Capítulo 20
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No salão do trono o barulho dos burburinhos era audível mesmo com as portas duplas de madeira maciça fechadas. Os guardas a postos abriram-nas quando seu noivo meneou a cabeça atrás de si. Os passos calmos não condiziam com seu interior conturbado, com tantas informações jogadas em si em um espaço de tempo recorde, a Hyuga tomou seu lugar e esperou que seus convidados se calassem.
Neji continuava de pé ao lado da rainha. Observava a todos, certo de que o outro culpado demonstraria com algum mínimo gesto a perda de um espião de tanto prestígio, com as informações que o velho poderia passar diretamente do conselho, de perto da rainha, seria um duro golpe contra a conspiração. Notou pelo canto dos olhos claros que a noiva se levantou, ela respirou fundo unindo ambas as mãos em frente a seu corpo e começou:
— O motivo para convocá-los tão tarde e com tamanha pressa é muito importante, peço desculpas desde já, não era de minha vontade interromper o descanso de nenhum dos senhores, mas o motivo de estarem aqui é o mesmo que me trouxe a esta reunião. — Apertou os dedos uns nos outros tentando manter a face serena. — Como de costume, todos os governantes de cada reino devem se manter atentos mesmo à distância, então fazemos uso de ouvidos. — Não é desconfiança, apenas meios, nem sujos nem limpos, de se obter a verdade, que pela distância, poderia ser oculta — continuou, descendo um degrau se afastando de seu trono. — Por meio dessa prática obtivemos hoje, há poucos minutos, a confirmação que havia um traidor entre nós. Uma pessoa que foi escolhida por meu pai, para um cargo de confiança, um cargo que muitos fariam de tudo para manter, porém nem todos sabem ser agradecidos pelas bênçãos dos deuses. — Olhou para Otsutsuki e confirmou, observando-o sair e voltar os olhos aos seus aliados. — Eu não considero meu pai um tolo por confiar em alguém e errar em seu julgamento, digo isso a todos, pois qualquer um de nós, não importando idade, cargo ou poder, podemos nos enganar.
As portas foram abertas novamente e Neji se aproximou segurando o homem velho e assustado, o exibindo para todos. Os membros do conselho pareciam tão chocados quanto os outros nobres que sabiam quem ele era. Hinata sequer olhou para o homem patético, preso por Haru.
— Hiruzen Sarutobi — disse para calar as vozes incrédulas —, foi preso hoje em sua casa, acusado de um crime que me enoja. Temos provas que o senhor Sarutobi, meistre do nosso reino e membro do pequeno conselho real do reino da Lua, estava conspirando contra a coroa. — Hinata respirou fundo. — Ele vai ser preso nas masmorras enquanto espera a minha decisão junto ao conselho para decidir a sua punição.
Todos ainda estavam atônitos de saber daquela informação tão importante, Neji franziu o cenho com a atitude da rainha, o que ela queria? Achava que iria expor o velho a todo o seu reino e decapitá-lo em praça pública. O general virou e entregou o meistre aos guardas para que o levassem para a cela no subsolo do castelo. Hinata então finalizou seu discurso dizendo para que todos voltassem aos seus aposentos e que tivessem uma boa noite de sono. O noivo da rainha entrou no quarto seguido dela, trancou a porta e então virou-se para a Hyuga com um semblante confuso.
— O que pretende? — perguntou, vendo a mulher tirar suas vestes, ficando nua em sua frente.
— Temos que ser mais espertos, caso o reino que me ataque esteja aqui, alguém vai tentar salvá-lo, não? — Neji caminhou até ela e pôs as mãos em seus ombros enquanto depositava um beijo molhado no pescoço da mais baixa.
— Você é extremamente inteligente, Hina. — Deslizou os dedos pelos braços e agarrou a cintura, a virando para si, olhando nos olhos claros. Retirou uma mecha dos longos cabelos que cobria sua face e colocou atrás da orelha. — Eu poderia dizer que a cada dia me apaixono ainda mais por você.
— Posso dizer o mesmo… — Beijou com volúpia seu noivo, havia algo para comemorar aquela noite, uma batalha foi ganha e isso era motivo suficiente.
[...]
Kankuro saiu da sala com um sorriso estampado em seu rosto, limpando as mãos e sem parar seus passos até o guarda real, que estava do outro lado do corredor.
— Foi muita sorte estar hospedando um especialista em interrogatório — Neji comentou e descruzou os braços. Não gostava do trabalho de Sabaku por não ter paciência suficiente para executá-lo. Aquilo poderia durar horas, que o moreno preferia dividir com sua rainha.
— Eu que agradeço esta sorte. — Alargou mais o sorriso contagiando Otsutsuki. — Achei que estava enferrujado passando dias calmos por aqui. — Observou o noivo da rainha começar o caminho de volta para a ala que os convidados realmente transitavam no castelo.
— Não acho que possa perder o jeito. — Dobraram o primeiro corredor e começaram a subir a longa escada. — Conseguiu algo bom, ou essa felicidade genuína é por fazer alguém… falar?
— Por ambos. Gosto de um trabalho bem executado.
— Se quer os detalhes, peça. — Kankuro tirou sarro do general, que arqueou uma sobrancelha em resposta. — Ok, então, descobri que há um cofre e alguns documentos importantes, a senha e o ouro que ele recebeu em troca de informações. Contudo, nada sobre quem tenha feito, ele repetiu algumas vezes que isso não era importante e sim o fato de sua rainha fazer a escolha certa, não por ele, mas pelo reino. — Chegaram ao topo da escada que dava acesso à cozinha do castelo.
Passando entre as pessoas que cumprimentavam ambos, Neji pensava nas palavras de Sarutobi.
A escolha certa, a escolha certa… — Parece que tudo é por conta do meu casamento com Hinata. — Respirou o mais fundo que pôde. Entendia perfeitamente caso a Hyuga desistisse do compromisso, sempre soube que ela perderia mais, mas em hipótese alguma achou que seria tanto.
— Ei, não caia nessa — o Sabaku chamou a atenção do guarda. — É isso que eles querem que pense, quem quer que esteja por trás de tudo isso quer plantar uma dúvida em você, que você não se ache suficiente. Não a ama?
— Mais que minha própria vida.
— Então o que está esperando? — brincou animado. — Vamos descobrir o que tem no cofre do cara mais boca aberta que eu já interroguei.
[...]
Hinata encarava todos aqueles papéis em cima da mesa redonda da sala onde tinha as reuniões com o conselho, ali apenas Neji, Kankuro, Gaara e Hashirama. Suspirou pesadamente tentando ligar as cartas das quais só tinha as respostas, o que ele tinha passado para o suposto reino que tentava a todo custo tirar as noites de sono de Hinata? Todos discutiam sobre as cartas sem assinaturas, os documentos que continham datas específicas sobre alguns afazeres do reino e da rainha, e ouro, bastante até. Após tantas hipóteses a Hyuga estava cansada, queria um tempo para arejar a cabeça, um vinho lhe cairia bem naquela noite. Contudo, ainda tinha uma decisão a tomar.
— Decidiu, alteza? — Neji perguntou receoso.
Por mais que odiasse o velho, não deixou de sentir a perda, era um velho amigo de seu pai e vê-lo trair a coroa tão facilmente assim a enojava, ele foi completamente sem escrúpulos. Hiashi com certeza estava se revirando no túmulo com tal traição, seria pesado. Entretanto, Hinata não tinha escolha, era o certo a se fazer, esperava apenas que os ataques acabassem.
No dia seguinte, todos se reuniram na praça central, Gaara engoliu em seco quando viu a cena que esteve diante de seus olhos há pouco menos de dois meses, ter mandado matar seu primo ainda assolava seus sonhos, ou melhor, pesadelos. Hinata subiu no palanque montado em frente à praça, com ela estavam Neji e o restante de seus conselheiros. Olhou para todos os súditos esperando uma explicação para a guilhotina estar ali. Respirou fundo e então começou:
— Passamos por alguns dias conturbados, eu sei, mas achamos um traidor, um dos nossos estava armando, conspirando contra a coroa e sua rainha. O reino da Lua nunca teve um traidor entre os nossos, principalmente, dentro do meu conselho pessoal. — Neji meneou a cabeça para Haru que estava próximo da carruagem que trazia Hiruzen, guardas o pegaram e levaram até o carrasco, que estava parado ao lado da arma assassina. — Meu meistre estava orquestrando uma conspiração contra mim e meu noivo e, não menos importante, contra o nosso reino, nosso povo. — O silêncio na praça era ensurdecedor, aquela cena era hipnotizante, todos os reis que estavam ali, de seus reinos aliados, estavam abismados com tamanha devoção que Hinata possuía de seu povo. Era algo bonito de ser visto, ela era realmente uma rainha e tanto. — Hiruzen Sarutobi, você está condenado à morte por tramar contra a coroa e o reino da Lua.
O barulho da guilhotina fez a rainha desviar os olhos para o lado, não queria ver aquilo, então não esperou nem mais um minuto, virou-se e foi descendo os degraus, Neji se apressou e segurou sua mão a encaminhando até a carruagem. Chegaram todos ao castelo e nem conseguiram chegar até a sala de refeições para então ser servido o almoço, pois Madara chamou a atenção para si pigarreando mais alto.
— Bom, meu trabalho está concluído então.
— Que trabalho seu… — Hashirama segurou o ombro do irmão, que bufou de ódio.
— Vou voltar para o meu reino, pois deixei meu caçula cuidando de tudo. — Sorriu com soberba e então deu as costas.
— O aguardo em meu casamento, Madara — Hinata soltou arrogante. — Espero que venha nos dar as felicitações dadas por cartas pessoalmente.
O Uchiha trincou os dentes e respondeu ainda de costas:
— Será um prazer, criança.
[...]
A tarde sem os Uchiha fazia o reino tranquilo da Lua ainda mais agradável. Estava faltando peso dos acontecimentos recentes, das conversas infinitas e de todo o drama entre seu tio e o rei do Fogo. Que Madara e toda aquela desagradável presença ficassem longe, por tempo indeterminado.
Passeava pelo jardim que tanto orgulhava a amiga, entendia Hinata e a adoração daquele espaço, ele era realmente especial, e fazia Tsunade esquecer de seus problemas. Antes do jantar ser servido aos convidados remanescentes da Hyuga, conversavam sobre todo tipo de assunto, mas ela não estava com cabeça, nem para suas divertidas brincadeiras.
O assunto quase sempre rondava sobre o casamento da melhor amiga, estava muito feliz por Hinata ter encontrado a felicidade ao lado de quem o coração dela escolheu, no entanto, não pôde deixar de sentir uma pontinha de inveja. No fim das contas, restava-lhe um reino que não queria gerir, um quarto vazio para dormir em seu castelo e seu humor ácido, não era uma lista de se orgulhar. Bufou chutando uma pequena pedra, enquanto dava a volta na linda fonte que adornava o centro do jardim, perto da entrada do castelo, estava cansada de não ter conquistado absolutamente nada que pudesse fazê-la se sentir bem, nenhuma novidade na vida da princesa Senju.
Os portões foram abertos com certa pressa, chamando a atenção da princesa. Guardas gritavam pedindo ajuda e alguns saíram do castelo, passando ao lado da loira, correndo para atender os homens desesperados no portão. Tsunade ficou mais atenta ao desenrolar daquela história quando o que pareceu ser uma porta de madeira, que era utilizada como uma maca improvisada, carregava um homem desconhecido. Os soldados da guarda real apertaram o passo para voltar ao castelo carregando o homem da maneira que podiam e em busca de Neji.
Passaram ao seu lado e a Senju rapidamente acompanhou a comitiva desesperada. O rosto estava inchado em muitas partes, braços, pernas e um dos pés estava enfaixado por um tecido que era manchado de vermelho vivo. Suas roupas estavam em trapos e como os panos que o cobriam, igualmente ensanguentada. Tsunade capturou o pulso do homem e tentou sentir seus batimentos, cuspindo ordens em seguida:
— Você — disse para o homem que lhe deu lugar —, vá chamar a rainha e o general. Os demais, levem o desconhecido a um quarto e me aguardem lá.
Os guardas não pensaram antes de obedecer às ordens da princesa. A Senju correu pela fortaleza da Lua o mais rápido que pôde, ao chegar em seu quarto, tomou posse de alguns utensílios que carregava para eventuais emergências. Munida de todo o material, correu para a ala que a amiga estaria, chegou a tempo de ver a face da amiga assustada ao lado do noivo que ouvia as novas informações dos soldados, alcançou o braço da Hyuga e perguntou:
📌 Olá, leitores! É um prazer estar por aqui colaborando com uma história que amo! Intensidade, um amor que sufoca e algumas piadinhas são sempre o que procuramos trazer para vocês em nossas histórias e espero que gostem muito. É maravilhoso ter uma gêmea da escrita, nós literalmente compartilhamos um neurônio, acreditamos que as vezes até mais hahaha
Aproveitem a leitura ☺️
HatakeSaturn e HyugaUchiha31 🪢
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