Capítulo 19
Tempo estimado de leitura: 13 minutos
Passos apressados ecoavam pelo chão e paredes de pedra. Estavam todos em seus próprios aposentos após a reunião, que ocorreu tensa e raivosa como o esperado. Não chegaram a ponto algum e se chegaram ele não ouviu. Prestava muita atenção no homem sério e calado ao lado direito de Madara, como o sucessor do Uchiha.
As palavras do moreno não saíam de sua cabeça em momento algum, e o que fosse discutido entre Hinata e os aliados do reino não era mais tão importante, saberia os detalhes depois. Estava focado no que descobriria com Itachi, se é que ele dizia a verdade. Saiu pela porta lateral do castelo, um lugar que era frequentado na maioria das vezes por empregados e servos atarefados. Marcou seu encontro com Uchiha ali, exatamente para que nenhum nobre de outro reino os visse. Aproximou-se de uma árvore perto do muro que delimitava a área do castelo e parou esperando Uchiha começar, certo de que o grande soldado treinado por Madara tinha ciência de sua presença.
— Achei que não viria. — O moreno de longos cabelos negros saiu das sombras mostrando-se a Otsutsuki.
— O que sabe de tão importante que te faz pensar que quer o bem de minha noiva tanto quanto eu? — Deu dois passos para trás encostando em uma árvore próxima.
— Porque eu também a amo. — Assim que as palavras de Itachi deixaram seus lábios, Neji sentiu seu sangue ferver, e talvez fosse a primeira vez que isso acontecia, mas perdeu completamente sua razão avançando no Uchiha, segurando as vestes na altura de seu pescoço.
— Como você tem coragem de vir ao meu reino falar isso?
— Você perguntou e eu respondi. — Itachi se mantinha sereno, ao contrário do general da Lua que sempre manteve a racionalidade. — Fique calmo, ela te escolheu, não? — Soltou a camisa do herdeiro do Fogo bufando e deu dois passos para trás.
— Não abuse da sorte mais uma vez, Uchiha.
Itachi se recompôs e limpou a garganta antes de começar:
— Meu pai tem feito reuniões secretas e tenho certeza que existem outros reinos indo até lá para essas reuniões, eu não sei muito bem o motivo ou o assunto tratado, todos têm me escondido coisas. — Ele suspirou. — Se estão deixando o herdeiro de fora…
— Alguma coisa errada está acontecendo — Neji completou a frase, recebendo um aceno de Uchiha. — É só isso que sabe?
— Foi tudo que consegui escutar, faz tempo que tenho que me esgueirar pelo castelo para saber de algo, até mesmo meu irmão… Acredito que eles tenham percebido que tenho sentimentos pela rainha… — Neji fechou o cenho fazendo Itachi engolir as palavras. — Bom, tenho ficado de fora.
— Você realmente está se voltando contra seu pai? — O general arqueou a sobrancelha. — E se você está fazendo isso para ajudar Madara de alguma forma? Não sei se posso confiar em suas palavras.
— Eu não quero que Hin… — corrigiu-se — rainha Hinata sofra ou tenha perdas em seu reino, sei o quanto ela se importa com seu povo e isso foi um dos motivos que fez com que eu me apaixonasse por ela.
— Só pode estar de brincadeira. — O guarda revirou seus olhos desacreditado. Poderia pensar em mil defeitos para Uchiha, mas a coragem do moreno era ímpar.
— Não estou, acredite, quero apenas o bem da rainha. — Começou seu caminho para sair dali antes que algum guarda pudesse notar sua falta. — E me prometa que fará de tudo para protegê-la.
— Não duvide disso. E eu não preciso prometer nada para você, Uchiha, fiz meu juramento há muitos anos e a partir do momento que ela me escolheu, minha vida passou a ser dela mais ainda — confirmou arrogante.
— Eu faria o mesmo. — E sem esperar para descobrir se Neji perderia ou não a paciência de uma vez, deixou-o sozinho e voltou para o aposento designado a si.
Neji respirou fundo tentando deixar a raiva e a vontade de matar Itachi enquanto o idiota dormia e voltou para dentro do castelo. Pensava se poderia ou não compartilhar essas informações com Hinata, mas não tinha escolha, sua noiva o mataria se descobrisse que escondeu algo de si. Tomou o rumo da sala de visitas onde deixou a Hyuga e suas amigas para um chá noturno.
[...]
— E então… — Tsunade se concentrava na pergunta antes de jogá-la no colo da amiga. Esperou longos minutos de conversas, que variavam entre o sério e o engraçado, para sanar sua curiosidade. — Temari. — A outra loira arregalou os olhos ao ver o sorriso torto que a Senju mostrava. — Como foi ter o Nara deliciosamente em cima de você?
— Não, não, não. — Hinata abaixou a xícara notando a vermelhidão que tomava o rosto da Sabaku. — Sem essas suas maluquices, Tsunade.
— Negue para a rainha, ou conte-nos apenas a verdade suja que eu soube pelos corredores.
— Tsunade, não há nada. Ela está sem jeito com a sua falta de vergonha — a Hyuga comentava com a loira fofoqueira, enquanto Temari ponderava se poderia falar ou não o que sentia. Decidiu que a hora de assumir que não era indiferente a Nara era aquela, com suas amigas, mesmo que Tsunade pudesse fazer ela se arrepender.
— Eu e o Shika… — Foi interrompida por um grito acompanhado por um pulo. Já estava arrependida.
— Shika? Hinata, me diga se não estou sonhando? — Estendeu o braço para a morena atônita. — Me belisque, Hina, me belisque. Só assim eu posso acreditar.
— Eu nunca notei. — A rainha manteve sua boca levemente aberta e as sobrancelhas unidas, calculando as informações. — Tsunade, senta e vamos ouvir essa novidade.
— Eu esperei semanas — bateu na própria coxa animada —, semanas, Hina, e ela não abria essa boca. Achei que eu realmente tinha inventado um romance onde não tinha, mas os Deuses são justos. — Apontou para o céu erguendo o braço o mais alto que podia. — Os Deuses me amam, Hina, eu estava certa!
A Hyuga ignorou o espetáculo que a Senju fazia e se virou para Temari, estranhamente calada.
— Ainda quer contar? — perguntou sem jeito. Entendia perfeitamente caso a Sabaku desistisse pelo comportamento de Tsunade.
— Sim, eu preciso contar isso para alguém. — Ajeitou-se na cadeira e respirou fundo, tomando coragem. — Eu e ele nos conhecemos na biblioteca, logo no início das minhas aulas com a Hina. — Observou a loira exagerada sentar e se calar, esse milagre só acontecia quando Tsunade estava realmente curiosa. — Bom, a partir dali nos encontramos algumas vezes pelos corredores entre uma aula minha e uma reunião dele, começamos a conversar sobre o meu reino.
— O que a Areia tem de tão interessante? — A Senju deu de ombros. — Já fui lá tantas vezes, não tem mais graça.
— Ele nunca foi — Temari continuou — e disse que estava curioso para saber como era. Contou algumas histórias de seu pai sobre as viagens que fazia com o pai de Hina e eu confirmei as belezas e maravilhas da minha terra — falou entre dentes, fuzilando a Senju com os olhos.
— Como eu não sabia disso? Você se esconde tão bem… — Hinata comentou.
— Não é para tanto, você estava muito ocupada com assuntos do reino. — Temari não conseguiu terminar o raciocínio.
— E interrompendo as noites de sono das amigas — Tsunade cantarolou.
— Enfim, ele e eu conversamos muito e nos entendemos, eu acabei tendo sentimentos por ele, mas temo que meu irmão não permitiria — terminou cabisbaixa.
O silêncio tomou a sala antes animada. Duas mentes trabalhavam para responder a amiga, de uma forma esperançosa ao menos. Não fazia sentido desacreditar em um sentimento tão novo.
— Use o que aprendeu com a Hina. — Tsunade olhou seriamente para a Sabaku. — Use o que aprendeu com negociações, tratados e como conseguir o melhor acordo para si. Se o Nara retribuir, como eu imagino, não desista até fazer seus irmãos aceitarem.
Hinata sorriu para a amiga e pegou a mão de Temari, tentando transmitir a força necessária para lutar pelo que se queria.
— Sabe que pode contar conosco, não é? — Sentiu os olhos lacrimejando no mesmo instante que notou os da loira da Areia marejarem também.
— Perfeito. — Tsunade se esticou para pegar a outra mão da Sabaku. — Temos o sim de Hinata, um reino já está de acordo, falta o outro para um casamento acontecer.
— Não está apressando as coisas? — A loira sorriu, interrompendo o momento emotivo que partilhavam.
Tsunade não teve tempo para responder, batidas na porta foram proferidas e Hinata liberou a entrada, estranhando logo em seguida a feição de Neji, que entrou no ambiente tomando sua usual postura.
— Precisamos conversar, alteza.
— Vou precisar me recolher, vê se não fala mais besteiras para Temari, Tsuna. — Hinata levantou e foi em direção a porta, que foi aberta pelo seu noivo. Seguiram para o quarto e ao chegarem lá, Neji fez um ritual que não faziam há algum tempo; retirar as joias e a coroa da rainha. — Então, o que houve? — Ela olhava o reflexo do moreno no espelho da penteadeira. — Está irritado, o que aconteceu?
— Itachi Uchiha me procurou. — Hinata virou rapidamente seu pescoço olhando para ele, surpresa.
— Como? — Ela franziu o cenho.
— Aparentemente, Itachi está traindo seu pai me dando essas informações.
— Que informações, Neji? — Ela se levantou, exaltada.
Otsutsuki repassou mais uma vez tudo que o herdeiro do trono do reino do Fogo lhe passou, ocultando algumas partes, claro. Não precisava falar que Itachi a amava, era desnecessário para o tema em questão. Falou para sua noiva que mesmo assim, ainda custava a acreditar, pois ele poderia muito bem fazer parte de algum plano maluco do Madara.
Hinata ficou apreensiva, e se os reinos que não responderam sua carta tivessem se juntado a ele? Não queria enfrentar uma guerra, a última tinha sido anos atrás, ela nem era viva, mas Neji se lembrava, era pequeno, porém se lembrava perfeitamente, pois seu pai quase foi tirado de si. Depois de tanta conversa e deduções, Hinata e Neji se aprontavam para dormir quando uma voz foi ouvida da pequena sacada dos aposentos reais. O guarda foi até as portas e abriu indo até o lado de fora.
— Tenho novas informações. — Ouviu a voz rouca do homem que estava encostado na parede de braços cruzados.
— É realmente alguém, Neji? — Hinata chegou na porta e Otsutsuki colocou a palma da mão impedindo a sua passagem. — O quê?
— Ouça daí, não está em trajes adequados.
— Pelos Deuses, Neji. — A rainha cruzou os braços, e o guarda acenou pedindo para o mascarado continuar.
— Aquele que você suspeitava é o traidor. — A Hyuga engoliu em seco, pois se fosse quem ela pensava, céus. — Ainda não consegui encontrar quem é o mandante de tudo, mas irei descobrir. Fiquem em alerta, qualquer reino pode ser quem nos ataca.
— Recebemos informações de que o reino do Fogo estava tendo reuniões secretas com outros reinos.
— Pois será meu próximo passo, vou averiguar.
— Obrigado pelos seus serviços. Com sorte evitaremos uma guerra.
— Eu não teria tanta certeza, general. — O homem caminhou até o guarda corpo. — Alteza. — Despediu-se e pulou na escuridão.
Neji virou para Hinata, que ainda estava estática pensando na informação que tinha acabado de receber. A raiva começou a tomar conta de seu corpo, dessa vez suas bochechas estavam vermelhas, e não era por vergonha. Virou-se em direção ao seu armário e pegou um vestido, jogou seu robe longe e o seu noivo assistia tudo com o cenho franzido.
— O que vai fazer? — perguntou.
— Se troque, chame uma criada e peça para chamar todos, inclusive o conselho. Quero todos na sala de reuniões, agora! — exclamou irritada.
— Sim, majestade, agora mesmo. — O guarda trocou de roupa e foi fazer o que lhe foi pedido, a noite que ele tanto esperou ser em paz, seria um pouco mais longa e talvez teria uma morte pelo caminho.
📌 Olá, leitores! É um prazer estar por aqui colaborando com uma história que amo! Intensidade, um amor que sufoca e algumas piadinhas são sempre o que procuramos trazer para vocês em nossas histórias e espero que gostem muito. É maravilhoso ter uma gêmea da escrita, nós literalmente compartilhamos um neurônio, acreditamos que as vezes até mais hahaha
Aproveitem a leitura ☺️
HatakeSaturn e HyugaUchiha31 🪢
Todos os comentários (15)