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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Cena Inesperada

Escrita porNyx
Editada por Lelen

Capítulo 4 • Cláusulas do Caos

Tempo estimado de leitura: 34 minutos

  Naquela noite, o quarto parecia ainda menor que o normal. As paredes finas deixavam passar o som do rádio da vizinha, alguma canção romântica fora de hora, e um dos gatos da Dona Maria miava alto por alguma injustiça felina desconhecida. Mas %Isadora% mal registrava os sons.
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  Estava sentada na cama, de moletom velho, cabelo preso de qualquer jeito e uma expressão que oscilava entre o riso nervoso e o desespero puro. As folhas do contrato estavam espalhadas sobre o colchão como cartas de tarô jogadas por um destino debochado. E, do canto do quarto, veio a voz da única pessoa no mundo que podia rir com ela daquilo tudo sem parecer cruel.
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  — Então você entrou no carro do %Ethan% %Blackwell%. Foi parar num escritório de gente rica. Assinou um contrato. E agora vocês estão... namorando?
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  Park Jae-min, enrolada num cobertor florido emprestado da Dona Maria, segurava uma caneca de chá e os olhos arregalados como se estivesse assistindo ao final de uma temporada de dorama. Tinha chegado poucas horas antes, assim que %Isa% ligou em pânico, disparando um: “eu assinei um contrato de namoro fake com um ator famoso e vou surtar”. Jae largou tudo, pegou uma muda de roupa e correu pra lá. Dona Maria, cúmplice e serena, a deixou entrar com um sorriso e um pote de biscoitos. Agora, ali sentadas no caos, seria uma daquelas noites em que elas dividiriam não só o colchão inflável, mas também o peso do absurdo.
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  — Tecnicamente — %Isa% respondeu, jogando o corpo pra trás —, estamos só em uma “parceria midiática de cunho afetivo performativo”. O que quer que isso signifique.
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  — Significa que você tá vivendo o enredo da fanfic que eu leio escondida às duas da manhã. — Jae deu um gole no chá, com os olhos brilhando. — Isso aqui é irreal. Surreal. Inacreditável. Eu te odeio e te amo ao mesmo tempo.
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  %Isa% girava a caneta entre os dedos como quem girava uma granada sem o pino.
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  — Quer me ajudar a rir da minha própria desgraça? — perguntou.
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  — Sempre. — Jae se levantou, sentou-se ao lado da amiga e apoiou a caneca na mesinha improvisada com a solenidade de quem ia testemunhar um crime.
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  %Isa% respirou fundo e começou. A primeira linha já vinha com pompa:
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  “Contrato de Parceria Midiática entre %Ethan% %Blackwell% e %Isadora% %Campos%.”
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  — Parceria midiática… — %Isa% murmurou, arqueando uma sobrancelha. — Nome bonito pra “namoro fake com cláusulas de humilhação pública.”
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  — Dá até pra virar título de série da Netflix — Jae comentou. — Uma mistura de romance e desespero jurídico. Produzido por Shonda Rhimes.
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  Viraram a página.
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  Cláusula 2: O casal deverá realizar ao menos duas postagens mensais conjuntas nas redes sociais, com linguagem afetuosa.
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  %Isa% suspirou sem forças.
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  — Linguagem afetuosa... tá.
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  — Espero que emojis de café e silêncio passivo-agressivo contem. — Jae leu por cima do ombro dela.
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  Cláusula 4: Comparecimento a no mínimo três eventos sociais por mês, com possibilidade de aparições espontâneas monitoradas pela equipe de imagem.
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  %Isa% piscou devagar.
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  — Espontâneas… monitoradas. Faz todo o sentido.
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  — É o novo nome da vigilância emocional. — Jae sussurrou. — Big Brother: Versão Casal Falso.
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  Cláusula 5: Fotos espontâneas devem incluir contato físico leve, como mãos entrelaçadas, toques no ombro, olhares carinhosos. Evitar rigidez corporal.
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  %Isa% se encostou na parede e soltou o ar devagar.
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  — Certo. Nada de cara de pânico nas fotos. Anotado.
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  — Você vai ter que praticar esse olhar de “estou apaixonada, mas sou discreta”. Treina comigo amanhã?
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  — Te dou um Oscar se eu não surtar no segundo clique.
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  Cláusula 7: Evitar manifestações públicas de desentendimento. Discussões devem ser resolvidas em ambientes controlados ou simular reconciliações públicas.
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  %Isa% soltou um riso discreto, sem humor.
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  — Então brigar só em bastidor. Estilo reality show com filtro.
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  — Se vocês quebrarem o pau e depois postarem uma selfie com a legenda “aprendendo com nossas diferenças”, eu te bloqueio.
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  Cláusula 10: Evitar críticas públicas ao parceiro. Isso inclui entrevistas, redes sociais e conversas com desconhecidos em locais públicos.
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  %Isa% largou a folha no colo, massageando as têmporas.
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  — Nem no elevador, então. Perfeito. — Jae balançou a cabeça, como quem ainda tentava acreditar.
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  — Isso não é um contrato. É um manual de contenção emocional.
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  No rodapé da página, em letras pequenas e muito sérias:
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  “O não cumprimento das cláusulas pode acarretar multa, quebra de contrato e penalidades judiciais.”
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  %Isa% fechou os olhos por um instante, tentando absorver tudo. Depois, se deitou devagar, deixando as folhas espalhadas ao lado como se fossem os destroços de um plano que ela nunca quis traçar.
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  Ficou encarando o teto por longos segundos, imóvel.
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  — Você se meteu bonito dessa vez, %Campos%.
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  — Você quer dizer... “foi escalada sem querer pro maior papel da sua vida e o roteiro é um surto coletivo”?
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  — Exatamente.
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  %Isa% virou de lado, puxando a coberta até o queixo. O tom agora era quase um sussurro:
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  — Esse contrato podia ao menos incluir terapia. — Jae se ajeitou no colchão inflável, cruzando os braços sob o cobertor.
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  — Eu tô aqui. Isso vale? — %Isa% não respondeu de imediato. Só fechou os olhos.
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  — Vale muito.
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  E mesmo sabendo que aquela noite — como todas as que viriam depois — ia ser difícil de dormir, pelo menos ela não estava mais sozinha.
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💋📸

  O celular vibrou em cima da mesinha improvisada ao lado da cama, interrompendo o silêncio pesado do quarto. Eram pouco mais de oito da manhã e a luz fraca que entrava pelas frestas da cortina não ajudava em nada o senso de realidade. %Isadora% esticou o braço, ainda enrolada no cobertor até o queixo, e destravou a tela com o rosto grudado no travesseiro, os olhos semicerrados, a mente turva e o coração ainda preso em alguma cena mal resolvida do dia anterior.
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Oliver Grant te adicionou em um grupo

[Oliver Grant] Bom dia, casal. ☀️
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Que tal um passeio casual hoje? Nada demais, só algo público o suficiente pra manter o burburinho vivo. Um café. Uma caminhada. Um olhar significativo, quem sabe. A imprensa adora esses momentos “espontâneos”.
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  %Isa% leu a mensagem por tempo demais, como se a tela fosse começar a chorar junto com ela. Depois, com a alma de alguém que perdeu uma aposta pro destino, digitou:
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[%Isadora% %Campos%] Bom dia. Sugestão: uma passagem pra outro planeta.
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  A resposta veio em segundos, rápida demais pro nível de sarcasmo que ela estava processando.
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[Oliver Grant] Hahaha. Infelizmente os contratos não cobrem Marte, mas cobrem cafeterias em Westwood. Pense nisso. 😉
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  Outra notificação surgiu logo abaixo.

[%Ethan% %Blackwell%] Diz a hora e o lugar.
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  %Isa% franziu o cenho. Aquela resposta estava seca, curta, sem reclamações ou ironia. Só… aceitação resignada. Era como ler uma previsão de chuva no meio de uma tempestade e pensar: “tarde demais, já tô ensopada.”
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  Talvez ele já tivesse entendido o que ela começava a aceitar também: que não adiantava mais espernear. Agora era jogar o jogo, ou ser devorada por ele.
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  Ela soltou o celular de volta no colchão e encarou o teto por alguns segundos. Ainda era cedo demais pra tanto absurdo. Mas, ao mesmo tempo, tarde demais para fingir que aquilo não estava acontecendo.
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  Puxou o cobertor até o queixo numa tentativa falha de se esconder do universo. Dois segundos depois, o jogou longe com um suspiro dramático. Sentou-se na cama, mexeu na toca em seu cabelo com as duas mãos e soltou um grunhido abafado.
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  — Ok, tá tudo bem... — murmurou para o teto, como quem recita um mantra fajuto. — É só um café. Só um passeio. Só uma encenação diante de câmeras escondidas que podem destruir sua vida caso você erre o ângulo do sorriso. Tranquilo.
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  — Você tá surtando em voz alta de novo ou isso foi só o aquecimento? — veio a voz sonolenta da Jae, vinda do colchão inflável no chão.
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  Ela se sentou devagar, com os cabelos todos bagunçados e o travesseiro amassado marcando a bochecha. Nos braços, um dos gatos da Dona Maria, largado como se tivesse encontrado o novo lar definitivo.
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  — Porque, se for o surto completo, me avisa que eu pego o chá e a câmera. Vai que rende conteúdo.
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  %Isa% olhou pra amiga, com o humor de alguém que não tinha mais condições emocionais para ironia, mas aceitou o deboche como sinal vital.
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  — Bom dia pra você também, Park Jae-min.
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  — Bom dia nada — ela bocejou. — Aqui é guerra, minha filha. E você vai precisar de reforços para encarar esse date fake. Começa abrindo o guarda-roupa. Eu já tô imaginando as legendas dos paparazzi.
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  — Não vou me arrumar pra ele. — %Isa% cruzou os braços, encarando o armário aberto como quem encara uma emboscada. — É só um café.
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  — É um café com câmera escondida e possíveis zooms no seu decote, então vamos respeitar o poder da lente e escolher o figurino com sabedoria — Jae rebateu, já em pé, com o cobertor ainda preso nos ombros e a expressão de uma stylist sob pressão.
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  %Isa% caiu sentada na beirada da cama, soltando um suspiro que vinha da alma.
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  — Se eu aparecer bonita demais, vão achar que eu tô apaixonada.
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  — E se aparecer feia demais, vão achar que ele tá te pagando com barras de ouro. — Jae puxou uma blusa e franziu a testa. — Isso aqui não. Parece roupa de quem vai implorar emprego.
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  — Isso é roupa de quem vai implorar emprego — %Isa% resmungou, cobrindo o rosto com as mãos. — Meu guarda-roupa é um grito de socorro silencioso.
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  Jae ignorou o drama e seguiu implacável na curadoria.
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  — Essa aqui é fofa — ela puxou um vestido floral. — Clássico "olha como eu sou leve, gentil e nada sarcástica com homens ricos".
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  — Credibilidade zero.
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  — Ótimo. Então vamos subir de nível. — Pegou uma camisa branca com corte moderno e uma calça jeans escura. — Simples, estilosa, e com potencial de causar sofrimento emocional em ex-namoradas que verem as fotos.
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  %Isa% pegou a roupa como quem recebia o uniforme de uma missão suicida.
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  — E o rosto? Tem como esconder?
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  — Não, mas dá pra maquiar o trauma. — Jae já estava ligando o ring light portátil, espalhando os produtos como quem preparava um ritual.
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  — Isso não é maquiagem, é feitiçaria — %Isa% murmurou.
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  — Não se mexe. Hoje você vai parecer que acordou plena, saudável e apaixonada.
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  — Três mentiras numa frase. Impressionante.
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  Enquanto a base cobria as olheiras da noite anterior, Jae foi ajeitando com cuidado os cachos da amiga, separando-os com os dedos e modelando com creme até formar um coque alto volumoso, daqueles que gritavam personalidade mesmo no caos. Um toque de gel nas laterais, um grampo aqui e ali, e pronto, %Isa% estava um desastre emocional... mas com o cabelo impecável. Jae pegou o celular logo depois, o brilho do caos refletido nos olhos.
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  — Agora vamos ensaiar. Preciso de três sorrisos: o natural, o “tô rindo porque sou educada” e o “tô prestes a matar alguém mas com carinho”.
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  — Park Jae-min, você é um gênio do mal. — %Isa% soltou um som entre um riso engasgado e um choro controlado.
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  — Obrigada. Agora ensaia esse sorriso carinhoso aí ou eu vou botar glitter na sua sobrancelha.
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  %Isa% respirou fundo. E sorriu.
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  Forçado, torto e meio desesperado, mas, pela primeira vez naquela manhã, genuinamente acompanhada.
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  A cafeteria em Westwood tinha aquela estética calculadamente despretensiosa: madeira clara, luz natural filtrada por janelas amplas e plantas penduradas no teto como se o lugar tivesse saído direto de um feed do Pinterest. O som ambiente era um jazz baixinho, quase tímido, e o aroma de café fresco preenchia o ar com uma promessa de normalidade.
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  %Ethan% chegou primeiro.
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  Estava sentado à mesa do canto, de frente para porta, com um capuccino intacto à sua frente e as mãos entrelaçadas sobre o colo. Usava uma camisa azul-marinho com as mangas dobradas até os cotovelos e óculos escuros que ele retirou assim que a porta se abriu e %Isadora% entrou.
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  Ela o viu antes de tudo.
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  Viu o olhar preciso que a percorreu da cabeça aos pés, a inclinação sutil do queixo e aquele instante em que ele apertou os lábios — quase imperceptível, mas suficiente para fazer seu estômago girar. E ela não soube dizer se era aprovação, rendição… ou só curiosidade. Da mais perigosa.
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  %Isa% caminhou até a mesa com passos firmes, mas o coração um pouco mais acelerado do que gostaria de admitir. Jae tinha dado um gritinho de incentivo antes de ela sair de casa, algo entre "arrasaaaa" e "não soca ele em público", o que definitivamente não ajudou.
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  Ela parou diante da cadeira.
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  — Chegou cedo — disse.
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  — Gosto de calcular saídas de emergência com antecedência — ele respondeu, indicando o assento à frente.
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  Ela sentou. Tirou os óculos de sol devagar, ajeitou os cachos com uma naturalidade estudada, e por um instante, os dois apenas… se olharam. Como se tentassem decifrar o outro sem dizer nada. Como se a qualquer momento alguém fosse gritar “ação”. Mas o roteiro já tinha começado e o contrato não previa pausas dramáticas.
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  — Então — %Isa% começou, pegando o cardápio só pra não ficar olhando diretamente pra ele. — A gente vai fazer o quê? Fotos? Um teatrinho? Ou só fingir que a gente se tolera?
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  %Ethan% apoiou o cotovelo na mesa, o rosto meio virado, observando-a como quem analisava um mapa sem legenda.
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  — Acho que fingir que a gente se tolera é um bom começo. E depois a gente sobe pra “carinho discreto em público”. Com direito a linguagem afetuosa e toques estratégicos.
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  — Maravilhoso — ela disse, enfim o encarando. — Parece até que a gente se ama.
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  O silêncio que veio não era constrangido. Era… carregado. Como se houvesse eletricidade suficiente entre os dois para acender a cidade inteira. O garçom apareceu com um bloco de anotações e um sorriso automático.
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  — Já sabem o que vão querer? — %Isa% apontou para o cappuccino de %Ethan%.
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  — Esse aí tá aprovado?
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  — Não vou reclamar — ele respondeu, sem tirar os olhos dela.
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  — Então quero o mesmo.
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  Quando o garçom se afastou, a conversa se dissolveu de novo. O silêncio era denso. Palavras pareceriam invasivas demais. %Isa% deslizou o dedo pela borda do copo com água, pensativa.
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  — Acha que já tem alguém tirando foto? — murmurou, sem olhar pra ele. %Ethan% soltou um suspiro leve, quase um riso sem som.
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  — Com certeza. Dois, no mínimo. Um no balcão. Outro perto da janela. — Ela ergueu os olhos. Encontrou os dele.
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  — Você já decorou os pontos de emboscada da cidade?
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  — Instinto de sobrevivência — respondeu, dando um gole no café. — E porque paparazzi se repetem. Eles acham que são invisíveis, mas sempre usam o mesmo moletom bege.
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  %Isa% sorriu, apesar de tudo. E %Ethan% notou.
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  Por reflexo — ou impulso — ele se inclinou um pouco pra frente, como se fosse dizer algo confidencial. E foi nesse instante que sua mão roçou na dela sobre a mesa. Um toque sutil, de costas, quase sem querer. Quase.
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  Ambos congelaram.
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  O mundo pareceu prender o fôlego por um segundo.
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  %Isa% não afastou a mão.
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  %Ethan% também não.
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  Os dedos ficaram ali, próximos, o calor da pele dizendo mais do que qualquer fala ensaiada. Ela ergueu os olhos lentamente, e ele já estava a olhando. O olhar de %Ethan% era firme, mas vacilou. Só um pouco. O suficiente para %Isa% entender que ele também sentia, mesmo que lutasse contra.
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  A tensão entre eles era espessa como névoa. Um fio invisível se esticando entre os dois, prestes a romper… ou puxar. Então, ele afastou a mão com uma tosse forçada. Curta. Eficiente. Como quem se recusa a ceder a algo que não entende, ou que teme demais.
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  — Vai mesmo ignorar? — %Isa% perguntou, a voz baixa, quase num sussurro. Ele respirou fundo, recuperando o controle.
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  — Ignorar o quê? — %Isa% cruzou os braços e recostou na cadeira com um meio sorriso que não alcançou os olhos.
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  — Nada. Já passou.
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  Mas não passou, a tensão agora era parte da mesa, do vapor do café, do espaço entre as cadeiras.
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  E quando o capuccino dela chegou, os dois estenderam as mãos ao mesmo tempo pra pegar as xícaras, os dedos se tocaram de novo. Dessa vez, direto nas alças.
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  Outro toque.
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  Outro segundo longo demais.
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  — Estamos péssimos em evitar contato físico leve — ela comentou, sem sorrir, mas com os olhos perigosamente vivos.
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  — Ou talvez a gente esteja ensaiando pra próxima cláusula — ele rebateu, levando a xícara à boca com a expressão tranquila demais para ser real.
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  O café acabou, mas o silêncio ficou.
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  %Ethan% pagou a conta antes que %Isa% pudesse dizer qualquer coisa, o que ela não disse mesmo, porque, no fundo, não fazia diferença. O acordo estava em vigor. E aquele teatrinho romântico? Era só o aquecimento.
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  Eles saíram juntos pela porta de vidro, e o sol da manhã os envolveu com um calor tímido, daqueles que não queimam, mas avisam que estão ali. A luz dourada caía sobre a calçada como um filtro suave, deixando o mundo quase bonito demais pra ser real.
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  Algumas pessoas passavam apressadas. Outras só vagavam. Mas, entre elas, disfarçados entre cafés na mão e mochilas nas costas, estavam os olhos que Oliver havia prometido.
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  %Ethan% olhou de soslaio. Reconheceu dois. Um fingia ler um jornal. O outro bebia um latte com o celular estrategicamente erguido.
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  — Dois quarteirões — ele murmurou, como quem dá um tempo limite. — Depois disso, pode fugir pra Marte.
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  — Que pena — %Isa% respondeu, ajeitando os óculos escuros com a ponta dos dedos. — Eu estava adorando o date supervisionado.
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  Ele não respondeu ao sarcasmo. Começou a andar ao lado dela com passos calmos, deliberados. O caminhar dos dois era sincronizado, não por hábito, mas por instinto. Como se o corpo de um já soubesse como acompanhar o do outro.
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  Silêncio.
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  Mas não era um silêncio vazio.
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  Era carregado de todas as perguntas não feitas, de todos os olhares que haviam demorado meio segundo a mais na mesa do café. As palavras não ditas caminhavam junto com eles. %Isa% ajeitou a alça da bolsa no ombro, tentando parecer distraída.
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  — Acho que um olhar significativo seria bem-vindo agora.
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  — Vai querer com ou sem toque no ombro?
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  Ela bufou, rolando os olhos. Ele esboçou um sorriso de canto. E então, sem aviso, %Ethan% estendeu a mão.
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  Tocou levemente as costas dela. Não como quem precisa, mas como quem quer. O gesto era sutil, quase imperceptível para quem passasse por perto. Mas firme o bastante pra ser sentido, de verdade.
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  Foi um toque que dizia mais do que qualquer frase de contrato. Ele não precisava guiá-la, a calçada era larga, mas fez mesmo assim.
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  %Isa% enrijeceu no ato.
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  Só por um instante.
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  Depois se permitiu continuar andando, como se nada tivesse acontecido. Como se o toque não tivesse acendido um alerta interno, o tipo que começa na pele e termina no estômago. Ela respondeu com um gesto mínimo: virou o rosto, fingiu um comentário qualquer, e sustentou o olhar dele por tempo demais pra ser só atuação.
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  — Ótimo. Isso vai render foto de capa. — murmurou.
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  — Você devia agradecer. Tô usando meu melhor lado.
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  — Isso é o seu melhor lado? — ela riu, breve. — Tô preocupada com o resto.
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  Mais alguns passos. A rua adiante se abria em uma esquina que marcava o fim do percurso combinado. Ali terminava o show. Ou, pelo menos, a parte pública dele.
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  %Ethan% parou.
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  %Isa% também.
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  A respiração dela ficou presa no meio do peito, e ela nem percebeu. Só notou quando ele se virou devagar, inclinando o rosto, o corpo levemente voltado em direção ao dela.
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  Ela correspondeu no mesmo compasso. Como se uma força invisível desenhasse o movimento. Quem passasse por ali, veria um quase-beijo. A encenação perfeita. O clímax ideal.
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  Mas havia um detalhe que nem as lentes captariam.
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  A hesitação.
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  Aquela fratura imperceptível no tempo. Aquela parte do gesto que era real demais.
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  — Até a próxima, %Campos% — ele disse, com a voz baixa, quase grave demais pro horário.
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  — Vai ser um prazer, %Blackwell% — ela respondeu, com um meio sorriso carregado de subtexto. Não era provocação. Era… aceitação.
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  Eles se afastaram.
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  Sem olhar pra trás.
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  Mas o toque na cintura, o calor na nuca, o quase-beijo ainda pulsavam sob a pele de ambos, como se o contrato tivesse uma cláusula invisível escrita à mão, no rodapé de tudo, dizendo: isso vai sair do controle.
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  %Ethan% entrou no carro com os ombros tensos, como se o ar lá fora tivesse deixado resíduos demais.
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  O motorista não disse nada — como sempre — e ele agradecia por isso. Só se encostou no banco de trás, puxou os óculos escuros de volta pro rosto e deixou a cabeça pender pro lado, observando as ruas passarem como se precisasse que o mundo andasse rápido por ele.
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  Duas quadras. Quatro fotógrafos. Três toques casuais. Um quase-beijo.
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  Ele soltou o ar devagar, como quem reconhecia uma verdade que ainda não sabe nomear. Era só um passeio. Uma encenação. O básico de qualquer acordo forjado. E ainda assim… ainda assim tinha algo errado.
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  %Isa%.
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  A forma como ela sustentava o olhar, como não recuava nem quando ele provocava, ou como ela rebatia com ironia o que, em qualquer outra boca, viraria constrangimento.
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  %Ethan% fechou os olhos por um instante.
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  Mas o rosto dela continuava ali. Vivo no escuro. Impressionantemente nítido.
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  Você sabia o que tava fazendo, %Blackwell%.
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  Essa era a parte que ele não dizia nem pra si mesmo. A que ficava atrás da costela, cutucando. Aquela manhã só tinha reacendido algo que ele fingia não ter aceso antes. Mas acendeu. No set. Naquele momento improvável. Quando ela surgiu fora de marcação, e o mundo inteiro perdeu o som por meio segundo.
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  Ele podia jurar que foi impulso.
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  Mas não foi.
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  Beijar %Isa% naquela cena tinha sido uma escolha irracional, completamente imprudente, mas inescapável. E agora, os juros dessa decisão chegavam em prestações silenciosas: no toque da mão, no arrepio atrasado, no jeito como o nome dela ecoava no fundo da mente mesmo quando ele queria silêncio.
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  Porque não era só sobre segurar a mão pra câmera, ou sorrir no ângulo certo.
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  Era sobre o ar ficar mais denso, as respostas mais afiadas e o sangue mais rápido. %Ethan% apoiou o cotovelo na porta e passou a mão pelo rosto, cansado.
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  Não era nada. Ele sabia, mas o nada dela era mais vivo que o tudo de muita gente.
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  O carro parou no sinal, e ele se pegou encarando o próprio reflexo no vidro. Estava cansado, confuso, e, acima de tudo, irritantemente… interessado.
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  Ele bufou, tirando os óculos, e murmurou só para si:
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  — Você tá ferrado, %Blackwell%.
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  Mas sabia, lá no fundo, que já estava desde o primeiro "ação".
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  As luzes do set já estavam quase todas acesas quando %Ethan% entrou, ainda vestindo a camisa do passeio, como se nem tivesse passado em casa — ou como se o corpo tivesse voltado, mas a cabeça ainda estivesse andando pelas ruas de Westwood.
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  O estúdio fervilhava. Cabos no chão, vozes sobrepostas, produtores com pranchetas na mão e fones no ouvido, a diretora repassando as marcações com a assistente enquanto uma câmera era posicionada no trilho. O cheiro de maquiagem misturado ao de café velho era tão familiar quanto a inquietação que começava a se instalar sob a pele dele.
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  No canto, Sienna estava sentada em frente ao espelho iluminado, retocando o batom com a precisão de quem já sabia que seria fotografada, mesmo sem aviso. Os olhos dela encontraram os dele pelo reflexo — rápidos, avaliativos. Mas ela não disse nada. Ainda não.
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  No camarim, Nick estava largado no sofá como se fosse uma extensão natural do móvel. Camiseta amassada, celular numa mão, energético na outra. O olhar fixo no feed, mas o cérebro claramente já processando tudo que precisava saber.
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  — Olha só quem voltou da lua de mel... — disse, sem nem desviar o olhar da tela. — Ou seria ensaio de capa da GQ? Você enlouqueceu geral.
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  %Ethan% jogou a mochila num canto, com um suspiro arrastado. Se sentou na poltrona ao lado como quem carregava peso demais nos ombros. Não físico. Psicológico.
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  — A internet ainda não superou — Nick continuou, rolando o feed com o polegar. — E agora vem esse passeio matinal com café, troca de olhares e sorrisos em câmera lenta? Cê vai me contar o que tá rolando ou quer que eu mande um e-mail pra assessoria perguntando?
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  %Ethan% não respondeu de imediato. Pegou a garrafa de água sobre a mesa, girou a tampa, mas não bebeu. Só ficou olhando pro rótulo como se ali houvesse alguma resposta. Algo que organizasse o caos.
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  — Tá rolando muita coisa — ele disse, por fim. — Mas nada que precise de e-mail.
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  — %Ethan%…
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  — Foi só um café, Nick.
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  — Você quase beijou ela em público, velho. Tipo… em público. Com paparazzi a dois metros de distância. — %Ethan% ergueu os olhos, cansado. Não com raiva. Só… exausto.
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  — Eu só tô tentando resolver.
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  — Resolver o quê?
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  %Ethan% abriu a boca, mas nenhuma resposta veio. Passou a mão pelo rosto, depois pelo cabelo, como se quisesse arrancar os pensamentos pela raiz.
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  — Tudo.
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  Nick o encarou por mais alguns segundos. O jeito como o amigo mexia no zíper da blusa de frio que ele tinha trazido, como se precisasse ocupar as mãos pra não explodir por dentro, dizia mais do que qualquer explicação poderia dar conta.
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  — Cara… você sabe que pode confiar em mim, né?
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  %Ethan% assentiu, num movimento quase invisível. Mas ficou claro que o “sim” ainda não vinha por inteiro. Porque contar tudo pra Nick significava transformar aquele caos do contrato em realidade. Dizer em voz alta o que ele mal conseguia encarar em silêncio. E parte dele ainda queria acreditar que aquilo era só um desvio de rota. Uma tempestade que ia passar.
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  Um assistente bateu na porta com a cabeça já enfiada para dentro.
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  — %Ethan%, estamos prontos pro ensaio da cena com a Sienna.
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  Ele se levantou sem dizer nada. Puxou o casaco como quem vestia um escudo, passou os olhos pelo camarim como se procurasse alguma âncora e caminhou até a porta com passos decididos, ou fingindo que eram.
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  Mas antes de sair, Nick soltou, com aquela voz que misturava conselhos e cuidado:
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  — Só tenta não confundir mais ainda a cabeça de quem tá lá fora… ou a sua própria.
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  %Ethan% parou. Foi só um segundo. Mas o silêncio dele naquele instante carregava um peso que ninguém ali conseguiria traduzir.
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  Logo depois, continuou andando e a porta se fechou atrás dele, abafando tudo que ainda não estava pronto pra ser dito.
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  Enquanto isso, no Twitter…
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  @cinemadaily %Ethan% %Blackwell% e %Isadora% %Campos% foram vistos tomando café em Westwood e o clima foi… íntimo. 👀
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  Detalhe: fontes afirmam que os dois se aproximaram nas filmagens após o famoso beijo fora do script. #%Ithan%
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  @updates se isso for encenação, eu quero ser enganada pro resto da minha vida.
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  @blackwellfanpage cada foto deles hoje tem uma fanfic pronta. o toque. o olhar. AAAAA
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  @siennacore a Sienna acabou de curtir um tweet sobre “quem não valoriza, vê outro valorizando”. Tirem suas próprias conclusões.
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  A cidade ainda nem tinha acordado por completo. Mas o nome deles já estava nos trending topics. As imagens, nos stories dos tabloides, os vídeos, em slow motion editado com música melosa… ninguém sabia mais se aquilo era atuação… ou só o começo de algo que nunca deveria ter sido escrito.
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  Nota da Autora: %Isa% agora é oficialmente namorada fake do %Ethan%, com cláusulas, olhares intensos e toques que ninguém pediu, mas todo mundo surtou. Escrevi esse capítulo rindo, suspirando e querendo chacoalhar os dois (principalmente ele). Também foi um dos meus favoritos até aqui, porque é quando o “é só encenação” começa a falhar. Obrigada por estarem comigo nessa loucura. Bora comentar: vocês acham que eles vão durar até a cláusula do “beijo espontâneo”?

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Lelen

Esse homem tá caído muito antes de ter entrado em cena, né? Será que tem alguma história pré? 🤔 Ele já tinha visto ela antes, talvez? Ou será se foi tipo amor a primeira vista? 🤔
Ethan marrentinho, quero ver ele todo bobinho pela Isa HAHAAHAH

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