Capítulo 9
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Sentia-se verdadeiramente mal por não poder acordar ao lado dele. Sabia que era segredo e quais seriam as punições diante do que partilhavam, mas observar os lençóis a seu lado remexidos, denunciando a presença de um corpo ali anteriormente, agora vazio, lhe dava uma sensação de abandono.
Por mais que não fosse isso, ela queria tê-lo a hora que bem entendesse, sem medir seus movimentos ou os sons que queria proferir enquanto ele lhe dava prazer. A impressão era que tinha acordado terrivelmente melancólica depois de mais uma noite acordada.
Levantou-se seguindo para a casa de banho anexa a seu quarto. As criadas já a esperavam com o banho quente e perfumado que iniciaria seu dia, mesmo que esse não tenha começado tão bem. Quanto mais o tempo passava, mais presa a Neji se sentia. Parecia necessário tê-lo ali apenas para respirar e isso a assustava.
Um bom reino não poderia ter um ponto fraco, e ele estava se tornando o seu. Não poderia impedir que ele fosse em alguma batalha ou missão diplomática em seu nome. Mesmo que um rei qualquer o fizesse de prisioneiro teria que se manter calma e pensar primeiro no bem-estar de todos, mas sabia que daria qualquer coisa para que ele voltasse caso essa situação acontecesse.
A esponja foi às suas costas com leveza, lavando sua pele, a mesma que ele fazia questão de beijar cada pedaço com carinho. Sorriu lembrando das diversas noites que passaram juntos. Saiu da água sendo acompanhada por uma das mulheres que a serviam pela manhã, vestiu-se e ouviu a porta bater em suas costas.
Depois de dispensadas, as mulheres se trancaram na casa de banho, e ela estava ali, sozinha em seu quarto com o homem que secretamente possuía. Estava perdida em seus olhos, em seu sorriso, mínimo arteiro, em suas roupas impecáveis…
Estava perdida; a rainha tinha um ponto fraco.
A Hyuuga tinha pedido no dia anterior para os criados organizarem o café da manhã no solário, afinal, era o último dia da estadia da No Sabaku em seu castelo. Então seguiu seu caminho até lá com Neji atrás de si, como de costume, encontrando Temari já sentada à mesa, Hinata deu bom dia e juntou-se a ela. As cozinheiras serviram o café da manhã farto para as duas e elas não demoraram a se deliciar com o banquete oferecido. Conversavam sobre como Temari tinha sido uma ótima aluna, superando completamente as expectativas da rainha.
— Desculpe ser intrometida ou até mesmo insolente, mas gostaria de perguntar uma coisa. — A No Sabaku mediava suas palavras com cautela.
— Pode fazer a sua pergunta. — Hinata sorriu.
— Você pretende escolher meu irmão? — A loira acariciou as próprias mãos em busca de diminuir o seu nervosismo.
— Temari, posso te confidenciar uma coisa? — A morena sorriu, e Otsutsuki sentiu seu coração disparar só em pensar na hipótese de ela falar sobre eles.
— Claro, majestade. — Assentiu.
— Eu não vou escolher ninguém.
— Mas… — Temari arregalou os olhos surpresa e a Hyuuga soltou o ar.
— Meu amor não está à venda, não vou me casar por um mero acordo econômico — a morena finalizou com um sorriso nos lábios.
— Agora eu te admiro ainda mais, Hinata. — A No Sabaku sorriu largo e ela realmente falava com sinceridade.
Hinata se despediu com um abraço em Temari nas portas do castelo, sentiria falta da companhia dela. Quando viu a carruagem deixar o terreno do castelo, girou os calcanhares e foi para a biblioteca separar os papéis para a reunião com o conselho. Ela carregava um sorriso no rosto, não esperava a reação tão positiva da No Sabaku diante da sua alegação, isso a deixou confiante.
Neji a analisava de longe, em silêncio, estava ligeiramente preocupado com a felicidade repentina que ela esboçava. Não que ele não quisesse mais que tudo a felicidade dela, no entanto, confiança demais às vezes nos faz tomar decisões precipitadas.
— Achei que diria a ela sobre nós — o moreno falou baixo, atraindo o olhar da rainha, que repousava na sua poltrona.
— Claro que não, o conselho ainda nem sabe. — Neji focou no "ainda" e isso o deixou mais preocupado.
— Como assim... ainda? — Neji arqueou a sobrancelha.
— Eu quero me casar com você — disse, simplista.
— Como? Hinata, nós não podemos. Eu sou… apenas um conselheiro... um comandante da guarda real. — Otsutsuki exaltou-se.
— Está dizendo que não quer casar comigo? — Ela franziu o cenho encarando o mais velho.
— Eu não falei isso. — Ele deu dois passos em direção a ela, suspirando. — Mas entre querer e poder existe uma enorme diferença, majestade.
— Você tem razão, eu posso, eu quero e eu vou. A não ser que você não queira.
— Alteza, você precisa escolher um dos pretendentes, isso não será benéfico para o reino.
— E escolher um dos pretendentes não será benéfico para mim! — gritou, batendo na mesa e levantando-se em um único movimento. — E se a rainha não está bem, seu reino tampouco ficará.
— Por mais que me doa tudo isso, nosso casamento não será bem visto no conselho e nem muito menos nos outros reinos. Nós não podemos arriscar…
— Eu te amo, Neji — ela o interrompeu, fazendo com que ele ficasse surpreso com a revelação. — E eu não vou abrir mão de você.
Hinata deixou a biblioteca apressada, sentindo seu coração acelerado, seu corpo estava quente, ela estava irritada. Ela esperava que tivesse o apoio dele mais do que ninguém, contudo, seu trabalho parecia ser mais importante. Bufou alto tentando se recompor. Entrou em seu quarto e sentiu uma lágrima solitária deixar seu olho. A última vez que algo tinha lhe machucado tanto, tinha sido há quatro anos, na morte de seu pai, entretanto, Neji a deixou chateada, magoada para ser mais exata. Ela sentou em sua cama e ficou com o olhar perdido admirando a vista do vasto jardim do castelo que tinha da janela do seu quarto. Ela não aceitaria a negação de Otsutsuki, não apenas pelo simples fato de que os títulos os separavam, não aceitaria que uma hierarquia definisse mais o seu destino do que o amor que eles sentiam um pelo outro.
Assim que Neji recobrou os sentidos, ele foi atrás dela, sentiu um peso em seu peito, ele foi insensível demais. Apenas pensou no reino, nos problemas, no quanto a rainha poderia ser prejudicada por uma escolha inconsequente. Contudo, não era inconsequência, ela o amava, assim como ele a amava e isso fez um sorriso brotar em seus lábios. Caminhou a passos rápidos em busca da rainha, precisava a encontrar antes da reunião com o conselho. Chegou na frente dos aposentos reais e respirou fundo, bateu na porta e pediu permissão para entrar, sendo permitida logo em seguida. Ele não sabia o que falar, estava com medo, estava aterrorizado, ele podia perdê-la e podia parar na guilhotina. Fechou a porta e deu alguns passos em direção a cama, onde ela estava sentada de costas para si.
— Não há o que desculpar, Neji. — Suspirou pesado observando as folhas das árvores ao longe, balançando com a brisa fresca da tarde. — Sei de seus receios e os entendo muito bem, mas eu não vou negar a nossa felicidade por conta de um velho do conselho ou por medo. Não vou nos privar de nada e se eu tiver que lutar, eu vou lutar, o que temos vale a pena.
— Eu sei que vale, não duvido do que sentimos, mas...
— Mas não quer que eu coloque tudo a perder por inconsequência — ela completou sua frase antes que ele pudesse, e olhou para trás, mirando os olhos claros, que pela primeira vez pareciam tão apreensivos. — Eu venho pensando com clareza há algum tempo... se tomei essa decisão, fiz conscientemente.
— Espere apenas um tempo. — Aproximou-se da Hyuuga mantendo suas mãos unidas.
[...]
Há mais de meia hora seu reinado era colocado em pauta. O que um homem a seu lado melhoraria verdadeiramente em sua administração? A mão ia da mesa até sua testa e tentava mesmo controlar seu revirar de olhos a cada minuto, mas Hiruzen testava a sua paciência a cada palavra que proferia. Evitava olhar para Neji para não pegar qualquer uma das espadas expostas na sala como decoração e enfiar no meio do peito do velho, ou pedindo para que Neji o fizesse, ou ela mesma faria sua primeira vítima fatal. Sorriu com seu pensamento.
— Algo que queira acrescentar, alteza? — o velho interrompeu o próprio discurso para trazer a rainha de volta a realidade. — Esperávamos que já tivesse escolhido, majestade.
— Não há pressa, senhor. — O sorriso de Hinata era pequeno e arrogante.
— Está achando que vai poder gerar herdeiros até quando, alteza? — Ele notou, ela soube assim que a voz do Sarutobi subiu o tom.
— Mas eu sei. — Fechou a cara para a rainha. — É apenas uma criança, por isso não sabe. — Ousou usar um tom debochado e isso foi a gota d'água para tirar a Hyuuga completamente dos eixos.
— Sabe mais que sua rainha? — Uniu as mãos à frente de seu rosto, apoiando o queixo nelas. — Faria melhor trabalho do que eu? — Mirou fixamente nos olhos escuros do velho. — Governaria melhor?
— Sem dúvidas! — Hiruzen bateu na mesa e todos os outros ocupantes ficaram tensos.
Um longo segundo tomou o local somente as respirações pesadas eram ouvidas em sincronia até que a morena quebrou o silêncio:
Neji levou a mão à testa, esperando uma discussão iniciar. Defenderia sua rainha contra quem fosse, e o velho merecia a partir do momento que duvidou minimamente da capacidade de Hinata.
— Não por isso. — O velho notou a tensão do cão de guarda real, sabia que era a hora de parar. Sua batalha ainda não era aquela.
— Então concorda que não preciso de um homem para manter meu reino?
— Majestade, eu e o conselho indicamos… — Nara e Yamanaka acordaram da letargia e encararam a rainha sem saber se negavam ou concordavam com o que Hiruzen dizia.
— Então espero que fique contente, já escolhi meu pretendente — interrompeu o seu discurso e levantou-se sem deixar a mesa, encarando o olhar assustado do moreno à sua direita.
— O Uchiha? — Os olhos do meistre brilharam em expectativa.
— Vou me casar com Neji Otsutsuki.
[...]
— Não deveria ter feito isso, Hinata. — O guarda fechou a porta atrás de si assim que chegaram aos aposentos reais. Possesso, estava em pânico. Como a Hyuuga, que mesmo prometendo antes da reunião que esperaria, soltou a novidade sem ao menos pestanejar?
— Ele queria uma resposta… eu dei. — Ela deu de ombros.
— Não acho que contar do nosso relacionamento ao conselho tenha sido uma boa resposta. — Encostou na parede ao lado da porta de madeira, respirando profundamente. Seria dispensado pelo velho, ou sumiriam com ele na calada da noite, talvez seus próprios guardas fizessem o serviço. Massageava suas têmporas tentando raciocinar, passou a mão pelo rosto consternado pensando em como iria resolver o problema que se meteu.
— Você vai dormir comigo… a partir de hoje — Hinata praticamente ordenou, ela tinha medo e desse medo os dois compartilhavam.
[...]
Em alguma sala do lado norte do castelo, onde moravam os conselheiros, uma carta era escrita e esta poderia acabar com os planos de Hinata, até mesmo com a vida de Neji ou com o reino. Não saberia até as consequências da entrega dessa carta baterem à sua porta.
“Meu senhor, acredito que as coisas não tenham saído como planejado. A rainha informou ao conselho que ela vai recusar todos os pretendentes e se casar com o comandante da guarda real. Espero que as notícias o ajudem a pensar em uma solução, precisamos urgentemente tomar medidas antes que seja tarde demais. Não concordo com tal conduta e espero ansioso por uma ajuda ou intervenção para que nossos reinos não sejam afetados e consigam de uma vez por todas unir suas forças. Hiruzen Sarutobi”
📌 Olá, leitores! É um prazer estar por aqui colaborando com uma história que amo! Intensidade, um amor que sufoca e algumas piadinhas são sempre o que procuramos trazer para vocês em nossas histórias e espero que gostem muito. É maravilhoso ter uma gêmea da escrita, nós literalmente compartilhamos um neurônio, acreditamos que as vezes até mais hahaha
Aproveitem a leitura ☺️
HatakeSaturn e HyugaUchiha31 🪢
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