Parte 2 • O começo da viagem
%Li% já está no aeroporto com suas malas e mochila nas costas. Ela está levando seu material de estudo, pois em sua mente planeja ficar a maior parte, ou quem sabe toda a viagem no quarto traduzindo os textos que precisa. Mandou mensagem para %Lily%, que não pôde acompanhar ela e guardou o celular em seguida. Em poucos minutos, ela estava no avião rumo a Cancún. Ela mal acredita que
realmente está fazendo essa viagem em um momento tão importante para a vida dela.
…
%Li% pega sua bagagem e aguarda no saguão de desembarque internacional do aeroporto. Um representante da rádio virá buscar a moça e levá-la até ao hotel. De longe, %Li% vê uma loja que chama sua atenção, uma loja de peças íntimas. De imediato, uma conversa que teve com %Lily%, antes de viajar, lhe surge em mente.
–
Por que devo comprar lingerie nova, %Lily%?! –
questiona %Li% boquiaberta. –
Vai que... –
%Lily% suspende ambas as sobrancelhas e sorri maliciosa –
Essas coisas podem acontecer, %Li%. –
Nos seus surtos psicóticos, só se for! %Li% pensa melhor e conclui que precisa de lingeries novas. Por que não olhar algumas? Sem nenhuma pretensão diferente dessa, claro. Rendendo-se, ela entra na loja de lingeries e olha algumas peças em promoção. Acha várias que cabem em seu orçamento e compra. Após esconder as peças no fundo da mala, ela sai da loja e volta a aguardar pelo representante da rádio. Não demora muito e aparece um rapaz que parecia ser coreano, mas obviamente %Li% não iria perguntar.
– Bom dia, senhorita Mori? – questiona o rapaz educado.
– Oh, mil perdões pelo atraso. – ele curvou o corpo, pedindo desculpas. – Podemos ir?
– Não demorou tanto assim, está tudo bem. Vamos sim!
%Li% sorri e o rapaz também, carregando as malas dela até o táxi que aguardava na frente da porta principal. Logo eles chegaram no hotel. E que hotel maravilhoso, mais bonito que nas fotos que %Li% havia pesquisado na internet. Após o check-in, %Li% pega as chaves do quarto e sobe até o décimo quinto andar, entra no quarto e começa seu trabalho.
Duas horas depois, %Li% foi tomar banho quando ouve batidas na porta. Sem poder atender, ela grita que está no banho. Pensa estar louca, mas tem a impressão de ter ouvido a porta se fechar. Ignorando isso, termina o banho e se enrola na toalha. Ao sair do banheiro, dá de cara com um rapaz não tão alto, bem vestido e de cabelos escuros, parado e olhando para a cama dela que está lotada de livros, canetas, marca-texto, dicionários, papéis e seu notebook. Parece uma mesa de escritório bem bagunçada.
– Ahhhh, quem é você e que diabos faz aqui?! – ela diz em inglês, que é uma língua padrão usada com turistas no hotel. O rapaz parece não entender exatamente o que ela fala, mas pela reação assustada dela, percebe que não havia gostado da presença dele.
– Desculpe! Desculpe! Eu não falo bem inglês – ele diz em coreano. %Li% após olhar bem para o rosto dele, o reconhece.
–
%Lee% %Donghae%?! – questiona ela, o rapaz sorri.
– Sim, me desculpe, vou sair – ele já ia saindo, mas ela o impede.
– Espera, %Lee% %Donghae%! Vou vestir uma roupa, só um minuto – ela diz em coreano e ele se surpreende por ela saber sua língua nativa. %Donghae% sai do quarto e aguarda no corredor. Quem visse de fora, acharia que ele foi expulso do quarto. – Pode entrar! – %Li% diz ao abrir a porta sem graça.
– Com licença – %Donghae% entra, ficando muito acanhado. – Me desculpe, a porta estava encostada quando bati, como você não respondeu, achei que precisasse de ajuda. – explica ele.
– Tudo bem, %Lee% %Donghae% – diz %Li% e sorri. – Eu não ouvi você chamar. Como viu, eu estava no banho.
– Sim, me desculpe por isso também. – %Donghae% está muito envergonhado. Ele não viu nada de mais, porém se sente desconfortável em flagrar uma pessoa que ainda não conhecia naquela situação. – Você fala coreano muito bem. Onde aprendeu? – pergunta curioso.
– Sou estudante de Letras com especialização em línguas estrangeiras. Dentre elas, o coreano. – a moça sorri e ele abre a boca como quem entende algo óbvio.
– Interessante! – ele diz espantado – Bom, vim te chamar para almoçar comigo. Afinal, é uma viagem que estamos fazendo juntos, não é? – %Donghae% tem um sorriso muito encantador, que logo é percebido por %Li%, que engole em seco por estar pensando demais no sorriso dele.
– Ah, claro. Vamos, então.
%Donghae% faz sinal para ela passar na frente dele, ao sair ele fecha a porta do quarto dela. Curiosamente, o quarto dele é ao lado do dela. Mas ela só descobrirá isso mais tarde.
O almoço é agradável, apesar de ter um fotógrafo registrando cada garfada que %Donghae% dá na comida. Ele nota que a moça está incomodada, assim como ele mesmo, e antes da sobremesa chegar, pede para o fotógrafo parar de registrar tudo. A sós, %Li% e %Donghae% saborearam a sobremesa em paz e riem com histórias contadas por ambos. %Donghae% contando histórias de turnês com o %SuperJunior% e %Li% contando seus perrengues que passa ao lado de %Lily%. Inevitavelmente, a pergunta temida foi feita.
– E qual sua música favorita do %SuperJunior%? – pergunta %Donghae%, sem pretensão de deixar a moça desconfortável, mas acaba causando esse efeito nela. %Li% quis que %Lily% estivesse ali para ouvir aquilo e ela poder dizer na cara da amiga: "
eu disse que ele perguntaria isso!".
– Ah, %Lee% %Donghae%, eu…
– Me chame apenas de %Donghae%. – pede ele com outro sorriso encantador no rosto.
– Ok, %Donghae%, eu… Eu não sou fã da banda. Na verdade, eu nem me inscrevi no concurso. – %Li% está envergonhada e com raiva da %Lily% por ter a metido nessa enrascada.
– Quem me inscreveu foi minha amiga, a %Lily%.
– Ah, mas você nunca ouviu a banda?
– Então, já é alguma coisa! Pense por esse lado. – outro sorrisinho lindo que faz %Li% perder o chão sem nem mesmo saber o motivo.
– É, vendo por esse lado… – ficando pensativa ela nem nota que %Donghae% a encara. – Tudo culpa da %Lily%. – ela ri e ele prossegue encarando-a.
– Me lembre de agradecer a %Lily% por isso.
– Por te inscrever no concurso. Caso contrário, eu não te conheceria hoje. – é impressão dela ou %Donghae% está dando em cima dela? Não, deve ser impressão.
– Eu quis matar aquela vaca…
– Vaca? – ele faz uma expressão confusa e ela ri, inevitavelmente.
– É uma expressão brasileira. Falei no sentido de ofensa a %Lily% porque fiquei com raiva dela ter me inscrito sem me avisar.
– Ah, que bom que você fala coreano para poder me explicar essas gírias brasileiras.
– Uhum! – murmura ela – E eu soube que o seu inglês não é tão bom. – ele fica visivelmente vermelho e sorri sem graça.
– É, mas o meu coreano é ótimo! – brinca ele e ela ri.
– Melhor que o meu! Estou orgulhosa de você, %Donghae%!
É incrível e assustador para %Donghae% o fato de se dar tão bem logo de cara com a %Li%. Ele achou que teria problemas com ela por algum motivo, talvez por ela ser estrangeira. Mas para sua surpresa está sendo melhor do que imaginava. Por outro lado, %Li% também achou que não se daria bem com %Donghae%. Achou que ele fosse um desses ídolos famosos esnobes. Pelo contrário, %Donghae% é um rapaz muito gentil e o oposto do estereótipo que a moça pintou dele em sua mente.
%Li% voltou para seu quarto, dizendo que precisava descansar. Porém, a moça volta a traduzir os inúmeros textos que precisava entregar em breve.
Mais uma vez, o coreano de sorriso fofo paira em seus pensamentos.