3 • Boys Meet You
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Ao chegar na recepção, ele já estava me esperando, caminhei até ele meio sem entender o que estava acontecendo.
— Hum, o que seria isso? — perguntei olhando para as bicicletas encostadas na parede ao seu lado.
— Bem, eu soube que eles incentivam passeios noturnos de bicicleta nos hotéis. — ele olhou para as bicicletas. — Então pensei que seria divertido.
— Oh, mas está nevando e fazendo frio.
— O gerente disse que ainda com a neve é divertido. — garantiu ele.
— Então acho melhor irmos. — eu peguei minha bicicleta. — Vamos nos divertir então.
— Sim. — ele sorriu, vi seus olhos brilharem um pouco com minha animação.
Pedalamos um pouco pelas ruas mais próximas do hotel, até que ele parou em frente uma sorveteria que ainda estava aberta, descemos das bicicletas e entramos, eu ainda estava meio com receio, mas o acompanhei mesmo assim.
— Então, o que vai escolher? — ele me olhou tranquilamente.
— Ah, você está mesmo…. — eu fiquei surpresa. — Mas estamos no inverno.
— Sim. — ele riu de leve. — Sabia que o sorvete foi inventado no inverno? As pessoas precisavam de uma sobremesa que combinasse com a estação.
— Se não for, podemos conviver com essa teoria.
Eu ri um pouco assentindo a ideia maluca dele. Ele pediu um de morango para ele e um de chocolate para mim, voltamos para as bicicletas e ficamos parados até terminar de saborear.
— É a primeira vez que vem em Mônaco? — perguntou ele.
— Sim. — eu terminei de tomar meu sorvete e coloquei o guardanapo no lixo que tinha ao lado.
— Hum, a cidade é muito bonita. — comentou ele disfarçando seus olhares para mim.
— É, pena que não poderei ficar por muito tempo.
— Tenho somente 14 dias aqui, mas acho que vou voltar antes, ainda não sei a data que está na minha passagem de retorno.
— Ah. — ele jogou seu guardanapo no lixo também. — Espero que consiga aproveitar este tempo aqui.
— Eu também. — eu o olhei. — Posso perguntar uma coisa?
— Eu poderia ver suas composições, se não for muita curiosidade da minha parte?
— Claro, adoraria te mostrar. — ele sorriu de leve.
Pedalamos mais um pouco até retornarmos para o hotel, no instante em que %Kyuhyun% assinou o recibo de devolução das bicicletas, %Rafaela% chegou. Ela ficou de longe me vendo me despedir dele, assim que me afastei dele, ela se aproximou de mim.
— Oh céus, quem é ele? — perguntou ela me puxando para a direção do elevador.
— Hum... um hóspede que conheci hoje de tarde.
— Uau! — ela me olhou empolgada. — Me agradece depois por ter te deixado sozinha.
— Pode deixar, pagarei seu vestido de casamento como agradecimento. — brinquei.
— Vou cobrar, madrinha. — ela riu e entrou no elevador.
— À vontade. — eu entrei atrás rindo. — E nada de começar com suas brincadeiras quanto a isso.
— Mas está pensando, que eu sei.
— Ele é bonito, só isso que eu comentarei até amanhã. — ela soltou uma gargalhada engraçada.
Eu ri junto, fui direto para meu quarto, troquei de roupa e me joguei na cama, estava cansada, porém animada.
Quatro dias se passaram, eu e %Rafa% tínhamos visitado todos os pontos turísticos que estavam no roteiro da agência. Eu e ela tínhamos saído à tarde para dar um volta pela cidade, mesmo não querendo, a acompanhei ao cassino, ela estava obstinada a jogar aquele dia, já tinha ganhado muitas moedas no dia anterior.
As horas se passaram e no final da tarde, voltei de táxi para o hotel antes dela, passei pela recepção e fui para o salão de refeições, quando entrei vi um rosto conhecido. %Kyuhyun% estava com sua atenção voltada para o inseparável bloco de notas, me aproximei dele em silêncio e me sentei em sua frente.
— Boa noite, %Kyu%. — eu disse num tom baixo para não assustá-lo.
— Hum? — ele levantou a cabeça e me olhou. — Oh, você.
— Sim. — eu sorri de leve.
— Boa noite. — ele sorriu de volta. — Eu estava um pouco concentrado, não a percebi chegar.
— Estou vendo, está escrevendo?
— Tentando, mas não consegui sair da primeira estrofe. — ele desviou seu olhar para o bloco de notas com uma certa frustração em sua voz.
— Hum, acho que está forçando muito sua mente nisso. — eu peguei o bloco e olhei. — Acho que deveria deixar as coisas acontecerem naturalmente.
— Estou muito desesperado por isso. — ele pegou o bloco e colocou em seu bolso e guardou a caneta que estava em sua mão também. — Está com fome?
— Então, vamos pedir algo para comer. — ele sorriu timidamente.
A comida daquele hotel era mesmo muito gostosa, e me alimentar na companhia dele seria melhor ainda. Pedimos cappuccino e cookies, comemos tranquilamente e, após terminar, ele me convidou para passar um tempo no jardim do hotel, aceitei de imediato.
Enquanto o esperei por um tempo no jardim, ele foi até seu quarto pegar seu violão. Fiquei um tempo sentada em um banco perto de um canteiro de azaleias, olhando a fonte que havia no centro do jardim. Ele se aproximou em silêncio, fiquei acompanhando seus movimentos até que se sentou ao meu lado, eu sorri de leve para ele, %Kyuhyun% tinha um encanto nos olhos que me atraía sem explicação e seu sorriso tímido me deixava a cada instante mais fascinada por ele.
— Demorei muito? — ele virou seu corpo para minha direção me olhando suavemente.
— Que bom. — ele desviou seu olhar para o violão que estava em sua mão. — Então, como você tinha pedido para ouvi uma música composta por mim, trouxe isso.
— Estou ansiosa para ouvir.
Ele colocou o violão em seu colo, e começou a dedilhar as cordas suavemente; de forma lenta e calma, começou a cantar, sua voz era tão bonita e envolvente, que fazia os pelos do meu corpo se arrepiarem. Durante toda a música ele permaneceu olhando em meus olhos fixamente, eu conseguia entender algumas palavras daquela canção, mas a forma como ele me olhava me fazia entender ainda mais.
— Tão bonita. — eu disse quando ele terminou.
— Que bom que gostou. — ele colocou o violão escorado no banco ao seu lado.
— Fala sobre o que a música?
— Um amor não correspondido. — ele olhou para fonte. — Um homem que ama uma mulher, mas ela não sente o mesmo por ele.
— A letra deve ser um pouco triste.
— Sim, ela é. — concordou ele.
— Mas sua voz é muito bonita também, assim como a melodia da música.
— Hum. — ele sorriu de canto. — Você sabe tocar?
— Violão? — eu ri de leve. — Não muito, nunca sei como segurar direito.
— Se aproxime um pouco mais, vou te ensinar. — ele pegou o violão e me olhou.
Meu corpo congelou automaticamente, fiquei alguns instantes sem saber o que fazer, mas me aproximei dele e virei meu corpo ficando de costas. Ele apoiou o violão em meu colo e começou a me explicar como eu poderia segurar de um forma segura e que não me desse dores nas costas.
Assim que ele pegou em minha mão direita e encaixou no braço do violão, senti um frio na barriga, estávamos muito próximos, tanto que eu conseguia sentir seus batimentos atrás de mim, o toque de suas mãos segurando as minhas era suave e macio. Não conseguia prestar a atenção em mais nada, em um momento virei meu rosto para ele, ficamos mais próximos ainda, eu sentia sua respiração, estávamos sincronizados e meu coração acelerado.
“Eu continuo a me apaixonar, me apaixonar
Quando te vejo, meu coração, oh, oh, oh, oh
Apaixonar—se, se apaixonar
Eu só quero você, o que devo fazer garoto?”
- Falling In Love / 2NE1