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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Darko


Escrita porPams
Revisada por Natashia Kitamura

3 • O Teste

Tempo estimado de leitura: 17 minutos

Ergaki, Rússia

  Primavera de 2017

  E sim, tivemos muitos mais treinos pela frente. Passamos todo o inverno naquela caverna enfrentando o frio e em treinos pesados ao ar livre. Era surreal uma pessoa aguentar aquela situação, se for levar em conta a localização geográfica. Sibéria no inverno era quase a morte. E segundo o capitão Bellorum, nosso corpo só conseguia resistir a isso, graças a uma fórmula desenvolvida pelas Indústrias Baker chamada CN.
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  A CN aumenta a capacidade e resistência do corpo humano, dando-lhe mais força, agilidade e resistência a altas e baixas temperaturas, além do aumento de percepção dos cinco sentidos. Louco e impressionante o que a ciência descobre com suas pesquisas e uma doutora insana como as que pertenciam à família Baker. E foi esta fórmula que me fez companhia pelo inverno juntamente com o capitão Bellorum.
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  — Primavera… — disse Olga ao entrar no meu quarto para retirar meu sangue — Finalmente um pouco de sol neste fim de mundo.
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  — O inverno realmente demorou a passar — concordei me lembrando das semanas de treinamento.
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  De tempos em tempos a Dra. Baker realizava uma bateria de exames em mim, para avaliar o estado da minha saúde e o progresso de sua experiência em mim. A observei se aproximar com a bandeja coletora. Sua mãos delicadas seguraram meu braço com leveza analisando minhas veias. Logo que senti a picada da agulha em meu braço, um frio passou por mim. De repente, minha visão começou a falhar até que tudo ficou escuro.
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  — O que está acontecendo? — perguntei a ela um pouco assustada.
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  — O quê? — sua voz continuou a mesma, transmitindo normalidade.
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  — Olga, minha visão, não estou vendo. — disse a ela tentando não me desesperar, mas sentindo o coração pulsar mais forte. — Desligou.
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  — Que estranho, antes de vir aqui, verifiquei o sistema e está tudo normal — disse ela ao retirar a agulha de mim e se afastar.
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  Mesmo não enxergando nada, conseguia ouvir seus passos e sentir os movimentos que fazia. Em um piscar de olhos, uma sirene começou a tocar alto e forte, senti uma ponta de dor latejar na região dos meus olhos.
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  — O que está acontecendo? — perguntou Olga num tom desesperado.
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  — OLGA! OLGA! — ouvi aos fundos a voz da Dra. chamando por ela. — Estamos sendo atacados, conduza %Nissah% para a saída de emergência, eles não podem…
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  Não consegui ouvir mais a sua voz, com o som do sinal ficando mais forte e mais alto. Aos poucos, até meus tímpanos começaram a latejar. Olga me pegou pela mão e começou a me guiar pelos corredores. Corremos durante aquele tempo, trombando em outros funcionários que também corriam para fugir. Eu permanecia sentindo as nuances de luz pelo lugar, até que ela parou de repente. Senti seu corpo gelar. Certamente estávamos com problemas. Onde estava Grigorieva com aqueles braços de titânio quando se precisava dele?
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  — Oh, não… — sussurrou Olga.
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  — O quê? — perguntei, sentindo a presença de alguém próximo.
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  — Estamos com problemas — ela deu um passo para trás, sentia o medo em sua voz.
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  — São quantos? — perguntei.
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  — Quatro homens — sussurrou ela.
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  Era óbvio que não estávamos sozinhas. Minha única opção era me lembrar dos treinamentos às cegas com a agente de combate, Yelena Pushkin. Segurei firme no braço de Olga e a arrastei para trás de mim. Em segundos, senti a forte aproximação do primeiro, com um golpe de esquerda, consegui me desviar e o soquei mais forte. Eu tinha que me concentrar, mas com aquele barulho alto seria complicado.
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  — Olga, corre! — gritei avançando contra o segundo.
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  Me desviar deles não estava sendo fácil e, sim, levei alguns socos e chutes. Ouvi o clique de uma arma e dei um passo para trás, então lancei minha perna e senti bater na mão, o barulho da arma caindo veio em seguida. De repente, alguém me agarrou por trás, e outro me deu um soco no estômago. O gosto amargo do sangue invadiu minha boca, e já estava com um corte na boca. Impulsionei minha cabeça para trás, acertando o nariz do homem que me segurava, e joguei a perna chutando o outro. Mais movimentação para perto de mim.
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  Continuei a tentar me defender, até que senti acertarem minha cabeça com algo mais pesado e preciso. Perdi a consciência de imediato.
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  — Quanto tempo acha que ela vai ficar apagada? — ouvi ao longe uma voz masculina e desconhecida.
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  Mantive minha respiração baixa e meus olhos fechados, até entender o que estava acontecendo. Percebi que meu corpo estava amarrado e comigo sentada em uma cadeira. Será que… Não. Meu treinamento já havia terminado, então eu realmente tinha sido pega pelos invasores. Comecei a mexer minha cabeça e abri minhas pálpebras, notei que minha visão ainda estava totalmente desativada.
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  — Olha só quem acordou. — disse a mesma voz. — Nossa moeda de troca.
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  — Quem é você? — perguntei ao homem.
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  — Quem sou eu não importa, mas você tem aquilo que eu quero — senti ele pegar em meu cabelo e puxar, fazendo minha cabeça ir bruscamente para trás.
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  Senti uma forte dor na região dos olhos. Pois uma luz forte estava sobre mim. Prendi o grito de dor e me mantive firme.
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  — Onde está %Nikolai% Bellorum? — perguntou ele.
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  — Eu não sei — respondi.
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  — Vamos ver então. — ele soltou uma risada barata e me socou. — Onde está %Nikolai% Bellorum?
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  Novamente senti o gosto de sangue na boca e cuspi. Tomara que tenha lhe acertado.
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  — Eu não sei. — ri debochadamente. — E se soubesse, não te diria.
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  — Ah, é? — mais um soco.
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  Respirei fundo, sentindo a dor começar.
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  — É só isso que consegue fazer? — o provoquei com mais deboche ainda.
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  Comecei a dar algumas gargalhadas entre os socos que recebia dele. Até que o impacto de um deles em meu rosto fez com que a cadeira se desequilibrasse e caísse.
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  — Você bate que nem uma florzinha — provoquei mais, remexendo minhas mãos para me soltar da corda.
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  Em um piscar de olhos que ele levantou a cadeira, consegui soltar minha mão direita e o soquei. Quando ele se moveu para se aproximar, eu lhe dei uma cabeçada e soquei novamente. De imediato, desamarrei minhas pernas e me levantando, peguei a cadeira e a usei para bater no homem o desmontando no chão. Me ajoelhei ao seu lado e procurei algo nele que me ajudasse. Cega e desesperada, eu tinha que me concentrar em sair dali viva e com meus olhos intactos, mesmo não funcionando.
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  Ouvi alguns passos em minha direção e procurei algum lugar para me esconder. Porém, sem sorte, tive que novamente lutar pela minha sobrevivência e me defender de mais dois homens robustos. Aquilo me lembrava os treinamentos com Grigorieva, eram cansativos e chatos de tão dolorosos. Eu sempre saía machucada e humilhada por ele. Mas então, respirei fundo após um deles me derrubar pela terceira vez.
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  — Analisar seu inimigo e descobrir seu ponto fraco — sussurrei para mim mesma.
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  Ok, o primeiro homem era canhoto, no que me ajudaria? O segundo era muito lento em seus socos, talvez pela má coordenação motora. Sorri de canto e, me levantando, usei o que tinha aprendido com o capitão a meu favor. Fiz com que o primeiro homem socasse o segundo até desmaiá-lo. E me abaixando, lancei a perna no meio do caminho, para que ele caísse também.
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  Saí correndo sem direção certa e encontrei um corredor. Entrei nele e fui alisando as paredes, até que achei uma porta. Estava trancada com cadeado. Soltei um suspiro de cansaço e frustração, apalpei pelo lugar para encontrar algo que me ajudasse. Senti um extintor e o arranquei da parede. Voltei para porta e bati com o extintor no cadeado até que quebrasse. Ao sair para o lado de fora, senti a claridade e o sol quente. Outra pontada de dor na região dos olhos, aquilo era o início do retorno da minha visão.
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  — Parabéns Alpha, você passou no teste. — a voz do capitão Bellorum veio juntamente com sua figura diante de mim. — Agora você é uma agente Darko.
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  Seu olhar orgulhoso foi surpreendente. Mas a raiva dentro de mim estava tão forte, que minha mente não respondeu aos meus movimentos. Somente dei alguns passos até ele de punhos fechados e o soquei tão forte, que seu corpo desequilibrou e ele caiu no chão. Logo Grigorieva me segurou forte pelo pulso, que o mantive fechado.
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  — Deixa ela, Grigorieva. — disse Bellorum ao se levantar, limpando um pouco do sangue que escorreu em sua boca. — Ela tem razão de estar brava.
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  Um sorriso de canto presunçoso surgiu em sua face, porém foi interrompido por outro soco meu. Lancei meu corpo sobre o dele, o derrubando e me mantendo por cima, continuei socá-lo de raiva. Em poucos movimentos, Bellorum conseguiu me imobilizar, girando meu corpo para que eu ficasse por baixo e ele por cima de mim. Seu olhar sereno me deixava ainda mais revoltada.
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  — Me solta! — gritei com ele.
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  Só queria matá-lo naquela hora.
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  — Quando se acalmar, eu te solto. — ele continuou na mesma posição, me olhando fixamente. — Respire e se acalme, se continuar assim, não te darei sua primeira missão, Alpha.
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  Eu respirei fundo e me acalmei. Logo Bellorum me soltou e se levantando, esticou a mão para mim. Eu ignorei sua ajuda e me levantei. Mesmo sentindo dores em meu corpo pelos combates, não queria depender dele para nada. Entretanto, a vida é imprevisível. Ao dar o primeiro passo, senti minhas pernas falharem e meu corpo desabar, sendo amparado pelo capitão. Perdi a consciência antes mesmo dele perguntar se eu estava bem.
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  Acordei ouvindo barulhos dos aparelhos que monitorava meus batimentos. Mesmo com as pálpebras pesadas, forcei meus olhos a se abrirem. Eu estava no laboratório principal da Dra. Baker. Ela estava próximo ao computador, observando Olga digitar alguma coisa, certamente sobre mim.
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  — Dra. Baker? — sussurrei com minha voz meio falha.
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  — %Nissah%, finalmente acordou. — disse ela ao se virar e vir até mim. — Fiquei preocupada, tivemos que fazer alguns reajustes em seus olhos.
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  — Por quanto tempo eu apaguei? — perguntei a ela me sentindo zonza.
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  — Dois dias. — respondeu ela. — Seu corpo estava mesmo exausto, por todos os acontecimentos.
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  — Precisei de outra plástica. — brinquei com sarcasmo. — Eu apanhei bonito.
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  — Não se preocupe, seu rosto está impecável, e vai precisar dele para sua primeira missão — a voz de Bellorum soou da porta, ele estava encostado na parede de braços cruzados me olhando.
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  — Devo acreditar que é mesmo uma missão? — perguntei a ele. — Minha confiança em você está abaixo de zero.
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  Ele sorriu de canto.
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  — Vejo que está bem, não tenho com o que me preocupar. — ele riu adentrando mais o laboratório. — Poderiam nos deixar a sós?
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  — Claro, capitão. — Ara. Baker olhou para sua assistente. — Venha, Olga, temos que analisar essas radiografias.
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  Olga assentiu meio chateada por ter que se afastar do capitão. Mas seguiu com a Dra. Baker para fora do laboratório. Bellorum fechou a porta e se aproximou da cama onde eu estava.
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  — Você é forte, estou admirado — afirmou ele.
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  — Sério? Que curioso, a cada dia eu sigo convicta de que estão tentando mesmo me matar — retruquei com minha teoria da conspiração.
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  Ele riu baixo.
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  — Se eu a quisesse morta, teria lhe deixado onde a encontrei. — ele se sentou na beirada da cama, ficando de frente para mim. — Te daremos mais dois dias de recuperação, você passou no teste de lealdade.
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  — Chama aquilo de teste? — o olhei com seriedade e indignação.
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  — Foi, acredite, fiquei feliz por não dizer nada sobre mim. — confessou ele. — Mais ainda por ter conseguido se defender, mesmo sem a visão.
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  — Bem… Eu tive um bom treinamento. — admiti. — Qual é a minha primeira missão?
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  — Recuperar um chip — respondeu.
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  — Um chip? — segurei o deboche, pois estava curiosa.
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  — Não é qualquer chip. — ele se levantou da cama e começou a caminhar pelo quarto. — Há duas semanas, um militar de alto grau da Grécia foi raptado enquanto transportava um chip que dá acesso à localização e ativação de ogivas nucleares neonazistas que foram apreendidas em solo russo.
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  — E agora, temos que recuperar esse chip — conclui.
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  — Recuperar o chip, acabar com a organização criminosa que roubou e capturar Vladimir Smirnov vivo. — completou ele. — Essa é a sua primeira missão, mas não se preocupe, vou com você.
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  — Grande coisa. — disse com ironia. — Por que querem esse tal Vladimir vivo?
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  — Assunto confidencial da Continuum — respondeu evasivamente.
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  — Continuum… Quando vai me contar sobre eles? — indaguei.
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  — Quando estiver preparada — manteve sua resposta como da última vez.
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  — Hum… Então dessa vez a Darko vai prestar serviços para a Continuum? — perguntei curiosa. — Pensei que eram somente para países relevantes.
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  — Os interesses da Continuum são mais importantes — ele levou a mão na boca, cobrindo seu longo bocejo.
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  — Olha só, o capitão está com sono — brinquei.
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  — Devo contar que passei as últimas 48 horas esperando que acordasse? — ele me olhou com firmeza.
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  — Eu sou somente uma cobaia para vocês — ignorei seus cuidados comigo.
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  — Não para mim. — ele se virou para porta. — Descanse.
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  Observei Bellorum se retirar em silêncio. Era intrigante a forma como ele me tratava. Sempre compreensível, mesmo mantendo sua pose firme de agente perfeito. Fechei meus olhos e segui seu conselho. Descansei o quanto pude durante os dois dias de cuidados médicos, recebendo toda atenção da Dra. Baker e seus monitoramentos quanto ao meu corpo físico e a precisão dos meus olhos biônicos.
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  — Olha só quem está de volta. — disse Grigorieva assim que entrei na sala de treinos. — Pronta para apanhar?
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  — Eu vou acabar com você — o ameacei, agora eu já sabia como derrubá-lo.
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  — Hoje não. — disse o capitão Bellorum ao entrar. — Hoje você é minha.
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  Seu olhar estava mais intenso e afiado.
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  — Está dispensado, Grigorieva — disse ele com segurança.
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  — Sim, capitão. — meu “amigo” de treino se afastou de nós e pegou sua blusa de moletom, a vestindo novamente.
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  Assim que Grigorieva se retirou, fechando a porta da sala, o capitão Bellorum retirou as mãos do bolso e fechou os punhos. Observei que suas mãos estavam meio enfaixadas na região das palmas, como em um treino de boxe.
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  — Me vença — disse ele com um sorriso prepotente.
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  — Com prazer — assegurei, fechando meus punhos e correndo pra cima dele.
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"Sinto muito, você me deixa tão louco
Você sabe que você faz
Todo mundo tem medo de mim,
Então, sou um homem intocável
Mas por que sua sinceridade não pode me rejeitar no final."

- Monster / EXO

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