Darling


Escrita porLi Santos
Revisada por Natashia Kitamura

Este é um spin-off de Hidamari que conta a história do casal que se forma do final em diante.



Capítulo 5 • Despedida

"Eu pensei que não estava errado
Esconder de você
A simples verdade
Eu estava assustado
Eu sentia isso o tempo todo
Mas machucou demais para eu contar."

– If Only, Hoobastank –

  Sexta-feira, %Tóquio%

  %Li% está recuperada.
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  Os cuidados de %Kohshi% serviram de estímulo para ela melhorar, obviamente com o auxílio dos remédios ministrados por ele. Ele fez uma consulta virtual com um médico amigo dele que, somente pela descrição dos sintomas e do evento precedente a eles, deduziu ser uma reação alérgica a pólen. Coisa que %Li% nunca teve e que não lhe agradou descobrir ter. Agora, ela desembarca da van junto com os membros da banda, eles vão fazer mais um show em %Tóquio% e %Li% terá o prazer de participar do backstage como fotógrafa convidada.
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  — Já disse que está gostosa hoje? — %Kohshi% sussurra, preenchendo o espaço de sua mão esquerda com a cintura da namorada antes de entrarem na casa de show.
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  Ela resolve usar uma roupa mais ousada para o inverno de %Tóquio% que, na visão dela, é bastante gelado. O vestido curto, colado ao seu corpo, que termina no meio de suas coxas, a meia-calça preta, sapatilha nos pés e os cabelos presos para cima, o que deixaria seu pescoço exposto. Porém, ela completou o look do show com um cachecol preto enrolado no pescoço.
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  Desde que saíram de casa que %Kohshi% vem elogiando-a, dizendo o quão linda ela está com essa roupa e o quão gostosa está. Ele queria tirar alguns minutos antes de saírem rumo ao local do show para despir a namorada e terem um momento de amor no sofá mesmo, mas %Li% foi firme – apesar da imensa vontade que ficou ao ser beijada por ele – e eles desceram até à frente do prédio de %Kohshi%, onde a van já os esperava.
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  O casal adentra ao local do show, juntamente com os demais membros da banda e do staff. O show de hoje será o último antes de uma turnê por algumas cidades do interior do %Japão%, %Kohshi% já disse que %Li% irá com ele em todos os shows, mesmo sobre o pequeno protesto dela, já que ele quem pagará tudo. Porém, mesmo que %Li% quisesse pagar, ela não poderia. Dessa vez ela deixará seu orgulho de lado, afinal ela não quer ficar longe do namorado. Já basta o fato de sua viagem pelo %Japão% estar acabando…
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  Antes do show começar, todos ocupam o camarim preparado para eles. É bastante espaçoso e tem muitas travessas com diversos petiscos. Um pequeno frigobar recheado de bebidas diversas. %Li% caminha até ele, pegando uma lata de energético para ela e uma de água para %Kohshi% que já está jogado no sofá. A mulher senta-se ao lado dele, entregando-lhe a lata de água e abre a própria latinha de energético, bebericando um pouco de seu líquido.
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  — Cunhadinha! — chama %Take%, se aproximando. — Você virá conosco nos próximos shows?
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  — Irei sim — responde %Li%, sorrindo, tentando concentrar-se. Isso porque %Kohshi% está com a mão esquerda afagando a nuca de %Li%, sem parar, o que a deixa levemente desorientada. — Estou muito animada com isso!
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  — Em todas as cidades há lugares para você fotografar, para o seu projeto — informa ele, mordiscando mais um pedaço do sanduíche que tem em mãos.
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  — Ah, que maravilha, %Take% — alegra-se a fotógrafa.
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  — Te levo em alguns conforme formos viajando — diz ele e completa: — Nos outros, o %Kohshi% pode te levar, pois ele conhece bem, né irmão? — %Kohshi% lança um olhar indecifrável para o irmão. Indecifrável na visão de %Li%, pois para %Take% é um aviso claro de “cala a merda da boca!”.
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  — Você me leva, amor? — questiona %Li%, olhando para ele. %Kohshi% desvia seu olhar para a namorada, mudando sua expressão.
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  — Claro, Darling — diz ele, carinhoso.
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  — Uma pena que não poderá ir em todos os shows, sua viagem de volta será em poucos dias, né? — lembra %Take% num tom de pesar.
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  — Sim — %Li% responde no mesmo tom.
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  — Se dependesse somente de mim, ela não viajaria — comenta %Kohshi%, sério.
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  — Por quê? — indaga %Take% vendo que o irmão não diz aquilo de um jeito tão tranquilo.
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  — Não quero ficar longe dela — o olhar de %Kohshi% desvia do irmão para um ponto qualquer do chão.
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  %Li% não nota a mudança, mas, para %Take%, a sutil mudança no tom de voz do irmão é clara: ele está desconfiado de algo. Desde criança, %Kohshi% tem pressentimentos, sensações ruins de coisas que podem ou não acontecer. Normalmente são casos banais, sem nenhuma importância, mas desde que ele pressentiu a morte de um amigo próximo da banda, quando eles ainda estavam estudando o Ensino Médio na cidade onde seus pais moram até hoje, que %Kohshi% vem crendo fielmente nas próprias sensações que tem sobre qualquer assunto.
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  O show começa.
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  Durante a apresentação, %Kohshi% fica distraído. Ele odeia errar as próprias letras que escreveu, mas, especialmente hoje, ele está bastante disperso e errando algumas estrofes que logo são completadas por %Keigo% que estranha os erros do amigo. %Take% desconfia que seja por conta de algum pressentimento que o irmão teve e não quer compartilhar com ninguém.
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  Isso preocupa o mais novo.
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  Ao fim do show, os rapazes retornam ao camarim e, minutos depois, %Li% também retorna. Ela tinha ficado um pouco mais para tirar algumas fotos do público após a Flow sair do palco. %Kohshi% recebe um abraço e um beijo carinhoso da namorada, mesmo ambos estando bastante suados. Mesmo estando frio, a adrenalina do show de quase duas horas os fez suar. Ele ainda está incomodado com algo, mas não externa para não preocupar %Li% que parece estar tão feliz. Ele não quer estragar isso.
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  Horas depois…

  Beijos, apertos, respirações descompassadas, tropeços nos pés.
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  A maneira desajeitada e apressada com que %Kohshi% e %Li% entram no apartamento dele impressiona. Isso porque, desde que entraram no elevador, eles estão se beijando e tocando em partes do corpo um do outro. %Li% retira o casaco de couro que %Kohshi% usa e o joga no pequeno corredor que liga o hall com a sala. %Kohshi% faz o mesmo com o cachecol e as sapatilhas dela, aproveitando estar com a boca perto das pernas de %Li% para mordiscar sua panturrilha e subir até sua coxa, deixando mordidas ali também. O vestido apertado que ela usa dura pouco tempo em seu corpo, pois logo é retirado por %Kohshi% que anseia beijar a pele da namorada. Roupas atrapalham. O homem faz uma pausa nos beijos para livrar-se das próprias roupas, ficando apenas de cueca em segundos. Durante esse tempo, %Li% aproveita para tirar sua meia-calça e, quando estava retirando seu sutiã, é interrompida pelas mãos grandes do namorado, tomando os seios dela com disposição e ele mesmo tira o sutiã dela.
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  %Kohshi% caminha para frente, lambendo os seios de %Li% que caminha para trás tentando não tropeçar nos próprios pés. Ele a empurra no sofá e puxa sua calcinha, removendo-a. A visão da intimidade de %Li% bem à sua frente excita %Kohshi% que comprova sua umidade ao tocá-la, arrancando um leve suspiro da mulher. Ele fica de joelhos no carpete, abrindo mais as pernas dela com as mãos e, antes de começar, encara a namorada. O olhar dela pede por aquilo e pede logo.
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  Sem demora, %Kohshi% dá a primeira lambida.
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  Iniciar mais um sexo oral em %Li% o distrai de seus pensamentos conturbados. Ele ainda pensa no pressentimento ruim, na sensação de morte, a mesma que sentiu quando seu amigo faleceu anos atrás. Mas, %Kohshi% não quer pensar nisso agora, não agora diante da divindade que é chupar sua fotógrafa, sua %Li%, sua Darling.
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  %Li% está tão excitada com o ritmo frenético promovido pela língua de %Kohshi%, que teve pouquíssimas pausas durante o processo, que todo seu corpo treme. A ânsia por ter o pau de %Kohshi% dentro de si e as sugadas perfeitas dadas por ele, apressam o orgasmo da mulher que não tarda a explodir na boca de %Kohshi% que, aproveitando a lubrificação, retira sua cueca e irrompe %Li% com força. Ele joga seu corpo sobre ela, apoiando as mãos no sofá, e intensifica a penetração, os olhos concentrados nas feições de prazer dela. O antídoto para o mal que tenta corromper a felicidade de %Kohshi% é a cara de prazer de %Li%. Não que isso seja sua única fonte ante pensamentos ruins, pressentimentos ruins. Na verdade, ter %Li% ao seu lado já o deixa mais confiante, mais alegre, mais calmo, tê-la em sua vida realmente equilibrou sua existência e ele agradece todo dia por ter tomado a iniciativa quando estava em Salvador, vencendo sua timidez e incerteza.
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  %Kohshi% troca de posição com %Li%, sentando-se no sofá com os braços para trás apoiados nas almofadas. Seu olhar agora vislumbra sua namorada ajeitar os cabelos de volta no prendedor, já que, durante as fortes estocadas de %Kohshi%, desprenderam-se caindo sobre seus olhos. %Kohshi% percorre seu olhar, descendo pelo corpo dela: os seios que ele tanto gosta quando preenchem sua boca, a barriga que ele tanto gosta apertar, as coxas que ele adora morder, os pés que ele gosta de beijar e, obviamente, a intimidade dela que ele tanto gosta de foder. %Li% o encara com sensualidade e %Kohshi% acompanha o movimento dela ao sentar-se sobre seu pau. Ele solta um gemidinho, jogando o pescoço para trás, mas logo retorna a olhar %Li% que começa a quicar no colo dele, uma das mãos apoiadas em seu ombro para ajudar no impulso. Alentando-se somente em ver o olhar voraz de %Kohshi% sobre ela, a mulher aumenta suas quicadas e até apoia os joelhos no sofá para melhorar seu desempenho. Isso a excita mais, obrigando-a a colocar ambas as mãos sobre os ombros dele, pendendo sua cabeça para frente. Sua bunda remexe sobre o colo dele, sendo envolvida por uma das mãos do homem que a aperta ritmando ainda mais os movimentos do quadril de %Li% que são ininterruptos. Essa mesma mão sobe até a cintura dela, pressionando o local para baixo. %Kohshi% projeta o próprio corpo para frente, apoiando melhor seus pés no chão, e impulsiona seu quadril para cima provocando o movimento contrário que faz o quadril de %Li%. Logo ela sente a pressão exercida por ele e geme alto, não se controlando mais. Ela enverga suas costas para trás sem perder o ritmo e tem os cabelos puxados na mesma direção pela mão livre de %Kohshi%. O ato faz %Li% o encarar com o olhar para baixo, sua boca aberta, a respiração esbaforida. %Li% fecha os olhos com força, sentindo a força intensa de %Kohshi% penetrá-la fulminantemente. %Kohshi% ergue seu tronco, diminuindo a distância entre eles e toca seus lábios no queixo dela. Ele sabe que está perto, portanto deixa a cintura dela e apoia-se no sofá para impulsionar mais seu quadril para cima. Com isso, %Li% chega ao seu orgasmo, seguida segundos depois por %Kohshi%.
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  %Li% joga sua cabeça nos ombros dele, quase desfalecendo com o prazer sentido agora. %Kohshi% não para de mexer seu quadril, faz movimentos lentos, muitos gostosos. %Li% geme baixinho e %Kohshi% a abraça, carinhoso, sem parar. Distribuindo beijinhos molhados pelo pescoço dela, chegando até seu rosto, %Kohshi% diz, com a voz mansa, quando tem sua boca próxima ao ouvido dela.
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  — Te amo, Darling. Te amo…
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[🌻]

  Uma noite antes da viagem…

  %Kohshi% não consegue dormir.
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  Por mais sono que ele sinta, sua mente não o deixa descansar. Amanhã será a viagem de volta de %Li% para o Brasil e, definitivamente, %Kohshi% não acha que ela deva acontecer. Além de não querer ficar longe de %Li%, o homem se apega ao pressentimento ruim que vem sentindo ao longo dos últimos dias, o que piorou com a proximidade do fim da viagem. Agora, ele está abraçado ao corpo quente da namorada enquanto ela dorme. Eles tiveram seu último momento de amor antes dela viajar amanhã cedo. Passaram o dia inteiro dentro de casa, curtindo a companhia um do outro sem se desgrudar. %Li% não tinha percebido antes, mas hoje ela notou diferenças em %Kohshi%. A principal delas é o aparente medo demonstrado por ele. Durante o dia, ela tentou extrair alguma informação do namorado, mas ele parece ter se blindado a isso e não disse uma palavra a respeito.
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  A mulher desperta devido a inquietude dele.
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  — Me perdoe, Sunshine — diz ele, baixinho.
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  — Não consegue dormir? — indaga %Li% com a voz de quem acaba de acordar e se aconchega no abraço dele.
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  — Não — ele diz, simplesmente. — Volte a dormir, amanhã acordaremos cedo — ele dá um beijo na nuca dela, soltando o ar pelo nariz.
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  — Está tudo bem?
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  — Sim — a resposta não a convence.
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  — Amor — %Li% vira o rosto para trás, encarando o namorado. — Eu sei que está acontecendo algo que você não quer me contar.
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  — Não é, não é nada que você deva se preocupar, por favor, Darling — %Kohshi% sela rapidamente seus lábios com os dela e exibe um sorriso contido.
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  — Pare de mentir para mim — insiste %Li%, virando-se de frente para ele com a sobrancelha arqueada. — Eu não tenho mais nenhum segredo com você, Darling, por favor, me conta o que está havendo! Você está angustiado, posso sentir apenas em olhar para você ou até quando você me abraça.
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  — Desculpe… — pede ele com os olhos fechados momentaneamente. Ao abrir os olhos ele a vê encará-lo ainda mais séria. A luz singela do luar ilumina um pouco a cama, deixando um pouco visível a expressão dela. %Li% se estica para trás e liga o abajur, deixando o quarto mais iluminado. — É besteira, amor, é só… — ele hesita e %Li% volta a deitar-se de frente para ele, repousando sua mão sobre o rosto de %Kohshi% que fixa seu olhar dançante sobre a mulher.
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  — É algo com a banda? — indaga, confusa.
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  — Não — ele engole em seco não querendo contar a verdade.
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  — O que é então? — diz a mulher.
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  — Promete que não vai rir de mim? — ele pede com o ar inocente.
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  — Claro que não, Bombonzinho — brinca %Li% e %Kohshi% está tão apreensivo que nem consegue revidar. — Nem reclamou… — e obviamente ela nota esse detalhe.
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  — Eu me sinto um idiota por compartilhar isso com você, jurei que isso tinha parado, pelo menos nessa intensidade… — ele diz de maneira desconexa e incompreensiva para %Li%, ignorando a última frase dita por ela. — O Léo, ele está preso, não está? — a pergunta é feita sem rodeios. %Li% espanta o olhar.
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  — Está sim, amor — responde a mulher e indaga logo em seguida: — Por quê?
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  — Tem certeza? — insiste %Kohshi% engolindo em seco, transparecendo uma ruga de aflição em seu rosto que também é notada por %Li%.
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  — Absoluta — reafirma. — Meu advogado disse que Léo será julgado daqui há dois meses mais ou menos e, devido às acusações contra ele, certamente ele continuará preso. Será condenado — conclui %Li% e acaricia o rosto dele. — Mas não é isso que te incomoda, não é? Dá para ver que tem algo a mais…
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  — Eu sinto algo ruim dentro de mim — ele volta a falar, sua voz saindo um pouco trêmula e se repreende mentalmente pela covardia em revelar a verdade. — Desde criança eu tenho alguns pressentimentos, muitos deles são besteira, algo banal e totalmente sem importância, mas… — hesita o vocalista, ficando com a boca seca de repente e fechando os olhos.
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  — Mas… — %Li% tenta estimulá-lo, notando seu esforço. %Kohshi% volta a encarar %Li%.
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  — Às vezes, há pressentimentos ruins, muito ruins que se realizam de alguma maneira. E eu odeio estar certo nesses momentos — confessa ele sentindo-se muito idiota por partilhar este lado para sua namorada, ele não queria ter que chegar a este ponto.
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  — Então, você está sentindo algum pressentimento ruim agora, é isso que te aflige? — deduz a mulher ainda acariciando o rosto dele.
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  — Sim — diz. — E tem a ver com o Léo.
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  — A aura dele é caótica, transmite medo e insegurança. Não te julgo por sentir algo ruim sobre ele — ela diz dando uma risada abafada ao fim da frase e aproxima mais o rosto do dele. — Não fique assim tão preocupado, amor — %Li% dá um selinho demorado nele. %Kohshi% fecha os olhos, retribuindo o beijo, mas não consegue esconder a tremedeira de seus lábios. — Fique calmo, por favor — clama a mulher, preocupada.
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  — As coisas nunca acabam bem quando eu sinto algo assim, Sunshine. Nunca — ele diz com urgência, a voz também trêmula. — A última vez que me ocorreu um sentimento assim eu ainda estava no ensino médio e senti que um dos meus amigos estava em apuros — o olhar de %Kohshi% volta a se fechar e reabre segundos depois.
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  — O que houve? — indaga a fotógrafa, hesitante pela resposta.
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  — Ele faleceu dias após — informa o homem em tom de pesar. — Amor, foi tão forte…
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  — Eu sinto muito, Darling, sinto muito — ela o abraça com força, englobando sua cabeça com os braços.
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  — Eu estou sentindo isso agora, Sunshine, está mais forte do que naquela vez — %Kohshi% começa a chorar e agarra o casaco que a namorada usa. Suas mãos ainda estão na frente de seu corpo e ele puxa o casaco de %Li% para si, aproximando os dois. — Amor, eu estou com tanto medo…
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  — Me diz exatamente o que você está sentindo, amor, para eu te ajudar.
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  — Eu tenho medo do Léo escapar, do Léo fazer algo com você. Sunshine, eu não estou com um sentimento bom sobre a sua viagem amanhã — ele finalmente externa sua real aflição. Sua voz saindo descompassada, falhante. — Não digo isso somente porque irei morrer de saudades de você, mas também porque eu tenho medo de te deixar sozinha em Salvador com aquele maníaco idiota lá — %Kohshi% não consegue mais esconder, seu temor está engatilhado demais para controlar agora.
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  — Meu amor, por favor, acalme-se — %Li% volta a pedir apertando mais o abraço. — Não chore, meu bombom.
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  — É egoísta de minha parte pedir, mas eu tenho que pedir: por favor, não embarque naquele avião amanhã — suplica o homem, desesperando-se ao mesmo tempo que as lágrimas o consomem, o rosto enterrado no peito da namorada.
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  — %Kohshi%, eu lhe peço, fique calmo, eu vou ficar bem. Nada de ruim irá acontecer, meu amor. Por favor, você vai acabar passando mal, Darling.
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  %Li% está aflita, tanto quanto %Kohshi%.
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  O homem chora, agarrado à namorada, os pensamentos lhe traindo e dando ainda mais motivos para que ela fique no %Japão%. Motivos loucos, até mesmo surreais, na visão racional de %Kohshi%, porém, a parte sensitiva dele clama para que %Li% não volte a Salvador amanhã. A porcentagem de acerto contabilizada por %Kohshi% durante os anos que teve pressentimentos como este de agora não o deixa calmo. Só piora seu sentimento de que algo dará errado. E quando ele pensa "errado" pode ser qualquer coisa. Desde o chefe de %Li% não aceitar a proposta dela e a moça ter que ficar no Brasil, longe de %Kohshi%, até algo mais grave que atente contra a vida da namorada. Isso é o que mais o assusta e ele não queria transparecer tal medo para %Li%. Ele não queria deixá-la preocupada, aflita com algo que nem ele sabe se acontecerá mesmo ou se é um delírio de sua mente. Tudo que %Kohshi% quer agora é não ter tido tais sensações.
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[🌻]

  Acordar na manhã seguinte foi uma tarefa difícil.
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  O %Asakawa% não tinha chão para encarar a namorada que dormiu abraçada a ele toda a noite. Eles não disseram nada sobre a tensa conversa que tiveram na noite passada. Apenas fizeram suas higienes matinais, tomaram café da manhã, terminaram de ajeitar as últimas coisas que faltavam nas malas de %Li% e seguiram rumo ao aeroporto onde estão agora acompanhados dos membros da banda que foram se despedir da fotógrafa e amiga.
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  Apesar de estar mais calmo que ontem, %Kohshi% ainda exibe sua feição séria, seu coração está palpitando mais que o normal. As batidas extras o deixam ansioso e ele não saiu de perto de %Li% desde que chegaram. O voo dela decola daqui há duas horas e a proximidade desse horário o aflige, intensificando sua ansiedade. Neste momento, %Take%, %Keigo% e os outros da banda conversam com a %Li% pedindo coisas para ela trazer de Salvador quando ela retornar ao %Japão%. %Kohshi% está alheio à conversa, %Li% percebe, mas não o envolve no assunto. Ela sabe de toda a angústia dele e acredita que ele esteja sendo sincero. Mas, no fundo, ela não deseja que ele esteja certo desta vez. É certo que Léo seja condenado pelos crimes de invasão à domicílio e agressão, o fato dele ter descumprido a medida protetiva que %Li% impôs a ele agravou sua situação. %Li% confia em seu advogado e o processo está tramitando relativamente rápido na justiça baiana. Sem contar que Léo está preso desde que descumpriu a ordem de distanciamento. Desde que %Kohshi% lhe disse suas preocupações que %Li% vem pensando nas palavras dele. Léo se revelou ser um homem violento após aceitar o pedido de namoro dele, mas, assim que notou a mudança no homem, %Li% terminou tudo e, desde então, Léo a vem perseguindo e pedindo para retomaram o relacionamento.
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  Mas, %Li% não quer pensar nele agora.
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  A mulher dá um jeito de desviar o assunto, que estava totalmente nela, para outra coisa. Então, os rapazes seguem conversando entre si, assim ela pode dar atenção ao namorado.
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  — Está mais calmo, meu bombom? — %Kohshi% consegue sorrir levemente com o apelido. — Awn, ele sorriu para mim, fofo — diz %Li% apertando a bochecha dele.
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  — Estou ansioso — revela ele. — Mas eu estou apegado na ideia de que eu estou exagerando e que eu esteja errado desta vez — completa o homem e tem o rosto puxado para o ombro dela.
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  — Vai ficar tudo bem — %Li% deposita um beijo terno no topo da cabeça dele. — Meu manhosinho.
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  — Promete que vai se cuidar? — ele pede com a voz baixa.
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  — Prometo — %Li% responde no mesmo tom e completa: — Prometo voltar logo para você, meu amor.
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  A promessa de %Li% faz %Kohshi% fechar os olhos com força, sentindo-os arder de emoção. Ela afaga a nuca dele, voltando a beijar a parte alcançável da cabeça do homem.
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  A chamada do voo de %Li% interrompe o momento dos dois.
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  Está na hora de se despedir, desta vez para valer. Embora esteja relutante em deixá-la ir, %Kohshi% se levanta e a leva até o portão de embarque. Quando chega a vez de ela apresentar seus documentos para entrar na parte embarque de fato, o homem a abraça uma última vez com muita força, lembrando-se do primeiro abraço que deu nela ainda em Salvador anos atrás. O abraço dado por %Kohshi% dá a entender que ele nunca mais a verá. Isso o assusta. Ele demora um pouco a mais e é alertado pelo irmão de que %Li% perderá o voo caso ele não a solte. Emburrado, %Kohshi% a solta e %Li% sela seus lábios mais uma vez, ela põe a mão sobre o crucifixo que ela deu de presente ao namorado e sorri.
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  O sorriso dela é o acalanto dele. Essa é a última imagem que %Kohshi% tem dela antes de %Li% desaparecer pelo corredor que liga até a sala de embarque.
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  Os demais membros da banda se dispersam, indo cada um para um compromisso diferente. Hoje eles não têm nada marcado na agenda da banda, portanto estão livres para fazerem o que quiserem, por isso estavam ali para se despedir dela. Agora, apenas os irmãos %Asakawa% ainda estão no aeroporto. Faz alguns minutos que %Kohshi% está parado, inerte ao movimento agitado do aeroporto e com o olhar vidrado, olhando para o nada.
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  — %Kohshi% — chama o mais novo, pondo a mão esquerda sobre o ombro do irmão. — Vamos?
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  — Eu não deveria ter deixado ela ir, %Take% — ele vira seu olhar para o irmão, os olhos vermelhos de tanto chorar.
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  — Teve um pressentimento, não teve? — indaga ele retoricamente. %Kohshi% não responde, mas a resposta é óbvia. — Por Deus, %Kohshi%, que tipo de pressentimento teve?
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  — O pior possível — %Kohshi% o encara de canto de olhar, depois cobre o rosto com as mãos, fechando os olhos.
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  — Não deve ser nada, irmão…
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  — Você sabe que meus pressentimentos sempre são reais — rebate o vocalista, nervoso.
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  — Sim, mas sempre são coisas óbvias que a gente imaginaria que ocorreriam — %Take% tenta pôr panos quentes na aflição de %Kohshi%. — Um tombo de alguém que corre sem olhar para onde anda — diz ele. — Ou até naquela vez que você previu que uma menina me daria um fora, era óbvio que sim — ele ri, tentando animar o irmão sem sucesso.
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  — Não, %Take%, não é disso que estou falando — insiste %Kohshi% com urgência. — É algo mais… mais forte dessa vez, igual no dia da morte do Ken — %Take% arregala o olhar, de repente. — Isso não está me deixando em paz, irmão.
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  — %Kohshi%, fica calmo — pede o mais novo. — Você contou para %Li%, não foi?
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  — Ela percebeu que eu estava estranho e me pressionou, tive que contar a verdade — confessa.
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  — Você a assustou falando essas coisas, irmão. Ela estava aflita antes de embarcar.
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  — E acha que isso não me assusta também? — retruca. — Eu estou apavorado, uma angústia sem fim que não me deixa em paz, %Take%…
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  — Calma, não adianta ficar assim. Vamos torcer para que você esteja errado — diz %Take% sem saber direito se é certo dizer somente isso, mas ele não tem ideia do que falar para o irmão em um momento desse.
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  Ele torce para que o irmão esteja completamente errado e que seja apenas um devaneio. Quem sabe eles riam disso no futuro, quando %Li% retornar ao %Japão% sem nenhum arranhão.
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  Mas, e se ele estiver certo?
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Capítulo 5
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