×

ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Chanel

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Capítulo 29

Tempo estimado de leitura: 20 minutos

  França // Anos antes

  A Europa nunca foi um continente famoso por dias ensolarados, mas sim pela falta da luz solar durante o inverno e dias chuvosos. Aquele dia, especialmente, era o pior já vivido por %Beatrice% em anos.
0
Comente!x

  Vestia sapatos engraxados dezenas de vezes, sendo impossível disfarçar a velhice, mesmo quando usados com vestidos limpos e bonitos. %Beatrice% nunca gostou de vestidos escuros, porque achava que poderia parecer com um panda. A pele branca escondida atrás do tecido escuro e o rosto coberto por mais fios escuros que vieram, mais tarde, descobrir o poder das tintas capilares. Contudo, para aquela ocasião, seu pai obrigou Chantelle, sua irmã mais velha, vestir %Beatrice% e Pauline, a caçula de apenas quatro anos a trajarem os vestidos escuros que somente vestiram uma vez, durante o velório de sua tia Illa. As três tentavam, inutilmente, se protegerem dos pingos congelantes da chuva que despencava sem dó; uma mensagem de Deus para as três novas órfãs do mundo. %Beatrice% pensava se ele estava chorando e pedindo perdão por ter-lhes levado a mãe tão cedo.
0
Comente!x

  Olhou para o pai, cuja expressão era tão devastada quanto as árvores caídas e as outras covas malcuidadas. Pauline chorou desde quando desceu da caminhonete que trouxera a família agora sem mãe; o choro não era pela perda, ela mal sabia o que estava acontecendo. As lágrimas e o som do choro eram devido ao medo que o ambiente lhe proporcionava sem dó. %Beatrice% estava em pé entre Pauline e Chantelle. Suas mãos estavam unidas com os dedos entrelaçados, tentando dividir a dor e o pesar entre si. O pai, com as mãos unidas em frente ao corpo, chorava sem fazer nenhum ruído. As lágrimas se misturavam com as gotas que vinham dos olhos de Deus. Durante os últimos meses %Beatrice% não se lembrava de tê-lo visto um dia sequer, sóbrio. A voz arrastada, a barba por fazer e a roupa suja eram características fixas do pai que um dia foi alegre. Desde quando a mãe, vítima de uma forte pneumonia, adoeceu e mostrou-se incapaz de seguir em frente pela falta de recursos que eles podiam oferecer, o pai se escondeu atrás das garrafas de álcool e dos cigarros que os cidadãos franceses deixavam para trás nas calçadas ou ruas francesas. Nunca mais foi o mesmo. Nunca mais %Beatrice% pode ver o semblante que gostaria de ter gravado em sua memória para tentar, no futuro, voltar a sentir algo bom pelo pai.
0
Comente!x

  Estranhou, depois que voltaram para a casa agora sem luz, o pai arrumar as poucas roupas que tinham. Trovoadas faziam com que Pauline chorasse mais alto entre os braços de %Beatrice%, que tentava com toda sua força, ser forte por ela e por Pauline. Chantelle, na época com 18 anos, gritava com o pai, que ignorava a garota e manda-a calar a boca de vez em quando. A cama rangia enquanto %Beatrice% balançava Pauline em seus braços, tentando, em vão, acalmar a irmãzinha que não conseguia parar de chorar, tanto o medo do barulho que parecia perto o suficiente para quebrar a casa frágil que moravam. %Beatrice% observou o pai empurrar Chantelle, de modo que a irmã mais velha caiu no chão enquanto continuava a gritar com os olhos cheios de lágrimas, e sair pela porta sem olhar para trás.
0
Comente!x

  Foi a última vez que %Beatrice% viu seu pai. Foi a última vez que se sentiu em casa. Naquela noite, as três irmãs, com fome e com frio, dormiram juntas na cama sem dizerem uma palavra. Pauline foi a primeira a adormecer, sentindo-se segura quando Chantelle deitou ao seu lado. Ela foi a segunda a dormir, deixando %Beatrice% sozinha com seus pensamentos sobre as emoções atrapalharem suas vidas. O pai, que deu preferência ao desespero, acabou por errar e deixar-lhes sozinhas para trás. Três filhas de 18, 12 e 4 anos. Crianças dependentes. A mãe, por querer sempre cuidar de sua família, acabou por se deixar adoecer e partir para uma vida melhor sem suas três belles.
0
Comente!x

  No dia seguinte, Chantelle, aparentando ser uma nova pessoa, combinou com %Beatrice% que por ser maior de idade, iria cuidar das duas, desde que prometessem não contar a nenhum adulto sobre a ida do pai embora. Se as autoridades soubessem que as mais novas estavam órfãs, levariam-nas para o orfanato.
0
Comente!x

   %Beatrice% viu Chantelle sair todos os dias de manhã cedo para procurar comida e algo que pudesse lhes aquecer durante as noites frias. Pauline era responsabilidade sua durante a ausência da irmã mais velha; dava-lhe banho e brincava para distrair a garotinha de cabelos cacheados como as do pai. Chantelle quase nunca voltava com comida o suficiente e %Beatrice% era honesta quando dizia que Pauline deveria comer mais e as duas deveriam comer o resto igualmente, mesmo a irmã mais velha insistindo que %Beatrice% tinha que comer mais que ela. A irmã mais velha começou a emagrecer; na terceira semana, passou a sair mais no fim da tarde e voltava somente quando o sol nascia. Milagrosamente, o dinheiro começou a aparecer mais no final do primeiro mês. Chantelle voltava com cobertores fofos e até novas peças de roupas quentes. A comida vinha em mais abundância e, no meio do segundo mês, a luz voltara, fazendo com que as três irmãs sentissem mais prazer em tomar banho na água quente, ao invés da congelada que saía da torneira. Quando perguntou à Chantelle o que ela fizera para ganhar tanto luxo, %Beatrice% ficou sem resposta.
0
Comente!x

  Em um dos dias, aguardou Pauline adormecer para sair à busca de Chantelle ou descobrir o que a irmã fazia para que pudesse, futuramente, fazer igual e ajuda-la com os gastos da casa. Viu-a com uma roupa absurdamente curta, parada em uma das ruas principais da cidade. Conversava com um grupo de garotas mais velhas e da mesma idade vestidas da mesma maneira. Por alguma razão, sentiu que não deveria se aproximar, por isso, se escondeu atrás de um poste de luz. Observou atentamente Chantelle sorrir para homens mais velhos, quando estes passavam dentro de carros conversíveis. Se surpreendeu ao vê-la entrar em um dos carros, que começou a se afastar. Desesperada para saber aonde a irmã ia com um homem estranho, roubou a bicicleta de um garoto que havia deixado-a do lado de fora da loja de conveniências e seguiu o automóvel da cor bordô. Depois de alguns quilômetros, o carro parou em um prédio que %Beatrice% conseguiu ler “motel”. Acostumada a se infiltrar em locais que era proibida, ouviu o homem pedir as chaves do quarto 12; sigilosa, subiu nas pontas dos pés até o tal do quarto.
0
Comente!x

  Nunca saberia o que a irmã estava fazendo, se não tivesse aberto uma fresta da porta destrancada pelo estranho. Assim que passou pela porta 9, pode ouvir o som esquisito que nunca havia ouvido sair pela boca da irmã mais velha. Curiosa para saber o que se passava e o que eles faziam, ultrapassou as portas 10 e 11, até chegar à 12. Mexeu lentamente na maçaneta e a viu destrancada. Uma pequena fresta foi o suficiente; por sorte, o dia não estava escuro de modo que a luz do corredor não fez diferença no ambiente já iluminado pela luz do dia. Com um dos olhos metidos na fresta, viu a irmã nua de frente para a parede, tendo uma parte do homem entrando em sua nádega, fazendo-a soltar um grito que não parecia de pavor. %Beatrice% pensou em entrar e salvar a irmã do estranho, mas estava hipnotizada pelos movimentos, gritos e sons. Eles não pareciam estar brigando, tampouco se machucando.
0
Comente!x

  Por dias a imagem da irmã com o estranho lhe ficou na cabeça. Não tentou perguntar o que ela fazia com ele, pois assim daria na cara que havia a seguido e aborreceria Chantelle. Continuou a cuidar de Pauline até um dia receber a visita do tal da autoridade.
0
Comente!x

  O homem, com um chapéu preto, vestido em um terno de boa qualidade, mas não rica, olhou para %Beatrice% e em seguida para Pauline atrás, sentada na cama conversando com uma boneca.
0
Comente!x

  - Onde está seu pai? – perguntou, olhando em sua prancheta.
0
Comente!x

  - No trabalho. – respondeu o que Chantelle havia pedido para ela responder quando alguém lhe perguntasse.
0
Comente!x

  - Às seis da manhã? – ele não pareceu se convencer. %Beatrice% levantou os ombros, mais um movimento pré-calculado com Chantelle.
0
Comente!x

  - Você não possui uma irmã mais velha? Onde ela está? – tentou se esquivar para dentro, mas %Beatrice% fechou metade da porta.
0
Comente!x

  - Saiu, mas volta logo.
0
Comente!x

  Ouviu o suspiro do homem e então viu sua cabeça balançar de um lado para o outro, como vez o médico quando anunciou para seu pai a morte de sua mãe. Com um simples aceno de cabeça, o suspiro pesaroso e os olhos piscando lentamente, %Beatrice% soube que Chantelle não voltaria mais para casa. Ela não traria mais dinheiro.
0
Comente!x

  Naquele mesmo dia, %Beatrice% soube que Chantelle se uniu à sua mãe no céu.
0
Comente!x

  O trabalho que realizava tinha nome: Prostituição. O homem de chapéu escuro lhe explicou que era um trabalho procurado por jovens desesperadas por dinheiro. Por ser maior de idade, Chantelle conseguia melhores clientes, mas também mais perigosos. A irmã foi vítima de um mafioso que, ao manda-la se casar com ele para lhe proporcionar prazer quando quisesse, negou e foi eliminada com um simples tiro entre seus olhos. %Beatrice% nunca pode ver o rosto de Chantelle, mesmo durante seu enterro. Não deixaram abrir o caixão. Naquela missa onde somente estavam presentes ela, Pauline, o assistente social e o padre, %Beatrice% olhou para o céu claro, o oposto da morte de sua mãe. Durante o momento, pensou que o dia estava ensolarado porque Deus passava a mensagem de que sua mãe finalmente estava feliz, já que uma de suas filhas estava consigo. Pensou se seria justo deixar Pauline sozinha e ir embora também. Com o pensamento injusto, foi castigada por ter sido irresponsável em seus pensamentos.
0
Comente!x

  Como Chantelle havia dito antes, o assistente social levou as duas a um orfanato. O local, sujo como sua casa, possuía mulheres e homens que se diziam cuidadores das crianças sem pais que viviam sem visão do que poderiam fazer no futuro. Batiam-lhes com pedaços de madeira arrancadas das camas que rangiam quando se mexia durante a noite. Numa das pancadas, a mulher fora forte demais com o pau nas costas de Pauline, que desmaiou em uma poça de sangue; seu próprio sangue. Dessa vez, %Beatrice% não pode usar o vestido preto com os sapatos engraxados. Não viu a irmã caçula dentro de um caixão, porque jogaram-na no fundo do quintal durante a madrugada.
0
Comente!x

   %Beatrice% foi deixada sozinha no mundo. Sem esperanças de uma vida feliz e com preconceito sobre as emoções, que machucavam a todos. Sem perceber, tornou-se uma garota séria, sem expressões, que espantava todos os pais que ansiosamente tentavam conhecê-la melhor para pensar na possibilidade de adotá-la. Passou quatro anos no orfanato até um homem finalmente adotá-la por um bom preço.
0
Comente!x

  - Me falaram que você tem 16, garota. – ele dizia, dentro de um carro luxuoso. Tão luxuoso que %Beatrice% se sentiu em outro mundo. Os bancos vermelhos de couro estavam limpos e brilhantes; sentia até que seu vestido estava sujando-o com a sujeira acumulada pela falta de higiene do orfanato.
0
Comente!x

  - Tenho 16. – ela respondeu, séria. Viu os olhos claros do homem que aparentava seus quarenta e cinco anos analisar o corpo magro da garota no banco de trás.
0
Comente!x

  - O que você quer da vida?
0
Comente!x

  O que ela queria da vida? Pensou em sua mãe, seu pai, Chantelle e Pauline. Dos quatro, qual teria sido mais feliz? Em sua mente deturpada pelas perdas e desgraças dos últimos quatro anos, %Beatrice% pode rapidamente pensar que de todas as vidas, a de Chantelle teria sido mais feliz, ganhando dinheiro e podendo trazer para casa, roupa e comida fresca. Olhou para os dedos machucados pelas agulhas que manuseava; seu novo hobby era costurar. Não podia fazer muito com os pedaços de panos velhos que eram jogados fora depois de usados como pano de chão, mas com a força de sua imaginação, conseguia imaginar peças lindas que pessoas poderiam usar para se sentirem mais belas.
0
Comente!x

  - Quero fazer roupas. Ser rica.
0
Comente!x

  De fato, fazer roupas não era o que o homem pretendia deixa-la fazer. Mesmo adotando-a, ele nunca a deixou chama-lo de pai. Descobriu que ele era dono de uma casa de prostituição, o negócio que matou Chantelle. No início, %Beatrice% se recusou a atuar na área, mas ao ver sua desvantagem e o perigo que corria se não obedecesse as ordens do homem que a adotou, acabou cedendo. Una, a anfitriã da casa, era responsável por treinar as novas garotas que chegavam à casa. Treinou %Beatrice% para que falasse polidamente bem, portasse com o corpo ereto e fez com que ela se exercitasse para aumentar a massa de suas coxas. Durante seis meses, ficou na área inferior da casa, trabalhando no backstage e limpando os quartos das prostitutas que viviam ali. Diferente do que viu com Chantelle há quatro anos, o lugar parecia mais decente para se trabalhar.
0
Comente!x

  O desespero tomou conta de %Beatrice% quando Una anunciou o início de sua vida noturna no próximo final de semana. Deu-lhe lingeries de renda, cintas de liga e espartilhos que lhe sufocava, mas que fazia seus seios parecerem maiores. Na primeira noite, as garotas auxiliaram-na a fazer a maquiagem. Suas pernas tremiam em cima do salto prata. A meia calça arrastão lhe perturbava e o cheiro do tabaco lhe entorpecia. Fumou seu primeiro cigarro quando seu primeiro cliente lhe ofereceu. Conforme Una havia ensinado, deixou que o homem lhe tocasse e, quando perguntou sua idade, mentiu dizendo ter 18, quando ainda estava para completar 17.
0
Comente!x

  Quando o bigode do homem alto e desengonçado roçou em seu dorso, sentiu que não podia fazer aquilo e fugiu, dizendo ir pegar uma bebida para aquecê-lo melhor. Recebeu um tapa na cara de Una naquele dia. Ouviu desaforos e, por incrível que pareça, não sentiu remorso algum quando a viu ir embora ainda a xingando.
0
Comente!x

  Respirou fundo e fechou os olhos, a fim de organizar melhor seus pensamentos. Quando voltou a abri-los, encontrou com um homem pouco mais velho que ela à sua frente. Lhe beijou os lábios antes que ela percebesse; um beijo que lhe conquistou, afinal, era seu primeiro.
0
Comente!x

  - Você quer essa vida? – ele perguntou depois de separado. %Beatrice% negou com a cabeça. – Então venha comigo, irei cuidar de você. – sem pensar em nada, %Beatrice% deixou-se levar pelo garoto alto e charmoso que cheirava a um tabaco mais forte. Assim que foi coberta por seu sobretudo para saírem pela porta dos fundos da casa, olhou para o garoto que abriu um sorriso malicioso e disse: - Meu nome é Aurelian. Você não deve esquecer de mim e nem deste débito. – e antes de saírem correndo rua abaixo, ele lhe roubou outro beijo, firmando o contrato da dívida de %Beatrice% com ele.
0
Comente!x

  Santa Mônica // Agora

  - Ele me levou para Paris, onde me escondeu e cuidou de mim até ter certeza de que não havia mais ninguém procurando por mim. Não sei o que ele fez, mas tive paz desde então. – %Beatrice% agarrava as pernas cobertas pelo edredom de plumas da cama. Seus olhos estavam bem abertos e fixados em um ponto à frente; mesmo assim, não enxergava nada. O que via era a cena de sua vida há anos atrás. Não gostava de se lembrar de seu passado. Odiava seu passado. Queria destruí-lo; achava que com %Zachary%, poderia finalmente viver uma vida sem dívidas, com uma emoção segura, que não fosse fatal.
0
Comente!x

  - Por que o deixou? – %Zachary% perguntou baixo, sentado na beirada da cama de %Beatrice%. Ela abriu um pequeno sorriso.
0
Comente!x

  - Aurelien sempre achou que minha vida era uma garantia para si. Comprou educação para mim, saúde e conforto. Achou que isso era o suficiente para ter certeza de que meu amor seria dele para sempre. Mas quando se perde tudo, você já não se importa mais em ter de perder novamente, porque sabe que as coisas uma hora ou outra melhorarão. – %Beatrice% olhou para o político. – Eu havia me cansado de ser deixada em segundo plano, por isso, decidi esquecer o amor e me dedicar à pouca dignidade que me sobrou e tentar subir em minha vida. Aurelien quem conseguiu este curso para mim; é claro que eu nunca conseguiria sem ele. Também comprou minha passagem. Cuidou de mim como prometeu em nosso acordo. Eu não sei por que, mas achei que tudo o que ele me deu não era o suficiente ao amor que queria ser retribuída. – soltou um pequeno riso nasal e balançou a cabeça. Encarou %Zack%: – O deixei porque queria saber como seria viver sem depender de alguém para ser feliz.
0
Comente!x

   %Zachary% manteve seus braços cruzados enquanto ouvia as palavras de %Beatrice%. Não se sentia nem um pouco nervoso quanto há alguns minutos, mas o fato de saber da verdade o perturbava bastante. Agora que entendia a razão de %Beatrice% respeitar e amar tanto o francês tinha cabimento. Não era superficial, os dois possuíam uma história. Olhou para a garota, que continuava abraçada às pernas, provavelmente na mesma posição que fazia toda vez que ficava pensativa, com a mente especificamente presa ao passado. %Beatrice% agora era dele, não estava mais na França e não havia outra pessoa senão ele para machuca-la com o amor. Sentiu responsabilidade quando percebeu o fato; se sentiu superior a Aurelian, que perdeu a oportunidade quando teve certeza de que não a perderia.
0
Comente!x

  Essa era a diferença entre os dois. Apesar de fazer tudo para o conforto de %Beatrice%, %Zachary%, ao contrário de Aurelian, sempre pensou em como seria a vida se ele a perdesse. Não gostando de ver o que enxergava, se empenhava mais em deixa-la bem.
0
Comente!x

  - Você o ama? - perguntou. Depois da história que ouviu, ele não podia deixar de fazer a pergunta. Sabia que era possível dela ainda sentir algum tipo de sentimento forte pelo homem que, para ela, salvou-lhe a vida. Estava receoso pela resposta, porque sabia que ela poderia vir diferente do que ele esperava ou gostaria.
0
Comente!x

   %Beatrice% o encarou com o olhar entristecido, mas ele não pode ver a resposta estampada em seus olhos. Sentiu como na época que havia a conhecido. Não conseguia ler seus sentimentos. Aguardou pacientemente a resposta, até ela vir:
0
Comente!x

  - Já o amei mais. - respondeu. – Agora, tudo o que sobrou foi gratidão.
0
Comente!x

  Aquilo, de alguma maneira, acalmou os nervos de %Zachary%. Seu coração desacelerou e ele sentiu o ar que estava preso no peito sair. Pode sentir a brisa que entrava pela janela entreaberta bater em si, algo que já acontecia antes, mas com a raiva, ele não percebia. Encarou %Beatrice% com outros olhos e a viu encolhida em sua cama, insegura e à procura de proteção. Assim que ouviu a resposta, conseguiu com a maior facilidade ver o que os olhos da estilista queriam mostrar.
0
Comente!x

  Aurelian era seu passado. Ele a protegeu e salvou sua vida, garantindo que ela tivesse uma boa ideia até agora. %Zachary% era seu presente agora. Ele quem é o atual responsável por garantir a segurança e a felicidade da garota para o resto de suas vidas. Com um sorriso interno, assinou o contrato quebrado de Aurelian para si. Ele teria certeza de que %Beatrice% fosse ser feliz com ele e mais ninguém.
0
Comente!x

  Cruzou os braços e olhou para o escuro do céu, hoje sem estrelas. Suspirou ao pensar sobre o dia seguinte. O mais engraçado, era que ele não se sentia nem um pouco mal pelo que estava para acontecer. Olhou para %Beatrice% mais uma vez e desistiu de se manter longe dela. Retirou a camisa e a calça, ficando apenas com sua boxer. Aproximou-se da cama e, em um único movimento, a empurrou delicadamente para o lado e a puxou para dormir consigo. Foi questão de segundos até que ela adormecesse em seus braços. Demorou muito mais para ele dormir.
0
Comente!x

  Talvez fosse sua consciência.
0
Comente!x

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Todos os comentários (3)
×

Comentários

Você não pode copiar o conteúdo desta página

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x