Dear


Escrita porMari Guizelini
Revisada por Mariana


Capítulo único

Tempo estimado de leitura: 14 minutos

Fazia seis anos que %Lelen% não pisava na casa de seus pais, no Arizona. Desde que foi para Chicago para estudar, só voltava para a cidade no Natal e olhe lá, mas agora estava de volta e dessa vez para ficar, sua mãe estava precisando de ajuda para tomar conta da padaria da família e %Lelen% voltou para ajudar.
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  A garota não tinha problema nenhum em voltar a morar na casa dos pais, o real problema era seu vizinho da frente, seu ex-namorado, %John% %OCallaghan%. Ela e %John% foram namorados durante quatro anos, mas, assim como %Lelen% imaginou que aconteceria, tudo acabou quando o garoto veio com a ideia fixa de realizar seu grande sonho, de ter uma banda, tocar as pessoas com sua música. No começo estava tudo bem, ela tinha um namorado rockstar e era o máximo, mas com o tempo as tours começaram a ficar mais longas, em mais países, com gente diferente, com meninas diferentes as quais ele estava acostumado a ver. As brigas ficaram mais frequentes.
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  Até que um dia, %Lelen% percebeu que %John% não era mais o garoto pelo qual ela era apaixonada desde os 15 anos, ele virara um estranho para ela. Antes os dois conversavam a madrugada toda, desde assuntos inúteis até seus sonhos para o futuro, foi assim que %Lelen% disse pela primeira vez que sonhava formar uma família, uma família com %John% e, segundo ele, era seu sonho também, mas depois que ele começou a aparecer em capas de revista e ter menininhas escandalosas atrás dele, virou outra pessoa, uma pessoa que %Lelen% não gostava. Era um %John% egocêntrico, que se importava só com si mesmo. Foi nesse momento que %Lelen% decidiu ir embora, cuidar da vida dela, porque apesar de amar muito %John%, ela amava a si mesma em primeiro lugar.
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  Desde então as únicas vezes que via %John% era na capa de alguma revista com sua banda. Às vezes ela se perguntava como ele estava, se tinha alguma garota nova em sua vida, se ainda lembrava dela.
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  Enquanto isso, %John% viajava por todo o mundo e sempre tinha alguma coisa que o lembrava de %Lelen% em todo lugar que ele passava, era como se a garota o perseguisse e não o deixasse seguir em frente. Nunca soube onde ela estava ou o que estava fazendo a vida, mas sempre que estava sozinho se pegava pensando nela e se perguntava como estava seu primeiro, e, quem sabe, único amor. Se perguntava se ela ainda se lembrava dele, daquele menino bobo e deslocado que ela costumava amar quando ambos tinham 15 anos. Por várias e várias vezes %John% chegou a procurar por %Lelen% no Google, mas a única coisa que achava era algum tipo de juiz em Ohio.
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  %John% sabia que tinha errado muito com %Lelen%, afinal, a garota sempre o apoiara em cada decisão tomada, sempre ficava feliz por ele quando aparecia, finalmente, alguma tour grande, mesmo que isso fosse significar meses longe e raras ligações por parte do garoto, porque ela sempre ligava, ele que nunca atendia por ter vergonha de falar com a namorada no meio de vários homens solteiros, que com certeza zombariam dele. Até o dia que ela se cansou e, apesar de nos primeiro anos julgar a atitude de %Lelen% extremamente egoísta, %John% percebeu que o egoísta ali fora ele durante todo esse tempo, não percebia que o amor de sua vida estava sofrendo com sua ausência e falta de consideração, chegando até mesmo a implorar por um pouco de atenção, coisa que %John% fez o favor de ignorar, até que um dia chegou em casa e %Lelen% estava com as malas prontas, sentada no sofá esperando por ele para, finalmente, poder cuidar de si mesma.
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  %Lelen% não podia dizer que mesmo depois de tantos anos não estava com o pé atrás de voltar para casa na frente da casa do seu ex-namorado. Ela sabia que quando o visse, todo aquele sentimento reprimido durante anos ia voltar, ela nem tentava negar isso a si mesma, para ela, ele sempre seria seu %John%, aquele garoto gentil, que (quase) sempre a tratou como uma princesa. Sua mãe dizia que ele quase nunca vinha para a casa dos pais, mas com a sorte que %Lelen% tinha, ia esbarrar no rapaz na primeira oportunidade que o destino tivesse, não que ela pudesse ficar evitando ele para sempre, teria que enfrentar tudo aquilo se quisesse seguir sua vida de vez.
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  Durante dias as coisas estavam bem tranquilas, sem %John% a vista, até que numa tarde muito quente, enquanto %Lelen% estava sentada em um banco perto de casa tomando um sorvete, ela vê uma figura conhecida passando por ali. Não, não podia ser %John%, justo ali onde ela não tinha para onde correr e se esconder.
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  %Lelen% se pegou torcendo para ele não a ver ali, mas claro que ele a viu, e ainda, para desespero da garota, começou a encará-la. %Lelen%, incomodada, se preparou para levantar e foi quando %John% a impediu de ir embora.
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  — Me desculpe encarar desse jeito, mas você se parece muito com uma menina que eu costumava conhecer.
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  — É mesmo? — Era isso? Ele não a reconhecia mais? %Lelen% não pôde sufocar a ligeira tristeza, mas mesmo assim continuou sorrindo.
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  — Sim, me desculpe novamente, devia saber que era improvável ser ela.
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  Com isso,%John% saiu andando e %Lelen%, ainda não acreditando no que acontecera, voltou para casa andando lentamente.
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  No dia seguinte era sua folga na padaria dos pais, folga merecida na opinião de %Lelen%, a mesma nunca imaginou que era tão trabalhoso ter uma padaria. Ela queria aproveitar que ia passar o dia em casa para pôr todo sono atrasado em dia, coisa que ela estava fazendo, até que ouviu a campainha ser apertada várias vezes seguidas e sem pausa, foi até a porta pronta para matar a tapas o indivíduo tocando a campainha daquele jeito. Quando abriu a porta quem estava atrás da mesma era seu vizinho da frente, ou ex-namorado, como preferir. %John% começou a falar assim que %Lelen% abriu a porta, nem dando tempo direito para ela entender o que estava acontecendo.
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  — Imagine que legal eu chegar ontem em casa e minha mãe me fala que você voltou, aí eu percebo que aquela pessoa que eu encontrei, na verdade, era você mesma e não alguém estranhamente muito parecida com você. Por que você fez isso, %Lelen%? Eu não merecia saber que você estava de volta?
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  %Lelen% ficou uns segundos olhando para %John%, completamente sem reação, até entender o que ele estava lhe dizendo e quando o fez, sentiu mais vontade ainda de matar aquele ser parado à sua frente a tapas.
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  — É muito fácil me acusar, não é mesmo, %OCallaghan%? Afinal, no fim do nosso relacionamento era tudo culpa minha, eu que não entendia você, eu que era carente demais, eu que não te deixava viver a vida…
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  Eles ficaram se encarando por um tempo indefinido, %Lelen% pensando que logo desmaiaria se não controlasse a frequência cardíaca e %John% pensava em por que ele deixou aquela garota escapar. Até que %John% resolveu tentar, pelo menos, consertar as coisas.
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  — Olha, eu sei que eu fiz muita coisa errada, mas eu era imaturo, você sabe que sempre foi muito mais madura que eu, %Lelen%. Era um mundo novo para mim…
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  — Não acha um pouco tarde para tentar se justificar? Você teve uns seis anos para isso e eu nunca, NUNCA ouvi uma notícia sua, uma ligação, um e-mail que seja, nada!
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  Ela estava certa, ele nunca a procurou para explicar qualquer coisa, estava perdendo tempo demais bravo com a garota por ela ter ido embora e quando, finalmente, se deu conta da burrada que estava fazendo, já imaginava ser tarde demais, imaginava que sua %Lelen% já tinha a família que ela tanto queria.
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  — A gente pode sair hoje à noite para conversar? Qualquer lugar que você queira.
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  — Não acho que seria uma boa ide-
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  — Só para conversar, %Lelen%, por favor.
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  — Passe aqui às 20h. — %Lelen% suspirou. — Só conversar, entendeu?
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  — Entendi, obrigado, %Lelen%, muito obrigado!
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  %John% deu as costas para ir para sua casa, mas antes disso deu um beijo na bochecha da moça, o que a deixou, mesmo que não quisesse admitir, querendo mais.
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  Quando deu 19h30min, %Lelen% já estava pronta, já tinha dado umas duas voltas pela casa, bebido cinco copos de água e ido duas vezes ao banheiro, ainda brigou com a mãe quando a mesma disse para ela se acalmar. Depois de mais algumas voltas e gritos com o cachorro sem ele ter feito nada, pontualmente às 20h %John% chegou para buscá-la. Ele a levou em seu restaurante preferido, %Lelen% não fazia ideia que ele sabia que aquele era o restaurante preferido dela. “Um ponto para você, %OCallaghan%”, pensou a mulher.
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  Ela estava odiando aquele silêncio, eles nunca ficavam em silêncio por mais de cinco minutos, mas %Lelen% não sabia como começar uma conversa e pelo jeito, %John% também não, porque ele só olhava para ela e quando ela retribuía o olhar, ele virava o rosto. Por Deus, pareciam dois adolescentes.
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  — Então, %John%, o que você andou fazendo nesses anos? — Com uma coragem vinda do além, %Lelen% começou o diálogo.
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  — Nada de mais, só gravação de álbuns, tours…
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  — … Festas, aposto — a moça disse com um tom ácido.
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  — Por favor, %Lelen%, não quero brigar com você, quero resolver tudo entre a gente, de verdade.
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  A mulher torceu o nariz, mas concordou, apesar de não se animar muito com esse “resolver tudo”, não era possível ele estar solteiro ainda. Por favor, né, %John% era lindo, um rockstar e estava cercado de mulheres o tempo todo!
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  — Desculpa, mas enfim…
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  — Me fale o que você andou fazendo também, sempre me perguntei isso.
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  — Eu fiz faculdade de Produção Multimídia e estava procurando algum emprego na área quando minha mãe me pediu para vir ajudar aqui enquanto ela não consegue contratar alguém.
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  E quando eles notaram, já tinham ido cinco taças de vinho para ela e cinco doses de whisky para ele. %Lelen% sempre fora fraca para bebidas, então já estava fora de si e ria de tudo, %John% não estava bêbado a esse ponto, mas também estava longe de estar sóbrio.
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  %John% pagou a conta do jantar e quando %Lelen% se deu conta, estava sendo arrastada por ele para um parquinho ali perto.
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  — Aí a gente estava voltando a pé da balada, seis da manhã, quando Marie foi atacada por um pássaro. — Enquanto %Lelen% morria de rir da história da amiga sendo atacada por um pássaro, %John%, que não estava prestando a mínima atenção na história da garota, mas sim em como seus lábios pareciam extremamente convidativos e se seria muito errado a beijar enquanto ela não estava muito consciente do que estava acontecendo à sua volta.
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  — %Lelen%…
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  — … Aí ela ficou correndo do pássaro com aquele salto enorme…
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  — %Lelen%!
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  — Você não está prestando atenção, %John%? — A moça fez um biquinho. Será que ela tinha ideia do que aquilo fez com o homem ao seu lado?
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  — Você ficaria muito brava comigo amanhã se eu te beijasse?
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  — O quê? Mas eu-
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  %John% decidiu que não importava se ela o mataria no dia seguinte por isso, desde que matasse a saudade de anos que estava do beijo da sua querida %Lelen%.
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  A mulher não fazia ideia de como chegou em casa ou como chegou ao seu quarto ao ponto de estar deitada confortavelmente em sua cama. A última coisa que se lembrava era de %John% a beijando. Quando se deu conta disso não ficou nada feliz com o homem que, possivelmente, estava deitado em sua cama morrendo de dor de cabeça. Ia se encaminhando para o banheiro quando viu um papel pregado no seu guarda roupa.
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  “Querida %Lelen%,
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  Imagino que você esteja brava comigo, faz tempo que eu não te vejo, mas ainda te conheço como a palma da minha mão!
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  Durante esses anos, senti sua falta em cada dia, mas fui muito otário e covarde por não ir atrás de você quando tive a chance. Querida %Lelen%, preciso de você para me trazer de volta ao que eu costumava ser.
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  Sempre me perguntei se você ainda se lembrava de mim, o garoto que você amava quando tinha quinze anos. E não tenho vergonha nenhuma de admitir que de tempos em tempos eu procurava por seu nome na internet para ver se achava qualquer coisa, uma foto, uma informação, o que for. Nunca encontrei.
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  Querida %Lelen%, você tinha uma confiança quase cega em mim, querida %Lelen%, me diga, você ainda acredita em mim? Acredita que eu ainda te amo, até um pouco mais do que antes e que daria o mundo para te ter novamente?
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  No fim de tudo, eu tenho meu sonho, mas acho que você deveria esperar por mim e, quem sabe, se eu tiver muita sorte, voltar a ser minha querida %Lelen%, só minha.
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  Me procure para me dar uma resposta, qualquer que seja, só para eu saber se vou poder voltar a ser o homem mais feliz do mundo.
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  %John%”
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  %Lelen% acabou de ler aquela carta com os olhos marejados e um sorriso enorme no rosto. Guardou a carta em um lugar seguro e foi trocar de roupa.
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  É, parece que %John% %OCallaghan% teria sua querida %Lelen% de volta.
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Fim

Capítulo único
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Lelen

NOSSA, EU NEM LEMBRAVA MAIS DESSA HISTÓRIA, MAS FOI MARAVILHOSO PODER RELER AODNAPDNAPOSDNP

Meu JohnO agora é casado e com filha, mas quem disse que isso me impede de voltar a 2010 e continuar sonhando com nossa família paralela? HAHAHAH

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