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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Chanel

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Capítulo 20

Tempo estimado de leitura: 13 minutos

  Com a proposta aceita, o tempo de %Beatrice% para %Zack% diminuíra drasticamente. O estudante de administração de empresas, ao invés de fazer como fazia com qualquer mulher que tentava lhe esnobar para que o tivesse mais para ela - que era abandoná-la -, surpreendentemente passou a se trancar mais em sua casa e apenas sair quando %Beatrice% quisesse. Enquanto ele não arranjasse uma maneira de fazê-la se apaixonar por ele, continuaria seguindo cada passo fora de casa para saber se ela estaria ou não pensando em sair dali. Por enquanto, o resultado não fora nada terrível. As coisas continuaram da maneira que estavam e ele, ao se olhar no espelho no final do dia, se sentia patético por estar tão obsesso pela fashionista.
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   %Beatrice% estava presa em seu quarto. Uma semana e alguns dias se passaram desde a reunião com Karl. Seus assistentes continuavam em contato com ela, mas nunca era nada demais, apenas faziam as perguntas habituais de assistentes a mando de seus patrões. Olha para a pasta nova de desenhos que havia comprado para si e que já possuía um desenho e meio pronto. Se continuasse assim, não conseguiria nunca cumprir o prazo de Karl. Suspira e olha para o corredor com os armários de roupas. Podia ouvir o maço de Gauloises dali lhe chamar para uma tragada. Mas não podia. Se voltasse a fumar aquele cigarro, estaria cedendo para Aurelien. Era isso o que ele queria.
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  Aurelien. Ele estava muito escondido para quem havia feito um estardalhaço há algumas semanas atrás. Duas semanas se completariam e ela não teria ouvido falar nada dele. Se fosse ingênua como antes, acreditaria que ele havia desistido dela. Mas ela sabia muito bem que ele não era um homem de desistir assim tão fácil, em sua vida “conjugal” com o francês, descobriu que ele nunca desistia. Mesmo dizendo que desistiria, nunca acontecia. Todos os momentos que passara com Aurelien em Paris, ele nunca desistiu de nada que acreditava e era isso o que ela admirava mais nele. Independente do número de vezes que ele caísse ou fosse derrubado, ele sempre ia até o fim quando achava que aquele era o fim para ele. Seja pelo bom caminho ou pelo mau caminho.
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  Suspira, levantando o rosto e encara o céu escarlate. Olha para trás pensando se %Zachary% continuava trancado em seu quarto. Ultimamente ele tem sido extremamente misterioso, com poucas palavras e apenas a acompanhando nos lugares sem reclamar ou questioná-la. Nos primeiros três dias, ela achava que ele estaria tramando algo. Sem entrar no quarto dela durante o final de semana para possuí-la... Pra ela, ele decididamente estava tramando algo. Contudo, cinco dias se passaram e ele continuou sem invadir sua privacidade, o que a fazia sentir uma vontade imensa de ir espia-lo em seu quarto e saber a razão da repentina falta de interesse do político. Será que ele estava se encontrando com outra mulher?
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  Mas o que diabos ela estava pensando?
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  Balança sua cabeça e respira fundo. Precisava tomar um ar, pairar. Estava na hora de dar uma volta no centro, isso. Dar uma volta no centro seria uma boa. Segue até seu closet e pelo que havia visto em seu celular, o clima não passaria da mínima dos 18ºC e a máxima dos 25ºC, então estaria, no mínimo, fresco. Decide pegar uma bermuda jeans de cós alta e uma camisa de algodão creme, prendendo-a dentro da bermuda. Um cinto marrom e os sapatos Oxford marrom camurça para combinar com o cinto. Os cabelos soltos e a bolsa de couro, que apesar de velha e desgastada, ainda era muito útil.
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  Ao sair do quarto, caminhou na ponta dos pés e correu para fora de casa para que %Zachary% não a ouvisse e decidisse fazer companhia a ela em seu passeio para tirá-lo de sua mente. Ela precisava deste tempo para ela. Mesmo com toda a privacidade que andava tendo em seu quarto, ela não podia dizer o mesmo fora dele, já que o filho do prefeito a seguia para todos os lados. Respira fundo e segue em direção ao ponto de ônibus que sabia que a levaria para o centro. Desde que começara a desenhar ainda mais pensando em sua nova e agora oficial profissão, ela tem pensado bastante no que iria considerar um hobby, já que seu antigo hobby se tornou seu trabalho. Ao passar por uma loja de eletrônicos, vê uma Nikon na vitrine. Se lembra da vista que tinha da sacada de seu quarto e abre um sorriso. Fotos eram apenas fotos para ela, afinal.
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  Resolveu estrear seu cartão de crédito. Caminhou para dentro da loja e passou quarenta minutos sendo paparicada pela vendedora, que tentava lhe vender uma câmera por um preço absurdo. Ela só queria uma Nikon como a da vitrine, se eles não queriam vender aquela, por que colocavam-na a exposição?
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  A tarde fora gasta com cliques. Acabou parando na baía de Santa Mônica, uma que durante o dia era cheia de famílias felizes e de noite, casais felizes. %Beatrice% se sentou em uma pedra e mirou todas as famílias e mais tarde, todos os casais. Durante o tempo que passou sentada naquela pedra, nenhum problema ocupou sua mente. A única coisa que vinha era: Melhor posição e “botão errado”. Como uma máquina poderia ter tantos botões?
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  Seus dedos pararam quando a luz já estava alta no céu, mas a praia não deixava de estar cheia de casais caminhando de mãos dadas ou abraçados, segurando seus calçados e trocando carinhos de afeto em público. O que a fez parar foi o aroma da Gauloise que surgiu repentinamente. Olhou para trás e viu Aurelien em pé um pouco atrás dela com o cigarro novo aceso entre os dedos da mão direita, enquanto a esquerda estava guardada dentro do bolso da jeans.
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   %Beatrice%, ao pensar em sua beleza com aquele cenário sentiu uma imensa vontade de registrar a cena. Não podia negar quão charmoso Aurelien é. Os americanos dizem que gostam dos franceses, porque eles sempre aparentam estar vivendo um romance à moda antiga, com frases de efeito, gestos polidos, voz sensual e o estilo impecável. Aurelien é a prova de que os americanos, pela primeira vez, estão certos. Ao contrário de outros franceses e milhares de homens no mundo, os óculos de sol não são objeto de beleza. Da maneira que seus cabelos escuros eram jogados para o alto em um lindo topete, o fato dele estar segurando um cigarro, tragando-o e soltando a fumaça deixava-o completamente maravilhoso. %Beatrice% respira fundo e volta a se virar, encarando a vista do mar que agora não era tão bem exposto devido à fraca luz da lua que estava para tomar o lugar do sol.
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  - Difícil te encontrar sozinha ultimamente. - ele inicia o diálogo ainda em pé atrás dela.
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  - Onde está Marguerite?
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  - Paris. As aulas acabaram.
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  - Foi sozinha?
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  - Fleur a veio buscar.
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   %Beatrice% olhou para Aurelien séria e uma de suas sobrancelhas perfeitas se ergueu, demonstrando sua surpresa.
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  - Fleur?
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  - Sim.
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  - Chevalier?
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  - Que outra Fleur seria?
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   %Beatrice% apertou os lábios e voltou a encarar o mar. Mexe em sua câmera desligada demonstrando quão desesperada para se distrair estava. Fleur Chevalier. A única mulher que conseguiu o respeito de Aurelien até então. A família Chevalier era elitista e muito bem conhecida na França. Amigos íntimos da família de Aurelien, ele e Fleur foram criados juntos desde criança, portanto, não havia pessoa que entendesse ele melhor do que ela. Independente do quanto as garotas se rebaixassem para atingir umas as outras e ficar com Aurelien, nenhuma delas se atreveria a machucar Fleur. Era uma garota tão adorável que nem sequer a pessoa mais rancorosa do mundo conseguiria derrubá-la. Se havia uma mulher a quem %Beatrice% não gostava, definitivamente era Fleur. O fato dela poder ter Aurelien quando ela bem quisesse era o suficiente para ser considerada sua primeira rival.
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  Além disso, Margueritte também a amava. Dizia ser sua irmã mais velha e só %Beatrice% sabia o quanto aquelas palavras fincavam no corpo dela. Adorava a irmã mais nova de Aurelien como a irmã que nunca teve. Ouvir a garotinha falar dos lindos cabelos lisos que cacheavam perfeitamente e em como as duas se pareciam... Aquilo não a fazia se sentir nada melhor. E o pior de tudo era que Fleur era educadíssima com %Beatrice%, algo que ela não conseguiria retribuir nem se morresse e nascesse mais duas vezes.
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  - Ela veio até aqui para buscar Margueritte? – perguntou, ainda insegura sobre virar seu rosto e encará-lo. Não queria mostrar que estava perturbada por Aurelien mais uma vez optar por chamar Fleur ao invés de deixa-la de fora de assunto, mas somente pelo fato dela não mostrar seu rosto para ele era o suficiente para que ele soubesse que ela estava se esforçando em manter-se forte.
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  - Sim.
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  - Deveria ter voltado com ela.
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  - Ela voltará para cá.
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   %Beatrice% fechou os olhos para que não pudesse tomar alguma atitude sem sentido. Lentamente, respirou fundo e passou a olhar as fotos que havia tirado o dia inteiro; olhou no conjunto das fotos e viu que estavam ali mais de 200 imagens. Um sorriso se põe em seus lábios ao ver as crianças brincando com seus irmãos e irmãs mais velhos; como uma luz acesa por um interruptor, ideias lhe vêm à cabeça para uma coleção infanto-juvenil. Talvez Karl gostasse daquilo, público jovem.
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  - Vamos voltar para casa. - sua atenção é novamente desviada para Aurelien.
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  - Eu estou em casa. - espontaneamente ela responde.
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  - O que aquele cara tem? – não pode deixar de sentir um gosto de vitória ao ouvir o nervosismo em sua voz. Entretanto, ela aperta os lábios. Não queria falar sobre %Zachary% com ele. Não com ele. - Ele não é o seu tipo.
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  - E desde quando você sabe sobre meu tipo?
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  - Eu sei tudo sobre você, %Beatrice%, você sabe disso. Por que está tão aborrecida comigo? - por mais que ele tentasse soar magoado, %Beatrice% não sentia um pingo de mágoa no tom de sua voz. O encara e vê o cigarro queimando entre seus dedos. Uma perda de fumo.
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  - Você me usou.
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  - Eu não uso as pessoas.
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  - Então não sou humana para você? - ela o olha e ele solta uma risada nasalada.
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  - %Beatrice%. Não vamos levar isso para o lado emocional...
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  - Claro, porque é o que eu sempre faço. Levo para o lado emocional. - ela diz irritada. Ele sempre dizia isso no início de suas discussões. Ela estava cansada. - Não sei como um dia pude me apaixonar por você.
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  - Um dia? Achei que ainda estivesse.
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  Aquilo a pegou de surpresa. É isso. É isso o que acontece quando o retruca sem pensar; como ele podia ser tão injusto? Como a tirava do sério a ponto de fazê-la parecer tão tola? Se sentir tão incompetente?
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  - Como você pode ser tão inescrupuloso? - balança a cabeça e se levanta, batendo na traseira para tirar a sujeira e então pegando a sacola de compra e a bolsa, caminhando para longe de Aurelien, que a seguiu e segurou forte em seu braço, trazendo-a de volta para si.
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  - Você é minha até quando eu disser que não é mais.
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  - Desculpe, mas agora eu sou de outra pessoa, Aurelien. - ela diz friamente, tentando se desvencilhar de suas mãos, mas obviamente não conseguiu. Ele, apesar de magro, era forte.
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  Daquela maneira eles permaneceram; olhos nos olhos, faíscas passando de um para o outro e então, lábios grudados.
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   %Beatrice% o empurrou brutamente. Ao encará-lo, viu um sorriso em seus lábios. Odiou seu sorriso deboche, odiou a maneira como ele achava que mexia com ela e o odiou ainda mais depois de ouvi-lo dizer:
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  - Eu chuto que você ainda é minha.
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  Ela pode sentir suas bochechas queimarem, mas não de vergonha. De raiva. Segurou seu temperamento, juntou a pouca dignidade que estava sentindo e o resto de orgulho que restava parar erguer o queixo em autoridade e dizer:
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  - Vamos dizer que eu sou dos dois. – ver o sorriso de Aurelien diminuir lhe deu força para continuar a provoca-lo. - Mas dentre ele e você... Ele ganha.
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  E com um sorriso e uma piscadela, ela o deixou parado no topo da enorme pedra em que passara o dia inteiro.
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