6 • Problemas
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- %Annia%
Eu estava um pouco mais tranquila. Logo pela manhã passei na mansão para ser agraciada com a companhia de Demeter e sua convidada no café da manhã servido no jardim de inverno. Estava surpresa por finalmente ele me deixar aproximar dela. Mais ainda por ainda estarem em NY.
— Mia Sollary, é um prazer finalmente conhecê-la mais formalmente. — disse ao cumprimentá-la.
— Sim, eu tentei me aproximar no baile, mas você sempre estava rodeada de pessoas, e depois foi para seu apartamento, achei que voltaria para Seattle sem conhecer de perto a irmã mais velha de Demeter. — comentou ela ao sorrir de leve.
— Meu irmão é ganancioso e quis monopolizar sua presença somente para ele. — Brinquei.
— Verdade. — Mia olhou atravessado para Demeter. — Ele tem sido muito ousado durante esses dias, só porque está em casa.
— Para ser honesta, esta é a verdadeira forma dele. — voltei meu olhar sugestivo para ele, que não estava nada amigável com meus comentários. — Mas vamos falar sobre você.
Tomei um gole do meu café.
— Eu? — ela ficou surpresa.
— Como é ser médica? Soube que salvou meu irmão de um acidente. — comentei olhando-a curiosa.
— Sim, o dia em que nos conhecemos foi turbulento, Demeter se envolveu em um acidente em que sua moto foi prensada por um carro, ele quase perdeu a perna. — contou ela, seu olhar ficou preocupado. — Mas felizmente conseguimos salvá-la, só que meu paciente é um tanto aventureiro.
— Ah sim, meu irmãozinho sempre foi assim, amante de uma adrenalina, teve uma vez… — comecei a contar.
— %Annia%. — Demeter ficou com firmeza. — Por favor.
— O que foi? — Mia o olhou intrigada. — Quero saber a história, está com medo que eu saiba de algum segredo oculto seu?
Não me contive em soltar uma gargalhada.
— Calma irmãozinho, eu só ia contar da vez que caiu da casa na árvore que tínhamos no Alasca. — disse em provocação a ele. — Pensou que eu diria o quê?
Ele me lançou um olhar de: Eu te conheço, %Annia%. Me fazendo rir de novo.
— Demeter é muito brincalhão, mas às vezes fica tão chato quando está sério demais. — comentei com ela ao terminar meu café. — Bem, terei que deixá-los.
— Mas já? — Mia olhou confusa por minha partida.
— Sim, tenho compromissos de trabalho. — expliquei. — Mas desejo uma boa viagem de retorno a Seattle, as portas da casa Baker sempre estarão abertas a você.
— Agradeço, %Annia%. — ela sorriu com gentileza.
Eu me retirei. Segui para minha visita a uma família aliada dos Baker e associada a Continuum há vinte anos. Eles contavam com minha ajuda para localizar a filha herdeira, que estava desaparecida. %Dimitri% me acompanharia como de costume, havia deixado algumas ordens para Cassie antes de sair. Ao chegar na residência da família Summers, estavam todos na sala me esperando. Fui recebida pela senhora Catrina, a nova esposa do senhor Summers, seus traços franceses eram visíveis.
Soube por %Dimitri% que ambos haviam se conhecido em Monte Carlo, ela tinha um sorriso que não me passava confiança.
— Summers. — o chamei pelo sobrenome como cordialidade. — Presumo estar próximo de descobrir o que aconteceu e como aconteceu.
— Não me importo com esses detalhes, milady Baker, só quero que descubra onde ela está. — disse com o olhar aflito de um pai.
— Vou descobrir, mas como sabe não posso deixar passar o sequestro de uma herdeira que pertence a uma família Continuum.
— Só quero minha filha de volta em segurança. — ele se sentou na poltrona ao lado da lareira.
— Meu marido está muito abalado, milady Baker, só irá se recuperar quando Molly retornar para casa. — sua voz me enojava um pouco, era fina demais e um pouco baixa.
— Não se preocupe, Summers, meus sliters estão dando prioridade para seu caso.
Eu não me importava com desaparecimentos de pessoas naquela cidade, isso era normal no cotidiano. Mas quando tinha alguma relação com uma família da Continuum, eu deveria dar total atenção. %Dimitri% trocou algumas palavras com Summers, porém voltei minha atenção para a esposa dele, que parecia nervosa com minha presença naquele lugar. Eu já suspeitava um pouco dela, seu casamento recente, havia sido apresentada ao Summers por Davis. Eu observei cada gesto dela, como tremia ao segurar a taça, como desviava seu olhar para o chão, como sorria forçadamente.
Mas o que me deixou ainda mais intrigada foi seu suspiro de alívio quando entrei no caro, aquelas atitudes tinham um motivo e eu iria descobrir.
- %Cedric%
Manhã de terça-feira. Já tinha tudo decidido em minha mente. Naquela manhã terminaria tudo com Rose e iniciaria meu plano de vingança. %Annia% pegaria na mesma moeda a dor que me causa. Esperei até que ela acordasse.
— %Cedric%? — Rose abriu os olhos e ergueu seu corpo. — Quando acordou?
— Não tem muito tempo. — respondi mantendo o tom sério e o olhar frio.
— O que aconteceu? — ela se levantou e caminhou até mim. —Seu olhar, você está estranho.
— Tem algo que quero lhe dizer. — afirmei sua constatação.
— O que aconteceu? O que %Annia% fez desta vez? — perguntou ela.
— A %Annia%, nada… Mas o que eu farei. — respirei fundo tomando coragem. — Rose, eu não posso mais aceitar que saia prejudicada por minha causa.
— Do que está falando? — ela me olhou sem entender.
— Você é uma excelente professora, mas não conseguiu emprego por minha causa, e o que conseguiu perdeu, não posso mais viver assim…
— Não, %Cedric%, não diga isso. — ela me interrompeu. — Não fale assim…
— Você sabe onde quero chegar. — continuei firme. — Não podemos mais ficar juntos.
— %Cedric%, não… — pediu ela.
— Espero que um dia me perdoe por isso. — encostei meus lábios suavemente em sua testa.
As lágrimas começaram a escorrer em sua face, ela fechou seus olhos e antes mesmo que pudesse abri-los para me olhar, desapareci de sua vida. Eu sentia algo por Rose, um carinho muito grande que me fazia querer sempre protegê-la. Entretanto, por mais que eu não quisesse admitir, meu passado, presente e futuro pertenciam a %Annia%.
Vaguei pelas ruas com um pouco de dificuldade, uma garrafa na mão e desnorteado. Minhas vistas começaram a embaçar e meus sentidos falharem, escapei de dois atropelamentos até chegar ao Central Park. Fiquei parado atrás de uma árvore olhando para o prédio onde ela morava. Senti a pupila dos meus olhos dilatarem um pouco, me lembrando do dia em que ela injetou o CN pela primeira vez em mim. Meu corpo sentiu uma queimação infernal, repetindo a sensação daquela noite, minha garganta em brasa, com um grito preso. Aquilo era pior que a morte.
Passei longas horas olhando para janela da sua cobertura, eu era um louco fazendo aquilo, mas não desistiria a esta altura do jogo. Fechei meus olhos e tomei o último gole da garrafa. Por mais que pudesse começar a ter alucinações naquele momento, dei o primeiro passo.
Ela teria uma surpresa quando entrasse em sua cobertura.
- %Annia%
— Tantos problemas e não consigo achar a solução de nenhum. — soltei um suspiro meio frustrado olhando para a janela do carro.
— Defina os problemas. — %Dimitri% olhou para o retrovisor para ver minha face. — Desvios do CN, sequestros, a segurança de Demeter, %Cedric%…
— Nós dois sabemos que o acidente de Demeter foi encomendado, e quando eu descobrir o culpado, cabeças vão rolar. — assegurei.
— Isso é um fato. — concordou ele.
— Mas esta última parte já está definida. — continuei olhando para frente. — %Cedric% já tem o que necessita.
— Acha mesmo que ele vai ceder agora?
— Ceder, eu tenho certeza que não, mas... — desviei o olhar para a rua novamente. — Se ele quer morrer, é problema dele.
— Como se você fosse realmente conseguir conviver com isso. — %Dimitri% cuspiu essas palavras, verdadeiras por sinal.
— Eu poderia dormir hoje sem este seu comentário. — retruquei vendo ele rir de mim.
— E para onde vamos agora? — perguntou ele.
— Preciso fazer uma visita ao sliter favorito de Allison.
— Não. — eu sorri de canto. — Desta vez é ele quem me deve o favor.
%Dimitri% seguiu pela Quinta Avenida, até que parou em frente ao Manhattan Palace Hotel, onde Jack se hospedava. Como agora ele tinha sua própria empresa que prestava serviços de segurança sliter para a Continuum, um presente de Allison para ele, Jack tinha associado à família Lins, a qual pertencia à Continuum. %Dimitri% me acompanhou até sua suíte master e ao entrar, ele estava acompanhado por três mulheres conhecidas da alta elite da cidade, dei a ele dois minutos para se livrar de suas convidadas e fiquei esperando na varanda.
%Dimitri% permaneceu parado no hall de entrada da suíte observando os gestos de Jack para comigo.
— Com ciúmes de minhas companhias? — disse ele ao se aproximar de mim.
— Não estamos com tempo para seus devaneios. Você era brinquedinho de outra Baker. — me virei para ele o olhando séria. — Já descobriu o que pedi?
Fixei meu olhar ainda mais demonstrando não estar de brincadeira.
— Calma milady, está mais tensa hoje. — ele se aproximou ainda mais de mim me olhando sinuosamente.
— Sinto que Davis está tramando algo contra mim novamente. — me pronunciei afiando meu olhar malvado para ele. — E como você descobriu a participação dele no desvio de Sanches, preciso de alguma forma conseguir derrubar ele de uma vez por todas.
— E o que vou ganhar com isso? — ele se aproximou mais.
— Como já foi prometido, um lugar entre os diretores. — fui direta e precisa.
— Preferiria outra coisa. — ele se aproximou ainda mais e tentou me beijar, porém foi barrado por %Dimitri% que se aproximou sem que percebesse.
— Mantenha-se no seu lugar. — alertou meu conselheiro.
— Já resolvemos esta questão, Jack, acho que ser um diretor das Indústrias Baker já está bom o bastante para um ex amante de Allison Baker. — disse firme a sua realidade.
— Eu poderia ser bem mais que isso para você.
— Mantenha o foco, ou então nem diretor você será. — mantive o olhar sério e ameaçador. — Preciso que continue focado em descobrir mais sobre Davis.
— Continuo de olho nele. — assentiu com um sorriso de canto meio frustrado.
— Muito bem. — eu me afastei dele indo em direção a porta. — Logo você sentará no lugar de Davis entre os diretores.
— Meus sliters já conseguiram a localização para onde enviaram os frascos de CN desviados, quer que eu resolva isso?
— Não precisa. — eu me virei para ele. — Passe as coordenadas para %Dimitri% amanhã, eu mesma vou me encarregar disso.
— E quanto ao sequestro? Já soube de mais algo? — Jack me olhou curioso.
— Não. — eu sibilei um pouco, não sabia até que ponto poderia confiar naquele Lins, mas precisava de sua ajuda. — Mas tenho uma pessoa suspeita.
— Quem? — ele cruzou seus braços se encostando no beiral da varanda.
— Preciso que investigue sobre Catrina Summers, a nova esposa do Summers.
— Seu pedido é uma ordem. — ele piscou de leve e sorriu.
Eu me afastei indo para a porta. Olhei para %Dimitri% que assentiu com a face como se estivesse de acordo com minhas decisões. Voltamos para o carro e %Dimitri% deu a partida, passei todo o caminho em silêncio, pensando em meus próximos passos. Contudo, a cada novo problema que pensava em uma solução, a imagem de %Cedric% invadia minha mente.
— Chegamos. — disse %Dimitri% me fazendo voltar a realidade.
— Ah, estava distraída. — eu olhei para frente.
— Pensando em tudo ou em algo específico?
— Ando sendo assombrada por %Cedric%. — disse diretamente.
— Assombrada? Será que ele já morreu? — %Dimitri% riu com seu comentário maldoso.
Nós saímos do carro e ele ficou me olhando. Percebi que meu conselheiro estava esperando alguma reação de minha parte. Eu parei no meio da recepção e fiquei olhando para ele.
— Pode dizer o que está querendo.
— Não direi nada. — seu olhar estava mais singelo que o habitual. — Já disse que não me envolverei mais em sua questão sentimental com %Cedric%, só não misture o profissional nisso.
— Já sou madura o suficiente, %Dimitri%. — eu sorri para ele. — Parece até um pai quando fala desta forma.
— De certa forma, eu tenho idade para ser seu pai. — ele brincou me fazendo rir.
— Você tem idade para ser meu ancestral. — retruquei, brincando.
— Assim fere meus sentimentos. — ele me olhou como se estivesse ofendido, nós rimos por um momento e assim nos direcionamos para o elevador.
Assim que paramos no meu andar, de uma forma estranha comecei a me sentir incomodada e ansiosa. Ao abrir a porta, senti meu coração acelerar. O corpo de %Cedric% estava caído no meio da sala, com algumas das minhas garrafas da adega próximo a ele. Será que ele estava ali para admitir o que eu mais queria? Não. Ele queria que eu o visse morrer, só pode.
— %Cedric%? — disse %Dimitri% lançando seu olhar para mim.
Até aquele pequeno momento, eu estava paralisada na porta sem saber como reagir. Um branco estava tomando minha mente e anulando meus movimentos. %Cedric% remexeu seu corpo se virando para nós, havia uma pequena quantidade de sangue escorrida do seu nariz. Será que ele havia se envolvido em uma briga por minha causa? O que estava acontecendo?
— %Cedric%. — eu disse ao me aproximar dele me ajoelhando ao seu lado. — O que está fazendo aqui?
— Rose não merece ver minha morte. — ele abriu seus olhos, e sorriu com deboche. — Mas você… Você merece ver, não queria isso? Agora terá.
— Você sabe o que eu queria. — engoli seco desejando não presenciar aquela cena. — Então prefere mesmo morrer?
— Uma vez… — ele parou por um momento, tinha dificuldades para falar. — Prometi a você que sempre faria o que te fizesse feliz.
Aquilo veio com uma adaga em meu coração.
— Sua morte não me faz feliz. — o olhei reprimindo todas as minhas emoções, que achavam que poderia se formar no canto dos meus olhos, me mantive com o mesmo olhar superior e autoritário, mesmo sabendo que ele queria ver aquela garotinha do passado.
Em um piscar de olhos, ele ficou inconsciente caindo em meus braços. Eu não tive como reagir aquilo, estava paralisada pela cena. Eu o perderia? %Dimitri% se moveu para socorrê-lo, o levou para meu quarto e depois chamou o médico.
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Fiquei o tempo todo parada na porta do quarto olhando o dr. Collins e sua enfermeira atendê-lo. Por sorte, %Cedric% não entrou em coma alcoólico, mas seu estado físico estava preocupante. Ele precisaria manter repouso até que tudo que ingeriu saísse de seu corpo. E voltasse a ficar saudável. Ele também estava com algumas fraturas em seu corpo devido a surra que levou, então seria necessário ir ao hospital depois para tirar algumas radiografias, principalmente das costelas.
Após a partida do dr. Collins, liguei para Cassie e pedi que comprasse os remédios prescritos. Havia começado a chover pouco tempo depois. Quando %Cedric% finalmente acordou de novo, o convenci a ficar. Ele estava tomando banho em meu quarto. Meu corpo fervia de raiva por ele ter me manipulado e voltado o jogo contra mim. Era óbvio que ele me conhecia o suficiente para saber que eu não o queria morto e nem o deixaria morrer. Ao mesmo tempo que me sentia derretida com ele perto, meu ódio também permanecia dentro de mim, eu me via o matando de 100 formas diferentes mentalmente.
%Dimitri% preferiu tirar a noite de folga. Meu conselheiro não queria mesmo se envolver mais naquilo tudo, e suas necessidades masculinas já estavam aumentando. Certamente ele teria uma longa noite acompanhado de, vai saber que mulher seria desta vez. Permaneci encostada na porta do quarto esperando %Cedric% terminar seu banho, ele realmente precisava. Cheirando a álcool daquela forma, tive que trocar pessoalmente os lençóis da minha cama.
Quando ele saiu, estava com a toalha enrolada na altura da cintura. Que mercenário. Os pelos do meu corpo se arrepiarem no exato momento em que meus olhos se fixaram nas linhas do seu abdômen. Paralisei por um instante, até piscar meus olhos e voltar ao normal, me afastei da porta e me virei para sair do quarto.
— Está fugindo? — disse ele num tom enigmático.
— Não. — eu o olhei. — Por que eu fugiria?
— Por que não ficaria? — ele deu alguns passos em minha direção.
— Tenho outras coisas para resolver. — respirei fundo como se fosse adiantar algo, estava desacostumada a tê-lo tão perto, dei um passo para trás mantendo minha confiança.
— Como o quê? Por exemplo. — ele fixou ainda mais seu olhar em mim.
— Como se eu te devesse explicações. — sorri de leve meio debochada. — %Cedric%, desde quando se interessa por assuntos meus?
— Digamos que do jeito como está me evitando agora, estou curioso.
— Não é o que parece. — seu tom tranquilo e confiante, me matava por dentro.
Não sei se era pelo nosso passado, mas %Cedric% conseguia exercer sobre mim um controle inexplicável. Controle esse que eu lutava constantemente. E por mais que negasse, eu era vulnerável a ele. Ele sorriu de canto e se aproximou ainda mais de mim, não me dando a chance de me afastar ou me mover. Ele envolveu seus braços em minha cintura e me beijou intensamente.
- %Cedric%
No momento em que ela retribuiu meu beijo com mais intensidade, confirmei o que já era óbvio. Tanto eu como ela queríamos este momento há muito tempo. Só éramos muito orgulhosos e presos demais ao nosso ódio para admitir. Tocar em sua pele era como tocar um veludo macio e suave, sentia falta daquilo. Minha necessidade dela era real demais. Nossos corpos gelados pelo nosso coração frio pareciam se aquecer com precisão.
Mesmo com a chuva do lado de fora, nossa madrugada seria quente e presumo que incendiaria aquele quarto. Eu não precisava ser cauteloso com ela, como era com Rose. Nossa noite seria longa e saborosa, quanto mais intenso eu seria, mais ela iria retribuir no mesmo nível. %Annia% era a única que me completava em todas as formas possíveis e imagináveis.
Esperei algumas horas após o amanhecer. Me levantei da cama e fiquei olhando-a por um tempo, se ela não estava dormindo, fingia muito bem. Saí do quarto, aquela cobertura era novidade para mim. Ao entrar na cozinha, %Dimitri% já estava presente com uma xícara de café em sua mão, encostado na bancada da pia me olhando com riso preso no canto dos lábios.
— Já presumo seus pensamentos. — me pronunciei.
— Como eu disse a %Annia% — %Dimitri% soltou um pequeno riso — não me envolvo mais com o assunto de vocês, só espero que ela não saia abalada como da última vez.
— Abalada? — eu soltei um riso fraco. — Nunca me pareceu abalada.
— Então você não a conhece tão bem assim. — ele retrucou e tomou o restante do café. — Ela é e sempre será vulnerável a você, mesmo que não admita.
— %Dimitri%. — o olhei sério não entendendo, ou melhor, não querendo entender até onde aquela conversa chegaria.
— %Cedric%, pode até negar para si, mas nós dois sabemos que você é o ponto fraco dela, e o fato de ter virado o jogo foi uma aprova. — ele riu. — Para ser sincero, o jogo jamais mudou, de alguma forma você sempre esteve controlando ela, mesmo sem perceber.
Não consegui dizer uma só palavra sobre aquilo, mas certamente passaria o dia todo pensando em suas afirmações. %Dimitri% foi até a geladeira, pegou uma maçã, ao dar a primeira mordida se dirigiu para a porta.
— Ah. — disse %Annia% ao entrar na cozinha. — Essa maçã não era para mim, como todas as manhãs? — ela o olhou com seriedade.
— Tenho certeza que precisa mais do que uma maçã para recarregar as energias perdidas. — disse ele num tom sério e frio.
%Annia% já estava vestida com suas roupas habituais para o dia-a-dia, seu estilo formal era atraente. Ela desviou seu olhar para mim, como sempre era uma mistura de felicidade e fúria que me deixava ainda mais fascinado por ela.
- %Annia%
Olhar para ele me fazia entrar em colapso, não conseguia reagir a aquele olhar. Não sabia se me sentia feliz por aquela noite ou raiva por ele ter me manipulado de novo. Era amor e ódio em um fluxo intenso dentro de mim.
Entretanto, tinha outros problemas para resolver e meus sentimentos por ele deveriam esperar. Elevei meu olhar para %Cedric% erguendo um pouco minha face, seu olhar também estava fixo em mim. Sua face suave com um sorriso de canto presunçoso, que acendia minha parte em fúria.
— Temos assuntos para resolver, %Dimitri%, e uma herdeira para encontrar. — anunciei ao meu conselheiro.
— Que herdeira? — perguntou %Cedric% desviando seu olhar para %Dimitri%.
— Filha do Sr. Summers, que está desaparecida há dois meses. — respondeu %Dimitri%.
— Onde ela desapareceu? — perguntou ele novamente.
— No estacionamento de um shopping. — respondi dessa vez.
— Proposital. — %Cedric% riu. — Geralmente as câmera de estacionamento vivem desligadas por corte de gastos, estão lá somente para intimidar.
— Como sabe sobre isso? — eu o olhei com desdém.
— Um dia eu fui seu sliter, aprendi muita coisa no tempo que Donna Fletcher me treinou para você. — explicou. — Deixe-me adivinhar então, mais uma armação contra você? — ele cruzou os braços. — Vou adivinhar de novo... Davis?
— Espera. — %Dimitri% virou seu olhar para mim. — Não tínhamos chegado nessa conclusão, seria mais uma jogada de Davis para destruir você?
— Tão óbvio o envolvimento daquele filho da… — me senti frustrada por aquilo.
— Olha a língua. — %Dimitri% me repreendeu com uma risada rápida.
— Só precisam associar uma coisa na outra. — concluiu %Cedric%.
Eu o olhei, ele estava certo, mas Davis era astuto e não deixava provas. De repente meu celular tocou, retirei do bolso e olhei.
— Jack? — desviei meu olhar para %Cedric%, esperando alguma reação dele. — A que devo sua ligação?
—
Milady, sua ordem foi atendida. — disse ele do outro lado da linha.
—
A nova esposa do Sr. Summers realmente tem algo a esconder, mesmo antes de me pedir para vigiá-la, eu já suspeitava dela, e após sua saída da residência deles ontem, ela saiu também. — Suponho que tenha se encontrado com alguém. — conclui.
—
Sim, nada menos que a assistente dos diretores. — ele riu. —
Qual será seu próximo passo? — Bem, acho que devemos marcar um encontro com ela, mas se certifique que Catrina Summers não desapareça de nossos olhos.
—
Não se preocupe milady, te espero hoje à noite no terraço do edifício da minha empresa, acho que se lembra do endereço. — Claro que sim, ainda espero que envie aquelas coordenadas para %Dimitri%. — o alertei.
—
Chegarão daqui cinco minutos. — Assim espero. — desliguei o celular antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa.
— E então? — perguntou %Dimitri%.
— Temos um encontro esta noite com a assistente dos diretores e %Cedric%, acho que estou começando a me sentir empolgada por esta noite.
— Que bom. — %Cedric% se aproximou de mim e segurou de leve em minha cintura. — Porque eu irei com vocês dois.
Ficamos nos olhando fixamente, aquela sensação de segurança que só ele e %Dimitri% me passava havia dobrado. Eu havia ouvido a conversa dos dois, %Cedric% era sim meu ponto fraco. Entretanto, ao mesmo tempo, ele também era meu ponto forte.
Que me deixava indestrutível.
Meu papai me disse uma vez:
"Estando com alguém que você ama,
Vai fazer você ser uma pessoa mais forte."
- Indestructible / Girls’ Generation