Capítulo 14
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Reino da Areia
As paredes escuras do pequeno cômodo escondido no castelo pareciam se fechar conforme o tempo passava ali. Sofria com o calor das terras secas, mas repletas de riqueza em minério. Tudo que quis até ali foi dar início a sua trajetória até algum lugar de prestígio no reino, em qualquer um deles, algo que pudesse levar sua família a festas requintadas. Queria mudar de vida, mesmo que fora da lei, sendo procurado futuramente por alguns reis, isso não vinha ao caso antes, não naquele dia.
Ele saiu de sua casa e encontrou o homem loiro, muito conhecido pelo reino dos Sabaku. Este homem o chamou para participar de um pequeno grupo que agiria de forma sorrateira buscando unificar algumas terras, ele não negou fazer parte, sabendo do nome de peso de ambos os participantes. O loiro lhe prometeu muito ouro e títulos, com a ajuda do parente do rei, quando tudo que o homem por trás do plano conseguisse conquistar o primeiro reino. Seus planos eram esses; fazer sua parte e depois colher o apoio de quem o convidou para o trabalho.
O ex-artesão fabricava armaduras simples para alguns soldados do exército real. Os que faziam a guarda das fronteiras, longe dos olhos da população, longe das exigências da realeza. Sem requinte, sem detalhes, um desperdício de suas habilidades, mas pagava as contas de sua família, e apesar de não ser casado ainda, o jovem já sustentava uma pequena casa modesta, com os pais velhos e doentes, que pouco ajudavam nas tarefas, não queria reclamar, mas nada do que tinha era suficiente. Ele deveria fazer algo para mudar, para ter mais, para dar mais a seus pais e retribuir o que foi passado para si. O reino não fez bom uso de seus talentos e o jovem ferreiro de família humilde aceitou a missão.
Recebia o carregamento de sempre, para a manutenção e forja de novas armaduras e no meio de toda a tralha de armaduras gastas, um grande acréscimo que seria levado por ele até a divisa do reino do Fogo. O caminho era longo e deveria ser feito sem pressa, com uma pequena carroça antiga disfarçada como agregadora de porcos, cheias de ferro coberto com capim para tentar passar despercebido caso algum guarda o parasse.
Funcionou até alguns dias, ou semanas, antes quando um guarda da Lua pediu para inspecionar a carroça, dando fim à renda extra do ferreiro e longos dias de caminhada entre os reinos. A única porta do cômodo quente foi aberta, o som do ranger das fechaduras característicos de dobraduras velhas e pouco usadas há tempos.
Achava que nada poderia ser pior que o seu transporte até o Reino da Areia, mas o tempo que havia passado ali preso com algumas cordas içando-o pelas juntas de seu corpo, pioraram um pouco sua situação. Assim que chegou foi para o ar, amarrado por nós apertados. Punhos, cotovelos, joelhos, pescoço; sendo movimentados por guardas quando bem queriam. O prisioneiro virou uma marionete e era maltratado para revelar quem o fez trair seu rei, estava farto de esconder aquilo, tudo estava perdido mesmo.
A figura conhecida que o visitava algumas vezes, mas nunca de fato o tocou foi avistada, apenas puxava as cordas e fazia a mesma pergunta, chegou mais perto, sorriu de forma fria e mais uma vez perguntou:
— Quem fornecia o carregamento?
Não comia, não via a luz do dia. Não havia esperança, estava morto ou preso para sempre, perdeu de todas as maneiras, mas levaria consigo os homens que o levaram até ali.
— Sasori Akasuna tem contatos fora do reino e um de seus capangas veio diretamente a mim pedindo ajuda para retirar o material do reino e levá-lo até às terras Uchihas.
— Acaso saíam de sua cabana? — Kankuro passou a mão em uma das cordas puxando-a para mover o braço esquerdo do prisioneiro.
— Não senhor, há um grande galpão de madeira, escondido entre as formações rochosas afastadas do reino.
— As antigas minas? — Passou sua mão por uma corda e ergueu o outro braço do prisioneiro.
— Sim… — gemeu. A dor começava a incomodar seus ossos e o vermelho da pele queimava a cada movimento do irmão do rei. — A antiga mina, senhor.
[...]
— Majestade, temos a localização do traidor! — Kankuro falou adentrando a sala do trono.
O ruivo levantou em satisfação, afinal, era seu reino, o controle de suas terras, que era para ser totalmente seu, tinha se esvaído de suas mãos sem ele nem ao menos perceber. Queria matá-lo em praça pública o mais rápido possível, não tolerava que sua autoridade fosse desrespeitada dessa forma, ainda mais roubando do seu povo e ajudando outro reino a se armar para uma possível guerra.
— Ache-o e traga-o para mim.
— O que fará, Gaara? — Temari falou preocupada.
— Ora, o que mais faria? — Deu um sorriso presunçoso, coisa rara de se ver. Gaara era uma pessoa tímida, gostava da sua privacidade, era em sua maior parte do tempo centrado e mantinha sua pose séria. Contudo, seu reino e seu povo eram preciosos demais para si e virava uma fera quando esses eram passados para trás.
— Em público? — A loira arregalou os olhos.
— Príncipe Kankuro, a tropa está pronta. — Um dos guardas apareceu na porta o avisando.
— Estou indo, acredito que volto em breve. — O general No Sabaku saiu em busca do seu alvo, traria o traidor para receber o castigo que Gaara desejava.
[...]
A praça central do Reino da Areia estava repleta de cidadãos. Pessoas de todas as classes aguardavam amontoadas para ver algo que há muito não acontecia. Os reis aos poucos iam caminhando para o desenvolvimento e com isso as formas de punições públicas estavam quase extintas, quase. Havia exceções e esta era uma que o jovem rei Gaara faria questão de estar presente.
Um membro da família real traindo a coroa e pior, seu sangue, em troca de quase nada era motivo suficiente para a punição em meio aos súditos. Não estava nem um pouco feliz, na verdade o ódio o consumia, mas seu semblante sempre leve mostrava a calma que todos os moradores de seu reino precisavam para garantir que sua majestade tivesse o controle. Desgostoso por não compreender todo o plano de Madara e muito irritado por se sentir atacado por todos os lados, o rei deu início ao seu pronunciamento:
— Caros cidadãos da Areia, é com pesar que os tirei de suas casas, de suas rotinas, para presenciar a sentença de um homem. — Temari se mexeu desconfortável ao seu lado. — Nada é mais doloroso para um monarca que ama tanto seu reino, saber que há uma traição. Entre toda a população sempre haverá os descontentes com a coroa, e minhas portas estão abertas uma vez a cada quinzena para recebê-los, e como rei, aceito suas sugestões e pedidos, mas nada justifica uma armação orquestrada por este homem, ocorrendo debaixo de nossos narizes. Roubando as riquezas que são de cada um de nós, e quando tal traição vem de um membro da família real, meu povo, seu rei não pode negar-lhes justiça.
Gritos e xingamentos foram proferidos com muitos punhos para o alto em concordância com No Sabaku.
— Meu irmão pessoalmente participou da captura deste traidor. — Fez sinal para que os guardas, juntos a Kankuro, atravessassem parte da multidão.
Assim que a população observou Sasori, primo do rei, um misto de raiva e incredulidade tomou os rostos que o rei conseguia observar. Mais um acenar de Gaara e Akasuna estava em posição. O ruivo suplicava por sua vida dizendo ter sido induzido ao ato, porém o rei seguia firme de sua decisão, sentia um nojo imenso de Sasori. Sua família sempre teve tudo, porém apenas a coroa bastaria? O alçapão foi aberto e o barulho oco se fez presente no silêncio que seus súditos fizeram ao ver seu sinal ao carrasco. Gaara apenas deu as costas e foi em direção ao castelo, sendo seguido por Temari e Kankuro e sentou em seu trono como se nada houvesse acontecido. Apesar de tudo, o rei tinha seus limites e aquele tinha sido o seu, sentia um certo incômodo, depois de tanto tempo ter que fazer tal atrocidade, entretanto, sabia que tinha sido justo e por enquanto, isso bastava.
— Temari, envie uma carta para Hinata, precisamos de uma reunião. Urgente — Gaara disse firme.
Reino do Fogo
Rato, era isso que ele era. Estava nos fundos do lugar que Sasori usava para suas falcatruas, ouviu quando os guardas reais chegaram, escondeu-se muito bem e assim que pôde, saiu atrás de seu tão sonhado protagonismo. Sabia que quem comandava era Sasori, porém queria mais, queria que ele fosse o mandante de toda a tramoia. Então foi direto para quem poderia lhe dar tal cargo, Madara Uchiha, o verdadeiro cabeça de toda a armação, ele sabia, tinha descoberto em alguns documentos nas coisas de Akasuna. Correu como nunca, dias a fio pelo deserto até entrar na vasta floresta do Reino da Lua, até chegar nas montanhas do Reino do Fogo, ali era seu destino. Os guardas de Madara o prenderam, claro, estava invadindo uma terra a qual ele não fora convidado, quando um guarda foi levar sua comida, pediu desesperado para ver o Rei, teria informações importantes de seu interesse.
O Uchiha pediu para que trouxessem o refém até ele, ouviu tudo atentamente e tentou não transparecer sua preocupação, poderia ser descoberto, afinal. Caso não tivessem matado Sasori ainda, ele com certeza daria com a língua nos dentes, era um fraco.
— Um dos nossos foi pego no caminho com o carregamento de ferro que pediu semana passada — Deidara explicava calmamente. — O general, irmão do rei, apareceu no nosso esconderijo com guardas reais. Eu consegui me esconder e corri para cá quando tudo se apaziguou.
— Hm. — Madara apenas murmurava e acenava para que ele continuasse.
— Não sei como faremos agora, majestade.
— Não estou preocupado com isso, garoto. Tenho ferro o suficiente para armar todo o exército Uchiha e ainda haveria sobra. — O rei do Fogo sorriu de forma vitoriosa.
— Talvez eu pudesse ajudar em seus planos.
Respirou fundo, tentava se controlar para não matar Deidara com suas próprias mãos, além de ser irritante, era só mais um peão em seu tabuleiro, ele serviria de algo? Raciocinou por alguns minutos, em silêncio, analisando a situação. Até que sim, ele não tinha sido descoberto pelo rei Gaara, poderia usá-lo em algum momento, talvez até para matar o guardinha insolente que a rainha Hinata escolheu para ser seu marido e casá-la com Itachi, enfim poderia ter os dois reinos mais fortes à sua disposição. Sorriu; ele poderia ser útil.
Itachi ouviu tudo calado, estava presente, porém escondido. Ele sabia que seu pai estava planejando algo grande, mas não que ele tinha feito acordos com um traficante de mercadorias ilegais, e qual seria seu plano com tudo isso? Onde ele queria chegar comprando tanto ferro a ponto de seu carregamento ser interceptado? E por que estava falando de armar o exército? Aquilo tudo estava estranhíssimo, muitas perguntas sem resposta e Itachi ficava nervoso quando não possuía respostas, ele precisava delas e iria buscá-las.
Caminhou até seu quarto e sentou em sua cama pensativo, tentava encaixar as poucas peças de quebra-cabeças que tinha, no entanto, os buracos eram mais presentes, então tudo se tornava um labirinto. Nem percebeu quando começou a andar de um lado para o outro em seu quarto, fazendo conjecturas das possibilidades, apenas se deu conta, pois foi interrompido por Sasuke, que entrou de repente em seu quarto.
— Está passando por algum problema, irmão? — o Uchiha caçula perguntou.
O mais velho o mirou de soslaio parando seu corpo de frente a ele, será que seu irmão sabia de algo que ele não sabia? E caso ele perguntasse, ele diria? Sasuke nunca foi de mentir para si, mas ele era mais parecido com seu pai do que gostaria que fosse. Algo em sua mente gritou para que mantivesse a informação, queria poder descobrir mais a fundo o que se passava dentro do castelo que ele morava e que mesmo assim, não sabia de tudo.
— Estou bem, só tentando pensar, gostaria de entender o que fez a Hyuuga desistir de mim — falou decaindo os ombros.
Por um lado, ele estava falando sério, desde que visitou o reino da Lua pela primeira vez, quando era apenas uma criança, viu que a rainha era bonita, mas achou muito infantil. Contudo, ela já era uma mulher agora, encantou-se por Hinata logo que a viu no baile. Os olhos perolados, o jeito perfeito de se portar, os sorrisos que ganhou durante o passeio no jardim, além do pedido inusitado para que a acompanhasse em uma dança. A Hyuuga era realmente uma mulher que chamava atenção, era bonita, carregava o reino nas costas de forma graciosa, quase como se ser rainha não fosse nada. Ela era inteligente e astuta, igual a si. Isso o deixou completamente curioso a seu respeito, queria conhecê-la melhor, quem sabe até realmente casaria por amor como sonhava em sua adolescência.
— Nem acredito que ela escolheu um guardinha qualquer… — O mais baixo bufou. — Você é um perfeito príncipe, Ita, vai ser ainda melhor quando se tornar rei. Não se preocupe com isso — Sasuke falou, já virando as costas e indo em direção à maçaneta.
— Quando eu me tornar? — Itachi arqueou a sobrancelha. — Ela recusou a proposta, Sasuke. Não me tornarei Rei até que nosso pai… Você sabe.
O irmão continuou de costas, com a mão na maçaneta.
— Talvez a rainha Hinata volte atrás. — Com essas palavras, Sasuke deixou o quarto, e Itachi confirmou suas suspeitas; ele sabia de algo.
📌 Olá, leitores! É um prazer estar por aqui colaborando com uma história que amo! Intensidade, um amor que sufoca e algumas piadinhas são sempre o que procuramos trazer para vocês em nossas histórias e espero que gostem muito. É maravilhoso ter uma gêmea da escrita, nós literalmente compartilhamos um neurônio, acreditamos que as vezes até mais hahaha
Aproveitem a leitura ☺️
HatakeSaturn e HyugaUchiha31 🪢
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