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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Chanel

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Capítulo 19

Tempo estimado de leitura: 15 minutos

  - Você é muito interessante, %Beatrice%. - Karl dizia depois de um gole que havia dado em seu chá. As pernas cruzadas não se mexeram quando ele pegou um maço de Gauloise que se encontrava depositada em cima de uma bandeja de prata ao seu lado: - Fuma?
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  - Sim.
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  - E honesta. - ele sorri, mas não oferece o cigarro para a garota. Ao invés disso, volta a encostar em sua cadeira e observar: - Gosto disso.
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  - Posso fazer uma pergunta?
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   %Zachary% a encara. Até aquele momento, %Beatrice% se mantivera calada apenas se limitando a responder as perguntas de Karl. Não tentava puxar assunto, ouvia tudo o que ele tinha para falar, todas as histórias que queria contar. E ele parecia gostar. Sem a irritação como em uma entrevista, ele não era cortado, tampouco lhe perguntava sobre qualquer assunto administrativo de Chanel. %Beatrice% estava ali para ouvi-lo. E ele estava ali para falar.
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  - Prossiga. – mesmo com seu tom sério e polido conhecido mundialmente, %Beatrice% assistiu entrevistas o suficiente para saber quando ele estava sendo verdadeiro ao conceber uma permissão ou não. Tal fato não passou despercebido por %Zachary%, cujas vezes que o encontrou foram o suficiente para conseguir entender um pouco do estilista; se surpreendeu ao ver uma garota conquistar Karl em apenas quarenta minutos.
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  - Em sua carta, o senhor foi bastante claro sobre meu senso ser o mesmo que de senhora Chanel. - ela diz com as mãos pousadas em seu colo. Karl mexeu os lábios, mas não chegou a sorrir. - Mas meu senso de moda não é igual o de Coco. – no início da conversa, Karl havia permitido %Beatrice% a chamar Gabrielle Chanel por seu apelido usado apenas com clientes ou pessoas mais próximas.
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  Assim que terminou sua dúvida que não foi estampada em uma pergunta, %Beatrice% viu Karl beber mais um gole de seu chá de menta, e então depositar a xícara no pires e o pires na mesa. Pousou as duas mãos de volta em seu colo e olhou para a garota, finalmente abrindo a boca para falar:
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  - Depois de um bom tempo trabalhando neste rumo e tendo contato com a própria Coco enquanto ela era viva, experiência é o que não falta em um homem como eu. O mundo sabe que se há uma palavra que descreva Gabrielle, é visionista. Coco enxergava o futuro. Ela sabia do futuro e o que ele trazia de moda para ela. Ela não se importava com nenhuma outra coisa senão seus próprios sensos de moda. Ela fazia o que queria fazer sem prestar atenção nas observações que constantemente recebia de profissionais que, na época, eram considerados melhores que ela. Desenhava e criava o que quisesse desenhar e criar. E não importava o que fosse, ela riscava os traços que desejava. Eu senti os seus traços, %Beatrice%. - ele aponta para o trabalho que ela havia levado para mostrar ao profissional. - Mão livre, isso é algo que não existe no contemporâneo. Os estilistas estão planejando os riscos como planejam uma peça de tecido para aquele casaco ridículo da Zara. Os bons estilistas colocam o que está na cabeça, no papel. Não existem modelos assim no mundo. - ele aponta mais uma vez para a pasta de trabalhos. - Coco gostava disso. Ela poderia admirar uma pessoa que conseguisse, assim como ela, criar algo sem pensar nos limites, caso tivesse conhecido alguém. Infelizmente, ela não teve a oportunidade. Felizmente, eu tive.
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  - Obrigada. - %Beatrice% dizia maravilhada com as palavras de Karl. Então era isso. Ela era parecida com Coco no final das contas. O sorriso não saía de seu rosto e Karl entendia muito bem. Ele estala os dedos e um dos funcionários presentes se aproxima com uma pasta, o entregando para o próprio Karl, que o abre e olha para %Beatrice%, agora sério.
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  - Tenho uma proposta a fazer a você. - ele diz. %Beatrice% levanta as sobrancelhas, ela sabia o que era. Ou achava que sabia. A pasta vinha com o nome de Chanel e pelo sorriso que ele lhe dava, não era nada menos do que algum estágio ou espaço na empresa de Chanel. - Uma nova marca será lançada. Crown, é como se chama. Ainda está apenas nos planos. Preciso de um estilista. Estava a procura de um. Mas você deve saber que quando quero fazer algo, gosto de fazê-lo bem feito. E eu não lançaria a marca enquanto não encontrasse alguém a altura do que procuro. Logo que vi seus trabalhos, vi ali as confecções que eu quero ver em Crown. Minha proposta é muito simples: Seja a estilista da Crown.
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  Não era o que %Zachary% planejava. Sentado entre Karl e %Beatrice%, ele encarava a garota sério. Via nela a confusão por não ter sido chamada para Chanel. Ou talvez por obter uma proposta tão séria logo de cara. O fato é que ela conseguiria o que queria. Ela receberia bem e se veria em breve livre dele. Isso estava saindo de seu controle.
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  - Mas eu ainda não sou formada...
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  - Não é necessário formação para fazer uma coisa bem feita. - Karl sorriu. - Veja bem, eu não sou formado em bom gosto e tenho bom gosto. Você acha que Coco teve algum tipo de formação?
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  “Ele tem razão”, %Beatrice% pensa. Estava parecendo uma tola na frente dele. Recupera a compostura e olha para a pasta deixada no colo do estilista:
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  - Qual é o público alvo?
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  - Jovens e jovens adultos. Entre os dezesseis e trinta anos. É muito claro que atualmente a moda jovem é usada pelas mulheres aos seus trinta anos. A maioria de nossas clientes são senhoras e pessoas independente, queremos chamar também a atenção do público compulsivo. O gosto pelas compras sempre vem da baixa idade. Elas compram pelo prazer, se é que me entende.
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  - Sim, claro. - %Beatrice% olha para as mãos. - Quanto ao número de estilistas...
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  - Somente você. O salário girará em torno da lucratividade das vendas. Mas o inicial é de doze mil dólares. Veja bem, %Beatrice%. Uma oferta dessa, com um salário desse... Nem um por cento do mundo tem esse privilégio.
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  Karl sabia que estava segurando a atenção da garota. Vira seus olhos se arregalarem levemente e seus lábios serem pressionados um contra o outro.
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  - Você poderá trabalhar em sua própria residência. E exigirei um número entre quarenta a cinquenta desenhos por coleção que serão lançadas por estação.
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  Cinquenta desenhos não era ruim. Era difícil, mas não impossível. E %Beatrice% sabia que daria conta. Ela conseguia este tipo de coisa, principalmente quando eram desenhos, quando significava finalmente todos eles confeccionados em uma enorme coleção de luxo juvenil. Quantos estilistas no mundo não lutam por um espaço e demoram mais de trinta anos para conseguirem um espaço na passarela principal no Fashion Week?
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  - Infelizmente, o projeto está parado há dois meses, não posso me dar ao luxo de esperar mais.
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  - Poderei ficar aqui nos Estados Unidos? - ela pergunta. Achou engraçado que, dentre todas as dúvidas que tem sobre a oferta, essa era a que mais queria uma resposta. Karl levantou levemente uma sobrancelha, tão curioso quanto ela, mas por saber a razão da pergunta. Uma pessoa que deseja um trabalho geralmente não pergunta o local onde irá trabalhar, mas sim quando poderá começar.
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  - Tudo depende de como as coisas andarem, sou de Paris, assim como você, pelo que vi em sua ficha. - ele pega outra pasta que já estava depositada em seu colo. – Portanto, a sede será em Paris. No entanto, até lá terei tempo para decidir se gostaria que minha estilista esteja à parte do resto da equipe ou se deverá ter sua vida profissional como a de qualquer outro.
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   %Beatrice% assentiu. Não que a confirmação de que ela tivesse que voltar à sua cidade natal fosse mudar sua opinião, iria aonde Karl quisesse que ela fosse. Na verdade, ela sabia se aquela pergunta fora diretamente relacionada à %Zachary% e Aurelien. Talvez se sentisse melhor se ele dissesse que teria a sede construída em Milão ou até na Alemanha, seu país de origem onde viveu apenas algumas semanas.
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  - Esta é uma grande oportunidade, se deseja saber minha opinião. - ele chama a atenção da garota de volta. %Beatrice% levanta o olhar para encará-lo. - Nenhum jovem estilista no mundo conseguiu o que você está prestes a conseguir, %Beatrice%. Ser a estilista de uma marca que está para ser uma nova tendência é o que todos desejam, mas muito poucos conseguem; se posso ousar, ninguém. Este é um caminho certo de sucesso, negá-lo a tornaria uma tola.
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  A garota sabia daquilo. Assentiu, confirmando sua participação e vendo a satisfação estampada no pequeno e raro sorriso de Karl. O senhor de quase oitenta anos se endireitou e fez um leve sinal com a mão, onde o empregado lhe trouxe mais duas pastas e recolheu as duas que há pouco estavam no colo do estilista.
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  - Este é o contrato. Esta é a cópia do novo projeto. Não é necessário manter segredo, tudo já está na mídia; nossa única novidade será sua contração. - ele lhe entregou uma pasta aberta no qual %Beatrice% leu de cabo a rabo com muita paciência e atenção, deixando sua assinatura no fim. A outra não se atreveu a olhar na frente da pessoa que criou para ela; não quando a pessoa era Karl. - Imagino que esteja criando peças para o verão. - Karl balança a mão e duas mulheres retiraram as louças de cima da mesa, deixando nada mais do que o celular dele e de %Zachary% à mesa.
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  - Sim senhor.
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  - Ótimo! E quantos já têm pronto? - %Beatrice% vê o homem cruzar a perna e depositar as mãos no colo polidamente, a fazendo limpar a garganta e se endireitar:
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  - Sete.
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  - É um bom número para quem a pouco perdeu tudo. - ele balançou a cabeça, se lembrando do assunto que iniciou a conversa. - Está com eles aí?
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  - Sim senhor. - ela pega a pasta de couro marrom que levava consigo a todos os lugares e a entrega para Karl; este abre-a cuidadosamente e passa a observar e analisar todos os desenhos criados. Ora levantava a sobrancelha, ora mexia os lábios em sinais que ela ainda não conhecia, mas que com certeza saberia ler daqui a alguns anos.
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  - Muito bom... - murmura. Depois de um tempo, desviou o olhar das folhas para a estilista: - Florais? – apontou para um dos desenhos abertos.
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  - Gosto deles.
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  - Como muitas francesas. - ele concorda. - Acho que este vestido está muito clichê. Você poderia trocar as estampas; o vestido para liso e o colete com florais.
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  - E rendas?
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  - E rendas. - o homem concorda com a cabeça, seu tom de voz aprovando a sugestão de %Beatrice%. - Rendas é uma ótima aposta para o próximo verão europeu, muito bem.
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   %Beatrice% abre um pequeno sorriso. Ela amava rendas. Gostava da seda, mas era um tecido muito complicado de se lidar. Rendas eram decorativas, mas tão essenciais em um vestido de luxo quanto o tule de um vestido de casamento tradicional.
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  - Isso é jeans? - ele aponta para outra peça, %Beatrice% confirma. - Interessante... Uma boa combinação, resultado impressionante. – com seus óculos de grau apoiados no nariz, %Beatrice% não conseguia ver em que parte do desenho Karl estava olhando. - E se sandálias sem salto de tiras por botas de cano baixo?
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   %Beatrice% levanta a sobrancelha e olha para o desenho que Karl inclinou para que ela soubesse sobre qual se referia. Olhou para o estilista, que a aguardava uma resposta com uma de suas sobrancelhas erguidas. %Beatrice% apertou os lábios e disse:
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  - Prefiro as sandálias.
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  Sua resposta foi o suficiente para o estilista, que descruzou as pernas e fechou a pasta com uma única mão, devolvendo-a à %Beatrice%:
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  - Muito bom. Confiança em seus desenhos, gosto disso. Você tem um belo trabalho, gostaria que me enviasse um jogo de trinta e cinco a quarenta e três peças até o início de Dezembro, sim?
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  - Sim senhor.
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  - Perfeito. - ele se levanta, finalizando a conversa e rapidamente sendo seguido pelos dois. - Fora ótimo conhecê-la senhorita %Fortier%. Vejo um futuro brilhante em nosso novo negócio.
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  - Muito obrigada. - ela sorri, feliz.
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  Karl troca dois beijos de bochecha com %Beatrice% e aperta a mão de %Zachary%, trocando algumas palavras que %Beatrice% não ouviu por não estar nem um pouco interessada. Ao sentir a mão de %Lieberman% em sua cintura, soube que era a hora de deixar a cobertura do hotel em que seu novo chefe estava hospedado. Durante todo o caminho, os dois se mantiveram calados. Sendo seguidos por diversos fotógrafos, %Beatrice% mantinha-se séria e, pela primeira vez, não vira %Zack% sorrir ou acenar para câmera alguma. Continuou com a mão em sua cintura e continuou caminhando sem parar até seu carro.
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  O percurso de casa fora extremamente curto para %Beatrice% e longo para %Zachary%. Pensamentos longíquos um do outro; ela, feliz, ele, perturbado. Ao chegarem à mansão, %Beatrice% deixou o carro com um pequeno sentimento de aborrecimento por não ter a quem contar a novidade, gostaria de poder compartilhá-la com alguém, mas a única pessoa disponível para poder falar sobre o assunto era %Zachary%. E ela não queria muito papo com ele.
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  Ao contrário da garota, %Zachary% ainda se manteve dentro do carro por alguns minutos, dispensando o manobrista para ter um tempo para pensar. Se lembra da quantia oferecida por Karl como sinal para o trabalho de %Beatrice%. Ela poderia achar que seria tudo aquilo, mas %Zack% sabia que aquilo não era um terço do que ela estará recebendo daqui a alguns meses, quando a Crown estiver lançada com sua primeira loja em Paris. Com doze mil, ela poderia comprar uma pequena casa em qualquer lugar dos Estados Unidos, considerando a pergunta feita pela garota durante a conversa com Karl. Mas ele ainda tinha uma carta na manga. %Beatrice% era intercambista e não podia morar sozinha sem alguma autorização do governo. Enquanto o visto dela se mantivesse assim, ela pertenceria a ele. Pelos cálculos, %Lieberman% tinha um ano, no mínimo, para achar uma solução para este seu problema.
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  Porém, a pergunta principal era: Por que diabos ele estava planejando estar com %Beatrice% em um ano?
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