Cold Night


Escrita porPams
Revisada por Natashia Kitamura


2 • Contato

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

  - %Cedric%

  Assim como todas as manhãs, fiquei por um tempo parada ao lado da janela observando-a dormir. A face de Rose transmitia serenidade, tão inocente e tão delicada, nem imaginava o passado sombrio que eu tinha. A busca por minha nova vida se deu quando a salvei de um assédio em um beco escuro de Chinatown. Como sempre me metia em encrencas, não pensei duas vezes em socar o homem que a fazia mal. Eu não gostava de partes do meu passado, nem mesmo de quando conheci de fato uma família da Continuum. Pensar sobre o assunto sempre me traziam dor e ressentimento. Agora, só queria distância e viver uma vida normal e tranquila. 
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  Desviei meu olhar dela para janela, olhando a cortina que Rose havia comprado recentemente. Soltei uma risada espontânea ao me lembrar de como ela me arrastou para a loja de departamento, empolgada por eu aceitar o emprego na mecânica do seu tio e morar com ela naquele loft no Brooklyn.
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  — Hum! — ela murmurou se remexendo na cama.
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  — Acordou? — eu disse num tom baixo desviando meu olhar para ela.
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  — Sim. — ela me olhou erguendo seu corpo. — Mas ainda sinto sua falta ao meu lado quando acordo.
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  — Sabe que não é fácil trabalhar de madrugada. — eu sorri de canto desviando meus olhos para a geladeira. — Está com fome? Posso te preparar o café?
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  — Eu que deveria preparar. — ela se levantou sentando na cama, depois bocejou e ficou de pé. — Você quem chega cansado pela manhã.
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  Ela fez um biquinho gracioso e caminhou até mim. Não me contive em beijá-la com suavidade e sorri depois.
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  — Eu gosto de preparar o café para você. — me afastei e caminhei tranquilamente até a cozinha, abri a geladeira, peguei o pacote de pão e mais alguns ingredientes, comecei a montar sanduíches para nós dois.
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  — Hum! — ela se sentou na cadeira e ficou me observando atentamente. — Apesar de não acordar com você do meu lado, estou feliz em pelo menos ter o café da manhã com o homem que eu amo.
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  — Digo o mesmo. — eu sorri de leve terminando de montar os sanduíches, voltei até a geladeira e peguei a jarra de suco e mais dois copos. — Bon apetit?
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  Ela abriu um largo sorri em agradecimento. Me sentei na cadeira em sua frente sorrindo de volta. Aquela cena era algo que jamais aconteceria na minha antiga vida, principalmente pelo fato de… Bem, deixarei o passado no passado. 
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  Rose e eu estávamos juntos há dois anos. A considerava minha luz no fim do túnel quando eu quase desisti de viver. Mas Rose era aquela que chegou em minha vida para afastar todos meus pesadelos, sua presença em minha vida me permitia viver tranquilamente. Meus sentimentos perto dela era suaves e calmos. Comemos no café, saboreando os sanduíches com presunto e pasta de amendoim.
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  — Você está mais pensativo que o normal. — disse ela num tom preocupado. — Aconteceu alguma coisa na oficina?
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  — Não foi nada, está tudo bem. — abri meus olhos e a olhei com ternura — A mesma rotina noturna de sempre, consertando carros velhos.
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  — Tem certeza? — ela segurou em minha mão. — Não está com medo dela te procurar novamente?
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  Permaneci em silêncio com aquela pergunta. Não queria pensar no nome da mulher que Rose se referia. Não em um momento de tamanha calmaria. Entretanto, ao contrário do que havia lhe garantido, tinha sim acontecido algo naquela madrugada. Ao consertar um Chevy Impala, me deparei com um bilhete caindo do porta luvas do carro, ao mexer naquela repartição. 
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  — Se fosse para %Annia% vir atrás de mim, já teria feito. — respondi. — Além do mais, não tenho mais nenhuma dívida com ela.
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  — Fico feliz por isso. — Rose sorriu novamente de forma graciosa. — Sabe que pode compartilhar o que quiser comigo.
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  — Eu sei. — ergui meu corpo e dei um selinho nela. — Agora, vamos esquecer essa pessoa… Você tem que ir trabalhar.
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  Desviei meu olhar, fingindo estar bem. Mas falar de %Annia%, era como deixar uma adaga atravessar meu coração novamente. Aquela que eu havia entregado meu o meu amor e me machucou, a mulher que me dera a liberdade e a prisão ao mesmo tempo. Já se contava meses que não pronunciava seu nome, não pelo menos em voz alta. Pois pensar nela era como se alimentar, mesmo que fique dias sem, em algum momento a hora fatídica chega.
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  Contudo, não posso negar que %Annia% era o princípio de tudo. Todo o meu tormento vinha dela. Desde o que em que fugiu do orfanato onde morava e se escondeu no sótão da minha casa em Cliron. Quem imaginaria que a doce e corajosa garotinha órfã se tornaria uma das mulheres mais poderosas da cidade. E temida também.
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  — Não fique preocupado, %Cedric%. — Rose me deu um selinho, chamando minha atenção para ela e continuou me olhando com suavidade. — %Annia% não fará nenhuma mal a nós, ela não tem mais como te controlar.
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  — Espero que tenha razão. — eu sorri de canto e me levantei da cadeira. — Se tratando dela, sempre há surpresas indesejadas.
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  — Vamos viver nossa vida e esquecer dela. — Rose me beijou com doçura antes de se trocar.
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  Demorou alguns minutos para que terminasse e saísse correndo. Era engraçado ver ela desesperada devido a seus problemas com pontualidade. Rose sempre se atrasa para seus compromissos, não tinha nenhum senso de organização. Já tinha me acostumado com seu jeito de ser, o gosto por doces e desenhos antigos. Viver com ela era como voltar no tempo. Minha época de ensino médio despreocupado e rodeado pelos amigos. Me lembrava da inocência de Jenie ao tentar me ensinar a dançar, como eu havia lhe ensinado a tocar violão. Lembrava das trocas de farpas entres os gêmeos do nosso grupo de amigos. Até mesmo Taylor, minha namorada do colegial me transmitia lembranças boas e saudades do tempo em que não conhecia a Continuum como conheço atualmente.
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  Já havia se tornado um hábito fazer faxina naquele apartamento. Minha rotina era chegar a oficina, dormir um pouco e depois faxinar a casa para passar o tempo. Varrer a casa, lavar, passar, cozinhar as refeições que Rose comia… Poderia até ser cansativo, mas tinha que inventar o que fazer para me prender em casa. Eu sabia que se saísse pelas ruas da cidade, poderia acabar arranjando confusão. E o que eu não queria mais na minha vida era encrencas desnecessárias.
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  --

  — Boa noite! — disse Rose ao entrar no loft com algumas sacolas na mão e a bolsa caindo pelo ombro.
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  — O que é tudo isso? — me levantei do sofá indo ajudá-la. — Passou em algum lugar?
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  — Sim, passei em uma papelaria, uma amiga me pediu para ajudar com os convites do chá de bebê dela. — explicou me entregando as sacolas e um pacote.
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  — O que é este pacote? — perguntei um tanto curioso.
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  — Não sei. — ela me olhou confusa. — O zelador me entregou, disse que chegou para você. Espero que seja algo bom, será que é algo do seu pai? Você disse que ele fez contato com você.
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  — Talvez, possa ser.
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  Deixei as sacolas em cima da mesa, junto com o pacote. Com um sorriso no rosto, envolvi meus braços em sua cintura e a beijei com ternura e leveza. Ela devolveu o beijo envolvendo seus braços em meu pescoço. Rose era tão delicada que eu tinha medo de ser um pouco mais intenso com ela, tinha medo de machucá-la. Sempre que eu a olhava, era como se uma boneca de porcelana estivesse em minha frente. Sua face angelical despertava a parte boa que eu ainda tinha dentro de mim.
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  — Então... Vamos abrir o pacote? — sugeriu ela.
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  — Sim, pequena curiosa.
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  Ficamos em silêncio nos olhando por um tempo, então eu peguei o pacote em cima da mesa. Fiz um breve mistério antes. Ao abrir, nos deparamos com uma caixa de madeira carvalho envernizada com desenhos de arabescos serigrafados nas laterais da tampa. Dentro havia um envelope preto com meu nome escrito em dourado, parecia ter sido escrito à mão. Claro que eu reconheceria aquela letra de imediato. Rose pegou o envelope, o abriu e retirando um papel dourado com escritas pretas começou a lê-lo.
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  “Boa noite %Cedric%,
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  Surpreso com minha carta?
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  Ao contrário do que sempre pensou, eu sempre sei onde está e com quem está, seus passos jamais saíram dos meus olhos e estou intrigada com sua nova rotina diária. Mecânico pela madrugada e do lar durante o dia. Sinto-me curiosa para saber se realmente cozinha bem. Peço desculpas por não ter me pronunciado antes, já fazem dois anos, não é? Acha mesmo que sua dívida está totalmente paga? 
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  Eu estava esperando por um momento mais propício para lhe fazer este convite.
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  Daqui uma semana darei um baile de máscaras e você é meu convidado de honra. E por mais que eu esteja curiosa para conhecer sua amiga Rose, este convite é individual e intransferível.
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  Você conhece o caminho e espero que apareça!
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Sua doce dona,
%Annia% Baker.”

  Quando Rose terminou de ler, eu já estava sentindo um gosto amargo na boca. Aquela era ela, a mulher que no passado me usou de todas as formas possíveis como bem queria. Sempre mostrando seus piores lados, brincando comigo como gato e rato. Demonstrando superioridade, jogando com a vida das pessoas. Eu peguei a carta bruscamente das mãos de Rose e sem dizer uma só palavra, saí pela porta.
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  Desta vez eu tinha que encará-la, tinha que ver ela, pois todos os meus pesadelos se resumia a ela, nasciam dela.
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Eu não quero conhecer o seu jogo
Deixe ela fora disso
Não importa o que você diga pra mim
Não somos iguais.
- Don't Know Why / McFly

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