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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Chaos

Escrita porLelen
Editada por Lelen

🛈

ATENÇÃO! Essa história pode conter gatilhos. Se você está em um momento sensível, talvez essa não seja a leitura ideal.


Capítulo 20

Tempo estimado de leitura: 27 minutos

  15 de Setembro

  Era pouco mais de oito da manhã e o sol brilhava forte e radiante, a janela aberta deixando os raios entrarem no quarto, dando um toque um pouco mais alegre àquele lugar que costumava passar a maior parte do tempo na escuridão. %Nayeon% estava sentada na cama com as pernas recolhidas sendo abraçadas. Embora fizessem dois dias desde o incidente que havia envolvido Andy, Taehyung e Hoseok - e Andy tivesse saído do apartamento em fúria e não tivesse mais dado as caras -, a mulher ainda tinha a sensação agourenta de que o marido entraria pela porta do lugar, furioso, e tudo voltaria de onde tinha parado. Marido, aquela palavra soava tão errada e deixava um gosto amargo em sua boca quando a proferia.
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  %Nayeon% suspirou tentando se recompor. Sua mente ainda era uma confusão de imagens que lhe causavam diversos sentimentos. Ela não tinha entendido muito bem quando Hoseok apareceu de repente dentro do apartamento segurando com firmeza os braços de Taehyung. Não entendeu até ver o que seu irmão mais novo segurava: uma garrafa quebrada com pontas afiadas, pronta para ser usada como arma.
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  Quando Hoseok segurou Tae, ele ainda berrou com raiva, tentando se desvencilhar do amigo que berrava de volta, tentando colocar algum senso na cabeça do mais novo.
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  — Taehyung, largue! — Hobi - era assim que os garotos amigos de seu irmão chamavam-no? - exclamou lutando para segurar Tae que ainda tentava se livrar dos braços do amigo.
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  %Nayeon% não tinha muita certeza do que tinha acontecido depois. Ela se lembrava de ter deslizado até o chão e ter ficado ali, tentando não enlouquecer e, principalmente, tentando ficar fora do alcance de Andy. A próxima cena da qual se lembrava era Hoseok e Taehyung sentados no chão do quarto, parecendo tão cansados quanto ela.
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  — Noona, você devia… — Hoseok havia começado, mas ela já podia imaginar o que ele diria e ela não podia, então apenas balançou a cabeça para interrompê-lo.
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  %Nayeon% viu o olhar que Hobi e Tae trocaram, a expressão de Jung era preocupada e a de seu irmão era cansada. Ele já havia tentado convencê-la a ir até a polícia inúmeras vezes, mas ela não podia. Ela queria poder ter a coragem de fazer o necessário para se livrar daquela situação, de poder finalmente respirar aliviada e viver sem ter o medo de mais uma noite daquelas acontecer de repente. Mas quando sua mente cogitava tentar fazer algo, ela se lembrava de todas as vezes em que Andy havia surrado Taehyung por um deslize dela, e das promessas do marido de que caso ela fizesse qualquer coisa contra ele, não seria apenas ela a sofrer as consequências, mas também seu Taetae.
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  Pensar em seu irmão mais novo a fez sorrir involuntariamente. Ela tinha cinco anos quando Taehyung nasceu, não se lembrava de tudo daquela idade, mas sabia que havia amado o pequeno Tae desde o momento em que soube que ele estava para vir fazer parte de sua vida e família. Quando %Nayeon% fez quinze anos, o pai faleceu, e embora fosse ainda uma adolescente à flor da pele, a maturidade a atingiu fortemente, tanto quanto a seu irmão, e ela havia se prometido ser forte como sua mãe que sempre batalhou por seus interesses. 
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  De certa forma, Taehyung havia virado “o homem da casa” após a morte do pai. Não pelas responsabilidades, mas por literalmente ser o único do sexo masculino restante naquele pequeno núcleo familiar. Talvez ela e a mãe não devessem ter brincado tanto com aquele fato. Talvez se não o tivesse feito, Taehyung já a tivesse abandonado há muito tempo para ser feliz. E como ela queria que o irmão pudesse ser feliz, pudesse voltar a sorrir como era até seus dezessete anos, quando omma faleceu. 
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  As lágrimas logo se fizeram presentes no rosto de %Nayeon%, não que elas fossem algo a se estranhar. Fazia um bom tempo que tudo o que podia fazer era chorar o mais silenciosamente possível durante as noites e quando estava sozinha. As lágrimas eram suas companheiras.
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  E mais uma vez ela se pegou pensando em como tudo havia começado. Andy era um rapaz carinhoso e cuidadoso com ela quando se conheceram, ela tinha dezessete anos e estava encantada com a ideia de ter para si alguém como o pai havia sido para a mãe: companheiro, amigo. E de alguma forma, no início da relação, Andy era aquele homem para ela. Permaneceu assim até pouco depois do casamento, aos vinte e dois anos dela. É claro que de vez em quando surgiam discussões e vez ou outra uma briga mais acalorada, mas que casal não brigava às vezes? Era algo completamente normal em uma relação a dois, certo? Mas as discussões passaram a ficar cada vez piores com o passar dos meses de casamento. %Nayeon% havia percebido que ela não sabia nada sobre como cuidar de uma casa. Mal sabia cozinhar direito pratos simples do dia-a-dia, embora fosse muito boa em fazer bolos e pães, mas como dizia Andy, não se podia viver só daquilo o resto da vida.
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  Ela tentou aprender a fazer os pratos favoritos do marido - assim como os dela e os de Taehyung -, mas sempre havia alguma coisa que não estava boa o bastante para ele, sal demais, tempero de menos, aguado demais, sem caldo o suficiente… Ela nunca acertava. E os pequenos erros do dia-a-dia acabaram virando grandes motivos para brigas. Andy era o homem provedor da casa e não tinha que ensinar sua mulher a fazer suas tarefas.
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  — Você não aprendeu nem a ser uma boa mulher com sua mãe? 
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  Andy sempre jogava na cara de %Nayeon% o quanto se sentia “enganado”, já que quando os dois estavam namorando o rapaz estava sempre na casa dos Kim com a senhora Kim fazendo os melhores pratos que conhecia. Claro que era de se esperar que %Nayeon% também fosse tão prendada quanto a mãe.
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  — Eu adorei o ensopado de kimchi, noona. — Ela se lembrava de Taehyung um dia dizer com seu sorriso doce ainda com aspectos da infância, embora já estivesse quase saindo da adolescência. — É quase igual ao que a omma costumava fazer. 
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  E pronto, toda a alegria que a primeira frase lhe trouxera havia sido incinerada pela frase seguinte. Ela não podia nem agradar ao próprio irmão sem errar ou ser boa o suficiente.
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  As agressões começaram uma noite quando Andy voltou de um encontro com os amigos, estava bêbado e ficou irritado quando percebeu que %Nayeon% não havia arrumado as coisas de acordo com o que ele havia dito antes de sair. Não havia sido porque ela não quis fazer, mas havia tido um dia cansativo - na época ela ainda trabalhava fora para ajudar nas despesas -, ela não pensou que seria um problema deixar a tarefa para o outro dia, ou talvez para o fim de semana. Mas era um problema para Andy. %Nayeon% ainda estremecia ao lembrar da pegada forte do marido em seu braço e dos berros irados em sua direção. Ele a havia arrastado por todo o apartamento apontando todo o seu desleixo com seu lar, até chegar ao quarto do casal onde a cama ainda estava por fazer. Foi a primeira vez que Andy deu-lhe um tapa. E %Nayeon% havia ficado tão em choque com os acontecimentos que mal conseguiu reagir. Mas no dia seguinte ele havia voltado ao normal. Pediu desculpas à ela dezenas de vezes, a abraçou e quase chorou ao se lembrar do tapa que havia dado no rosto da esposa e havia deixado uma marca considerável.
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  — Eu sinto muito, meu amor… — Ele disse a puxando para perto de si e espalhando vários beijos por seu rosto como costumava fazer quando namoravam.
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  Poucos dias depois, ele sugeriu que %Nayeon% deixasse o emprego para que pudesse se concentrar melhor nas necessidades da casa, o salário dele era o suficiente para bancar a família. E ela aceitou, embora não quisesse depender totalmente de Andy, para ela aquela era a solução. Se ela pudesse se concentrar apenas nas tarefas domésticas, não erraria ao fazer as coisas que o marido pedia e consequentemente não haveria brigas. Então ela parou de trabalhar fora e passou a tentar manter seu lar organizado.
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  Por algum tempo aquilo pareceu o suficiente. %Nayeon% até mesmo tentou melhorar seus dotes culinários cozinhando mais durante o dia e estava bastante feliz e satisfeita com suas pequenas conquistas, Taehyung até tinha dito que o kimchi que ela havia feito estava igual ao da mãe! Mas logo as reclamações de Andy começaram a voltar, apesar de daquela vez virem junto de algum elogio. “O arroz ficou bom no sabor, mas você deixou ele empapado”, “O banheiro está limpo, mas o cheiro do desinfetante é forte demais”, “O quarto está bem arrumado, mas a cômoda continua empoeirada”... Mesmo não sendo todo crítica, tudo o que %Nayeon% conseguia ouvir era: você não consegue fazer nada direito.
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  Mas as coisas realmente pioraram quando Andy foi despedido. Então ele passou a ficar boa parte do tempo dentro de casa na companhia de suas garrafas de cerveja. Ele brigava e gritava com %Nayeon% por qualquer mínimo detalhe que para ele não parecesse bom, além de ter se tornado violento também na intimidade com ela. A primeira vez em que Andy realmente lhe deu uma surra havia sido durante a noite, quando ela recusou o sexo. A reação do homem havia sido tão extrema que beirava ao brutal. Além dos xingamentos, ele era forte o bastante para obrigá-la fisicamente a qualquer coisa. Foi a primeira de muitas noites em que %Nayeon% se sentiu violada pelo próprio marido. A rodada de agressões veio quando ela, em desespero pelo que estava prestes a acontecer sem o seu consentimento, deu um grito que foi calado com um tapa e a afirmação da parte dele de que “ela, como sua mulher, devia atender aos seus desejos e necessidades”. Foi naquela noite que ela aprendeu que era melhor ficar calada ou as coisas podiam ficar muito piores. Taehyung não estava em casa no dia, havia ido ajudar na construção do novo terreno de Namjoon e os dois provavelmente virariam a noite jogando papo fora depois do trabalho. Na verdade, %Nayeon% agradeceu pelo irmão mais novo não ter tido de presenciar aquilo, só Deus sabia o que Taehyung seria capaz de fazer se estivesse ali. Bem, agora ela sabia o que ele poderia ter feito naquela noite. Ele poderia ter atacado Andy e algo mais terrível do que alguns ferimentos poderiam ser o resultado do ataque…
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  Depois da perda do emprego, Andy ficava cada vez pior, embora depois das agressões tentasse compensar a mimando com presentes e carícias… Mas toda vez que recebia um novo não de possíveis empregadores, tudo voltava. Com o tempo, %Nayeon% aprendeu a engolir o desespero e a desligar a mente quando tudo ficava pesado demais para lidar. Da primeira vez que tentou fugir do homem que pensava que a amava, ela levou a maior surra de todas e foi quando Taehyung se machucou ao tentar defendê-la. Vê-lo sendo agredido daquela forma havia sido mais doloroso do que quando Andy a espancou. Era uma dor no fundo da alma, a dor de uma pessoa tendo seus cacos ainda mais despedaçados e triturados. Andy tinha que deixar Tae fora disso!
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  — Se não quer que ele sofra, então vai passar a se comportar. — O homem sussurrou quando a ouviu choramingar depois de seu irmão mais novo ser largado no chão, quase inconsciente. — Mas eu não posso fazer nada se ele entrar no meu caminho.
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  Depois daquilo, %Nayeon% tentou manter Taehyung longe de todas as formas que conseguia pensar. Tentou voltar a sorrir como se lembrava que fazia antes de tudo acontecer, apesar de saber que aquele sorriso dificilmente enganaria o irmão que a conhecia tão bem; tentou voltar a agir com alegria e fingir que nada de errado estava acontecendo; voltou a cozinhar os pratos favoritos do irmão para tentar fazê-lo desviar o foco dos problemas relacionados a ela; tentou até mesmo se forçar a amar aquele “novo” Andy, se colocando sob o véu de uma fantasia feliz. Por certo tempo essa fantasia durou com o marido - como todas as outras fantasias haviam durado -, mas não importava o que %Nayeon% fazia, o Andy violento sempre voltava.
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  Naquela tarde, dois dias antes, Andy brigava com ela por causa do lençol manchado sobre a cama, resultado da madrugada anterior que apesar de tudo, não havia sido das piores. Quando Taehyung chegou do encontro com os melhores amigos, foi no exato momento em que Andy lhe deu um soco forte sob o queixo, o que bastou para Tae se jogar para cima do homem em defesa dela, ele teria feito a mesma coisa se visse Andy sequer levantar o dedo para ela.
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  Kim %Nayeon% estava exausta. Não só fisicamente. Estava exausta da vida. Por dezenas de vezes pensou em se livrar dela, da vida, mas se lembrava de seu irmão e tentava se agarrar aos bons tempos que costumavam ter. Talvez ele estivesse melhor sem ela, mas %Nayeon% ainda se sentia egoísta demais para se desapegar da única coisa boa que havia restado em sua vida. E Taehyung ficaria de coração partido se ela o deixasse da maneira que estava pensando. Ela não podia abandoná-lo de mais uma forma - tão definitiva -, então permanecia aguentando o que fosse. Era a única forma que conseguia protegê-lo no momento. Tudo parecia uma bagunça grande e truncada demais para uma saída simples, como quando você deixa uma bola de neve sair rolando até virar uma bola gigante e massiva capaz de destruir qualquer coisa à sua frente. %Nayeon% nem tinha se dado conta de quando havia deixado sua bola de neve rolar tão longe.
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  Nellie Callan caminhava com certa pressa pelas ruas da cidade. Ela havia escapulido da delegacia em que tinha sido detida - mais uma vez - enquanto um dos rapazes do seu grupo de “amigos” armava um escândalo. %Nicole% ia ficar ainda mais furiosa do que estava quando chegou ao lugar para ir buscá-la, mas Nell não estava a fim de ouvir sermão naquele momento especificamente. O sermão já seria ruim o bastante, não tinha como piorar, então, ela simplesmente fugiu.
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  Ela passou pelo centro de comércio do bairro em que vagava e, sem pensar muito, acabou por entrar em uma pequena e organizada loja de conveniências. Ela nunca tinha estado ali antes e logo se pegou zanzando entre as repartições do lugar. Viu algumas coisas que a fizeram se lembrar de %Nikki%, o quanto pequenas coisas costumavam fazer sua irmã mais velha sorrir e o quanto nos últimos anos aqueles sorrisos pareciam escassos.
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  Nellie enfiou a mão no bolso da calça e se xingou mentalmente quando se lembrou que todos os seus pertences haviam sido confiscados na delegacia mais cedo. Mas não ia ser a primeira vez que ela fazia algo contra as regras - ou a lei -, especificamente naquele dia. Nell pegou uma mochila do mostruário e voltou a caminhar entre os corredores da loja, enfiando tudo o que lhe chamava a atenção pelo caminho. Pegou alguns chocolates que sabia que %Nikki% gostava, assim como algumas outras bobagens que as duas costumavam dividir quando mais novas. Obviamente não podia passar sem colocar algumas latas de tinta spray na conta, fazia algum tempo que estava precisando de algumas cores novas para suas artes.
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  Quando a mochila já estava bem estufada de coisas, a garota olhou ao redor para se certificar de que ninguém estava prestando atenção ao que estava acontecendo. Ela deslizou furtivamente para fora dos corredores da pequena loja, a mochila casualmente pendurada em um dos ombros, estava pronta para finalizar sua mais nova façanha quando seus olhos pousaram sobre a figura que estava no caixa, distraída enquanto endireitava alguns mostruários à sua frente. Ia ser fácil passar por aquele rapaz sem ser percebida, mas assim que ele levantou os olhos e a viu, sorrindo de forma amigável, algo dentro de Nellie desabou. O que ela estava fazendo? Um desespero subiu por seu corpo e um aperto estrangulou seu peito, ela não tinha ideia do que estava acontecendo e quando percebeu, seus olhos estavam cheios de lágrimas que surgiram de lugar nenhum. A expressão preocupada do rapaz do caixa só piorou a sensação, então Nellie fez o que fazia de melhor: fugiu. Largou a mochila com as coisas que iam ser roubadas e apenas correu para longe.
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  Os dedos de Hoseok batiam nervosamente sobre a tela do celular pelo qual havia acabado de falar com %Holly%. Por algum milagre a moça estava em casa e disponível para atender a chamada. Ela parecia tão animada quanto sempre quando atendeu e aquilo fez o coração de Hobi se acalmar ligeiramente. Ele não fazia ideia do que estava acontecendo, mas subitamente sentiu a necessidade de falar com a melhor amiga, de ouvi-la e vê-la. Era uma preocupação quase agourenta que o estava deixando maluco nos últimos dias.
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  Usando a desculpa do concurso em que estava inscrito, Hoseok pediu para encontrar a melhor amiga em frente ao prédio da sala que ele estava alugando para fazer seus ensaios diários. Agora, lá estava ele, inquieto enquanto esperava que %Holly% aparecesse. Estava tão ansioso que até mesmo tinha convencido Jimin a ir esperar pela garota em frente ao prédio. O melhor amigo não questionou, parecendo ele mesmo um tanto inquieto.
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  Quando ambos ouviram um gritinho empolgado a certa distância, quase conseguiram respirar aliviados. Lá estava %Holly%, saltitante e alegre enquanto atravessava a rua, correndo na direção de Hobi já com os braços abertos. Hoseok estava ansioso demais para esperar que as pernas curtas da melhor amiga fizessem todo o trajeto, então encurtou a distância ele mesmo, encontrando com %Holly% no meio do caminho, soterrando-a num abraço apertado.
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  — Hope, você tá me esmagando! — a moça resmungou, apesar de seu próprio abraço estar tão apertado ao redor do melhor amigo quanto.
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  Hobi não se importou em a atitude parecer estranha. Apenas apertou ainda mais os braços ao redor do corpo miúdo da garota antes de finalmente soltá-la.
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  — Até parece que a gente não se vê faz dias. — %Holly% murmurou rindo.
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  — A gente não se vê faz semanas, %HolyHolly%. — Hoseok resmungou fazendo bico, o que fez a amiga gargalhar.
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  — Desculpa, o cursinho me fez perder a noção do tempo nos últimos meses. — Ela deu um tapinha leve no braço do rapaz que a conduziu de volta até em frente ao prédio do estúdio. 
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  — %Holly%, esse é o Jimin. — Hobi apresentou quando chegaram mais perto do amigo.
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  — Oi, Jimmy! — %Holly% sorriu estendendo a mão para o rapaz de expressão doce. 
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  — É Jimin, %Holly%… — Hoseok murmurou balançando a cabeça negativamente, mas logo dando de ombros. — Por alguma razão, sinto que nada vai mudar o fato de que você vai continuar chamando ele de Jimmy… 
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  — Que bom que sabe, Hope! — %Holly% deu língua para Hobi e logo depois voltou-se novamente para Jimin. — É bom finalmente conhecer o outro melhor amigo do meu melhor amigo. — Sorriu largamente para o rapaz que sorriu timidamente de volta.
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  — É um prazer conhecê-la também, %Holly%. 
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  Jimin não tinha ideia, mas ver aquela garota miúda tão feliz e sorridente fez algo em seu coração se acalmar, como se aqueles sorrisos assegurassem que estava tudo bem, mesmo que nunca sequer tivesse visto %Holly% antes, Jimin sabia que ela já era importante em sua vida. Mesmo que o sentimento não fizesse o menor sentido.
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  — É bom você me convidar para fazer parte da sua dança para o concurso, Jung Hoseok. — %Holly% murmurou cruzando os braços e encarando seriamente o melhor amigo. — Ou vamos ter problemas sérios.
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  — Eu nunca ousaria te chamar até aqui sem uma boa proposta, %HolyHolly%. — Hobi sorriu do jeito que a garota mais amava e ela o acompanhou.
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  — Ótimo, então o que estamos esperando? 
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  Sem esperar mais, a moça seguiu para a entrada do prédio, fingindo saber exatamente para onde deveria ir, sendo seguida pelos dois rapazes que pareciam aliviados seja lá por qual motivo, mas felizes em ter %Holly% Shannon ali presente.
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  %Nicole% não estava nada satisfeita. Com as ações de Nellie ela teve que pedir dispensa do trabalho, mas o que deveriam ser apenas algumas horas que ela poderia cobrir no mesmo dia acabou se tornando meio dia inteiro. Nell havia de alguma forma fugido da delegacia que havia sido levada com um grupo que ela chama de “amigos” por terem sido pegos vandalizando uma praça pública. %Nikki% já nem sequer ficava surpresa com as ligações de policiais ou seguranças de lugares, mas ainda assim a sensação de frustração e desapontamento estavam presentes todas as vezes que algo acontecia.
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  Ela não entendia o que estava acontecendo com a irmã mais nova desde a morte do pai. Nellie sempre havia sido uma filha exemplar, uma menina doce e comportada; claro que às vezes havia rompantes de rebeldia com alguma situação, mas nada muito fora do normal da adolescência… Mas naquele instante? Não era nenhum rompante. Alguma coisa dentro de sua irmã mais nova havia desandado completamente. %Nikki% queria entender, mas não sabia mais o que fazer com Nellie e se as coisas continuassem daquele jeito, muito provavelmente o serviço social seria acionado e %Nicole% não queria nem pensar no que aconteceria depois disso.
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  %Nikki% massageou a base do nariz, cansada. Havia passado o resto da tarde tentando encontrar a irmã, mas logo desistiu ao perceber que mal a conhecia mais. Não tinha ideia de para onde Nell poderia ter ido. Perceber aquilo fez seu coração se apertar. Nos últimos anos elas pareciam duas estranhas dividindo uma casa, mal conseguindo manter uma conversa decente uma com a outra. Como foi que aquela família havia se afundado tanto?
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  %Nicole% já tinha a chave na mão quando chegou à porta de sua casa, mas a mesma estava destrancada. Não era uma surpresa, Nellie nunca lembrava de trancar a porta depois que entrava em casa. %Nikki% estava pronta para discursar - mais uma vez - sobre as atitudes da mais nova, mas ao vê-la sentada no sofá da sala abraçando as próprias pernas e com o olhar marejado, %Nicole% decidiu segurar o que tinha para dizer e esperou. Ela estava pronta para vários tipos de cenários, a típica gritaria de uma adolescente à flor da pele; uma tentativa de se explicar; a culpabilização de outros… Mas não esperava pelo que aconteceu de fato.
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  Quando Nellie percebeu a irmã mais velha parada na entrada da sala de estar, ela saiu correndo para um abraço quase desesperado, as lágrimas voltando a rolar por sua face. %Nikki% ficou confusa por alguns segundos antes que conseguisse reagir, abraçando a mais nova de volta, tentando confortar seja lá o que fosse.
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  — Hei, o que houve? — perguntou, mas não esperando uma resposta de verdade.
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  Nellie ainda ficou mais algum tempo naquela posição, escondendo o rosto na curva do pescoço de %Nicole% como costumava fazer quando era pequena. Naquele instante Nell se parecia mais com a irmã que %Nikki% costumava conhecer.
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  — Vem, vamos sentar. — A mais velha murmurou conduzindo a garota agarrada a si em direção ao sofá onde sentaram e Nellie finalmente desfez o abraço. — Quer me contar o que aconteceu? — perguntou sem real esperança de ter alguma resposta. E por alguns instantes foi daquela maneira, com Nell fungando e tentando limpar as lágrimas insistentes.
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  — Me desculpe… — murmurou por fim.
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  %Nicole% internamente se perguntava por qual parte de tudo a irmã mais nova pedia desculpas, mas aquele não era o momento para gerar uma discussão, principalmente levando em consideração que as duas não tinham aquele tipo de conversa fazia muito tempo. Então ela apenas esperou que Nell terminasse de falar.
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  — Eu… — A menina tentava falar e lutar contra as lágrimas ao mesmo tempo. — Eu sinto muito, sinto muito… — Choramingou novamente, agora agarrando uma almofada. — Eu queria que você não tivesse que se preocupar, eu… — E mais uma vez as lágrimas voltaram a escorrer.
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  — Hei, calma, Nell. — %Nikki% murmurou sentando um pouco mais perto da irmã. — Do que você está falando?
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  Depois de mais um minuto inteiro tentando se recompor, Nellie respirou fundo tentando organizar a mente.
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  — Depois que papai morreu… — Sussurrou por fim, voltando a fungar. — Você estava sempre tão preocupada com tudo… E eu… Eu queria que você não tivesse que se preocupar comigo também. Então eu tentei te mostrar que eu podia ser independente e você não precisava cuidar de mim.
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  — Nellie…
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  — Eu sei. — A garota murmurou soltando um riso sem humor e um tanto estrangulado pelo choro que ameaçava voltar. — Mas na minha cabeça, se eu não estivesse aqui, você não ia ter que se lembrar de se preocupar comigo. — Nellie riu novamente, percebendo o quanto aquela ideia era estúpida. — E aí eu conheci o grupo do Jared. E… Eu achei que com eles eu tinha a liberdade de ser quem eu quisesse. Que eu podia fazer as minhas escolhas e só eu seria afetada…
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  %Nicole% ficou encarando a irmã mais nova tentando entender aquela lógica. Ela queria não fazê-la se preocupar… A preocupando? 
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  — Nellie, quando convivemos com pessoas que se importam com a gente, quase nunca nossas decisões afetam apenas a nós. 
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  — Eu só queria que tudo voltasse a ser o que era antes, quando papai e mamãe ainda estavam aqui… Que você pudesse se divertir e nós pudéssemos ter as nossas noites de sábado pra gente de novo. — Nell fechou a mão que segurava a almofada em punho, com força. — Mas tudo saiu do controle e… Eu mal entendia o que estava fazendo, eu só… Fazia.
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  — Eu também sinto falta de como as coisas eram antes, Nell… — %Nicole% puxou a irmã para um abraço quase desajeitado. — Mas elas não são mais daquele jeito. E a gente precisa aprender a viver com o que temos agora.
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  %Nikki% sentiu sua camiseta ficar molhada e sabia que a irmã chorava novamente.
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  — Eu sinto muito mesmo, %Nikki%… — Nellie murmurou novamente apertando os braços em volta da mais velha.
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  — Tudo bem, Nell… Só me promete nunca mais tentar não me deixar preocupada… Não desse jeito. 
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  Um segundo se passou antes que Nellie soltasse uma gargalhada e se endireitasse no sofá limpando novamente as lágrimas.
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  — Eu prometo. — Fungou.
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  — Ótimo, agora vai lavar o rosto e descansar um pouco. Podemos pedir pizza e assistir filmes mais tarde.
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  A mais nova parou por um instante olhando de forma questionadora para %Nikki%.
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  — Mesmo que não tenhamos tudo como era antes, um pouco do que tínhamos nós podemos fazer acontecer de novo. — %Nicole% sorriu, quase nostálgica e se surpreendeu - novamente - quando Nell correu de volta para seu encontro, dando-lhe mais um abraço.
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  Ela não tinha ideia a que se devia a epifania que Nellie Callan havia tido naquela tarde, mas fosse o que fosse, estava agradecida.
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Gabi Pingituro

Mulher, essa galera não tem um minuto de paz? Que loucura, quero mais! Não vejo a hora de ter att dessa maravilha

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