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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Chanel

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Capítulo 32

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

  A semana se passou rapidamente e, apesar de sua agenda estar completamente lotada, a maioria das entrevistas que concedia, eram no salão de convenções do hotel, para garantir seu próprio conforto.
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  Faltando ainda quatro dias para o voo aos Emirados Árabes, Marguerite a convenceu de irem fazer compras no centro de Nova Iorque, já que a irmã mais velha estava com o resto do dia livre. Seguidas por diversos fotógrafos e acompanhada de milhares de seguranças e infinitos fãs, %Beatrice% caminhou pela quinta avenida, a rua das melhores lojas. Depois das compras com Marguerite, as duas foram levadas pelos representantes americanos a um restaurante no SoHo, onde os donos fecharam um espaço reservado para elas e a equipe.
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   %Beatrice% dificilmente dizia algo e se limitava a apenas sorrir quando achava necessário. Sua expressão fria era sempre constante, mas, sendo parte de sua própria característica, ninguém pareceu se importar. Marguerite não parava de falar no quão legal era a América e que gostaria de estudar ali na próxima temporada. Sempre que arriscava, olhava de relance para a irmão mais velha, que nada lhe respondia.
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  Voltaram para o hotel quando era tarde da noite, por volta das onze e meia. As compras foram levadas pelos funcionários do hotel e %Beatrice% acompanhou Marguerite até sua cama, como sempre fazia desde que começaram a morar juntas. A irmã menor, no início, chorava por Aurélio, e por mais que soubesse que a causa da morte do irmão fora ligada a %Beatrice%, nunca culpou ou amou menos a irmã mais velha. Foi o único aquecimento no coração de %Beatrice% durante os dez anos.
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  Abriu a porta de seu quarto e viu um semblante no escuro. Acendeu a luz sem medo de descobrir que fosse um assassino ou qualquer outra pessoa. Depois de um tempo, descobriu que a morte já não era mal vinda ou lhe trazia medo. Contudo, o que viu foi muito mais assustador que perder a vida. Arregalou os olhos ao reconhecer %Zachary% segurando a foto de Chanel em mãos. Ao vê-la parada à porta, depositou a armação na sofá e voltou a mão ao bolso.
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  - Já faz um tempo. - ele diz. Ela não se move, tampouco responde. - Não achei que um dia fosse voltar para a América.
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  - Nem eu. – respondeu, séria. O viu abrir o pequeno sorriso que usava quando planejava algo que ela era contra e olhou para o chão, voltando a encará-la alguns segundos depois.
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  - Vim ver com meus próprios olhos como estava. A TV engorda as pessoas. - ele voltou a olhar para o corpo ainda escultural de %Beatrice%. Como era antes, a mulher não se intimidara com o olhar repleto de pudor do homem. - Parece bem.
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  - Pareço? - ela pergunta sem propósito algum de obter uma resposta. Era apenas para intimidá-lo. Ouviu uma risada nasalada de %Lieberman%.
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  - Você pretende mesmo ter o mesmo fim dela? - aponta com a cabeça para a foto de 'Coco' no sofá. %Beatrice% olha para a moldura e volta a encarar %Zachary%.
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  - Eu pretendo criar meu próprio caminho.
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  - Até agora você seguiu o caminho dela. - soltou uma risada. - Veja só, até terminou sozinha... Como ela.
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  Aquilo a machucou mais do que deveria, ele sabia disso. %Beatrice% rapidamente descobriu qual era o propósito dele ali. Quando decidiu voltar para a América, sabia que ele tentaria entrar em contato de alguma maneira e fazê-la sofrer por sua atitude de dez anos atrás. Por mais que tivesse se preparado para isso, não se sentia nem o mínimo preparada para o que estava recebendo.
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  - Se você quer ser uma revolucionária - ele iniciou o caminho próximo à ela. -, aprenda a criar sua própria estrada. - parou quando estava a centímetros da mulher. - Pare de imitá-la. – sussurrou, sentindo o cheiro do perfume francês que sabia que %Beatrice% gostava. Surpreendentemente, quando descobriu, viu que não era nada relacionado à Chanel; mais tarde veio a perceber que era o perfume que sua mãe utilizava quando pequena e trazia o conforto materno que nunca recebeu efetivamente.
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  - Se inspirar é diferente de imitar, achei que você soubesse a diferença. – seu tom de voz mostrava que mesmo se sentindo intimada, não desistia de seu orgulho, que falava bem mais alto que qualquer outro sentimento jogado dentro de seu estômago embrulhado.
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  - Inspirar é usar as coisas boas de uma pessoa a quem admira para coisas boas criadas por você. Tomar certas atitudes apenas porque acha que tal pessoa faria o mesmo não é inspiração. - ele diz ainda próximo à %Beatrice%.
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  - O que faz aqui? - ela diz brutamente.
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  - Já disse, vim ver com meus próprios olhos como estava. - volta a se afastar de %Beatrice%, com as mãos ainda dentro dos bolsos, dando-lhe as costas e indo até a janela do quarto, olhando os pontos na rua, que simbolizavam as pessoas na frente do hotel, provavelmente fãs ou fotógrafos.
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  - Nós dois sabemos que isso é uma mentira. - %Beatrice% diz. Decidiu tentar fazê-lo acabar com ela de uma vez, ao invés de torturá-la aos poucos como estava fazendo. Esperava que ele a machucasse com palavras e então a deixasse ali, da maneira que ela o deixara.
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  Viu o homem não se mexer por um tempo, queria saber o que se passava em sua mente, como iria ofendê-la mais ou qual seria a próxima lembrança que desenterraria para fazê-la sofrer. Ao se virar para ela, assustou-a, de certo modo que a fez dar um passo para trás. Talvez estivesse errada e não estivesse pronta para sofrer deste tanto. Talvez os dez anos de preparação para encará-lo não tenham sido o suficiente para ela.
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  Encarou os olhos brilhantes de %Zachary% e, em sua mente, voltaram ao que eram há dez anos. Os corpos trêmulos de desejo, os olhos presos aos lábios, em busca de um toque ou de um resquício de sorriso; mas os dois estavam machucados demais pelo outro para cederem tão fácil. Tinham um compromisso consigo mesmos, as lembranças do desejo, da luxúria, da morte e do abandono ainda eram fortes e os confundia a cada respiração liberada naquela sala.
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  Se não estivesse presenciando e com o sono esquecido, %Beatrice% nunca acreditaria que o momento seguinte foi real. Seu coração foi cúmplice da realidade ao pulsar tão forte que parecia querer rasgar seu peito e sair pulando afora. %Zachary% manteve o olhar na mulher que não sabia mais se tentava se proteger de suas palavras, ou ouvi-las com atenção.
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  - O que posso dizer? - ele olhou para cima com um sorriso irônico no rosto, pensando se estava certo se queria dizer o que estava para dizer. Voltou a encará-la e decidiu que depois de dez anos, nada seria arriscado. - É o que dizem, não é? - viu em seus olhos a confusão e então finalizou: - O primeiro amor, nós nunca esquecemos.
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   %Beatrice%, pela primeira vez, foi a primeira a ceder. Com um pequeno sorriso nos lábios, concordou com a afirmação do político e olhou para a foto de Coco, que parecia sorrir para sua pupila enquanto escondia seu maior segredo. Atrás de sua foto, escondida do mundo e até da própria %Beatrice%, a foto de %Zachary% jazia para as noites de solidão e da saudade. Aquele era o seu amuleto, como havia dito, repleto de inspiração.
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Fim

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Fe Camilo

Meu Deus, essa história é perfeitaaa ❤ fiquei tão obcecada que terminei em menos de um dia hehehee

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