Capítulo 13 • Aquele dia da prefeitura
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15 de Maio
Sakura olhava para cima, admirando o prédio histórico que estava à sua frente. Respirou fundo e entrou, chegou até a recepção e pediu para falar com o prefeito.
— Entenda, senhorita… — Empinou o nariz e falou com arrogância.
— Sakura, Sakura Haruno — ela completou. — Médica chefe do setor de cardiologia do hospital de Konoha.
— Oh, não me disse que era… — A recepcionista ficou surpresa.
— Importante na cidade? — interrompeu a mulher novamente. — Não preciso, querida, qualquer um pode falar com o prefeito, não?
— Sim, vou ligar para a secretária dele, só um instante.
Demorou apenas alguns minutos para que sua entrada fosse liberada. Forçou um sorriso e subiu a grande escada até a antessala do prefeito Namikaze. Era impressionante como o povo daquela cidade só via títulos nas pessoas, era irritante. Falou com a secretária e ela disse que aguardasse, pois o prefeito estava em reunião, porém, logo saíram três homens da sala e foi possível que ela entrasse.
— Boa tarde, senhor Namikaze. — Sakura entrou e fechou a porta.
— Boa tarde, doutora Haruno, a que devo a honra de sua visita?
— Adianto que não é nada agradável.
O homem franziu o cenho e assim que a Haruno sentou em uma das poltronas, explicou o que estava fazendo ali. Contou sobre o sequestro de Sasuke, o quanto sofreu com Naruto e como Itachi ajudou em tudo que pôde. Disse também que o casal estava bem, mas que tinha se preocupado pois já havia visto mais de uma vez um carro parado em frente ao prédio. Também tinha o fato de o próprio Itachi estar preocupado.
— Isso tudo é muito grave, doutora Haruno — começou Minato. — Confio em Fugaku como chefe de polícia, e se ele realmente tiver feito tal atrocidade precisarei avisar as autoridades federais.
— Peço que converse com Naruto, acredito que ele vai tentar esconder. Ele disse que não queria incomodar o senhor pois já tinha muitas preocupações.
— Nada é tão importante quanto meu filho.
— Imaginei. Eu amo Naruto e Sasuke, são meus melhores amigos, peço, por favor, que tome providências, senhor Namikaze.
— Me chame de Minato, doutora. Se é amiga do meu filho a ponto de fazer o que está fazendo é mais do que próxima.
— Obrigada, Minato, e me chame de Sakura, por favor.
17 de Maio
— Neji, lança o de sempre… — Chegou Sakura sentando na banqueta e jogando sua bolsa no balcão do bar.
— Esquece que eu sou médica.
— Credo, que mau humor. — Hyuuga colocou o copo baixo em cima do balcão e assistiu a amiga virar a dose dupla do whisky. — Outra?
— Fazendo o que aqui tão cedo, Saky? — Hinata se aproximou e deu um selinho na amiga.
— Fugi do hospital. — Fez uma careta.
— Ainda não resolveu aquele problema? — A morena colocou a mão na cintura e apoiou o cotovelo no balcão.
— Você esqueceu que são dois problemas… — Sakura levantou dois dedos.
— Achei que tínhamos reduzido a um.
— Reduzir a um não quer dizer que não precise lidar com o outro. — As duas discutiam, e Neji fazia a mais estranha das expressões tentando entender aquele papo muito do confuso.
— Do que vocês estão falando? — perguntou o moreno.
— Nada — as duas responderam juntas e ele levantou as mãos em rendição, virando de costas para lavar alguns copos.
— Vim mais cedo pra me preparar psicologicamente para lidar com o Gaara. — Deu mais um gole na bebida.
— Ficar bêbada você quis dizer…
— Mesma coisa. — Deu de ombros.
— Vejo que ainda não resolveu as coisas com o meu irmão. — Sakura virou e viu os olhos verdes da amiga.
— E vocês? — Haruno apontou para Temari e Neji. — Já se resolveram? — Os dois se entreolharam, Neji limpou a garganta e Sabaku apenas ficou vermelha. — Não me julgue tão rápido, Temari, você sabe que… — Sakura parou no mesmo instante de falar quando viu o ruivo cruzando a porta do bar.
— Eu sei que…? — incitou a loira, que seguiu o olhar da médica. — Vá falar com ele, Saky…
— Não tenho muito o que — pigarreou chamando Neji com a mão, que serviu mais uma dose a ela — falar. — Sakura sentiu a bebida descer mais amarga que o normal, Gaara falava com algum conhecido perto da entrada, não tinha a visto no balcão… ainda. — Dá tempo de ir embora? — Fez com que ia levantar, mas Temari a segurou pelo braço.
— E você, não? — Sakura apontou com o queixo para o Hyuuga atrás do balcão e a Sabaku olhou para ele.
— Estamos juntos, ok? — Neji virou surpreso pela fala da loira. — É isso que quer que eu admita?
— Já fico feliz com esse feito, Tema, estou orgulhosa…
— Sakura... — A médica sentiu um arrepio cruzar sua espinha. Não ouvia aquela voz há tempo demais e ser o seu nome saindo dos lábios do ruivo e não o apelido dado por ele, causava um incômodo na boca de seu estômago.
— Gaara… — Ela virou, encarando os olhos verdes musgo e mordeu a pele interior do lábio.
O silêncio constrangedor durou alguns segundos até Hinata o cortar:
— Temari, eu preciso de ajuda lá atrás, pode me ajudar, cunhadinha? — Ela puxou a amiga pelo braço, que saiu reclamando pelo novo apelido.
— Está tudo bem? — perguntou Sabaku, preocupado.
— Estou bem e você? — Sakura voltou a olhar para o balcão em busca de pedir outra dose, mas Neji tinha sumido, assim como as duas amigas. Inclinou-se por cima do balcão e pegou a garrafa de whisky, servindo uma dose generosa.
— Bem… — O ruivo deu mais alguns passos e sentou no banco ao lado da médica. — Você sumiu. — Sakura bebia o líquido âmbar e levantou a garrafa, oferecendo de forma muda ao ruivo, que prontamente aceitou pegando um copo na parte baixa do balcão.
— Desculpe por isso. — Desviou seus olhos dos dele, umedeceu os lábios. — Estava super ocupada no hospital.
— Ocupada o suficiente para nem sequer responder às minhas mensagens?
Sakura fechou os olhos e aquilo doeu em si, nunca quis ignorá-lo, mas precisava se entender antes. Sentia o pulsar de seu coração em sua garganta, como médica sabia que sua pressão sanguínea tinha aumentado devido ao nervosismo e ansiedade. Faltava saliva em sua boca, estava seca, virou a dose, porém nem isso foi capaz de dar-lhe algum alívio. Não tinha a merda de uma desculpa para aquilo, não queria mentir pro ruivo, adorava a sintonia, o companheirismo e a amizade que eles tinham, estragar tudo com uma mentira ali não era sequer uma possibilidade.
— Gaara, a verdade é que não estou pronta pra essa conversa.
— Como assim, Sakura? — O escritor franziu o cenho completamente confuso.
Sakura levantou rapidamente pegando sua bolsa e se dirigiu para fora do bar batendo a porta atrás de si. Recebeu a brisa fria do começo da noite e respirou fundo, enchendo seus pulmões de ar. Seu coração batia acelerado em seu peito, fechou os olhos e pensou em voltar. Estava agindo como uma adolescente, precisava resolver seu dilema de forma madura, mas de que forma? Parecia impossível achar uma solução quando tudo que queria era não estar apaixonada por ninguém. Contudo, precisava ser sensata e não fazer uma cena daquelas, tinha prometido aos seus melhores amigos que naquela quarta-feira estaria ali. Tudo precisava voltar a ser como antes.
Virou-se para entrar novamente no bar e deu de cara com Gaara. Os olhos fixos nos seus, jurou estar completamente nua, pois era assim que os olhos dele a deixavam, completamente despida. Sakura abaixou o olhar e mordeu o lábio com força.
— Não quero que me esconda nada que não queira, Sakura, antes de tudo eu sou seu amigo, sabe disso — Gaara começou. — Está me evitando há mais de um mês, se não puder olhar nos meus olhos por algum motivo, me diga qual é e vamos resolver isso… juntos.
Sakura largou a bolsa no chão e encontrou a boca que tanto sentia falta. Agarrou o pescoço do ruivo na mesma vontade em que ele apertou sua cintura. Sua língua buscava a do outro como alguém que está se afogando e precisa de um colete salva vidas. Sentia seu corpo entrando em frenesi a cada carícia, cada toque, cada movimentar de lábios sobre os seus. Queria Gaara como nunca quis outro homem, queria ele na cama, na sua vida e no seu coração.
— Puta merda! — falou ao se afastar, ainda de testas coladas.
— Também estava com saudades, moranguinho, mas primeiro vamos conversar sobre o que aconteceu lá dentro… — Sabaku se afastou para olhar nos olhos da médica, colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha dela e acariciou sua bochecha.
— Eu estou fodida, Gaara, é isso…
— Ainda não… — Ele apertou a bunda dela e a mulher virou o rosto fechando os olhos e riu com a piada, mas riu também pela grande vadia que a vida era. Voltou a olhar aqueles olhos verdes e misteriosos o suficiente para fazer qualquer mulher querer descobrir o que existe além deles. O que ela pensava era que tinha sido a escolhida para ele abrir seu coração, e talvez tenha sido isso que tenha feito ela se sentir especial.
— Eu estou fodidamente apaixonada por você, Gaara. — Assistiu a boca do ruivo se entreabrir com a informação, sua expressão mudando de maliciosa para surpresa e logo ele prendeu a palma em sua nuca, acariciou a orelha dela com o polegar. Sakura fechou os olhos e seus lábios curvaram-se, aproveitando o toque dele, o carinho e finalmente, sentiu os lábios, que se uniram aos seus novamente.
— Nunca pensei que diria algo assim… — sussurrou, com os lábios colados aos dela, sentia a respiração quente aquecendo seu rosto.
— Saky! — A médica virou para trás e viu seus dois melhores amigos, desprendeu-se do ruivo e os abraçou. — Você veio mesmo… — disse Naruto, animado.
— Ela já ia fugir, acredita? — Gaara falou e Haruno o olhou com os olhos arregalados. — Acho que depois de tanto tempo tá com medo de perder na sinuca. — Ele sorriu e piscou para Sakura, que sorriu aliviada.
— Jamais ficarei com medo… Vamos derrotar você e o Nara rapidinho! — Apontou para Sasuke, que estalou a língua e bufou.
— Não seja ranzinza. — Puxou o rosto do moreno pelo maxilar e deu um selinho nele. — Vamos nos divertir, estou com saudades.
Entraram no bar novamente e viram Hinata, Neji e Temari em uma das mesas, sentaram-se com eles e pediram suas bebidas, logo os demais da turma se juntaram a eles. Entre conversas e jogos de sinuca, Sakura e Gaara cochichavam no ouvido um do outro fazendo planos para depois do bar. Estavam distraídos brincando e mantendo a interação animada, quando dois policiais entraram no bar.
— Mas claro que eu não confio na louca aqui solta em uma festa — Temari reclamou de Yamanaka.
— Você e seu puritanismo, Temari.
— De puritana ela não tem nada — o moreno que antes estava calado resolveu soltar o comentário.
— Neji! — Sabaku se envergonhou e bateu no peito de Hyuuga, que estava abraçado a ela. Logo ele riu, algo raro de se ver, e beijou a lateral da cabeça dela. — Você é melhor calado.
— Isso concordo com você, irmã. Poupe-me dos detalhes, cunhado. — Gaara censurou o dono do bar.
— Sasuke… — A voz grave chamou atenção de todos.
— Itachi? — Ele se surpreendeu ao ver o irmão ali, ainda mais de uniforme.
— Preciso que nos acompanhe até a delegacia. — Shisui deu a ordem.
— O quê? — Naruto franziu o cenho.
— Itachi? — Sakura prontamente se levantou.
— Está tudo bem, Saky. — O rapaz balançou a cabeça como se explicasse que tudo estava sob controle. — Sas, por favor.
Sasuke se levantou e Uzumaki o acompanhou. Os quatro deixaram o bar e o silêncio desconfortável tomou conta. Todos da mesa deram um gole em suas bebidas, respiraram fundo e se entreolharam como se esperassem que alguém tivesse as respostas. Então, Sakura parou e pensou, ela não sabia que Minato agiria tão rápido assim, porém, talvez fosse uma coisa boa, não? Quanto mais rápido Sasuke estivesse em segurança e o pai dele atrás das grades, melhor. Sentou-se novamente e ficou nervosa pensando no que iria acontecer e o porquê dele ter que levar Sasuke para a delegacia.
— O que será que aconteceu? — perguntou Ino.
— Não sei, pode ser algo com os pais do Sasuke, Itachi pode não querer dar alguma notícia ruim na frente de todos — comentou Shikamaru.
— Shika tem um bom ponto. — Hinata deu de ombros.
— Saberemos em breve, se for notícia ruim ela vai correr rápido — pontuou Neji.
— Me leva pra casa? — disse Sakura baixo para o ruivo. — Não importa se para a sua ou pra a minha.
— Claro, vamos. — Gaara se levantou, sendo seguido pela médica. — Pessoal, vamos…
— Transar, ok, já sabemos… — Ino, sem pudor algum, cortou Sabaku, e por um momento Sakura agradeceu mentalmente, era melhor do que explicar que precisava sair dali.
Os dois se despediram e foram até o caixa, pagaram sua parte da conta e começaram a caminhar em direção à saída. Sakura pegou o celular e enviou uma mensagem para Naruto avisar qualquer notícia que tivesse. Guardou o aparelho na bolsa e Gaara entrelaçou seus dedos nos dela e saíram, pararam na varanda ao lado de fora para pedir o Uber.
— Quer que te deixe em casa? — perguntou o homem enquanto digitava no celular.
— Não. Não quero ficar sozinha. — Ela o mirou de canto. — Posso ir pra sua? — Sabaku a analisou e curvou o canto dos lábios, concordando.
Chegaram no apartamento do ruivo e ele abriu uma garrafa de vinho, os dois sentaram na varanda e aproveitaram o silêncio confortável olhando o céu estrelado. Sakura, no entanto, um minuto ou outro olhava o celular em busca de notícias de Sasuke e Naruto. Estava preocupada, preocupada por poder acontecer algo de ruim com eles, ou de ela ter feito uma burrada ao ir contar tudo para o prefeito. Ela se perdeu em pensamentos e culpa, mordeu o lábio e fechou os olhos jogando a cabeça para trás.
— O que tá acontecendo, Saky?
Ela virou para o ruivo e respirou fundo antes de dizer:
— Eu fui segunda até a prefeitura… falar com Minato.
— Sim, ok? — Ela levantou da poltrona exasperada. — Contei tudo e pedi para ele resolver essa merda! Estou preocupada com o Sas, primeiro Itachi acha que Shisui foi ferido na operação que fizeram por armação do pai dele, depois eu vejo um carro estranho em frente ao nosso prédio… Eu tô com medo, Gaara! — As lágrimas escorreram pelo seu rosto e o ruivo se levantou para abraçá-la. — Estou com medo…
— Tá tudo bem… Eu tô aqui. — Ele acariciou os fios rosas da mulher e a consolou.
Sakura chorou nos braços dele, mas sentia-se segura em demonstrar fraqueza, pela primeira vez depois de muito tempo, conseguia chorar sem se sentir frágil, sentiu-se apenas… humana. Aquela noite estava atípica, definitivamente algumas coisas haviam mudado dentro de si nas últimas semanas, talvez meses e nem sequer percebeu. Estava na casa de alguém e não estava fodendo com ele e sim chorando, declarando seus medos e inseguranças. Contudo, Gaara sempre se predispusera a escutar, sempre foi ela que colocou o muro entre os dois, mas agora, ela se sentia bem em destruí-lo.
— Obrigada… e desculpe por…
— Nem ouse, Sakura. — Gaara se afastou e limpou as lágrimas dela com os polegares. — Sempre fomos mais do que um sexo carnal, você sabe disso. Sou seu amigo e, bom, depois precisamos conversar sobre esses rótulos.
Sakura riu secando o restante do rosto antes de proferir:
— Preciso beber mais pra essa conversa.
— Confie mais em você, falou tudo pra mim sem nem pensar.
— O que te faz pensar isso? — Uniu as sobrancelhas e crispou os lábios.
— Bom, você me beijou quando eu nem mesmo esperava, e olha que eu sempre espero — afirmou com um curvar de lábios sacana.
— Idiota! — Os dois riram e o ruivo foi até a cozinha para pegar outra garrafa de vinho então serviu as taças.
— Foi por isso que se afastou? — Entregou a taça a ela.
— Também… Acho que precisava de um tempo só meu. — Deu um gole no vinho. — Nossa, esse é uma delícia.
— Já me acostumei com o seu gosto para vinhos, acho que com esse acertei.
— Com certeza. — Sentou-se na poltrona novamente. — Como estava dizendo, precisei raciocinar, as meninas me ajudaram a perceber, sem elas estaria no escuro até agora.
— Você já sabia, Saky, só não queria admitir.
— Você é muito convencido, sabia? — falou, incrédula.
— Não estou falando disso… — Ela franziu o cenho, confusa. — Você já tinha percebido que
eu estava apaixonado por você.
Aquilo a desconcertou, era verdade, talvez quisesse negar para si mesma que estava vendo coisa demais onde não tinha. Entretanto, estava certa, ele tinha confirmado para ela ali, naquele momento, e por mais que já tivesse lidado com caras apaixonados por si, nunca foi um por quem sentisse o mesmo. Estava tudo atípico demais na sua vida e aquilo lhe dava arrepios. Resolver exigiria um esforço mental e um gasto de energia que ela sempre evitou, mas sentia que o ruivo era aquele que valia a pena.
Nota: Oi meus amores, essa história é um projetinho meu que surgiu de uma forma inesperada. Fiquei com bloqueio durante muito tempo e agora consegui voltar a escrever e se a Deusa da inspiração permitir, vou terminar! Escutei um amém? Hahahaha
Se divirtam e aproveitem com um ventilador e água gelada pois aqui o que não falta é hot de qualidade ✨
Beijos e have fun!
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