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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Chanel

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Capítulo 14

Tempo estimado de leitura: 13 minutos

  - O que está fazendo aqui? - pergunto séria, se esforçando para não encarar os lábios do ex. – Como conseguiu entrar?
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  - Pare de fazer as exatas perguntas que deve me responder. – a voz grave e rouca a estava provocando. Ela sabia disso. O aroma do cigarro penetrava em suas narinas e limpava seu pulmão de qualquer tipo de nicotina americana que possuía. Precisava de um Gauloise naquele momento; queria exalar o mesmo cheiro que Aurelien; amava aquele cigarro. – Você primeiro. – ele sorriu, satisfeito em vê-la assustada o suficiente para não conseguir se mexer. Sentou-se, mostrando-se à vontade na casa que invadiu.
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  - Isso não é da sua conta. – %Beatrice% respondeu o que lhe veio à cabeça e não se sentiu feliz com o que disse. Com a vontade de se esconder, tornou a dar as costas para o ex, pegando a longa saia que estava para pendurar em um dos cabides; diferente de antes, não tinha mais a preocupação de verificar cada ponto de costura dada no tecido semi transparente. Foi abruptamente virada e prensada contra o armário, tendo os braços presos por Aurelien e seu corpo grudado no dele.
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  - Eu já disse que você é minha. - urrou com a voz contida. %Beatrice% sabia quando Aurelien ficava nervoso. O quando era agora.
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  - Desculpe, mas eu não sabia que agora eu tinha um dono. - se mexeu tentando se soltar, mas sequer conseguiu mover o ombro direito, que dirá o resto do corpo inteiro.
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  - Você tem, sim. E sou eu. - os olhos profundos de Aurelien encaravam os de %Beatrice%. A tonalidade de Aurelien já não estava mais paciente como mostrou durante a tarde. - Saia da casa dele agora.
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  - E se eu não quiser?
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  Aurelien se calou. Ficou encarando %Beatrice%, pensando se ela havia mesmo dito aquilo para ele. Tentou encontrar em seus olhos a resposta para todas as suas dúvidas. A garota nunca foi misteriosa; sempre soube desvendá-la com um simples olhar. Na França, ele sabia exatamente seus gostos, o que amava, o que odiava, como tê-la em suas mãos. Agora, ela parecia outra pessoa. A convivência com os sujos americanos a fez criar ousadia e coragem para retruca-lo. Lentamente a soltou e se levantou.
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  - O que ele é seu?
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  - Estamos juntos. – a resposta veio rápida. Quanto mais o visse sofrer, melhor. Por mais que ainda amasse Aurelien; por mais que ainda quisesse ficar com ele e permanecer ao seu lado para sempre, sentia que não podia perder a oportunidade em fazê-lo sofrer pelo que fez a ela no passado. Apesar dos apesares, %Beatrice% não podia negar que estava gostando da confiança e da independência.
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  - Juntos como?
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  - Você já deve ter percebido, não é? - abriu os braços, mostrando o quarto. – Nós dormimos juntos...
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  - Dormir junto não significa que você ama a pessoa.
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  - E você sabe muito bem disso, não é?
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  Mais uma vez ela o deixou sem uma resposta; para Aurelien, isso estava se tornando cansativo. %Beatrice% gostava quando ele a retrucava. Não retrucar significava que ele estava se envolvendo emocionalmente demais, ou optando em desistir dela. Olhando em seu coração, ela não queria nem uma coisa, nem outra.
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  - Eu sempre soube que você era uma pessoa que considera mais a emoção à razão... Eu só não sabia que isso te faria parecer tão ingênua. - de alguma maneira, %Beatrice% sentiu que ele não queria ofendê-la com aquela afirmação. Durante toda a vida achou que a segurança estaria ao seu lado se ficasse ao lado de Aurelien; quando resolveu vir para a América afim de esquecer dele, foi como se tivessem a jogado em uma floresta sem uma bússola. Queria rapidamente voltar para o ex e aguentar a humilhação apenas para ter o conforto da segurança. Não retrucou o francês, pelo contrário, permaneceu encarando-o, disposta a não desviar o olhar. Foi então que ele deu o passo que ela não queria, se afastou dela.
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  - Aonde você vai? – sem tomar conta de seus atos, levantou, assustada por vê-lo ir embora. Aurelien a encarou sério e disse:
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  - E você realmente se preocupa? - e saiu do quarto sem mais nem menos.
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   %Beatrice% manteve-se em pé encarando a porta agora fechada, perguntando a si mesma se ele havia ou não desistido dela.
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  Ele não seria capaz... Seria?
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  - O que foi? – a voz rouca do cansaço da transa sussurrou em seu ouvido naquela noite.
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  As janelas estavam abertas de modo que as cortinas esvoaçavam com o vento salgado do mar que entrava sem vergonha de ver os dois corpos nus e já não mais ofegantes deitados na cama. %Beatrice% estava abraçada a um travesseiro enquanto a cabeça jazia em outro; deitada de bruços, ela olhava para o chão encarpetado do quarto. Sentia o dedo de %Zack% percorrer por suas curvas, como se num tipo de brincadeira estivesse desenhando algo na pele da garota.
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  - O que foi o quê? - perguntou um tempo depois, sentindo o cansaço dos movimentos que fora obrigada a fazer durante o sexo começar a tomar conta de seu pequeno corpo.
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  - Está diferente hoje. Distante.
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  - Eu sou distante.
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  - Não, não é. Não como antes. – o tom de voz usado foi um fator que perturbou %Beatrice%. %Zachary% parecia um tanto... Emotivo. %Beatrice% mexeu-se, desconfortável, fingindo estar arrumando a cabeça no travesseiro, mas manteve-se na mesma posição em que estava. Sentiu os lábios de %Zack% tocar seu ombro e descer pela lateral de seu corpo, deslizando a mão antes delicadamente pela pele de pêssego da garota. - Tem alguma coisa te perturbando.
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  - Não é nada.
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  - Então tem algo. – disse, sábio. Inclinou o corpo para cima da garota afim de beijar-lhe os lábios e desceu os beijos até o dorso do pescoço, não se importando em não haver nenhuma movimentação em resposta. - Me conte.
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  - Eu já disse que não é nada. – %Beatrice% fechou os olhos; não para sentir os toques de %Zachary%, mas sim para tentar esquecer do motivo que a estava deixando tão tensa. - Eu só quero dormir. - finalmente tomou uma iniciativa, empurra o rosto de %Zack% para longe de seus seios, onde estava agora trabalhando.
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  O político manteve o corpo ainda afastado dela por alguns segundos, a expressão de incredulidade estampada em seu rosto até desistir de tentar chamar a atenção da companheira. Exausto de tentar conseguir mais uma rapidinha, aceitou que ela não iria ceder aquela noite e se jogou em seu lado da cama, passando o braço por detrás da cabeça e encarando o teto.
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  - Você se preocupa demais. - disse conseguindo a atenção de %Beatrice%, que virou o rosto para ele. Olhou para ela e então voltou a encarar o teto. - Pare de pensar, isso só atrapalha suas decisões.
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  Não que ela gostasse de concordar com %Zachary%, Deus sabe o quanto ela odeia isso. Mas a dica dele viera em boa hora. Ela precisava mesmo parar de pensar. Parar de pensar no futuro, em %Zack% e em Aurelien. Três coisas que entrou em sua vida para acabar com ela como a droga faz com o viciado. Trás prazer momentâneo, mas, na verdade, está aos poucos acabando com sua vida.
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  No dia seguinte, assim que abriu os olhos, pode ver que uma mesa enorme de café da manhã esperando ser devorado por ela. Olhou para o lado para ver se %Zachary% ainda estava no quarto, mas não. Como sempre, ele acordava mais cedo que ela. Estranhara desta vez não ter sido acordado por ele, mas não reclamou. Olhou para o conteúdo da mesa e ela estava deliciosamente apetitosa. Pratos com frutas descascadas e picadas, torradas frescas, geleias e frios naturais. Sucos e leite. %Zachary% sabia muito bem que %Beatrice% não gostava de café. Preferia os descafeinados. Perguntou a si mesma como conseguiram colocar uma mesa dentro de seu quarto sem a acordar. Ela deveria estar muito cansada.
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  Levantou-se enrolada no lençol branco e se sentou na confortável poltrona estofada. Olhou para o prato e viu seus óculos de leitura depositados em cima de seu livro, para que lesse enquanto comia. Em cima dos dois, um elástico e um papel dobrado que dizia:
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  É falta de educação deixar o cabelo caindo em cima da comida. Prenda-o. %Zachary%.
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  Sem perceber, tinha um pequeno sorriso nos lábios. Colocou seus óculos de leitura e tiro o livro de cima do prato. Serviu-se de suco e pegou uma das torradas, passando de leve a geleia de damasco por cima. Mordeu com vontade e abriu o livro, vendo um envelope pardo dentro dele. Parou de mastigar por um instante e deixou a torrada de volta no prato. Limpou a mão no guardanapo de pano que havia se esquecido de colocar no colo e analisou, curiosa, o conteúdo externo do envelope. Não havia remetente ou destinatário; não havia nada escrito. Levantou as sobrancelhas e voltou a mastigar mais lentamente. Assim que abriu o envelope, viu um papel cartão em tom creme perfeitamente dobrado.
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  Leu o conteúdo enquanto bebia seu suco, mas repentinamente parou ao perceber seu conteúdo:
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  Cara senhorita %Fortier%,

  Agradeço o interesse no trabalho de nossa renomada marca.
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  Analisei suas criações, enviadas no início do mês e posso dizer que estou muito surpreso que haja no mundo uma jovem com um senso de moda próximo ao de minha querida e melhor amiga Coco.
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  A partir de minha surpresa e satisfação, demonstro através desta carta meu interesse em seu trabalho e a convido para um chá neste final de semana que estarei passando em Santa Mônica.
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  O local está localizado abaixo, espero encontrá-la para podermos discutir mais sobre sua influência em Coco e saber sobre detalhes de futuros trabalhos.
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  Atenciosamente,

Karl Lagerfeld.

  Ela mal se lembrou de respirar. Era uma carta de Karl Lagerfeld. O próprio Karl Lagerfeld. A letra caligrafada do responsável pela marca de Chanel.
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  Leu e releu o conteúdo da carta escrita à mão sem acreditar no que estava vendo.
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  Seu sonho. Seu maior sonho. Karl Lagerfeld, o estilista da Chanel. Ele viu seu trabalho. Ele gostou de seu trabalho. Ele estava impressionado com seu trabalho! Queria conhecê-la. Isso não podia ser verdade. Na verdade, isso TINHA que ser verdade.
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   %Beatrice% não conseguia conter o seu sorriso. Depois de anos de sofrimento e dor, ela finalmente conseguiu um resultado. Era muito mais do que jamais imaginou que conseguiria.
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  - Então você gostou. - levantou o olhar para %Zack%, que estava apoiado na cadeira à frente com os cabelos molhados, trajado somente com a calça social. - Imaginei que fosse gostar.
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  - Como... - sua voz era fraca. O viu levantar os ombros e se sentar na poltrona ao seu lado.
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  - Eu disse que tenho contatos.
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  - Mas foi escrita por Karl Lagerfeld. - ela balançou a carta cuidadosamente. Com certeza estaria guardando o pequeno pedaço de papel para o resto de sua vida.
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  - Sim, foi. Ele estará vindo para cá durante uma aparição que fará para um novo projeto fotográfico que está produzindo. Algumas horas desse tempo contado que ele tem aqui, deseja te ver.
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  Ela estava sem palavras. A boca não fechava. Tudo o que queria era correr e gritar e beijar %Zack% e fazer o que ele quiser. Poderia passar os dias até o final de semana transando sem parar se fosse o desejo dele. Queria gritar para o mundo que ela finalmente conseguira. Iria encontrar com Karl Lagerfeld. Olhou para o político com um sincero sorriso, disse:
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  - Obrigada. – e voltou a atenção à carta.
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  O que não conseguiu ver por ter desviado a atenção ao papel, foi o sorriso do frio %Lieberman% falhar assim que viu seu sorriso. Talvez, apenas talvez, seu coração tivesse falhado junto com o sorriso.
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