8 • O lado oculto
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- %Annia%
Eu não sabia até que ponto eu poderia envolver %Cedric% na minha vida novamente. Foi por causa da minha condição de milady que tivemos nossa separação no passado. Entretanto, estava gostando de vê-lo andando pelo apartamento como se estivesse se sentindo em casa, bem ele realmente estava em casa.
— Por que está me olhando? — eu o olhei meio intrigada.
— Nada. — eu sorriu meio sem jeito. — É que… Nada.
— Diga. — eu cruzei meus braços deixando minha face mais séria.
— Não fique tão séria. — ele se aproximou. — Só estou tentando me acostumar com isso que está acontecendo, ver você sempre que quero.
Eu ri espontaneamente sem saber como reagir. Ele segurou em minha cintura e me beijou com um pouco de malícia, senti meu corpo se arrepiar naquele momento. Eu me afastei de leve dele e olhei para o lado. %Dimitri% estava parado ao lado da porta nos olhando tranquilamente, eu sorri de canto e me afastei mais de %Cedric%.
— Então? — olhei %Dimitri% de baixo para cima analisando seu novo terno.
— Tudo pronto para daqui algumas horas. — ele desviou seu olhar para %Cedric% por um breve momento, depois olhou para mim novamente. — Recebi as coordenadas de Jack, temos que finalizar o assunto do CN desviado.
— Vamos finalizar, daqui três dias, agora tenho que focar em encontrar a garota herdeira. Ainda tem as festividades do final do ano… Fomos convidados por Sebastian Dominos para comparecer a recepção deles no réveillon, toda a Continuum estará lá. — eu me dirigi para a escada. —
Gentlemen, vou me trocar para nosso encontro de hoje.
Subi as escadas deixando eles sozinhos, não tinha nenhum receio disso. %Dimitri% não nutria nenhuma desconfiança em %Cedric% e vice-versa. As horas se passaram, no horário combinado %Dimitri% estacionou o carro em frente ao prédio da principal empresa de Jack. %Cedric% nos acompanhou como havia declarado pela manhã, ainda tinha receio daquilo, havia partes em mim que ele odiava.
Ao chegarmos no terraço, Jack já estava à nossa espera, a assistente dos diretores estava de pé acorrentada pelos pulsos com uma longa corrente que estava pregada ao chão.
— Boa noite, Meredith. — eu parei na frente dela e %Dimitri% parou ao meu lado. — Agradeço por aceitar nosso convite para o este encontro casual.
— Não foi exatamente um convite. — ela me olhou com arrogância, o ódio vindo dela podia ser sentido.
— Então deve imaginar por que está aqui. — eu lancei meu olhar superior para ela. — Pobre garota, quem é você longe dos diretores?
Eu olhei para trás e vi que %Cedric% encostado na parede, que estava distante. Desviei novamente meu olhar para Jack, ele havia sentado no beiral do prédio, ambos atentos aos meus gestos.
— Então deve saber que sou protegida deles. — ela insistia me enfrentar.
— Não se estiver extinta. — eu levantei minha mão direita e olhei para minhas unhas grandes. — Mas posso te dar o benefício do perdão, sei que Catrina tem segredos com você, diga quais são.
— Não direi nada. — ela tentou me enfrentar com o olhar. — Seus dias estão contados, milady Baker de Manhattan, você...
Lancei minha perna contra seu rosto a derrubando no chão. Meredith cuspiu sangue. Deu mais um passo para frente e coloquei a parte do salto de meu sapato em sua jugular. Meu olhar de predador para ela era impagável. Jack já estava diante de mim, aquilo havia sido surpreendente até para ele.
— O que dizia mesmo, Meredith? — peguei a katana das mãos de %Dimitri%, ele sempre a levava para mim.
— Você é uma vadia. — ela cuspiu novamente em meu sapato agora.
Não me contive em mover o braço e passar a espada… Seu corpo caiu diante de mim. Sorri de canto e devolvi a espada para %Dimitri%.
— Você nem mesmo esperou. — disse Jack assustado.
— Ela não iria falar mesmo, e jamais dou segunda chance. — eu olhei para seu corpo sem vida. — Estou pensando em mandar ela de presente para Davis. O que acha?
— E como pretende encontrar Molly agora? — perguntou %Dimitri% direcionando seu olhar para mim. — Não temos mais a informante.
— Que lugar você acha mais improvável para se esconder uma garota sequestrada por um diretor?
— A mansão dele. — respondeu %Dimitri%.
— E agora, o que você irá fazer? — perguntou Jack.
— Uma visita ao diretor, e meu cartão de entrada será ela. — respondi me virando para a porta de entrada do prédio. — Mande-a para o escritório de Davis.
Caminhei até a porta e ao passar por %Cedric%, percebi que ele não estava confortável com o que eu havia feito. Passamos todo caminho de volta em silêncio, quando chegamos no apartamento, escrevi uma carta a Davis lamentando pela perda de sua secretária, entreguei a %Dimitri% e pedi que enviasse pela manhã.
Meus próximos passos teriam que ser cautelosos e precisos, eu passaria as próximas horas pensando em minhas estratégia para que tudo desse certo. Porém, seria interrompida por um leve desvio de atenção chamado %Cedric%.
— Fala. — tentei manter meu tom estável ao entrar no quarto. — Despeja tudo.
— O que você quer que eu fale? — ele me olhou. — Precisava matar ela?
— Está com dó dela? — eu não acreditava no que estava ouvindo.
— Eu pensei que tivesse mudado, mas continua fria como antes.
— Ela estava armando contra mim e você está assim porque a matei? — meu veio uma indignação naquele momento. — %Cedric%, você tem ideia das suas palavras?
— Não, mas gostaria que você tivesse ideia das minhas. — ele me olhou com mágoa. — Não é assim que eu quero você, uma pessoa sem segunda chance.
— Esta sou eu agora, se acha que voltarei a ser aquela garotinha indefesa que encontrou no beco sendo coagida, eu jamais serei fraca novamente.
— Não é questão de fraqueza e sim frieza. — ele olhou para janela. — Se fosse eu, me daria segunda chance?
— Você está aqui, não está?
— Não mais. — ele se virou e passou por mim saindo do quarto.
Eu segurei aquela pequena e insistente lágrima de raiva e ódio daquele lado humanitário que ele persistia em manter. Depois de alguns segundos olhei para porta e %Dimitri% estava parado me olhando, seu olhar enigmático e sua face séria.
— Não fale nada. — minha voz estava mais áspera que deveria.
— Já disse que não me envolverei mais nos seus assuntos com %Cedric%. — ele olhou de leve para a baixo na altura das minhas mãos, eu estava com os punhos fechados. — Já marquei uma reunião extraordinária com os diretores para depois do natal, já pensei em tudo, teremos que adiar e recuar um pouco para que não seja exposta pela morte de Meredith.
— Não deveria, este trabalho é meu. — olhei para janela controlando minhas emoções e voltando a minha realidade de milady.
— Não faltará mais oportunidades, porém neste momento somente faça o que eu disser. — de alguma forma %Dimitri% estava me ajudando ao tirar aquela pequena responsabilidade das minhas costas.
— Enquanto estivermos em reunião com eles, Jack e seus homens farão uma busca na casa, assim que encontrarem a garota ou algo que nos leve até ela, você entregará a carta pessoalmente a Davis.
— Ele saberá por mim. — conclui.
— Sim, apesar de não poder acusá-lo sem provas, Catrina será sua testemunha assim que devolvermos Molly.
— Como queira, mas Summers ficará mais tempo sem a filha. — contestei um pouco.
— Será por uma boa causa, vamos usar Molly como isca para pegar Davis, deixe que ele pense que venceu essa batalha. — %Dimitri% era tão estrategista quanto Allison. — Além do mais, teremos a ajuda de Sebastian Dominos para conseguir as provas que precisamos.
Eu não estava em condições mentais de questionar %Dimitri% ou propor algo melhor, então deixei como ele havia proposto. Enfrentaria os diretores enquanto Jack faria o trabalho sujo.
- %Cedric%
Eu estava zangado com ela. Aquele era o lado de %Annia% que me fazia odiá-la, um lado frio e calculista que havia afastado a doce garota por quem me apaixonei no passado. Faltava poucos minutos para amanhecer, entrei em um bar próximo, por ironia eu conhecia o gerente, que me deixou ficar isolado em seu escritório.
Desejava não ter trazido de volta todo aquele sentimento bipolar do passado. %Annia% representava tudo, mas eu odiava metade dela, aquela metade inserida por Allison Baker. Fiquei jogado no sofá por horas, já havia perdido a noção do tempo. Foi quando bem ao longe ouvi uma voz conhecida e que não deveria estar naquele lugar. Levantei do sofá e olhei pela persiana da janela, aquela voz era mesmo real, era Rose sentada no banco do bar, conversando com o barman e um homem estranho que estava com a mão na perna dela.
Saí rapidamente e ao chegar perto, peguei a mão do homem pelo pulso e torci com tanta força o socando depois. Seu corpo foi ao chão. Talvez eu tivesse descontado minha raiva nele.
— Nunca toque nela. — olhei para Rose.
— Olha, o sliter que me deixou. — sua voz estranha, estava embriagada. — Cansou de ser o cachorrinho da Baker?
Não iria discutir com ela, então a peguei pelo pulso e a arrastei para fora daquele lugar. Eu a levei para casa. Assim que chegamos no apartamento, a coloquei debaixo do chuveiro e fui para cozinha preparar um café extra forte para ela. Rose saiu do banheiro vestindo uma camisa minha além da lingerie, ela me olhou como uma criança.
— Por que me tirou de lá?
— Porque você estava fazendo uma idiotice. — eu me virei para a cafeteira e encaixando a xícara apertei o botão de preparo.
— Estava lá porque me fazia lembrar você. — ela caminhou até mim. — Estava com medo de não ter sobrevivido, mas lá no fundo sabia que ela não te deixaria morrer.
— Prometa que nunca mais fará isso.
— Prometo. — ela abaixou a cabeça olhando o chão.
— Tome isso. — eu peguei a xícara e entreguei a ela.
— Ainda estará aqui amanhã de manhã? — ela sussurrou ao pegar a xícara.
— Não. — respondi de forma seca e fria.
Eu não sei por quê
Eu deixei passar despercebido
O tempo todo
Eu só queria que você tivesse tentado.
- Don't Know Why / McFly