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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Chanel

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Capítulo 1

Tempo estimado de leitura: 14 minutos

   %Beatrice% %Fortier% poderia ser considerada uma das garotas mais fashionistas do século XXI. Nascida em Paris, desde pequena, quando aprendeu a discernir cores, a garota tinha a mania de escolher suas próprias roupas e montar seus próprios modelitos. Sem a ajuda da mãe ou de alguma funcionária da imensa mansão em que vivia, Amélia %Fortier% não era uma das mães que podia se gabar de ter enfeitado sua cria. Aos 16 anos, assim que terminara o Ensino Médio com méritos, %Beatrice% fora uma das poucas alunas do colégio interno de Beaux que conseguira uma bolsa de estudos em uma faculdade de fashion design nos Estados Unidos. Devido ao grande feito e por consequências pessoais, acabou se mudando para o país americano e morando em um dormitório minúsculo no campus local.
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  Era indiscutível como a garota era fascinada pelas marcas da moda; roupas, sapatos, acessórios... Gucci, Donna Karan, Louis Vutton, Dolce and Gabbana, Versace, Givenchy. Admirava todas as marcas igualmente. Fazia pesquisas sobre seus cortes, os tecidos usados, as mãos que mediam cada manequim, os dedos que bordavam cada vestido. Através deles, pôde expandir seu conhecimento sobre a modernidade misturada ao clássico. Seus estilistas, sempre visionários, faziam-na se apaixonar mais por sua profissão, futuramente oficiada por um diploma americano.
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  Todas as pesquisas, todas as noites em claro tentando decifrar misturas de cores e tecidos... Nada poderia ser comparado à marca que mais lhe atraía e que não tinha medo de demonstrar: Chanel. Chanel, sua obsessão. Seu maior ídolo, a pessoa que %Beatrice% mais se inspirava em sua vida era Gabrielle "Coco" Chanel. Quantos livros comprou sobre a revolucionária ‘Coco’? Quantas vezes deixou de comer para conseguir pagar ingressos de museus e filmes baseados na vida da mulher que transformou o feminino em algo grande; tão grande que até hoje, dezenas de anos depois de sua ascensão, ainda encantava a todos aqueles que se deparavam com cores finos, peças simples, mas rotulada como ‘Chanel’, levando a marca a uma das mais caras do mundo no mundo vestuário. Para %Beatrice%, se pudesse, teria nascido no meio do século passado apenas para vivenciar a ascensão da estilista que revolucionou o mundo da moda.
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  Mesmo tendo sido criada parte de sua vida em uma alta sociedade, %Beatrice% era uma garota simples com dotes artísticos para a moda. Tímida e pouco social, era possível vê-la em todas as festas, mas nunca em grupinhos chamados "panelinhas" ou acompanhada de alguma pessoa do sexo oposto. Este último, não era por falta de tentativa. Constantemente, %Beatrice% era cobiçada por homens que passavam por ela na faculdade. Por mais que tentassem se aproximar, a garota acabava apenas atiçando-os e então os deixando com uma curiosidade incessante de saber como seria tê-la. Diversas eram as garotas a invejavam pelo fato de %Beatrice% sempre chamar toda a atenção da festa, sendo especificamente este o motivo pelo qual a garota não recebe mais convites para determinadas festas. Não que ela se importasse. Assim como Chanel, o objetivo de %Beatrice% era revolucionar o mundo da moda da maneira que ela gostaria que fosse.
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  Fora exatamente essa sua fama misteriosa e seu charme fashionista que conquistou a atenção do homem mais cobiçado de Santa Mônica: %Zachary% %Lieberman%.
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   %Zachary% era o cara que todas as garotas queriam apenas para si mesmas; todas as mães queriam como genro e todo pai temia pelas filhas. Filho do prefeito de Santa Mônica, desde que o pai se elegera um ano e meio atrás, quem recebera toda atenção foi o filho único do político. Com seu charme pessoal, o rosto bonito, corpo bem moldado, seu sorriso atraente e a conversa que conduzia, impossível de aborrecer até a pessoa mais mal-humorada do mundo, %Zachary% conseguia ter tudo o que queria. Não houvera um dia que algo que ele pedira não fosse realizado na hora.
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  Até ele se interessar por %Beatrice%.
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  Não era o garoto mais humilde do mundo, porém não era tão ignorante como o pai. Nascera e crescera em Santa Mônica e amava o local. Nunca namorara. %Zachary% era o tipo de cara que nunca estava compromissado, tampouco sozinho. Assim que os pais conseguiram o mandato da cidade, %Zachary% logo deu seu jeito de manter a casa em que viviam, quando os superiores comentaram em se mudar para uma residência maior. Como se a moradia atual fosse pequena. Era à beira-mar e apesar de não ficar todo o tempo do mundo na praia, valia a pena pela vista que recebia da imensidão azul.
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  Ele cursava administração de empresas para tomar conta da empresa do avô, já que o pai resolvera não seguir a carreira do próprio pai e nenhum dos outros irmãos dele tampouco. %Zachary% tinha três tios por parte de pai. Dois mais novos que o pai e um mais velho. Era impressionante o fato da família %Lieberman% ser abarrotada de homens. Quase todos atraentes; obviamente havia alguns que não tiveram tanta sorte na vida, então optavam por serem extraordinariamente inteligentes, não deixando de chamar menos atenção que os belos. %Zachary% era o neto favorito dos avós. Mesmo não chegando nem perto de ser o mais velhos deles, nem o mais novo.
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   %Zachary% vira %Beatrice% pela primeira vez durante a segunda semana de aula na faculdade. Ele sabia que ela era uma caloura, mas não parecia com uma. Ele conhecia absolutamente todo mundo que estava lá. Todos os nomes, o que faziam, filhos de quem eram. Uma coisa que %Zack% era bom, além de paquerar, era com relação à memória. Ele não fingia se lembrar da pessoa que falava consigo, simplesmente porque se lembrava dela. Por mais que quisesse esquecê-la, se lembrava. Mulheres, homens, crianças, adolescentes, velhos. Ele se lembrava de todos. Era ótimo para os eventos políticos do pai, nunca envergonhava o superior com uma memória fraca inexistente.
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  — Quem é a do vestido amarelo? — Ele olhava descarado para as pernas da garota que desfilava no corredor, enquanto ele estava sentado num dos diversos bancos no campo da faculdade com os amigos. As amigas rapidamente olharam para a garota, querendo saber quem seria a intrusa que chamava a atenção de seu homem.
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  — Ah — Kylie disse sarcástica. — A francesinha.
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  — Francesa? — %Zack% levantou a sobrancelha com os amigos. Voltou a olhar para a garota, que agora sumia de vista. Procurou-a por alguns segundos e então se virou para o grupo de garotas que o rodeava: — Falem-me sobre ela.
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  As garotas se entreolharam perturbadas, o que não passou despercebido por nenhum presente. Ao vê-lo esperando uma resposta, a do meio se pronunciou:
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  — O nome dela é %Beatrice%. — Katarine suspirou. — Ela está cursando Fashion Design. Caloura. Veio da França e mora no dormitório aqui da faculdade.
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  — Solteira? — ele perguntou. Mais uma vez a resposta demorou a vir. Encarou as garotas, aguardando, e então elas apenas concordaram com a cabeça. — Interessante.
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  — Interessado, %Lieberman%? — Drake, uma das pessoas que surgiu em seu grupo de amigos sem avisar. %Zack% o viu sorrir para si e, de acordo com sua política da simpatia, retribuiu.
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  — Bom, eu nunca havia conhecido uma francesa antes. De que lugar da França ela é?
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  — Paris — Roxelle respondeu rapidamente antes que %Zack% começasse a reclamar da demora das respostas das garotas. — Está sozinha aqui.
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  — Sozinha? — Ele levantou a sobrancelha e sorriu, fazendo com que as garotas olhassem feio para Roxelle e esta encolhesse os ombros.
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  Os amigos de %Zack% nada disseram, apenas riram imaginando o que se passava na cabeça do cara.
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   %Beatrice% passava pelo buffet do restaurante observando as opções de alimento. Nada. Gordura, carboidrato, calorias, calorias, calorias. A salada? Horrível e com um molho de queijo. Eca. Sanduíche natural? Apenas de atum. Atum? Não mesmo. Suspirou e então pegou apenas uma lata de chá verde e seguiu para o campus da faculdade, sentindo a brisa salgada do mar que deveria estar em algum lugar por perto. Havia ouvido falar de que a faculdade tinha conexão com a praia e que você poderia ficar sentado num banco olhando a imensidão azul. Não demorou muito para ela achar o tal banco magnífico que estava vazio. Ao contrário do que imaginava, o lugar não era isolado da faculdade e muito menos vazio. As pessoas pareciam preferir estender o casaco no chão e sentar por cima dele a se sentar no banco. %Beatrice% passara em volta do local duas vezes para se certificar de que o banco não era bichado ou algo assim para as pessoas não o quererem tanto. Mas estava tudo certo, o banco estava em perfeita condição. A cabeça das pessoas que não deveria estar tão bem assim.
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  Sentou-se e retirou seu bloco de desenhos da bolsa. Mais uma vez a brisa passou por entre seus cabelos e os tentou levar consigo. Em vão. Eles estavam bem presos ao couro de %Beatrice%. Ela encarou o mar, agora calmo e então voltou a abaixar a cabeça, deslizando o lápis 2B pelo papel manteiga. Quem a visse desenhando poderia jurar que ela desenhava desde pequena e fizera um curso profissionalizante para isso. A primeira afirmação estava correta. Já a segunda nem tanto assim. Os pais de %Beatrice% nunca deixaram-na praticar o desenho e assim que a mãe morreu, o pai sumira de sua vida. Assim como aconteceu com Gabrielle Chanel.
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   %Beatrice% sabia que era besteira imaginar ser Gabrielle Chanel. Porém, as coincidências da vida de ambas faziam com que ela seguisse o modelo da estilista. Que mal havia? Coco se dera bem, não dera? Era como querer imitar Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo. Cada um escolhe sua base de inspiração. A diferença é que %Beatrice% escolhera alguém exoticamente exorbitante.
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  Sem perceber muito o que desenhava, olhou para o material e gostou do que viu. Ficou encarando por alguns minutos o conjunto da saia e a blusa balonê aparentemente básica. Um broche seria convidativo para o look, quem sabe? Ou um lenço de pescoço. Uma gravata, talvez.
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  — Não é que você é boa mesmo? — Ela ouviu ao lado e olhou para o homem inclinado, observando o desenho.
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  — Achava que eu não era? — Ela voltou a olhar para o desenho e com o lápis, desenhou o tal broche.
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  — Muitas pessoas que usam a moda não sabem cria-la. — Ela observou os olhos brilhantes do jovem ao seu lado e levantou os ombros, demonstrando que não dava a mínima para o que ele falava. — Sou %Zack%.
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  — Eu sei — ela murmurou desinteressada, o que o fez ficar sério. Até agora, nunca conheceu alguém que o conhecia e que o comportamento foi, no mínimo, sem graça.
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  — Você sabe? — Ele tentou demonstrar surpresa. Ela concordou com a cabeça. — Como ficou sabendo?
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  — Umas garotas vieram em mim agora a pouco falar que se eu chegasse perto de %Zack% %Lieberman%, eu podia me considerar deportada de volta para França. — Ela manteve sua atenção no desenho. Até que decidiu o encarar. — E então apontaram para você.
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  — Umas garotas? — Ele apoiou o pé no banco em que ela estava sentada. — Que garotas?
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  — Não sei. Assim como não sei por que elas vieram falar isso para mim. Não o conheço o suficiente para trazer algum tipo de ameaça para elas. — %Beatrice% ouviu uma risada de %Zack%.
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  — Você é uma grande ameaça — ele afirmou, vendo-a encará-lo, séria. — Não acha?
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  — Quem sabe?
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  O filho do prefeito sorriu. Ele gostava desse tipo de mulher que se fazia um desafio. Se ela estava blefando, estava fazendo bem.
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  — Há quanto tempo está aqui? — Olhou ao redor, vendo algumas pessoas ao redor, muitas delas tentando, de alguma maneira, saber sobre o que os dois conversavam.
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  — Há algum — ela respondeu concentrada.
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  — Há um tempo específico?
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  Ela deu uma pequena risada indicando que ele não iria saber sobre isso.
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  — Certo. Você poderia se apresentar então.
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  — Você já ouviu falar de mim, deve saber meu nome.
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  — E se o que falaram de você não foi verdade?
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  — Não me importo.
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   %Zack% desceu o pé apoiado até o chão. Admitiu para si mesmo que aquilo o estava deixando ligeiramente aborrecido. Brincadeiras têm limite e ele não costumava ter muito humor com pessoas que não davam o valor à sua presença. Observou a garota continuar focada na flor que desenhava em cima da blusa. Então quer dizer que ela não estava nem aí para ele?
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  Ao perceber que o homem não a deixaria em paz, %Beatrice% olhou para o lado, vendo-o encará-la interessado.
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  — O que te importa?
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  — Saber sobre você.
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  — Vamos sair então.
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   %Zack% ficou calado. A garota o havia chamado para sair?
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  — Não deveria ser eu a pessoa a chamar para sair?
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  — Você me chamou, por acaso?
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  — Não é a hora.
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  Ela sorriu e então fechou o bloco, o guardando de volta na mochila.
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  — Talvez não haja uma hora — ela disse antes de se distanciar do garoto, que se manteve estático, olhando-a se afastar boquiaberto.
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  — Parece que alguém levou o seu primeiro fora... — Drake cantarolou acompanhado de Jon e Arc, seus dois amigos de infância. %Zack% soltou uma risada.
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  — Ela está apenas me atiçando. — O filho do prefeito encarou os três amigos e colocou as mãos nos bolsos de sua calça cáqui. — Nenhuma mulher é diferente. — Viu %Beatrice% ao longe com seu vestido esvoaçando de acordo com seus passos. — Muito menos ela.
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Fe Camilo

Faz muitos anos que li essa história e amava demais a PP. Estou relendo agora e ela continua icônica. ❤

Fe Camilo

KKKKKKK o PP é um cafajeste, mas muito irresistível aff

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