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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Darko


Escrita porPams
Revisada por Natashia Kitamura

2 • O Treinamento

Tempo estimado de leitura: 12 minutos

Ergaki, Rússia
Inverno de 2016

  Eu nunca imaginei que poderia ter treinamentos piores que a dos militares, mas a Darko se superou. Passei minhas primeiras semanas no escuro sem poder usar meus olhos biônicos. Segundo o capitão Bellorum, eu teria que aprender a sobreviver sem a visão para merecê-la, pois se acontecesse novamente de roubá-la, eu teria forças para reagir. Começamos com teste de resistência a torturas físicas, com um barril e água gelada em minha frente e o agente robusto Igor Grigorieva me afogando de tempos em tempos.
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  — Se concentre. — disse Igor ao me puxar novamente pelo capuz da blusa em meu corpo. — Seu inimigo não lhe dará chance, ele vai te torturar até a morte.
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  Errado ele não estava. Assim como eu, Igor foi recrutado pela Darko no auge de sua queda, quando estava respirando por aparelhos no hospital com os dois braços decepados. Agora, uma prótese de titânio no lugar dos braços arrancados lhe dava a chance de continuar. Eu ainda achava impressionante como a tecnologia era benéfica para algumas coisas. A pele artificial dele era impecável.
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  — Eu juro que estou tentando — disse ao retomar meu fôlego.
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  — Tente mais — ordenou ele, afundando a minha cabeça novamente no barril.
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  Estava frio. Estávamos no armazém aos fundos da propriedade da Darko. Logo à frente tinha uma cabana simples e humilde que servia de fachada. As instalações da agência eram subterrâneas. Sua passagem era pela porta da despensa da cozinha. Tudo extremamente secreto e sigiloso. Tinha descoberto que a Darko era uma agência que prestava serviços para alguns governos mundiais, principalmente Estados Unidos, Rússia, Coréia do Sul, Japão, Reino Unido, França, Espanha e México. A Interpol também contava muito com nossa ajuda em algumas operações secretas.
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  — Grigorieva! — ouvi a voz do capitão. — Já chega por hoje.
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  Igor me puxou de volta e me soltou. Meu corpo cansado caiu no chão de madeira do armazém. Estava ofegante e lutava para puxar o máximo de ar que conseguia, meus pulmões pareciam mais desgastado que no dia anterior. Ele era bom para torturar.
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  — Tem certeza que não querem mesmo me matar? — perguntei ainda jogada no chão.
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  — Só queremos te preparar para o pior — disse o capitão estendendo a mão para me ajudar a levantar.
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  — Eu já passei pelo pior. — segurei em sua mão e me levantei. — Estou aqui, não estou?
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  — Venha comigo — disse ele se afastando e seguindo até a porta.
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  A região da Sibéria já é fria pela localização, no inverno só piorava. E ali estava eu com o corpo molhado e frio pelo treinamento, me arrastando para a floresta atrás do capitão Bellorum. Uma hora e meia de caminhada, chegamos a uma clareira próxima a uma gruta, entramos e me deparei com uma fogueira já acesa e algumas provisões separadas.
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  — Deixe eu adivinhar, vai me deixar aqui para sobreviver ao inverno — comentei analisando a situação.
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  — Sim e não. — ele retirou do corpo o casaco de esquimó que vestia, e me entregando. — Retire essas roupas molhadas e coloque isso para aquecer seu corpo, pode ser modificada, mas ainda é um ser humano.
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  — Igor sabe disso? — perguntei pegando o casaco.
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  Ele riu discretamente e se aproximou da fogueira, para acrescentar mais lenha. Olhei para a entrada da gruta, era uma passagem pequena, o que ajudava a nos manter mais escondidos e menos expostos ao frio. Retirei a roupa molhada e coloquei o casaco. Me aproximei dele e sentei em cima de uma rocha próximo a fogueira.
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  — Vai mesmo ficar aqui comigo? — perguntei.
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  — Sim, você é responsabilidade minha. — ele remexeu nas caixas que tinha levado com suprimento. — É o primeiro experimento de restauração total que fazemos, você nos custou muito dinheiro para eu te deixar sozinha no meio da floresta.
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  — Está com medo de eu fugir? — perguntei curiosa o observando.
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  — Não. — ele riu. — Você tem um chip no cérebro que trabalha juntamente com seus olhos, o que você vê, nós vemos, e também podemos te rastrear através disso.
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  — Então do que tem medo? — indaguei.
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  — De cair em mãos erradas e clonarem nossa tecnologia. — ele me olhou com seriedade. — Mas não pense que você não tem valor, pelo menos para mim, sua vida vale.
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  Engoli seco e desviei meu olhar para a neve que caía do lado de fora da gruta. Aos pouco, aumentar o fogo com mais lenha, o calor foi abrangendo ainda mais o lugar. Então retirei o casaco e coloquei meu uniforme da agência que encontrei. Não pude deixar de notar que o capitão me olhava discretamente nessa hora. Homens, todos iguais. As horas foram passando e ele me chamou para treinar ao ar livre combate corpo a corpo. Assenti não gostando da ideia. Nos colocamos ao centro da clareira de frente um para o outro, eu já tinha visto o capitão Bellorum treinar com outros agentes. Tido como o melhor, era de se esperar suas habilidades em níveis surpreendentes. Até o momento eu só tinha treinado com Isla Fallin, com sua audição reforçada tecnologicamente, e com Igor e seus braços de titânio.
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  — Me ataca. — ordenou ele.
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  Assenti e tomei impulso já fechando meus punhos. Eu não sabia o propósito dele fazer isso. Bellorum mais se defendia e observava meus movimentos, do que se movia para me atacar. Em toda minha trajetória na Darko até ali, o que mais ouvia é “a melhor defesa é o ataque”. Então, o que ele mais ordenava era que eu o atacasse. Em um descuido de minha parte, então me atentar a posição de seu corpo, lancei minha perna em direção a sua barriga. O capitão se desviou e segurou a minha perna torcendo-a.
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  — AI! — soltei um grito, sentindo algo estalar na altura do meu tornozelo.
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  — Se solte e revide. — disse ele ainda segurando minha perna retorcida. — Seu inimigo não terá piedade, sua vingança não valerá nada.
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  Sua voz firme estava mais grave. Eu jurei que não choraria mais, porém, as lágrimas relutam em se juntar no canto dos meus olhos. Eu tomei impulso com a perna esquerda que estava livre e chutei seu abdômen o fazendo me soltar. Meu corpo caiu no chão e sentir dor ao impacto, mesmo sendo naquela neve gelada e macia. Eu me levantei com dificuldade, sentindo dores, e lancei meu corpo pra cima dele o socando de surpresa. Caímos novamente no chão e eu fiquei por cima, continuei a distribuir socos, que eram defendidos. Até que ele rolou o corpo dele para o lado me jogando na neve, e ficando por cima de mim.
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  Bellorum, segurou em meus pulsos os prendendo no solo. Meu corpo mesmo sentindo o gelo da neve tocá-lo, estava quente pela adrenalina do treino. Eu queria me soltar e socar ainda mais sua cara. Agora eu estava com raiva. A palavra vingança me fez lembrar de tudo de ruim que havia acontecido comigo. Eu não queria mais ser fraca como antes, não queria depender dele ou da Darko para me manter de pé.
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  — Se seu inimigo é mais forte que você, explore o ponto fraco dele com suas habilidade. — aconselhou ele. — Analise seu oponente, descubra como ele luta, mesmo que apanhe no início, deixe ele pensar que venceu e lhe dê o golpe final.
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  — Terei que descobrir seu ponto fraco então. — disse relutando para me soltar dele.
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  — Me tornei seu inimigo agora? — perguntou ele aproximando mais sua face da minha.
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  Conseguia sentir sua respiração. Me peguei desnorteada com sua aproximação. O capitão Bellorum era o que chamamos de agente airoso. Bonito, elegante, charmoso, atraente, educado e cavalheiro na medida do possível. Também descrito como um lobo solitário, as etapas de ação e força física de suas missões eram realizadas somente por ele. Já tinha notado os suspiros de algumas agentes por ele quando passava por elas. Olga, a assistente da dra. Baker, era uma delas; no tempo em que fiquei de recuperação, em todas as visitas do capitão, ela fazia questão de estar perto. Dando desculpas de monitorar meus reflexos, batimentos, evolução…
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  — Me solte ou se tornará — disse com seriedade.
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  Ele sorriu de canto, certamente esperava essa atitude de mim. Em um piscar de olhos o tempo começou a ficar estranho, e uma nevasca foi se aproximando de nossa localização. Bellorum tomou impulso para se levantar e me puxou consigo. Corremos para a gruta, sendo quase pegos no caminho. Aquilo era um sinal de que não voltaríamos tão cedo para base.
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  A única, além do capitão, que tinha acesso as imagens emitidas por meus olhos, era a dra. Baker. Segundo ele, ela havia desativado o acesso até nosso retorno, já que eu estavasob os cuidados dele. Eu fiquei sentada ao lado da fogueira, enquanto ele se ofereceu para preparar nosso jantar. Comida enlatada, esquentada em uma panela improvisada. Melhor que isso, não teríamos. E o cardápio? Feijão com legumes.
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  — Você disse que a Darko era uma agência independente que trabalhava para governos. — iniciei o assunto.
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  — Sim. — ele manteve o olhar em sua tigela.
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  — Se ela é neutra, quem a criou? — perguntei.
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  — A Darko é uma agência fundada por duas famílias, Baker e Bellorum, que coincidentemente eu faço parte. — ele começou a explicar, movendo seu olhar para mim — E ambas pertencem a uma sociedade fechada chamada Continuum.
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  — E o que é essa Continuum? — indaguei curiosa.
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  — Ainda não está preparada para saber. — ele voltou seu olhar para a tigela em suas mãos. — Se concentre em seu trabalho na Darko.
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  — Hum… — suspirei frustrada. — E você está na Darko há quanto tempo?
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  — Três anos. Primeiro, servi nas forças armadas, quando me tornei capitão, pedi dispensa e fui transferido para a agência — contou ele — Minha família toda é militar, temos muita influência no meio.
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  — Curioso, vocês sabem quem fez aquilo comigo? — o olhei fixamente.
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  — Sim. — respondeu. — A Darko possui acesso a informações valiosas… Lamento que tenha se machucado por um erro do seu pai.
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  — Não lamente, já me considero órfã, ou melhor, Natasha Ivanov não existe mais. — afirmei com segurança. — Só quero me vingar e fazer justiça a mim mesma.
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  — %Nissah%. — seu tom forte me chamou o olhar para ele. — Se souber a forma correta de se vingar, não terá como falhar.
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  — E quando poderei fazer isso? — deixei minha tigela de feijão vazia do lado e mantive-me séria. — Quando vai me dar os nomes que preciso?
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  — Em breve, quando estiver pronta. — ele também deixou sua tigela no chão e se levantou. — Por enquanto, foque em resistir aos treinos.
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  Ele se aproximou das caixas e retirou de um alguns cobertores, estendendo-os em cima de alguns jornais que espalhou pelo chão um pouco úmido. Ele se deitou em um lado e fechou os olhos, soltando um suspiro cansado.
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  — Não fique pensando em coisas desnecessárias por agora. — aconselhou ele. — Você ainda tem muita coisa a fazer pela Darko, antes de executar sua vingança. Agora, venha descansar. Amanhã, após a nevasca passar, temos mais treinos pela frente.
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  Assenti em silêncio meio relutante. Me mantive sentado próximo ao fogo, olhando as chamas queimando a lenha. Era difícil pensar no que tinha acontecido comigo e controlar a raiva.
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  Eu desejava devolver na mesma moeda o que fizeram comigo.
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A sombra escura desperta em mim,
Fogos de artifício explodem em meus olhos,
Todo mundo se afasta do seu lado,
Porque eu estou ficando um pouco mais feroz.
- Growl / EXO

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