Capítulo 11
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O dia havia começado da maneira que Hinata adorava. Acordar com Neji depois de uma longa conversa amigável por longas horas, e um carinho que só o moreno conseguia prover, a manhã chegou rápido e com ela, uma novidade. Estavam na entrada do castelo real à espera de sua convidada. Neji, trajando sua carranca habitual, havia saído de seu quarto ao amanhecer sorridente, mas sempre que vestia sua roupa de general, abandonava a face carinhosa e acolhedora que a rainha conhecia tão bem.
A Hyuuga não se vestiu da forma costumeira, pois apesar de ser amiga de sua convidada, certas etiquetas tinham que ser cumpridas. Suas mãos pousavam um pouco à frente de seu corpo e o vestido pesado quase não lhe causava incômodo, pois se sentia verdadeiramente bem naquele dia. Seu sorriso só se desfez com mais uma respiração pesada de Otsutsuki a seu lado, que parecia nervoso e impaciente. Tsunade estava demorando um pouco mais que o planejado, mesmo assim não era motivo para o bater constante de pés do seu guarda.
— Há algo que eu deva saber? — disse baixo para que só o moreno a escutasse.
— Ainda é cedo para conversarmos. — Observou a carruagem da Folha adentrando os portões do muro de pedra que guardavam o castelo.
— Espero que me conte tudo, mesmo que seja mínimo. — Deu dois passos para frente para receber a Senju que descia de sua carruagem. — Tsuna. — Tentou ser o mais formal possível, mas sua vontade era de pular na amiga como uma criança.
— Ora, vamos majestade! — Agarrou os ombros de Hinata a acolhendo em um abraço. — Não nos vemos há séculos.
— Exagerada. — Deixou o afago da amiga para convidá-la a entrar. — Temos uma refeição agora e depois nós…
— Sem agenda, Hina. Basta meu pai e meu tio controlando meus horários. Estou oficialmente de férias. — Bateu palmas animada.
— Não somos mais crianças, Tsuna. Veio para aprender a lidar com seu gênio complicado. — Observando a cara azeda da amiga, continuou: — O tio Hashirama disse que eu deveria te ensinar algumas coisas.
Os olhos castanhos claros da Senju miraram Neji pela primeira vez e o sorriso da amiga deixou claro para a rainha o que estava por vir.
— Me ensine então a colocar um sorriso nesse rosto lindo. — Passou os dedos pela blusa do guarda real que corou no mesmo instante. — Ou não resolveram o que tinham, ou Neji andou vendo algo que o agrada profundamente. Está mais bonito.
— Tsuna! — Hinata agarrou a mão da amiga e seguiu para a sala em que seriam servidas. — Pegue leve e lhe contarei tudo. — A boca da loira fez um “o” perfeito e a Hyuuga continuou: — Se se comportar.
— Sou sempre comportada, Hinata. Até parece que não me conhece.
— Majestade, não poderei acompanhá-las no café da manhã, peço que me desculpem. — Reverenciou as duas sem jeito. Gostava da loira, mas temia por sua boca sem filtro.
— Ah, que pena! — Tsunade usou seu tom exagerado. — Gostaria dessa visão no café.
— Pode ir, Neji, mais tarde nos vemos. — O moreno saiu apressado deixando-as a sós. — Você não está se ajudando.
— Se o mais tarde for em seus aposentos eu posso observar? Para fins de aprendizado, é claro!
— Tsunade! Tenha dó, mal chegou e já nos deixou constrangidos. — Sentou-se à mesa sendo acompanhada pela amiga.
— Meu pai sempre diz que causo sempre uma impressão. Boa ou ruim, mas fico feliz que tenham se entendido. — Buscou a mão de Hinata. — Agora me conte tudo, estou mais curiosa que faminta.
Colocando os assuntos em dia, descobriu que a amiga andava aprontando de todas em seu reino e o pedido de estudar com Hinata foi quase instantaneamente atendido, pois Hashirama achava que a filha de cabeça avoada não queria responsabilidades com o reino da Folha. Hinata contou brevemente sobre Neji e como tudo aconteceu depois do baile dos pretendentes. Tsunade ficou muito feliz pela Hyuuga e se disponibilizou para ajudá-los no que fosse preciso.
Neji voltou para a sala calado e Hinata notou na rigidez do semblante do mesmo, que algo preocupava Otsutsuki. Pediu licença à convidada e foram para a biblioteca, algo estava errado. Hinata sentou em sua poltrona atrás da mesa maciça de madeira e Neji se pôs à frente dela em posição de respeito.
— O que aconteceu? Está mais sério do que o normal. — Ela arqueou a sobrancelha.
— Um dos soldados da fronteira do Norte voltou hoje com notícias que não me agradaram.
— Desembucha, homem! — Hinata reclamou ansiosa.
— Parece que algumas cargas de ferro foram vistas entrando no reino do Fogo.
— Ferro? Só pode ter vindo do reino…
— Da Areia — o moreno completou.
— O que Madara está planejando? — Ela mordeu o lábio, pareceu pensar em algo. — Uma guerra? E com a ajuda do reino da Areia? Contra quem, Neji?
— Nós? — Ele torceu os lábios, fazendo com que Hinata franzisse o cenho. — Pense comigo, majestade. E se ele ficou sabendo sobre… você sabe, nós.
— Apenas o conselho sabe sobre nós.
— Merda! — Ela bateu na mesa. — Alguém ousou trair sua rainha?
— Hinata, calma, precisamos pensar…
— Não! — interrompeu seu guarda. — Não posso ter calma, além de ter alguém me traindo embaixo do meu nariz, Temari foi minha aluna e vai me trair dessa forma?
— Se você não tiver calma e pensar racionalmente, vamos ter problemas, alteza.
Hinata então respirou fundo para se acalmar, fechou os olhos e tentou pensar na melhor estratégia para lidar com essa novidade nada agradável, contudo, seus pensamentos foram rudemente atrapalhados por batidas na porta. A Hyuuga meneou a cabeça para Neji abrir a porta, revelando Tsunade, que entrou sem cerimônias.
— As paredes são grossas, mas ouvi seus gritos quando estava passando no corredor. O que aconteceu? — Hinata mirou Neji de soslaio e ele fechou a porta.
Ela explicou tudo a Tsunade, que aconselhou ela a enviar uma carta para Temari para saber o que estava acontecendo. Talvez fosse apenas um mal-entendido, pelo que Hinata tinha contado para a Senju, ela e a Sabaku tinham se dado muito bem. Não haveria motivação para travar uma guerra com ela. A morena bufou, estava irritada. Neji, percebendo seu humor, já planejava uma solução para acalmá-la e algo lhe vinha à mente, sendo repreendido pela sua razão logo em seguida. Hinata o estava transformando em um devasso, não que ele não gostasse, mas naquele momento, precisava ser racional.
— Marque uma reunião de urgência com o conselho. Quero todos aqui no fim da tarde.
— Você não acha que pode ser alguém do conselho? — a loira perguntou. — Sem ofensas, Neji.
— Claro que não, todos são confiáveis, trabalharam para o meu pai — Hinata afirmou com confiança. — Vou escrever uma carta para Temari e quero que seja levada imediatamente até o reino da Areia. Em absoluto sigilo.
— Também quero escrever uma carta para o meu pai.
[...]
Seus passos não eram vacilantes, contudo, havia certa ansiedade impedindo que Hinata fizesse aquele caminho conhecido facilmente, como de costume. O som das batidas dos pés sobre o chão de pedra polida era irritante e mesmo que o medo de uma ameaça iminente de um ou mais reinos batesse à porta, havia coisas a resolver imediatamente.
Neji saiu de seu lado para abrir as portas duplas do local e sua entrada foi anunciada. Tsunade, mostrando que estava ao seu lado, apertou-lhe a mão antes de acompanhá-la. Todos os homens se levantaram e reverenciaram a rainha, que respondeu com um aceno, contida.
— Senhores, agradeço o comparecimento de cada um. Devido a urgência dos assuntos, é de extrema importância que… — Foi impedida de continuar com um pigarro do velho.
— Não deveríamos tratar de assuntos delicados na presença de estrangeiros, majestade.
— Se houvesse paciência de sua parte — elevou a sobrancelha —, entenderia que Tsunade está aqui para aprender meu ofício, sendo a próxima rainha do reino da Folha.
— Perdão, alteza — reverenciou novamente —, mas receio que a princesa não deveria ouvir todo assunto que tratamos aqui.
— Quem decide isso sou eu, concorda? — indagou ao velho, que se calou. — Perfeito, enviei duas cartas para os reinos da Areia e da Folha em busca de respostas para o que o chefe da guarda real me confidenciou. Há movimentações suspeitas em nossas fronteiras, então é de vital importância que tenhamos controle do material que é transportado, já que ele passa por nossas terras.
— Majestade, não podemos ter nota de toda madeira e linho que entra em territórios vizinhos — Shino, o mestre do comércio exterior, começou.
— Não há medidas ou leis como esta em vigor — Inoichi acrescenta.
— Não é momento para saber o número de cada pedaço de porcaria que os reinos estão transportando. — A paciência de Hinata com o Sarutobi estava no limite.
— Não é madeira, senhores, muito menos quinquilharia. — Direcionou um olhar repreensivo para Hiruzen e voltou a olhar para todos. — Temos informações preocupantes sobre o número de ferro que cruzou a fronteira em direção ao reino do Fogo pela manhã. Ou não confiam em mim ou em Neji? — Todos pareceram perder os argumentos que planejavam. — Tenho meus temores e peço que compreendam minha busca por respostas. Temari já foi avisada e o senhor Hashirama também, por sua filha em meu nome.
— Com o devido respeito, majestade, mas não está sendo precipitada?
No mesmo momento Neji respondeu:
— O que acha que se faz com ferro, Sarutobi? Guerra. E não me lembro de ter visto o senhor em nenhuma frente de batalha, então não venha com pensamentos pacificadores, quando não viveu um dia de sua existência lutando por sua vida.
— Entendi bem o que diz, jovem Otsutsuki, mas por sermos precipitados poderíamos colocar a paz a perder. Vivi muito, é certo, e aprendi que o melhor caminho é a paz.
— Não há paz se apenas um dos lados deseja verdadeiramente — Shikaku Nara disse, sem olhar para nenhum dos presentes. Fazia anotações em um pergaminho, provavelmente pensando em alguma estratégia. — Tenho que conversar com o comandante da guarda para pensar nas devidas providências.
Um deles já estava ao seu lado, faltavam os demais.
— Posso contar com o senhor Inoichi para pensar em novas normas que nos deixem mais seguros a respeito de cargas? — O homem sempre calado, apenas concordou com a cabeça.
— Creio que está cometendo um erro, mas quero estar a par de todos os passos dessa força — Hiruzen comentou.
— Não acho necessário, o senhor nunca participou de uma guerra, não saberá como lidar com algumas questões. — O chefe da guarda real foi ríspido.
Hinata achou estranha aquela opinião de Neji, mas decidiu perguntar outra hora, pois se ele queria Sarutobi afastado das estratégias de guerra, havia um motivo.
— Se estamos de acordo com a questão da ameaça, peço que respeitem meu próximo assunto. — Levantou-se mantendo o seu lugar junto à mesa. — Me casarei daqui há alguns meses e meu pretendente está nessa sala.
— Não pode fazer isso, minha jovem — falou de modo exasperado.
— Silêncio, meistre Sarutobi. — A Hyuuga uniu as mãos à frente de seu corpo e continuou: — Não é novidade que Neji e eu temos sentimentos um pelo outro e quero oficializar tudo, comemorando o meu casamento. Não desejo palavras de nenhum dos senhores se não forem votos de felicidade.
— Os outros reinos não participarão desta… — O velho foi interrompido.
— Espero que o Meistre Sarutobi tenha gostado da escolha, já que se empenhou tanto em buscar longe algo que sempre esteve debaixo de seu nariz. — Sorriu amável, porém sua vontade era esganar o ancião. — Não se preocupe com os demais reinos, enviei cartas justamente para saber a posição da Areia e da Folha quanto a isso, e sua prioridade é a Lua, não esqueça.
— Meu pai apoiará toda decisão que eu tomar e tenho um pergaminho do conselho me dando poderes para tal. Então declaro que o Reino da Folha está feliz com o casamento da Rainha Hinata. — Muito entusiasmada, Tsunade não levava mesmo jeito, mas tinha a força necessária para ser rainha. Trabalharia dobrado com a amiga para torná-la a melhor em tudo.
As considerações finais foram feitas por Shikaku, que ficou na sala do conselho a sós com Neji. Hinata e Tsunade partiram em direção aos aposentos da rainha para comentários óbvios sobre a reunião que tinha deixado Hinata fora de si. Quem Hiruzen estava pensando para questionar suas decisões dessa forma? Tinha perdido a noção do seu devido lugar? Caso fosse isso, ensinaria boas maneiras a ele novamente. A Senju a acompanhava com os olhos enquanto ela andava de um lado para o outro. Aguardava ansiosamente Neji chegar ao seu quarto, queria saber o que Nara tinha falado e o que tinha sido decidido para enfrentar a suposta guerra que tinham pela frente.
📌 Olá, leitores! É um prazer estar por aqui colaborando com uma história que amo! Intensidade, um amor que sufoca e algumas piadinhas são sempre o que procuramos trazer para vocês em nossas histórias e espero que gostem muito. É maravilhoso ter uma gêmea da escrita, nós literalmente compartilhamos um neurônio, acreditamos que as vezes até mais hahaha
Aproveitem a leitura ☺️
HatakeSaturn e HyugaUchiha31 🪢
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