se divertindo.
Yunho riu, balançando a cabeça, e eu aproveitei para tomar mais um gole do meu vinho, sentindo o calor da bebida relaxar meu corpo. Tudo estava indo bem, tranquilo, até que senti um movimento ao meu lado. Olhei de relance e meu coração afundou.
— %Lily%. — A voz de Jake soou fria, mais uma surpresa do que um cumprimento. Ele estava ali, o "ex-rolinho", vestido como se tivesse saído direto de uma revista, mas o olhar denunciava sua irritação.
— Jake. — Respondi, tentando soar casual enquanto ele cruzava os braços, visivelmente incomodado.
— Engraçado te encontrar aqui, considerando que você não respondeu às minhas mensagens. — Ele comentou, a acusação escorrendo de cada palavra.
Senti Yunho se mexer ao meu lado, mas mantive minha atenção em Jake, tentando evitar que a situação saísse do controle.
— Talvez porque eu não quisesse responder. — Retruquei, forçando um sorriso.
Jake estreitou os olhos, ignorando minha provocação, e lançou um olhar rápido para Yunho.
— E você aparece aqui com outro cara? Sem nem ter a decência de me avisar?
Yunho ergueu as sobrancelhas, claramente surpreso, mas não hesitou. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele se inclinou ligeiramente para frente, colocando o braço no encosto da minha cadeira como se estivesse reivindicando território.
— Desculpa, quem é você mesmo? — Yunho perguntou com um tom casual, mas havia um leve desafio em sua voz.
Jake bufou, apontando para mim.
— Sou alguém que merece pelo menos uma explicação.
Antes que eu pudesse responder, Yunho soltou uma risada curta e balançou a cabeça.
— Explicação? Olha, cara, se ela não quis responder, talvez você devesse aceitar isso e seguir em frente. — Ele deu de ombros. — E quanto a estar com outro cara... — Yunho olhou para mim, seus olhos brilhando com algo que eu não conseguia decifrar. — Acho que isso não é da sua conta.
Jake abriu a boca para responder, mas fechou de novo, aparentemente sem palavras.
Fiquei parada, surpresa com a naturalidade de Yunho ao me defender, mesmo sem saber toda a história. Ele parecia tão confiante, tão seguro, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. E, de alguma forma, o calor em meu peito não tinha nada a ver com o vinho que eu estava bebendo.
Jake bufou novamente e murmurou algo inaudível antes de se afastar, claramente frustrado. Quando ele desapareceu de vista, Yunho relaxou, voltando a se recostar no banco.
— Isso foi intenso. — Ele comentou, tomando outro gole de vinho.
— Você não precisava ter feito isso. — Murmurei, tentando controlar o sorriso que ameaçava surgir.
— Claro que precisava. — Ele respondeu com um sorriso tranquilo. — O que são amigos, senão para salvar você de ex-rolinhos irritantes?
A palavra
"amigos" ecoou em minha mente, mas, naquele momento, tudo o que eu conseguia pensar era no quão encantador Yunho parecia quando me defendia, mesmo sem ter obrigação alguma de fazê-lo.
Suspirei, desviando o olhar para a minha taça de vinho. Tomei mais um gole antes de responder, sentindo o calor da bebida aliviar o desconforto que o confronto com Jake havia deixado.
— Desculpa por não ter te contado sobre ele. — Murmurei, ainda encarando o vinho.
Yunho inclinou a cabeça levemente, me observando com um olhar curioso, mas sem qualquer sinal de julgamento.
— Por que não contou? — Ele perguntou, sua voz mais suave agora.
Dei de ombros, tentando parecer despreocupada, mesmo sabendo que ele enxergava além disso.
— Achei que, se mantivesse em segredo, talvez as coisas dessem certo. Que, de alguma forma, seria mais fácil... — Minha voz falhou, e eu ri de nervoso. — Mas acho que estava errada, não é?
— Definitivamente estava. — Ele concordou, mas havia um toque de leveza na maneira como falou, como se não quisesse me deixar ainda mais desconfortável. — Mas, sério, %Lily%, você não precisa esconder essas coisas de mim.
Olhei para ele, e havia algo no seu olhar que me fez sentir segura, como se ele realmente se importasse.
— Eu sei. — Admiti em um suspiro. — Só não queria te envolver nas minhas confusões.
Yunho riu, balançando a cabeça.
— %Lily%, você é uma confusão ambulante. Já aceitei isso há muito tempo.
Não pude evitar sorrir, mesmo que ele estivesse, em partes, certo.
Ele tomou mais um gole do vinho, apoiando o cotovelo no balcão enquanto me olhava.
— Então, é por causa dele que você resolveu ser minha companhia de Natal? — Ele repetiu, dessa vez com um tom mais descontraído.
Mordi o lábio, ponderando como responder, mas no fundo sabia que não importava o que dissesse, Yunho já sabia a resposta.
Suspirei profundamente, apoiando os cotovelos no balcão e deixando a taça de vinho descansar entre as mãos.
— Achei que dessa vez engrenaríamos... — admiti, minha voz mais baixa do que o normal. — Ele prometeu que passaríamos o Natal juntos, e eu acreditei. Quando ele terminou comigo, decidi que não ia passar essa data sozinha.
Yunho me observava atentamente, com uma expressão que misturava curiosidade e algo mais que eu não conseguia identificar. Ele levou a taça aos lábios antes de perguntar:
— Por que vocês terminaram?
Ri, mas o som saiu amargo.
— A desculpa de sempre. Ele disse que não estava pronto para algo sério.
— Hm. — Yunho inclinou a cabeça, parecendo refletir. — E você acreditou nisso?
Dei de ombros, tentando parecer indiferente.
— Não é a primeira vez que ouço isso. Acho que já estou acostumada.
— %Lily%... — Ele me chamou, sua voz mais firme agora. Quando olhei para ele, Yunho mantinha os olhos fixos nos meus. — Você não merece isso.
Fiquei em silêncio por um momento, surpresa com o tom direto dele.
— Acho que não tenho escolha, não é? — Sorri, mas o sorriso não alcançou meus olhos. — As pessoas sempre vão embora.
Yunho balançou a cabeça, como se não concordasse com minha visão.
— Não é porque aconteceu antes que vai acontecer sempre. Talvez você só não tenha encontrado a pessoa certa.
— Ah, e você acredita em
"pessoa certa"? — perguntei, arqueando uma sobrancelha, tentando disfarçar o desconforto crescente.
— Não sei. — Ele deu de ombros, tomando mais um gole do vinho. — Mas sei que, quando encontrar alguém que realmente te valorize, vai ser diferente.
Houve algo na forma como ele disse isso, na certeza em sua voz, que me deixou sem palavras. Tudo o que pude fazer foi olhar para minha taça e tentar ignorar o calor que se espalhava pelo meu peito.
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