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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Chanel

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Capítulo 10

Tempo estimado de leitura: 32 minutos

  Ele não tinha reação. Seus olhos estavam estáticos em %Beatrice%, que terminava de abrir a porta e passava por todas as garotas que a encaravam curiosas para saber o que haviam discutido, algo que não iriam saber tão cedo, talvez nunca. Viram a estilista se afastar o mais rápido que podia, pois sabia que assim que ele saísse do transe...
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  - Eu não terminei de falar com você. - sentiu seu braço ser segurado por uma forte e grande mão. Encarou o filho do político, que a encarava sério; atrás dele, um grande grupo observava com atenção, como se estivessem ouvindo uma proposta de emprego em uma multinacional. Tentou se soltar, mas não conseguiu; %Zack% era forte demais para deixá-la ir. - Você pensa que pode simplesmente me dispensar dessa maneira?
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  - Há sempre uma primeira vez para tudo, agora, me deixe em paz. - ela tenta novamente se desvencilhar da mão de %Lieberman%, mas foi mais uma vez inútil. - Eu vou gritar.
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  - E quem te ajudaria? Todas as pessoas nessa cidade e nesse país me adoram. E os que me odeiam não tem cara o suficiente para aparecerem. - ele se aproxima absurdamente dela, fazendo-a olhar para os lados; era óbvio que ele estava certo, prova disso estava nas pessoas atrás dele, que não moviam um dedo mesmo vendo o homem praticamente agredi-la em sua frente. - Pode ser de uma maneira rude, mas eu estou tentando te ajudar. E acredite, a probabilidade de eu ser o único é bem maior do que você pensa.
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  De pouco em pouco, %Beatrice% deixou seus ombros caírem, mostrando estar relaxando. Ao ver que a garota havia acalmado, %Zack% afrouxou o aperto, fazendo-a rapidamente se soltar do mesmo e dar alguns passos para trás:
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  - Por que você simplesmente não me deixa de lado? Por que não me esquece? - ela pergunta aborrecida. - Eu não vou me relacionar com outro cara, não tenho interesse nisso, apenas me deixe em paz! - sua voz sai alta, então lhe dando as costas e novamente sendo impedida de continuar por %Zack%.
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  - Desculpe se estou envolvido demais com você. - sua voz sai baixa e rouca, fazendo-a parar para respirar e o encarar boquiaberta. Ele não poderia dizer aquelas palavras ou fazer qualquer coisa relacionada a se declarar. Não na frente de todas aquelas pessoas que o conheciam como o garanhão de Santa Mônica.
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  Mantiveram-se calados por um longo tempo, ela tentando entender o que ele havia dito. Tentou ler em seus olhos, mas não conseguiu. Ele só poderia estar brincando com a cara dela. As pessoas não deveriam ser cruéis assim. Tentou mais uma vez apostar em seus olhos, mas ao perceber, começou a desviá-los dela. Dessa maneira, não conseguia saber se era verdade ou não.
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  - Me solte. - ordenou e imediatamente ele o fez.
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  O silêncio retornou quando %Beatrice% o viu colocar as mãos nos bolsos de sua calça. Assim, vendo-o mais calmo, pode se acalmar, tentando ignorar todos os pares de olhos começou a pensar no que ele disse. Talvez ele estivesse certo. Talvez ela não conseguisse alcançar seus objetivos rapidamente se não utilizar os contatos dele; odiava lembrar a si mesma que, mesmo sendo uma pessoa eficiente e focada, força de vontade não era nada comparado aos contatos; %Zack%, por outro lado, sabia que estava na vantagem. Assim que viu a garota de corpo bonito e personalidade forte parar para pensar em sua posição, sabia que ele estava acima dela e que não demoraria muito para ter sua proposta aceita. Mesmo que estivesse um pouco dependente de sua presença em sua vida, não podia evitar querer mostrar sempre que possível, quem era o macho daquela relação confusa. Sabia que havia poucas cartas em mãos para utilizar contra elas e que a mais eficiente seria seus contatos e seu dinheiro; não sabia a que ponto estava se sentindo atraído por ela para gastar tanto tempo pensando em maneiras de mantê-la dele, mas para ter chego a este ponto, sabia que já não era mais no nível de prostituição que ele sempre tratou as garotas anteriores. Sabia que %Beatrice% não queria mais vender seu corpo para ele da maneira que fizera nas duas últimas semanas; ele abusou demais de sua paciência, um erro que admite a si mesmo e que está lhe causando problemas agora.
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  - Preciso pensar. – assim que se pronunciou, %Zack% levantou uma sobrancelha, surpreso com a resposta que recebeu. Ao ver a reação do político, ousou dizer: - E agradeça por isso.
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  Ao ouvir o tom superior usado com ele, %Zack% não pode evitar senão dar uma risada em tom de deboche:
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  - Está vendo? - e aponta para ela. - É exatamente isso o que eu gosto em você. – olhou para o lado, se certificando de que haveria um bom público para atuar. Colocou as mãos na cintura, voltando a encará-la e balançou a cabeça, enfim dizendo: - Não tenho escolha, não é? – tentou colocar no rosto, o sorriso mais sacana que conseguiu; mesmo que quisesse desesperadamente por uma resposta, as pessoas estavam ali assistindo e ele nunca se perdoaria se no dia seguinte sua imagem de homem poderoso fosse para dependente amoroso. - Amanhã. - levantou um dedo. - Amanhã te procuro para saber sobre sua resposta. É tempo o suficiente. – apontou para os olhos dele e em seguida para ela, vendo-a revisar os olhos. Antes de ouvi-la reclamar sobre o prazo, voltou a andar; ao passar por ela, parou em seu lado e sussurrou em seu ouvido:
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  - Não tente fugir... – %Beatrice% tentou virar seu rosto com uma expressão superior relativa ao tom de voz que usou mais cedo, entretanto, ao se deparar com a expressão séria de %Zachary%, não pode evitar se sentir tão insegura quanto antes. Viu no fundo de seus olhos, a fome de leão sobre sua caça. - Você sabe que eu sempre irei te encontrar, onde quer que você esteja.
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  Durante todo o tempo que ficou sem %Zack% na universidade, %Beatrice% se sentia muito mais aliviada do que quando tinha a presença do homem ao seu lado. Na verdade, nunca foi muito chegada na presença de homens em sua vida; mesmo não sendo homossexual, odiava o olhar com que olhavam para ela e seu corpo. Tentou, por um tempo, fazer uma dieta de engordar, mas não conseguiu, por causa de seu rápido metabolismo e sua repulsa por alimentos gordurosos. Todos eram iguais, sempre querendo a persuadir, sempre querendo que ela fosse sua bonequinha de luxo.
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  Sem nem ao menos perceber, %Beatrice% havia se colocado em uma posição que não poderia sair com a mesma facilidade. Quando aceitara ir até Newport Beach, achava que as coisas seriam como foi com Coco... Que ela conseguiria o que queria e então se veria logo livre desse fardo. Imprevisivelmente, não foi o que aconteceu. Ao contrário do que ela imaginava, %Zachary% criou um sentimento de apego a ela de uma maneira que sequer ele conseguia explicar. Ela não entendia da onde surgira toda aquela obsessão por ela. Talvez ele fosse masoquista. O fato dela demonstrar abertamente o quão cansada ela é dele o faz querer brincar com ela ou simplesmente lhe ensinar uma lição. Pensa sobre suas posições e no que as amigas lhe diziam antes de deixar a França para vir aos Estados Unidos; ela ainda era muito inocente para tomar decisões sensatas. O uso ou não do corpo não era um fator importante; ela deveria o fazer ou ignorar as ameaças sempre para seu benefício. O fato é que, na posição em que se encontrava, querendo ou não, tanto ela, quanto %Zack% sabiam que ela não tinha escolha. Ela era dele e precisava de seus contatos para poder conseguir o que queria. Por mais que se esforçasse em dizer que não precisava dele, os dois tinham consciência de que não era exatamente assim. Com o tempo que passaram juntos, %Beatrice% percebeu o quão influente ele era na vida de todas as pessoas que o rodeavam, do quanto elas dependiam dele para alguma coisa e a razão para o qual as mulheres queriam todas dormirem com ele; todas com o sonho medíocre de ganhar um espaço na alta sociedade; o caminho mais fácil, aquele que ele está lhe dando de bandeja.
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  Ao mesmo tempo, quando estavam no dormitório com todas aquelas pessoas, %Beatrice% viu que mesmo que todos a odiassem, ninguém se atreveria a mexer com ela; todos sabiam sobre a nova obsessão de %Zachary%. Sabiam que se algo acontecesse com ela, correriam o risco de mexer com o filho do político. O fato de que ninguém jamais vira o garoto se interessar por alguém desta maneira, a ponto de chamá-la para dividir sua moradia, na qual nunca levou ninguém para dormir, era algo novo. Era algo que fazia com que as mulheres de Santa Mônica passassem a temer. Observavam %Beatrice%, seguiam-na, stalkeavam-na. Ela sentia fotógrafos escondidos por todos os lados, todos querendo saber de onde surgiu essa garota tão misteriosa que %Zachary% escolheu manter-se "fiel" e o que ela faz para manter ele ao seu lado.
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  Acontece que %Beatrice% era naturalmente misteriosa. Sem precedentes no país ou contatos, ninguém conseguia imaginar o que fora o passado dela, tampouco como será o futuro. Tudo o que eles sabem é do presente. Sem consciência de suas ambições, as pessoas passaram a querer saber mais sobre a garota, se aproximando e interagindo com a mesma, coisa que a aborrecia mais do que qualquer coisa no mundo. Não gostava de ter sua privacidade invadida. Não gostava de pessoas que mal conhecia perguntasse se ela tivera um bom dia ou se ela iria a tal lugar. Eles que se danassem, ela não suportava a sociabilidade; principalmente com pessoas que não a levariam até onde ela queria chegar. Tudo o que queria era criar suas roupas, transformá-las em realidade e mudar, mais uma vez, a visão da moda.
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  Assim que acordara no dia seguinte, tudo o que havia acontecido voltara à sua cabeça. Ao abrir os olhos, pode ver o semblante de %Zachary% e se não fosse por ele murmurar um 'bom dia', podia com certeza fingir que não acordara para que não precisasse lhe dar atenção. Porém, ele fora paciente. Esperara tomar seu banho e arrumar o material que restara, além de colocar uma roupa que ele havia trazido para ela e que, de acordo com o mesmo, havia sido escolhido por um gestor de moda muito bem conceituado no país. Ela era educada demais para lhe dizer que aquilo não era conceito, era necessidade; jamais usaria aquele conjunto de roupas ridículo que lhe fazia querer desesperadamente ir até a loja de costura do outro lado da cidade apenas para poder retirar aqueles pedaços de panos horríveis de seu corpo. O homem que alguém louco o chamou de designer conceituado faria de tudo para agradar a %Lieberman%, não a ela, por isso, não se importou em dar um curto vestido com um casaco leve de algodão por cima. Ela odiava vestidos de nylon. Eram falsos e... Sem corte. Pareciam sempre modelos feitos para mulheres sem vida, que vivem em uma rotina; além disso, as pernas pareciam pálidas com a cor das flores e sua cintura fora completamente apagada pela falta de curvas na costura. Todas as roupas de nylon, grosseiramente costuradas com linhas grossas e sempre seguindo um padrão grotesco.
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  Pegou a bolsa de couro que utilizava para a faculdade e ao sair do quarto que já não mais dividia com a colega anterior, viu dois seguranças parados, um de cada lado. Olhou para o político, que sorriu, dizendo ser uma segurança que a universidade permitiu entrar nos arredores da escola para melhor segurança de seus alunos... Ou das coisas de %Beatrice%. Não teve como reclamar do favor que estava lhe fazendo; ao invés de agradecer, lhe deu as costas e caminhou em direção ao lado externo do campus, onde %Zachary% lhe obrigou a ir até o carro para darem algumas voltas no quarteirão antes das aulas do dia se iniciarem. Descobriu o horário das aulas de %Beatrice% e sabia que a primeira apenas se iniciaria em uma hora.
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  Foi apenas quando estavam dentro do carro que %Zachary% tocou no assunto:
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  - Você se decidiu?
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  - Sim. – respondeu, olhando para fora da janela.
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  - E qual é a sua resposta?
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  Ela hesitou. Sentiu o olhar de %Zack% em suas costas. Sabia que sua resposta positiva havia lhe chamado toda a atenção. Por ter demorado a responder, %Zack% acabou pedindo para Jarvis, o motorista, diminuir um pouco a velocidade.
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  - Achei que fosse uma coisa fácil de ser decidida. – comentou, nervoso internamente com a demora da resposta.
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  - É fácil. - ela diz seca.
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  - Então? Qual a dificuldade em responder?
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  - Nenhuma. - ela responde, olhando-o, séria. - Nenhuma. - repete para si mesmo em um murmúrio. Respirou fundo e olhou para %Zack%, que a encarava com um breve sorriso nos lábios. Ele já sabia muito bem a resposta. - Acho que você sabe a resposta.
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  - Sei. - ele concorda e então se inclina para mais perto dela. - Mas quero ouvir isso de você. Anda. – balançou a cabeça em sua direção, obrigando-a a falar aquilo que ele estava louco para ouvir.
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  Ela podia sentir o hálito de hortelã vindo de sua boca. Apertou seus próprios lábios e encarou os olhos do homem, que mantinha seu sorriso malicioso para ela. Os cabelos hoje estavam mais arrumados com o gel. A camisa pólo com a jeans escura marcavam seu corpo bem cuidado. Cruzou as pernas e os braços, voltando a olhar para fora do carro:
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  - Eu vou para sua casa... – começou a dizer.
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  - Ótimo. - ele a interrompeu. Antes mesmo de dizer a Jarvis para voltar para a faculdade, ouviu ela aumentar o tom de voz para que pudesse ouvi-la.
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  - Mas com uma condição. - ela levantou o dedo e o fez levantar uma sobrancelha, voltando a encará-la.
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  - Fora a do seu escritório particular e dos contatos que eu tenho. – ele disse, em tom de riso, desacreditando que ela ainda estava para lhe dar mais uma condição.
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  - Sim, é algo particular. - ela permaneceu observando o movimento fora do lado de fora do carro. Ouviu %Zack% soltar um riso deboche e manda-la falar: - Quero a porta do meu quarto com chave.
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  Tão rápido quanto a segurança que ele sentia, foi instantâneo a desfeita do sorriso no rosto de %Lieberman%. Ele piscou duas, três vezes até falar:
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  - Você está brincando.
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  - Se eu for ficar na sua casa, não quero que seja como em Santa Mônica com você invadindo o meu quarto a hora que bem entendesse. Se lá será meu lar, devo ter um determinado controle, pelo menos, sobre o local onde eu vou dormir.
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  - Acho que isso não será possível... - ele solta outro riso e a vê lhe encarar sério:
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  - Então não temos um trato.
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  Ele não estava entendendo. Ela era louca? Já havia mostrado para ela o quão importante era no país, o quão importante era para as pessoas. Ela sabia sobre a influência dele sobre todos e mesmo assim ousava lhe dar mais condições. Havia alguma coisa errada, ela não era normal. Olhou para o corpo da mulher sentada do outro lado do carro, tentando vê-la rir e dizer que era uma brincadeira, mas nem com todo o esforço que quisesse utilizar para ver tal cena, não conseguiria. Assim, passou a mão pelo rosto, impaciente, e apoiou o calcanhar no joelho:
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  - Há diversas outras coisas que você pode exigir de mim... Menos isso. – apontou para ela, nervoso.
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  - Eu tenho certeza de que você não é burro e nem surdo, %Zachary%. – passou a encará-lo. - E eu não sou de brincadeiras, como já deve ter percebido. Se você me quer sua, não vou negar meu corpo a você. Mas exijo o meu tempo. Ele é meu e eu devo fazer com ele o que eu bem entendo.
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  - Jarvis, vá para a cidade e dê mais algumas voltas, %Beatrice% precisa conhecer alguns points. - %Zack% disse para o motorista do interfone que tinha ao seu lado. Ouviu um 'sim senhor' antes de desligar brutamente. - Vamos fazer um trato sobre este trato.
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  - Não há trato sobre o meu trato. Ou é isso, ou não é. Você escolhe. - ela sabia o que vinha por aí, mas estava preparada. Passou a madrugada se preparando. O que quer que ele oferecesse, ela estava pronta para recusar.
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  - O ponto principal de você se mudar para casa, além de eu obter o controle sobre você - ele diz em tom de riso, o fazendo ficar perturbado quando viu que aquilo não a afetava. -, é eu poder usufruir do seu corpo quando eu bem quisesse. Então se você quer toda essa privacidade, digamos que eu estou disposto a aceitar, se arrumarmos um horário para isso.
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  - Horário? - fora a vez dela de ser irônica. - Eu não sou uma prostituta, %Zachary%, eu não tenho tempo para essas coisas.
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  - Você não é uma prostituta? - ele ri. - É mesmo?
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   %Beatrice% imediatamente ficou séria. Destrancou a porta do carro e ameaçou pular, mas ele fora mais ágil em segurá-la pelo braço e dar um jeito de trancar novamente a porta:
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  - Você é maluca!? - diz nervoso.
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  Sim, ela era maluca. Ela ficava maluca quando pessoas insensíveis a chamavam de prostituta sem razão nenhuma. Por mais que soubesse que o que estava fazendo era sinônimo ao que uma prostituta fazia, não admitia ser chamada por tal; tinha respeito pela profissão, era uma profissão, mas não exercia; era uma estudante séria, com um foco em sua vida. Seu pai, antes de abandoná-la, levava diversas desses tipos de mulheres para casa, onde %Beatrice% crescera na orgia, ouvindo das mais absurdas coisas; sofrera nas mãos das mulheres que embebedavam o pai e o levavam à falência. Ela podia ser xingada de qualquer nome, qualquer coisa... Menos isso.
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  Levantou o olhar para %Zack%, que ao encará-la, quase admitiu sentir um pouco de receio, mas ele era %Zachary% %Lieberman%, o filho do prefeito de Santa Mônica. E ele conseguia tudo o que queria. Talvez tivesse feito alguma coisa de errado para deixa-la neste estado, apenas ainda não sabia o que era. Talvez ela não gostasse da ironia dele. Achava que não, ele sempre fora assim com ela. Talvez ela se aborrecesse por ter sido chamada de prostituta, mas ele tinha certeza de que ela já sabia que era assim que ele a via. E que seria assim que as pessoas a veriam se um dia soubessem sobre a verdadeira razão do relacionamento dos dois.
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  - Tudo bem, vamos conversar como pessoas adultas e civilizadas. - %Zack% diz voltando a se sentar, quando viu que a garota havia se acalmado. - Você pode ter a privacidade que quiser no seu quarto. Eu não vou atormentá-la e nem ninguém irá enquanto você estiver lá dentro. Mas os seus finais de semana serão meus. E sexta-feira conta como finais de semana.
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  - São nos finais de semana quando eu tenho mais tempo...
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  - Eu estou te dando essa proposta. Não transaremos e eu não tocarei em você durante os quatro dias da semana. Mas a partir de sexta-feira à noite, eu poderei fazer o que bem quiser e você terá que deixar sua porta destrancada para mim. É isso, ou você simplesmente vai ter de lidar comigo tendo a chave do seu quarto também. E eu estou falando sobre o seu quarto na universidade.
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  Ele era mais esperto do que ela pensava. Perguntava se era só quando havia sexo no meio da conversa. Voltou a olhar para fora do carro e se perguntou o que seria o certo a fazer. Pensa em Coco, como sempre. Ela era uma mulher de atitude. Ela fazia as coisas da maneira que ela queria. Custasse o que custasse. Olha para %Zachary% e este a encarava agora menos malicioso do que antes, talvez receoso sobre sua resposta. Talvez ela devesse fazê-lo sofrer um pouco em sua mão.
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  Afinal, um relacionamento como o deles tem dois lados. O que usa e o que deve ser usado. Ela iria mostrar para ele quem era o usado ali.
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  Era sexta-feira. %Zachary% não era nada burro. Ele escolhera aquele dia propositalmente, ela sabia disso.
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  - Bem-vinda ao lar. - ele sussurra em seu ouvido enquanto ela observava o mar à frente de seu quarto da sacada. Ele não mentira quando dissera que poderia trazer a inspiração de volta. Sente as mãos de %Zack% percorrerem sua barriga e seus lábios encostarem em seu ombro.
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  - Não é noite ainda. - ela diz friamente. O ouviu soltar uma risada nasalada e se afastou dela.
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  - Um bônus talvez? Por eu ter concordado com sua proposta absurda? - caminha para dentro do quarto, vendo-a se virar e adentrar atrás de si. - Vamos estrear a sua cama? – olhou para a mesma, enorme.
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   %Beatrice% abriu um sorriso malicioso, atitude que ao mesmo tempo que o excitava, o fazia desconfiar:
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  - Me dará um bônus amanhã? - se aproximou do homem, que colocou as mãos em sua cintura.
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  - Ponto. - sorriu, acariciando o local com o dedo polegar. %Beatrice% então coloca ambas as mãos nos ombros do homem, pronta para enlaçá-lo pelo pescoço. Ao contrário do que se era esperado, a ação foi utilizada para empurrá-lo para fora do quarto, fazendo-o encará-la surpreso:
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  - Então até de noite. - e fechou a porta em sua cara antes que ele pudesse ter qualquer reação.
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   %Zack% se mantém com a boca aberta e ao ouvir a tranca da porta do quarto sendo lacrada, soltou uma alta risada e balançou a cabeça, desfazendo o sorriso e passando a mão pela nuca:
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  - Você me deixa louco... – murmurou antes de seguir para dentro de seu quarto.
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  Ao ouvir %Zack% se afastar, pode finalmente respirar aliviada. Olhou para toda a extensão do gigantesco quarto. O chão encarpetado em um tom gelo; a enorme cama king size com diversos travesseiros e almofadas em cima; as janelas balcões, localizadas cada uma de um lado da imensa cama, cobertas por uma cortina blackout seguida de um fino tecido branco que se tornava transparente para quem visse de fora e de dentro. Uma TV imensa presa a um cano que saía do teto, bem à frente da cama, sendo o melhor local para se assistir – se ela ao menos tivesse o hábito de assistir à TV - criados-mudos em ambos os lados da cama, antes das janelas, e dois abajures embutidos no encosto da cama. A sacada não era pequena e podia facilmente acomodar uma cadeira, como ela fazia naquele momento para iniciar seu desenho.
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  O quarto obviamente era uma suíte; para chegar até o banheiro, havia um corredor de três armários de porta dupla de cada lado para todas as roupas que um dia seriam acomodadas ali, já que %Beatrice% não possuía mais nada devido ao trágico acontecimento de dias trás. Uma enorme banheira italiana se encontrava em um lado do banheiro e a bancada da pia era longa do lado oposto. %Zachary% provavelmente havia pensado bem no tipo de banheira que deveria colocar lá, já que o local podia facilmente acomodar duas pessoas.
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  Passara a manhã e tarde inteira em seu desenho, analisando e recriando, páginas e páginas gastas para que, no fim, apenas uma única peça estivesse inteiramente criada. Mesmo assim, dava-se por satisfeita. Ela era assim, quando se focava em algo, ela o fazia até conseguir. E como sempre, conseguia. Vê as horas e percebe que estava na hora de aguentar o inoportuno do dono da casa. Ao entrar no quarto e deixar a cadeira em seu lugar, olhou para o banheiro que a chamava para um delicioso banho, mas desiste ao lembrar que ainda tinha de fazer sexo com %Zachary%. Destrancou a porta silenciosamente para que ele não pudesse ouvir, sabia que era um absurdo, mas não esperava nada daquele homem.
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  Jogou-se na imensa cama, que era grande demais para seu corpo miúdo. Se acomodou entre os travesseiros e almofadas, tirando os sapatos e meias, jogando-as para qualquer lado. Suspirou e fechou os olhos, pensando no que deveria fazer a seguir. Teria de recomeçar, era óbvio. Mas precisava de dinheiro. Depois desse desfalque, ela provavelmente teria que usar suas economias, o dinheiro que juntara na França seria completamente gasto, não podia ficar no negativo e ter de recorrer à %Lieberman%. Era capaz dele pedir em troca os dias da semana que ele dera à ela de sossego.
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   %Zachary%. O que ele queria, afinal? Não era apenas seu corpo. Um homem não precisa trancafiar uma mulher em sua casa para ter seu corpo. Principalmente quando a mulher era ela e ele já sabia que não havia necessidade de fazer tanto alarde para que ela transasse com ele. Apenas oferecesse o que ela precisava. Ela não entendia. Talvez fosse o que ele dissera. Talvez ela o intrigasse. Mas que culpa ela tinha se sua concepção sobre homens nunca fora boa desde que o pai a decidiu abandoná-la nos bordéis parisienses? Ela não gostava de homens, odiava como eles querem que as mulheres sejam sempre vulneráveis e dependentes deles. Mulheres podem sim ter o poder de ser independentes e femininas.
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  Ela gostava de jogos, sempre gostou. Desde a França, quando Aurelien, seu primeiro e único amor, lhe confundia dizendo coisas belas e então a esnobando. Usando-a não como %Zachary% fazia, sexualmente. Aurelien gostava de ter uma mulher bela ao lado. %Beatrice% era a garota mais linda do orfanato inteiro, assim como também do bordel; mesmo não sendo uma das prostitutas da casa, foram incontáveis as vezes que Madame Vigne pedira para ela se tornar uma de suas ‘queridas’ e que ela receberia muito dinheiro. Sempre que saia pelas ruas de Paris, olheiros a chamava para se tornar modelo. Fora acompanhando esses homens para ganhar dinheiro que ela descobriu a moda e descobriu 'Coco'. Infelizmente, diferente da mentora, %Beatrice% não tinha uma boa voz e não era simpática. Mas ela tinha um belo corpo e um conjunto de olhos misteriosos e lábios carnudos que nenhum homem nunca se atreveu a recusar. Aurelien tampouco.
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  Ele foi diferente, lhe mandava flores e a incentivava. Como presente, diferente de outros homens que gastavam fortunas com pulseiras e jantares à luz de velas, Aurelien lhe dava tecidos. De boa qualidade para que %Beatrice% pudesse criar suas próprias roupas. Ele sabia sempre tudo o que ela queria sem ela ter de pedir. Sabia como tê-la para si somente conversando com ela.
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  Diferente de %Zachary%. Entretanto, no final das contas, o político tinha o mesmo comportamento do francês, dando-lhe presentes e prometendo coisas para conseguir sua companhia.
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  O rosto de %Beatrice% se contorceu com a semelhança que seu primeiro amor tinha com a pessoa que mais repugnava no mundo. Não entendia por que ela não gostava de %Lieberman%, sendo que ele era exatamente como Aurelien. Ambos não pareciam se importar com seus sentimentos e tudo o que ela tinha de fazer era afastá-los de si.
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  Imagens de Aurelien com seus olhos castanhos lhe encarando, tomando conta de todos seus pensamentos... Ele era a única pessoa a quem ela não se esqueceu de Paris. Que ainda estava vivaz em sua mente. Obrigou-se a abrir os olhos antes que pudesse entrar em mais detalhes sobre Aurelien e o quarto já estava escuro. Olhou para os lados e aguçou sua audição. Nenhum ruído senão a das ondas se quebrando na areia. Sentia-se cansada por não fazer nada. Se levantou e olhou o relógio. Oito e quarenta. Se ele não chegara até agora, talvez ele não viesse tão cedo.
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  Tomou o seu tão desejado banho e abriu os armários vazios na esperança de encontrar alguma coisa para vestir. E encontrara. %Zachary% colocara somente vestidos. Como se ela vivesse apenas disso. Contudo, era melhor do que repetir a roupa por três dias seguidos. Escolheu um vestido creme de renda e colocou seu sapato único de salto. Talvez houvesse algumas lojas ainda abertas no centro. Ela estava em Santa Mônica, afinal. Pegou seu casaco de couro e o colocou por cima do vestido, para quebrar o ar romântico que toda aquela renda dava. Prendeu o cabelo de lado, deixando a franja cair para o lado depois que secou com o secador. Investiu na maquiagem, os olhos contornados por um preto, o rímel bem espesso e o batom vermelho. Não apostou nos acessórios, devido ao excesso de estampa que havia na roupa principal.
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  Desceu as inúmeras escadas até o primeiro andar e não encontrou ninguém. De acordo com %Zack%, a chave de %Beatrice% estaria na porta, e lá estava. Pegou-a e colocou dentro de sua carteira, único acessório que ela levava. Grande o suficiente para caber o batom, o celular e o dinheiro. O funcionário da casa tratou de chamar o motorista para levá-la aonde quisesse ir e tudo o que ela fez foi agradecer e recusar, indo até o ponto de ônibus mais perto. Iria se esforçar ao máximo para não depender das mordomias de %Zachary%.
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  Assim que se sentou em um dos bancos do ônibus, chamando a atenção de todos os passageiros, os ignorou e olhou para o celular mais uma vez, esperando ver alguma mensagem de %Lieberman%, mas nada. Fechou a cara ao pensar o que ela estava pensando ao esperar uma satisfação dele assim. Aquilo era um absurdo. Demorou meia hora para chegar até o centro de comércio, já que a casa de %Zack% se localizava no bairro de classe alta. O Boulevard.
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  Como era de se esperar, a rua principal estava lotada e iluminada pelos carros, diversos postes e vitrines chamativas. Caminhou lentamente loja por loja, decidindo comprar apenas o essencial. O problema era que seu essencial era abusivo. Como sua máquina demoraria duas semanas para chegar, tinha de comprar roupas para sobreviver até lá. Apenas parara as compras quando vira que já não tinha mais loja nenhuma aberta e seus braços reclamavam por segurarem tanto peso. Parou em um banco e olhou para o celular. Nada. Bufou e resolveu jantar por ali, caminhando para o lado dos restaurantes. Passou pela maioria deles, os pés começando a reclamar com o aperto do sapato e a altura do salto, decidiu pelo simpático restaurante italiano, sentando-se na mesa que estava na calçada. %Beatrice% se sentia mais em Paris quando comia em lugares como aquele. Adorava sentar na calçada para não pegar um resfriado com o frio do ar condicionado que a maioria dos restaurantes deixavam, ou arriscar ter sua maquiagem derretida com o calor. E ela fumava, portanto, o ar natural era perfeito para ela.
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  Três cadeiras foram ocupadas com todas as sacolas e ela sentiu que estava sendo muito bem tratada pelos funcionários do restaurante. Olhou para o cardápio e viu os preços que teria de encarar. Respirou fundo. Ela precisava arranjar logo algum emprego. Pediu uma salada com um suco natural e acendeu seu cigarro, pegando novamente o celular e vendo finalmente uma mensagem de %Zachary%:
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  "Onde você está? Está fugindo de mim? Esse não é um bom começo. Volte para cá, estou te esperando. %Zack%."
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  Levantou as duas sobrancelhas. Desde quando ela tentava fugir assim dele? Responde qualquer coisa, informando que demoraria ao menos uma hora para voltar, já que dependia do transporte público e que não queria que ele fosse buscá-la, pois sabia que ele iria descobrir. Assim que fechou o flip de seu celular e olhou para frente, esqueceu-se de tragar o cigarro e endireitou sua coluna, deixando as cinzas quase cair em cima de si.
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  Ele tinha o sorriso malicioso de sempre e como ela, o cigarro em mãos. Soltou a fumaça e se levantou, pegando o celular e a carteira que estavam depositados na mesa. Ao parar em frente onde %Beatrice% estava sentada, era claro o quão alto ele era comparando aos americanos que passavam ao seu lado. Vê duas das garçonetes quebrarem o pescoço para encará-lo. Se aproximou de %Beatrice% e sem perguntar, se sentou na cadeira ao lado da sua.
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  Aquilo só podia ser um carma. %Beatrice% nunca acreditou na história de quando se pensar muito em algo, ele finalmente acontece.
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  E ela nem pensara tanto assim em Aurelien.
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