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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Chanel

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Capítulo 13

Tempo estimado de leitura: 15 minutos

  - Eu acho que te fiz uma pergunta. - Aurelien se pôs ao lado da garota assim que a viu voltar a andar, olhando as vitrines e fingindo interesse para desviar sua atenção. Colocou as mãos na cintura enquanto a via se afastar. Soltou um riso nasalado e com poucos passos, mas largos, segurou no braço da ex-namorada: - %Beatrice%, eu não paguei sua passagem para você vir se atracar com um americanozinho...
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  - Não ouse achar que ainda tem algum poder sobre mim, Aurelien. – o braço foi bruscamente soltado das mãos do francês, que arregalou os olhos, surpreso com a reação da garota. Já a vira dessa maneira diversas vezes enquanto estavam na França, mas nunca, jamais, o tom de voz fora dirigido a ele como estava sendo agora. Por outro lado, %Beatrice%, ao se virar e resolver encarar Aurelien por estar ultrapassando os limites de sua paciência, se arrependeu assim que viu quão bonito ele estava naquele dia, vestido com a calça tarja azul marinho, o pedaço de seu tornozelo aparecendo e os pés calçando o mocassim branco; a camisa sem botões que marcava o tronco largo, mas não tão forte quanto o de %Lieberman%. %Beatrice% se lembrava do colete de tactel que vestia por cima da camisa; como poderia esquecer? Foi ela mesma quem criara o design. Não esperava que ele fosse pedir a alguém que criasse o que um dia esteve somente no papel. Limpou a garganta ao perceber que estava demorando demais para responder. Olhou nos olhos do ex e disse: - Foi você quem ficou com Katherine aquele dia, foi você quem acabou com tudo, quem me dispensou. Você sempre achou que poderia brincar comigo e me ter atrás de si como uma cachorrinha. Sabe a humilhação que me fez passar? Todo mundo... – %Beatrice% fechou os olhos, sentindo os pelos do braço eriçar com a lembrança das garotas rindo na noite em que pegou Aurelien com Katherine. – As risadas... – visualizou os dedos apontados e as bocas cobertas pelos batons escuros e em tons avermelhados se abrirem com os risos exagerados que todas davam em sua frente. %Beatrice% nunca seria capaz de perdoá-lo. Aurelien pode sentir a raiva assim que a viu voltar os olhos para si, repletos de ódio: - Você e eu faz parte do passado; e como todos no meu passado que quero apagar, todas as lembranças que quero deletar de minha vida...
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  Você é o primeiro da lista. - assim que terminou de dizer, pretendia lhe dar as costas e ir embora para sempre da vida de Aurelien, mas, aparentemente, não era o que ele queria, já que sentiu a enorme mão segurar fortemente seu braço, puxando-a de volta para ele:
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  - Você é minha, %Beatrice%. Você sabe que é. Você me ama, posso ver em seus olhos, mon'ange. - acariciou o rosto da garota, que fechou os olhos por detrás dos óculos de sol. Na distância que estava do rosto dela, as lentes já não eram tão escuras quanto pareciam de longe. - Eu vim até aqui para ver como você estava e te encontro agarrando um homem no meio da rua. Imagina como está o meu 'eu' interior agora?
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  A garota não respondeu de imediato. Pensava em como se sentia sempre que encontrava Aurelien com uma garota diferente nos braços. Quando achava que tudo estava certo entre os dois e ele aparecia com alguma vadia para passar a maldita noite. Abriu seus olhos e perguntou, baixo:
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  - Dói muito? - sua voz saíra bem mais insegura do que planejava, mas não foi tão ruim, já que sentiu a mão de Aurelien afrouxar o aperto em seu braço. Com a cabeça, concordou com a garota:
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  - Demais.
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  - Que bom. – %Beatrice% respondeu, raivosa, de modo a fazê-lo levantar uma sobrancelha. – Queria que doesse mais, muito mais. Porque isso não foi nem um terço da dor que eu senti. Não me procure mais.
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  - Eu não gosto de despedidas. – Aurelien manteve-se segurando o braço de %Beatrice%, que mesmo tentando se desvencilhar, ainda não era forte o suficiente para se livrar dele.
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  - E eu não gosto que me segurem quando quero ir embora. – respondeu, olhando para a enorme mão do ex apertando seu antebraço. Ao ver que não ganharia nada a segurando, afrouxou o aperto mais uma vez. - Foi você quem estragou tudo, você sabe disso.
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  - Sou eu quem está correndo atrás de você agora, não sou? – a resposta veio imediata, fazendo-a se esquecer da vontade em se afastar dele.
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   %Beatrice% o encarou séria. Retirou seus óculos de sol para que o contato fosse direto. Aurelien não demonstrou receio ou ansiedade. Parecia saber a reação que viria pela parte de %Beatrice%, mas, devido às últimas reações, não conseguia evitar sentir-se receoso por não ter a certeza que sempre sentiu quando lidou com a amada. Próxima, ousada e sussurrando, a ex iniciou o diálogo na língua natural dos dois:
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  - Me convaincre qu'il est venu pour moi. (Me convença de que veio por mim) - deu dois passos para trás e observou o francês mudar o peso de perna, provavelmente exausto por todo esse jogo. Mas ela não parou. Ela era a dona do jogo; ele somente pararia quando ela quisesse. E quanto mais o visse sofrer, mais ela iria continuar com a brincadeira. - Si vous voulez vraiment me... Prouvez-le. (Se você me quer mesmo... Prove.)
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  Dizendo tais palavras, %Beatrice% lhe deu as costas e se afastou com o coração a mil. Não sabia o que estava fazendo. Só esperava que tivesse aguçado a vontade de Aurelien de tê-la de volta.
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  O dia passou mais rápido do que ela imaginava. As compras lhe fazia sair do mundo real; passava horas em uma única loja, certificando-se de que aquela compra valeria a pena; que conseguiria fazer a combinação que quisesse com as estampas. Com o cartão que %Zachary% lhe dera pela manhã, sabia que não podia se preocupar com o nome da loja, como acontecia na França. Olhar para a marca significava saber a situação financeira que ela devia ter para comprar algo. Em momento algum pensara em %Lieberman% ou Blanc ou em como os dois faziam questão de querê-la exclusivamente para eles. Não conseguia compreender qual o charme que fazia com que eles quisessem-nas somente para posse pessoal. Ela era mesmo um brinquedo? Estava fazendo algo errado? Desde pequena, nunca foi como as outras garotas, que sonhavam com seus príncipes encantados durante a infância ou suspiravam pelos garotos do orfanato, desejando namorá-los e viver um grande amor. Mesmo assim, nunca quis ser um brinquedo sexual de ninguém.
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  Passou os olhos pelos manequins vestidos com as roupas que sempre quis usar. A resposta veio assim que passou os dedos pelos tecidos caros; era claro que ela não estava fazendo nada de errado. Contanto que conseguisse o que sempre desejou, nada era errado. Concluído seus pensamentos, dedicou a tarde apenas para si, o cartão de crédito e suas roupas.
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  Às oito, como combinado com o motorista de %Zachary%, ela mal conseguia caminhar com o número de sacolas que tinha em mãos. Mulheres passavam sempre quebrando seus pescoços, pois cenas assim eram apenas vistas em filmes como 'Pretty Woman'. Se aquilo era a realidade de alguém, talvez houvesse mesmo alguém no mundo como o Richard Gere. No caminho para o ponto de encontro, %Beatrice% sorriu com a coincidência de sua história à da personagem de Julia Roberts. Como sua antiga amiga Amálie, da França, disse: ela tecnicamente era uma prostituta. De elite, como especificava a amiga que não suportava Chanel e descrevia a mentora de %Beatrice%. Uma mulher severa que se dera bem ao encontrar um homem que tivesse um interesse maior. Apesar de %Zachary% não chegar nem perto de ser tão cavalheiro como Richard Gere, pelo menos ele fizera exatamente o que o personagem do ator fizera no filme. E disso %Beatrice% não tinha o que reclamar.
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  Assim que a viu, o motorista rapidamente se retirou do carro, correndo para ajuda-la com as milhares de sacolas, lotando o porta-malas do carro, o banco passageiro da frente e o banco traseiro onde %Beatrice% não estava sentada. Além disso, %Beatrice% pedira para ele passar em diversas lojas antes de pegar o caminho de casa, para pegar as sacolas que ela não conseguiu carregar e combinara com as vendedoras que buscaria antes das nove. Enquanto o motorista saía para pegar mais e mais sacolas, ela olhava as vitrines que passou o dia analisando; não conseguia se cansar de olhá-las. Durante o caminho para casa, a imagem de Aurelien voltara à sua mente. Massageou as têmporas e jogou a cabeça para trás respirando fundo. Resmungou algumas palavras em francês e então voltou a encarar a paisagem que estava agora completamente escura devido ao horário. Cada vez que se aproximava da mansão de %Zachary%, via a praia mais vazia e carros mais luxuosos passando. Alguns com homens em seus ternos, jovens relaxados ou garotas com seus motoristas, como %Beatrice%. Os portões de ferro da mansão se abriram assim que o motorista se identificou e %Beatrice% não precisou carregar sequer uma das sacolas para dentro da casa, tendo três empregadas fazendo isso por ela. Seus pés se moveram dolorosamente até à área interna da casa, onde luzes estavam acesas e um imenso barulho no lado externo da mansão tomava conta do ambiente.
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  Ela já sabia exatamente o que era. Antes de decidir se mudar para a casa de %Lieberman%, algumas garotas que conheciam muito bem o jeito antisocial de %Beatrice% discutiram em voz alta perto da francesa sobre as festas que %Zachary% sempre dava em sua mansão. Obviamente era a melhor festa de Santa Mônica e qualquer um poderia entrar. Qualquer um que tivesse mais de nove dígitos em suas contas bancárias.
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  Antes que pudesse ser pega pelo dono da casa ou alguém extremamente indesejável, que ela podia considerar todos - sem nenhuma exceção - os amigos de %Lieberman%, decidiu subir as escadas e se trancar em seu quarto. O acordo era não trancar durante os finais de semana, mas quando havia festa, ela não podia suportar a ideia de estar no banho ou dormindo e ser atacada por qualquer pessoa bêbada. Olhou para os lados antes de subir as escadas e achou esquisito o interior da casa se encontrar vazio e o barulho no jardim estar absurdamente alto.
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  Subiu as escadas rapidamente para evitar qualquer contato e, como combinado consigo mesma, trancou-se em seu quarto. As sacolas já estavam depositadas próximas a seu closet, portanto, poderia se divertir retirando-as dos papéis de seda e manteiga, passando a ferro as que suportavam o calor do objeto e colocá-las ordenadamente e da maneira que queria nos diversos armários que completavam o corredor até o banheiro. Não se preocupou em olhar o horário ou trocar de roupa, mal via a hora de tocar em todas as roupas, analisar as costuras e descobrir o nome dos tecidos utilizados.
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  No fim, milhares de sacolas estavam espalhadas pelo quarto e grande parte das roupas já se encontravam depositadas dentro dos armários. Riu sozinha ao ver-se no meio de todas aquelas sacolas com as marcas que sempre pode ver atrás do vidro da vitrine ou estampadas nas revistas de moda que comprava a cada dois meses por serem caras demais. Amálie sempre disse que %Beatrice% não era uma garota normal, pois se divertia sem a presença de ninguém senão as roupas. Encarou todas as peças guardadas e pensou quando começaria a criar suas próprias. Olhou para um armário especial de porta dupla e metal corrido que decidiu colocar somente roupas confeccionadas por ela. Com exceção do colete de renda que foi o que sobrou daquele terrorismo no dormitório da universidade, o armário estava vazio. Suspirou e voltou a pendurar a blusa de seda amarela, acariciando o tecido e sentindo a suavidade de seu toque... Até sentir um par de mãos em seus seios, fazendo-a suspirar, derrotada.
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  - Parece que alguém se divertiu muito com meu cartão de crédito hoje. - a voz abafada de %Zachary% soou atrás de %Beatrice%, enquanto ele distribuía beijos pelo pescoço e dorso da garota. - Hora de agradecer.
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  - Você não pode esperar eu terminar? – a garota se virou para ele e apontou para as três sacolas restantes. Deixou as melhores para o final, não poderia simplesmente parar agora. Entretanto, o político não pensava da mesma maneira, pois soltou uma longa risada antes de dizer:
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  - Eu te dei uma tarde inteira sozinha com meu cartão de crédito. – lembrou-a sobre sua boa ação e a puxou delicadamente de volta para o quarto, onde %Beatrice% viu o terno do conjunto social de %Zachary% depositado na poltrona perto à sacada. - Eu acho que você não deveria fazer mais pedidos, mas sim obedecer às ordens... – quando chegou ao meio do quarto, os passos se cessaram e %Zack% grudou seu corpo no dela.
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  - Achei que estivesse se divertindo em sua festa. – %Beatrice% desviou o olhar para a sacada, onde ainda era possível ouvir pessoas falando e rindo alto, como se quisessem competir com a música que estava ainda mais barulhenta.
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  - Sim, sim... Mas acho que está na hora da diversão se transformar em prazer. - e abaixa seu olhar cheio de malícia para o corpo da garota. - Não comprou nada para mim? - não se deu ao trabalho de olhar para as sacolas ou conteúdo que suas empregadas trouxeram para o quarto que antes era seu.
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  - Comprei, mas só irei mostrar se me deixar terminar o que fazia. - e olhou para as três sacolas restantes. %Zack% levantou as sobrancelhas, desconfiado, mas divertindo-se com o tom provocativo da estilista. - Vai valer a pena. – ela acrescentou com um sorriso.
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  - Mesmo?
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   %Beatrice% sorri. O mesmo sorriso criado apenas para %Zachary%. Aquele que ela escondia tudo o que sentia e mostrava apenas o que ele queria ver.
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  - Não confia em mim?
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  Foi o suficiente para %Zachary% soltar uma alta e longa gargalhada.
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  - Vou então me despedir dos meus convidados. - se afastou de seu corpo e voltou a pegar o terno depositado na cama. - Você tem meia hora. – anunciou antes de destrancar a porta do quarto e sair com um sorriso malicioso. Assim que a porta foi fechada, %Beatrice% revirou os olhos e voltou correndo até as três sacolas restantes, levando-as até o fundo do corredor, onde estavam os últimos armários vazios. Começou a tirar as peças de seda e lã, além dos casacos de pele que costumava usar nos dias mais frios. A cada peça que pegava, analisava seu tecido e seu corte. O modo que fora costurado e o trabalho final. Estava tão concentrada em suas novas peças que sequer o percebeu entrar no quarto:
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  - Você está se prostituindo então?
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  Virou-se rapidamente, encontrando seu rosto a centímetros de Aurelien. Não tardou a identificar o aroma da nicotina misturada com seu perfume masculino e prendeu o ar para que não caísse à tentação. Olhou assustada no fundo dos olhos do francês e pôde ver tudo. Seu ciúme, a vontade de voltar ao que eram antes, quando ele brincava com ela, a agressividade, a inveja... O amor. Ao sentir o último sentimento, seus olhos se arregalam ainda mais. Uma única palavra piscava em neon em sua cabeça: Perigo.
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