Capítulo 3
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"('Cause I like you)
This ain't for the best
My reputation's never been worse, so
You must like me for me
(Yeah, I want you)
We can't make
Any promises now, can we, babe?
But you can make me a drink..."
Dentro do carro, o som suave de uma música ambiente da rádio ligada preenchia o silêncio enquanto Yunho dirigia pelas ruas iluminadas pelas luzes natalinas. As decorações pareciam competir umas com as outras, cada casa tentando superar a vizinha com pisca-piscas, renas brilhantes e
Papais Noéis infláveis.
— Quem diria que o Natal faria as pessoas surtarem assim? — Comentei, observando uma casa com uma árvore gigante no jardim, toda decorada de vermelho e dourado.
— Acho que é o único jeito delas mostrarem que estão tentando, pelo menos uma vez no ano. — Yunho respondeu, rindo. — Ou talvez seja só competição de vizinhos mesmo.
Soltei uma gargalhada e virei para ele, percebendo o jeito descontraído com que ele segurava o volante.
— Falando em
"tentar", você acha que eu consigo ficar séria por mais de cinco minutos em um bar de karaokê?
Yunho riu alto, o som ecoando no pequeno espaço do carro.
— Definitivamente não. E é exatamente por isso que seria divertido.
Enquanto ele ria, sem aviso, sua mão direita deixou o volante e pousou de leve na minha perna. Foi um gesto casual, como se ele estivesse apenas enfatizando a brincadeira, mas meu corpo inteiro reagiu.
Meu coração disparou, e senti uma onda de calor se espalhar pelo meu rosto. Ele não parecia ter notado nada, continuava focado na estrada enquanto seus dedos faziam pequenos movimentos distraídos contra o tecido da minha calça.
Minha mente, por outro lado, se lançou em uma espiral de pensamentos. Era tão fácil imaginar aquele toque se prolongando, se tornando mais deliberado. Meu olhar caiu na mão dele por um momento antes de eu desviar rapidamente, me forçando a prestar atenção nas luzes lá fora.
— O que foi? — Yunho perguntou, percebendo minha mudança de comportamento.
— Nada. — Sorri, tentando soar natural. — Só estou pensando que você deve escolher o lugar. Eu sempre acabo escolhendo bares meio... duvidosos.
— Não sei se confio em você pra admitir isso assim tão facilmente. — Ele lançou um olhar de canto, rindo mais uma vez.
Tentei acompanhar a brincadeira, mas meu foco estava completamente deslocado. Aquela mão ainda estava ali, queimando contra minha pele como se quisesse me lembrar de algo que eu insistia em ignorar.
Se ele soubesse o efeito que tinha sobre mim, provavelmente nunca me deixaria esquecer disso.
O carro passou pelas ruas iluminadas enquanto eu observava distraída a paisagem pela janela. O primeiro bar que tentamos estava com as luzes apagadas e uma placa de "Fechado para as Festas" pendurada na porta. O segundo, que parecia promissor, também estava trancado, com cadeiras empilhadas sobre as mesas.
— Parece que todo mundo resolveu ser família hoje. — Comentei, cruzando os braços, meio frustrada.
Yunho apenas soltou um suspiro antes de virar a esquina, continuando a busca. Depois de mais alguns minutos de silêncio, finalmente avistamos um barzinho com as luzes acesas. Não era o lugar mais chamativo do mundo, mas parecia acolhedor o suficiente, com uma fachada de tijolos expostos e algumas mesas ocupadas perto da entrada.
— Acho melhor entrarmos nesse mesmo. — Ele comentou, estacionando o carro. — Não acho que teremos muitas opções.
Assenti, mas algo no nome do bar e na fachada me deixou inquieta. Meu celular vibrou no meu bolso, como se confirmasse minha suspeita. Claro que era o bar do
"ex-rolinho".
Por um segundo, pensei em sugerir que procurássemos outro lugar, mas me calei. Eu não queria parecer covarde — ou dar a entender que aquele cara ainda me afetava de alguma forma. Além disso, Yunho estava sendo um ótimo amigo, e eu não ia estragar a noite por causa de algo tão insignificante.
— Parece bom. — Falei casualmente, forçando um sorriso enquanto abria a porta do carro.
Yunho não pareceu notar meu desconforto. Ele saiu, rodeou o carro e abriu a porta para mim, como sempre fazia, com aquele charme natural que me deixava desconcertada.
— Vamos? — Ele perguntou, com um pequeno sorriso.
— Vamos. — Respondi, pegando minha bolsa e caminhando ao lado dele.
Enquanto atravessávamos a rua, tentei me convencer de que era apenas mais um bar, mais uma noite qualquer. Não importava quem estivesse lá dentro. Com Yunho ao meu lado, tinha certeza de que nada poderia dar errado. Ou, pelo menos, era o que eu esperava.
Assim que passamos pela porta do bar, o som abafado da rua foi substituído por uma música suave e o burburinho das conversas. O ambiente era acolhedor, com iluminação baixa, madeiras escuras no mobiliário e uma discreta decoração natalina espalhada aqui e ali. O cheiro de madeira misturado ao leve aroma de especiarias me envolveu imediatamente.
Olhei em volta, percebendo que o lugar era pequeno, mas tinha um certo charme rústico. Apesar de estar perto de onde morávamos, nunca tinha pisado ali antes.
— Você já veio aqui? — Perguntei, enquanto deixávamos nossos casacos no apoio próximo à entrada.
Yunho deu uma risada leve, balançando a cabeça.
— Nunca. O que é estranho, considerando que fica tão perto de casa.
— Pois é. Parece meio escondido, mas é bem aconchegante.
Olhei ao redor novamente, percebendo que as poucas mesas estavam ocupadas, algumas por casais e outras por pequenos grupos que conversavam animadamente. A única opção disponível era o balcão do bar.
— Parece que é ali mesmo que vamos ficar. — Comentei, apontando com a cabeça para os bancos altos do balcão.
— Melhor assim. — Yunho respondeu casualmente, guiando-me até lá. — Prefiro poder ver o barman fazendo as coisas. Dá mais confiança.
Ri baixinho enquanto me acomodava em um dos bancos, sentindo o toque frio do metal contra minha pele. Yunho sentou ao meu lado, apoiando os cotovelos no balcão enquanto analisava o cardápio de bebidas pendurado na parede.
— Você vai querer vinho de novo? — Ele perguntou, lançando um olhar de canto com um sorriso brincalhão.
— Talvez. — Respondi, mordendo o lábio, tentando parecer indiferente. — Mas só porque a última escolha foi sua.
— Tudo bem, senhorita exigente. Vamos pedir algo que agrade o seu gosto refinado.
Enquanto ele chamava o barman para fazer os pedidos, aproveitei para observar o lugar com mais atenção. As paredes de tijolos expostos, as luzes pendentes em tons quentes... Era simples, mas aconchegante, o tipo de lugar que fazia você querer relaxar e esquecer dos problemas, pelo menos por algumas horas.
Por um momento, deixei meu olhar vagar até Yunho novamente. Ele parecia tão à vontade, mesmo em um ambiente completamente novo. Era impressionante como ele sempre conseguia transformar qualquer lugar em algo familiar.
🎄🎄🎄
“Is it cool that I said all that?
Is it chill that you're in my head?
'Cause I know that it's delicate
(Delicate)
Is it cool that I said all that?
Is it too soon to do this yet?
'Cause I know that it's delicate”