Quatro
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Diggory saiu da sala de Umbridge e seguiu direto para seu dormitório, ignorando por completo a ronda que deveria fazer para terminar suas obrigações como Monitor Chefe naquela noite. Tomou um banho rápido e colocou sua calça de pijama, deitando-se pouco depois. Não quis conversar com os colegas de quarto e nem se importou em fingir prestar atenção no que diziam, simplesmente não ligava.
Sua cabeça parecia pesada com o tanto de coisas que a enchiam. Nunca imaginou que algum de seus professores pudesse se incomodar com seu relacionamento com %Sam%. Era óbvio que ele tentava passar o maior tempo possível com a garota, mas isso não atrapalhava suas obrigações como Monitor, nem como capitão do time de Quadribol, e claramente não atrapalhava suas notas, nem as dela. As notas da garota aumentaram consideravelmente nos últimos dois anos, e era justamente por estudarem juntos que isso acontecia; McGonagall tinha comentado sobre isso não tinha nem uma semana! A professora de Transfiguração o elogiou por ter conseguido fazer a aluna realmente prestar atenção nas aulas e se dedicar aos estudos, os trabalhos dela só não eram melhores que os de Hermione. E Diggory nunca deixou suas notas baixarem, sempre manteve a mesma média alta, continuava sendo o melhor aluno de seu ano e nada tinha mudado.
Mas aquilo não parecia suficiente para Dolores Umbridge.
O que a mulher tinha sugerido era absurdo! Cedrico não poderia terminar com a namorada, não poderia e, principalmente,
não queria. Não fazia o menor sentido em sua cabeça.
Obviamente ele desejava ter um bom emprego quando saísse de Hogwarts, ainda não tinha se esquecido do que tinha dito para %Samantha% pouco antes da terceira prova do Torneio Tribruxo, quando estavam sozinhos no corredor depois de passarem algum tempo aos beijos.
Ele falava sério, realmente tinha intenção de trabalhar e ter dinheiro suficiente para quando se casassem, não que realmente estivessem pensando no assunto no momento, mas era algo para o futuro. Diggory não imaginava como seria ter outra garota em sua vida, porque tinha a melhor de todas e era extremamente apaixonado por ela. Não era possível que não conseguisse um emprego, um
bom emprego no Ministério, por namorar a filha de Sirius Black. Ele era o melhor aluno de Hogwarts desde seu primeiro dia na Escola! Umbridge não deveria estar falando sério, provavelmente só quis assustá-lo, mas aquilo levantava outro ponto: por que toda essa raiva de %Sam%?
Não era possível que fosse apenas por ela ser filha de Sirius, ninguém do Ministério sabia que os dois conversavam ou que ela tinha passado o verão na companhia do pai. Para todos os efeitos, ela tinha passado as férias com os Tonks e continuava sem qualquer contato com Sirius, imaginando que ele era um assassino foragido de Azkaban. Seria possível que tudo aquilo era pela garota ser amiga de Potter?
Diggory sabia que Harry continuava sendo
impertinente durante as aulas e continuava a ficar em detenção, mas aquilo era Potter, não %Samantha%. Até onde sabia, a namorada ainda não tinha aprontado nada contra a professora, embora não gostasse dela, assim como boa parte dos alunos. Então qual era a razão para tudo aquilo? E quais eram as chances reais de a mulher estar falando sério sobre sua relação com Black afetar um possível emprego?
Cedrico esperava encostado em uma pilastra, enquanto os alunos começavam a sair da sala de Snape, não demorando a visualizar a loira com os cabelos presos em um rabo-de-cavalo sair acompanhada dos três amigos. Andou apressadamente até a namorada escutando parte da conversa, na qual Granger reclamava com a amiga:
— Cinquenta pontos, você perdeu cinquenta pontos em uma única aula!
— E como isso foi minha culpa? — Arqueou a sobrancelha. — Se Malfoy não tivesse começado…
— Não importa, você sabia que Snape iria tirar pontos e continuou a briga!
— Tudo bem, recupero no Quadribol, relaxa!
— Esse é o problema, vocês poderiam conseguir mais pontos, não recuperar os que perderam! E nem sabem se vão ganhar! Nem goleiro a Grifinória tem!
— Mas ainda temos Harry e eu mesma, o que já significa vitória! — Deu de ombros, convencida. Cedrico riu baixo, atraindo a atenção do quarteto. — Ei!
— Olá. — Acenou com a cabeça para os outros três. — Será que podemos conversar antes da sua próxima aula?
— É claro! — Sorriu, esperando enquanto os amigos se afastaram, Hermione virou-se falando mais alto:
— Não se atrase ou Umbridge vai acabar tirando mais pontos!
— Tá, tá! — Ergueu a mão, fazendo pouco caso.
— O que aconteceu com Snape? — Diggory questionou após dar um rápido beijo na namorada e ambos seguiram pelo corredor.
— Briguei com Draco e só eu perdi pontos. Como sempre.
— E por que vocês brigaram? — questionou entrelaçando suas mãos.
— Porque ele é um babaca — respirou fundo, baixando o tom de voz, parecendo um tanto alterada ao relatar — e porque ele estava insinuando coisas sobre meu pai. — Cedrico arqueou a sobrancelha, olhando assustado para a garota.
— Eu acho que Draco o reconheceu na estação quando fomos embarcar.
— Mas para isso ele teria que saber que Sirius é um Animago, quais as chances?
— Não sei, mas não gostei do tom que ele usou. — Negou com a cabeça, apertando levemente a mão que segurava a de Cedrico.
O lufano negou com a cabeça, parando de andar e puxando a outra para olhá-lo.
— Não se preocupe, não tem chances de o Draco saber de nada, ele provavelmente só estava querendo te irritar e conseguiu, não? Até pontos você perdeu…
Cinquenta! — Afinou a voz, tentando soar igual Hermione, fazendo-a rir levemente.
— Enfim — deu de ombros, querendo mudar de assunto —, o que aconteceu? Você não deveria estar na biblioteca ou algo assim?
— Quadribol, na verdade — corrigiu, precisava
mesmo começar a preparar seu time se quisesse ter chances de vencer o jogo contra Corvinal —, mas precisava conversar com você antes… Quer dizer — se enrolou, passando a mão livre pelos cabelos —, eu precisava tirar uma dúvida.
— Pode falar — disse curiosa, parando no final das escadas e olhando-o.
— Você… — Olhou para os lados, certificando-se que estavam sozinhos. — Como está sua situação com a Umbridge? — Black franziu o cenho estranhando a pergunta, dando de ombros em seguida.
— Eu a detesto, mas até o momento nada de novo. Não perdi pontos se é o que você quer dizer, até agora só Snape teve essa honra! — Sorriu, quase orgulhosa de seu
bom desempenho. Cedrico riu de leve, negando com a cabeça. — Por quê?
— Eu só… Queria ter certeza. — Passou a língua pelos lábios, tornando a sorrir de lado. — Umbridge me parece mais severa que Snape, é melhor você tomar cuidado nas aulas dela.
%Samantha% apenas confirmou com a cabeça, não parecendo se importar muito com o aviso. E então voltaram a andar um pouco mais apressados, pois ela já estava quase atrasada para sua próxima aula.
— Te vejo na hora do almoço? — perguntou antes de subir o último lance de escadas, separando-se do lufano.
— Com certeza! — Sorriu para ela, beijando-lhe os lábios um pouco mais demoradamente antes de ela se afastar e subir correndo, esperando chegar na sala antes da professora.
Diggory sorriu de lado, antes de respirar fundo e olhar o relógio andando para o Salão Principal, que estava parcialmente vazio, e puxar um pergaminho em branco de sua mochila começando a elaborar táticas para sua equipe.
O restante da semana correu sem fortes emoções, embora Diggory tivesse notado que sempre que Umbridge passava por ele, fosse nas aulas ou pelos corredores, a mulher sorrisse sugestiva, quase como se quisesse lembrar-lhe da conversa que tiveram.
Cedrico tinha pesquisado os horários da professora e evitava andar com %Sam% quando sabia que ela estaria por perto, na verdade, com o passar dos dias, a garota foi notando que cada vez menos andavam juntos pelos corredores e só se encontravam na biblioteca para estudar ou em alguma sala vazia depois do horário das aulas. Até o momento não tinha visto nada demais naquilo por não achar que era algo intencional, mas mudou completamente de atitude em uma tarde, quando estavam juntos e, ao ver Umbridge se aproximando, Cedrico se afastou apressado, soltando sua mão e dando bons passos para trás. A professora passou pelo casal, sorrindo para o lufano e olhou de cima a baixo para a garota, que arqueou a sobrancelha e continuou a encarar-lhe, não parecendo minimamente abalada.
— Menos cinco pontos para a Grifinória — a mulher disse sorrindo, anotando algo em sua prancheta e começando a se afastar. Diggory respirou fundo e fechou os olhos, sabendo o que viria a seguir.
— Desculpe, o que foi que a senhora disse?
— Menos cinco pontos para a Grifinória, querida — repetiu pausadamente, sorrindo. Black sorriu de lado, concordando com um aceno.
— Eu poderia saber o motivo? Pelo que me consta, não estou fazendo nada contra as regras.
— Seu uniforme está desalinhado! — avisou, apontando para a gravata solta da aluna. %Samantha% a olhou incrédula, mas Dolores apenas virou-se e continuou seguindo seu caminho, ralhando com alguns alunos mais à frente.
— Isso não pode ser sério — reclamou enquanto a mulher se afastava, Cedrico a encarou por alguns instantes, negando com a cabeça. — Eu vou matar aquela mulher.
— Eu avisei que você deveria ter cuidado… — Começou, mas ficou em silêncio ao notar o olhar que a namorada lhe lançou.
— Você está dizendo que a culpa foi minha?
— É por isso que você não quer mais andar comigo? — Cruzou os braços, desabafando irritada.
— Eu já percebi, Cedrico. Você não quer ser visto em público comigo, é isso?
— É claro que não, %Samantha%, não diga bobagens. — Negou com a cabeça.
— Então me explica, por que você se afastou quando a Cara de Sapo chegou? E por que você só pode encontrar comigo à noite, quando não tem ninguém por perto?
— Não sei do que você está falando… — desconversou, olhando para o lado.
Black esperou alguns segundos, mas ao notar que ele não iria dizer mais nada, descruzou os braços, dando-lhe as costas e seguindo na direção contrária.
— %Samantha%… Espera! Eu não… — Parou de falar quando ela virou o corredor, sumindo de sua vista. — Droga!
Black não falou com Cedrico no resto da tarde e não apareceu para jantar à noite, de forma que o lufano não conseguiu se explicar com ela. Pensando bem, talvez até tivesse sido bom, nem mesmo sabia como explicar. O que ele poderia dizer?
Era óbvio que ele a estava evitando, não porque não gostava de andar com ela, por Merlin, era a melhor hora do seu dia quando estava com a namorada! Mas achou que se Umbridge não os visse juntos o tempo todo, talvez a professora não tivesse motivos para implicar com a garota. Cedrico só não queria que ela perdesse pontos ou acabasse em detenção por sua causa, embora continuasse sem entender o motivo do interesse da professora em seu relacionamento.
No sábado, Cedrico tentou falar com a garota durante o café, mas ela não estava no Salão quando ele chegou e precisou se apressar, pois tinha reservado o Campo de Quadribol para treinar durante a manhã e seu time já o esperava.
Passou quase duas horas conversando com o grupo, explicando as novas táticas que tinha bolado e motivando os jogadores como podia, aceitando sugestões sempre que alguém tinha uma nova ideia.
Quando finalmente subiram em suas vassouras, Cedrico passou um bom tempo sobrevoando o Campo, vendo a forma que estavam jogando e como estavam aderindo às novas estratégias, sorrindo animado com o que estava vendo durante aquelas horas. Se treinassem com empenho, teriam grandes chances de vencer o jogo contra a Corvinal, embora o outro time fosse forte.
%Samantha% estava sentada entre Harry e Rony enquanto escutavam Hermione falar para o grupo de alunos que tinha aparecido no Cabeça de Javali. No meio do discurso, Potter levantou-se dando sua versão sobre alguns casos e negando quando a amiga disse que ele estava sendo modesto.
— É verdade que você sabe conjurar um Patrono Corpóreo? — uma das garotas perguntou, o que gerou uma rodada de perguntas sobre as habilidades de Harry.
— E no terceiro ano ele afastou mais de cem Dementadores, eu vi! — %Sam% contou, vendo as caras surpresas dos colegas, Harry a olhou, sorrindo agradecido. — E salvou meu pai — sussurrou para apenas ele ouvir, fazendo-o rir baixo.
— É por isso que estamos aqui, precisamos que alguém nos ajude a nos defender, a nos proteger de… Voldemort! — Hermione finalmente disse, respirando fundo. — Precisamos que você nos ensine, Harry.
Assim que a reunião terminou e o grupo assinou seus nomes no pergaminho encantado por Granger, o quarteto foi voltando para Hogwarts, sem muito ânimo de continuarem em Hogsmeade, especialmente porque começava a esfriar.
— Eu ainda não entendi uma coisa — Mione começou, chamando a atenção dos amigos, mas virou-se diretamente para %Sam% —, por que Cedrico não veio?
Harry rolou os olhos, dando uns passos à frente e acompanhando Rony, conversando sobre qualquer outro assunto que não fosse Diggory. Não que não gostasse do lufano, apenas… Bem, honestamente ele não gostava de Cedrico. E sabia que era algo recíproco. Provavelmente nem o olharia na cara se não fosse por %Samantha%… Olhou de canto para a loira por um instante, negando com um aceno, tinha outras coisas para se preocupar do que pensar em %Samantha%
beijando Cedrico Diggory. Sentiu o estômago revirar ao pensar naquilo, mas ignorou a sensação, voltando a prestar atenção no que Weasley dizia.
— Porque eu não contei. — Deu de ombros, olhando para frente e escondendo as mãos nos bolsos do casaco. Respirou fundo quando notou que a amiga continuava esperando uma resposta mais completa. — Brigamos ontem antes que eu pudesse falar e, bem, se depender de mim não vou dizer tão cedo.
— E qual foi o motivo? — questionou diminuindo o passo, assim como a outra.
— Lembra o que eu falei sobre Umbridge me descontar pontos por causa da minha gravata? — A outra concordou com um aceno. — Cedrico, meio que insinuou que era minha culpa. E não foi a primeira vez, ele vive falando para eu não arranjar problemas com ela…
— Bem, isso não é exatamente um mau conselho! — Hermione começou incerta.
— É, mas ele tem evitado andar comigo, porque não quer que ela veja.
— Não sei e, sinceramente, não sei se quero saber. Se ele está com medo dela, o problema é dele — reclamou, dando passos mais rápidos.
— Você deveria conversar com ele!
— Eu já sei o que ele vai me dizer, Hermione. Que não é nada disso, que eu estou louca ou sei lá. — Exasperou-se. — Eu sei do que estou falando. Quando eu perguntei, ele desconversou! Se não quis me explicar quando eu pedi, agora não quero saber.
Granger rolou os olhos, rindo leve, era sempre assim quando o casal brigava (o que vinha realmente acontecendo com um pouco mais de frequência pelo que %Samantha% dizia).
— Eu não dou até amanhã à noite para vocês estarem bem!
Contrariando a expectativa de Granger, a loira não fez as pazes com Cedrico no final de semana, na verdade nem mesmo o viu por mais de um minuto. Se esbarraram no domingo de manhã e Diggory até parou para dar oi, mas logo foi carregado por Monty e o restante dos jogadores para o Campo de Quadribol para treinarem antes do jogo na próxima semana.
O time passou boa parte do domingo treinando antes de darem lugar para o grupo da Corvinal que também precisava usar o campo. Quando Cedrico finalmente estava livre para procurar a namorada, ela estava na Torre da Grifinória fazendo trabalhos e estudando e não podia falar com ele. A dúvida que ficou em sua cabeça por alguns minutos era se ela
não podia ou
não queria, mas confirmou ser a primeira quando conseguiu conversar com Hermione na hora do jantar. Embora tivesse aquela pequena porcentagem de
orgulho, motivo pelo qual %Sam% não estava exatamente se esforçando para conversar com ele.
Com a demora para resolverem tudo, Cedrico resolveu que precisava explanar suas dúvidas com alguém, precisava de um conselho sobre o que deveria fazer, e só conseguiu pensar em uma pessoa para isso. Talvez não fosse a ideal, mas naquele momento pareceu sua primeira e única saída. A parte ruim, é claro, era precisar de alguns dias para ter uma resposta de sua carta.
Na segunda o lufano chegou no Salão Principal no horário do correio, logo vendo que %Samantha% estava entretida lendo uma carta que, pelo sorriso em seu rosto, ele tinha certeza que vinha de Sirius. Diggory leu a carta dos pais e a guardou no bolso, querendo lembrar-se de passar no Corujal ainda naquela tarde para responder, contudo, o que esperava ainda não tinha chegado, o que não era exatamente uma surpresa, já que tinha enviado na noite anterior.
Quando estava indo para as estufas, para sua última aula do dia, encontrou os alunos do quinto ano voltando para o Castelo e sorriu ao encontrar %Sam% conversando com Neville. Cedrico desviou seu caminho, parando na frente da namorada, sorrindo para ela.
— Oi, Neville. — Acenou para o outro, que respondeu um pouco sem graça. Não tinha problemas com Cedrico, mas sempre ficava um pouco intimidado quando alunos de outras Casas falavam com ele. — Podemos conversar mais tarde? — perguntou para a garota. %Samantha% o olhou por alguns instantes, dando de ombros pouco depois.
— Às oito no lugar de sempre? — sussurrou em seu ouvido quando curvou-se para beijar-lhe a bochecha. Notou que ela o olhou torto por alguns instantes, provavelmente incomodada por ele ainda querer se encontrar
escondido, mas acabou por concordar.
Diggory desceu as escadas e seguiu pelo corredor à esquerda, andando tranquilo e, vez ou outra, olhando para os lados, certificando-se que não tinha ninguém por perto. Encontrou com Filch pouco depois, desejando-lhe um “boa noite” educado, antes de virar o corredor e entrar na terceira sala vazia. Sorriu ao perceber que %Sam% já estava lá, sentada em uma cadeira mais ao canto, olhando pela janela. Bateu com a varinha na porta, tornando a trancá-la, andando na direção da namorada.
— Boa noite! — Sorriu, colocando as mãos nos bolsos e parando ao seu lado.
— Boa... — respondeu sem se alterar, olhando-o brevemente.
Cedrico suspirou, passando a mão pelos cabelos e em seguida puxou uma cadeira, sentando-se ao seu lado.
— Sei que está chateada comigo, e eu sei que realmente parece que estou te evitando, mas…
— Se você disser que eu estou imaginando coisas, eu vou embora. — Cortou, encarando-o levemente irritada. Diggory concordou com a cabeça, suspirando.
— Eu estou — confirmou —, mas não é porque eu gosto ou porque não quero que nos vejam juntos. Sabe que eu gosto de mostrar para todo mundo que você é minha garota! — comentou a encarando, vendo-a rolar os olhos, mas com um sorriso leve em seus lábios, um bom sinal. — É só que a Umbridge está
mesmo de olho em você, não sei o motivo, mas parece que ela procura alguma razão para te tirar pontos ou dar detenções, assim como faz com Potter — explicou, vendo-a encará-lo com a sobrancelha arqueada. — Não quero que ela use nosso namoro como desculpa para uma detenção. — Suspirou ao olhar em seus olhos, achando melhor ser totalmente honesto. — E, bem… Ela me chamou para conversar há alguns dias…
— Sobre? — questionou curiosa.
— Hm… Bem, falou sobre meu histórico como estudante e disse que eu poderia conseguir um bom emprego do Ministério se tivesse a pessoa certa me indicando… Entende? — A garota concordou com um aceno, esperando a conclusão. — Ela… — Suspirou antes de finalizar. — Disse que eu não deveria sair com você, que deveríamos terminar. — Black o olhou incrédula, sem saber o que dizer por um instante.
— É por isso que está me evitando? Quer terminar? — Foi a vez de Diggory a olhar surpreso, negando no mesmo instante, parecendo chocado por ela considerar aquilo, nem mesmo tinha passado por sua cabeça terminar.
— Pelo amor de Deus, %Samantha%, é claro que não. Só não sei por que ela está na sua cola, achei melhor que ela não nos visse juntos o tempo todo para não correr o risco de ter problemas para você…
— Para mim ou para você? — replicou debochada.
— Ela está te oferecendo um bom emprego, não?
Cedrico piscou duas vezes ao entender ao que a loira se referia, sentindo-se frustrado com aquilo.
— Acha mesmo que eu terminaria com você por causa da droga de um trabalho no Ministério? — perguntou descrente, a garota deu de ombros, um pouco desconfortável. — Prefiro trabalhar com Trouxas a terminar com você. — %Sam% permaneceu alguns instantes em silêncio, pensando a respeito.
— Eu não sabia exatamente o que pensar, você estava me evitando sem motivos…
— Eu sei… Sinto muito — passou a mão nos cabelos, irritado com a situação toda —, mas não quero, nem por um minuto, que você pense que eu quero terminar ou que te colocaria em segundo lugar em qualquer coisa. Eu só não sei o que fazer com tudo o que está acontecendo!
%Sam% aproximou-se, entrelaçando seus dedos com os do rapaz.
— Podemos nos ver fora dos horários, se você acha mais fácil assim.
Cedrico olhou para suas mãos juntas, apertando-a gentilmente.
— Gosto de andar com você pelo terreno, %Samantha%. — Encarou-a. — E não quero precisar ter um relacionamento escondido, mas não faço ideia do que fazer nesse momento. Você achou mesmo que eu estava querendo me afastar de propósito? — Ela deu de ombros, não respondendo de imediato.
— Não sei, você e a Hermione nunca querem quebrar as regras, a princípio imaginei que depois daquele decreto sobre manter uns trinta centímetros de distância, você estivesse com medo de se aproximar…
— Pelas barbas de Merlin! — resmungou, escutando a risada baixa da garota à sua frente. — Eu largava o trabalho de Monitor sem pensar duas vezes! — Piscou sorrindo de lado para a garota. — Eu prometo que vamos resolver isso, ok?
— Eu sei, confio em você.
— Será que podemos esquecer isso por um momento e nos concentrar em algo ainda mais importante?
Diggory mordeu o lábio inferior, parecendo levemente pensativo.
— Não sei, talvez aproveitar o que não aproveitamos no final de semana? Me parece uma boa ideia!
%Sam% sorriu quando notou o lufano aproximando-se de seu rosto, encarando-a por alguns instantes antes dele juntar seus lábios. Passou as mãos por seu pescoço quando Cedrico a puxou para mais perto, logo levantando-se e a puxando com ele, juntando seus corpos e não demorando para aprofundar o beijo.
Cedrico sempre aproveitava os momentos que tinha sozinho com a loira, embora não a pudesse beijar sempre que podia nos corredores, contentava-se em andarem juntos, apenas porque sabia que poderiam se encontrar depois e ele a beijaria o quanto quisesse. Não demorou para dar alguns passos cambaleantes até a parede mais próxima, prensando-a contra a mesma e descendo os beijos para seu pescoço, sentindo-a ofegar enquanto puxava seus cabelos com certa força.
Cedrico ainda tentava recuperar a respiração descompassada enquanto ajeitava os cabelos após a namorada sair em direção ao Salão Comunal da Grifinória. Sentia o corpo quente e
certas partes mais visíveis que o normal, e foi por isso que ainda esperava para poder sair da sala e voltar para seu dormitório. Estava ficando cada vez mais complicado para ele passar aqueles momentos com Black, eram sempre bons e
rápidos demais. Queria ter mais tempo com ela, mas também ficava nervoso por sempre esperar um
algo a mais.
Desde a terceira prova do Torneio Tribruxo, era sempre assim que se sentia quando ficavam sozinhos em um lugar mais reservado. Vários beijos, muitos apertos, alguns suspiros mais longos, mas sempre paravam nisso. %Sam% sempre parecia saber quando o namorado estava prestes a perder o controle e o interrompia na hora certa (ou errada, na opinião de Cedrico). Entretanto, ele sabia o motivo de ela se afastar; %Samantha% entendia muito bem o que todo aquele excesso de reações significava e ela não estava pronta para dar aquele passo. Diggory nem mesmo reclamava, pois entendia perfeitamente, %Sam% ainda era nova, por mais que não parecesse em alguns momentos, e eles namoravam há menos de um ano.
Não era porque Cedrico já tinha saído com outras garotas (muito mais rápido do que com ela) que faria o mesmo. Embora quisesse, muito.
Por ora, contentava-se com os beijos mais longos.
Respirou fundo uma última vez, antes de abrir a porta e sair em direção ao seu Salão Comunal, andando rapidamente até lá com um sorriso em seus lábios.
No outro dia pela manhã, no caminho para o Salão Principal, um aglomerado de alunos estava parado em frente ao portal, enquanto Filch pendurava mais um decreto:
82
Todos os estudantes serão submetidos a interrogatórios sobre suspeitas de atividades ilícitas.
Cedrico leu e releu o artigo, o cenho franzido enquanto tentava entender o motivo. Não fazia sentido em sua cabeça, o que ela considerava “atividades ilícitas”? A menos que Fred e George estivessem vendendo seus logros escondidos, já que tinham sido proibidos, não tinha muito mais o que a professora pudesse considerar irregular.
Cedrico sentiu quando alguém pegou em sua mão, virando-se em tempo de ver a namorada parar ao seu lado, olhando para o decreto novo, franzindo o cenho por alguns instantes antes de arquear a sobrancelha.
— Uau, alguém está realmente preocupada com as teorias de conspiração contra o Ministério.
— Shiu! — Apertou-lhe a mão, olhando para os lados. A última coisa que precisavam era da garota sendo levada para interrogatório.
— O que? Ah, por favor, não me diga que está preocupado com essa bobagem? — Abanou a mão no ar, rolando os olhos e rindo baixo. — Vamos, eu tenho aula com a Minerva, isso sim é preocupante! Sabe o tamanho do trabalho que ela pediu…? — Puxou-o pela mão, entrando no saguão acompanhada de Cedrico, que riu baixo negando com a cabeça. Beijou-lhe a testa antes de se separarem para suas mesas, voltando a se encontrar rapidamente antes das aulas do dia iniciarem.
— Ela suspeita, não é? — Hermione comentou em voz baixa, enquanto andavam para a próxima aula.
— Ela não teria como saber… — Rony negou com um aceno, parecendo preocupado. — Será que alguém contou?
— Não, se ela tivesse alguma prova já teria nos expulsado, são apenas suspeitas — %Sam% argumentou, ajeitando a mochila em seu ombro. — Mas talvez devêssemos esperar um pouco antes de fazer uma reunião…
— Não faz diferença — Harry deu de ombros, atraindo a atenção dos amigos —, ainda não encontramos um lugar bom o bastante, só teremos uma reunião depois disso.
Quando estavam cruzando a sala, Granger sentou-se rapidamente ao lado de %Sam%, o que fez Potter arquear a sobrancelha já que era sempre ele quem sentava ao lado da garota nas aulas de Transfiguração. Deu de ombros dando a volta e sentando-se com Rony, na mesa à frente.
— Você já contou para o Cedrico?
— Ainda não — negou com a cabeça —, esqueci de dizer ontem…
— Talvez seja melhor esperar um pouco, soube que Umbridge está de olho nele — Hermione começou a dizer, vendo a expressão confusa da amiga. — Ela quer que Cedrico a ajude a monitorar a Escola e os alunos, parece que prometeu algumas indicações para quando ele sair de Hogwarts… Para trabalhar no Ministério…
— Como
você está sabendo disso? — %Samantha% perguntou surpresa.
— Eu escutei Draco comentando com a Pansy ontem durante a ronda, logo antes de voltar para a Torre!
A garota concordou com um aceno sem dizer nada, aproveitando quando McGonagall entrou na sala poucos segundos depois para prestar atenção em seu livro ao invés de imaginar se Diggory chegaria ao ponto de terminar com ela por causa do Ministério.
Não demorou nem um dia para mais alguns decretos serem criados, nenhum realmente importante ou preocupante apenas as mesmas besteiras de sempre, na opinião de grande parte dos alunos, até que um chamou a atenção de todos:
98
Aqueles que desejarem se juntar à Brigada Inquisitorial para créditos extras, poderão se inscrever no escritório da Alta Inquisitora.
— Só o pessoal da Sonserina vai se inscrever… — Weasley comentou, dando a volta no aglomerado e andando até a mesa, não demorando para pegar uma grande quantia de bacon.
— Não sei — Harry começou em voz baixa —, soube que ela tem pegado pesado com alguns alunos… Talvez o pessoal que se sinta ameaçado não queira se arriscar…
— Talvez eu me inscreva — %Sam% comentou antes de tomar seu suco, os três a olharam surpresos. — Seria bom, sabe? Estar infiltrada!
— Até parece que ela vai deixar — Potter riu —, você provavelmente é a segunda pessoa que ela mais quer expulsar, logo atrás de mim!
A garota respirou fundo, deixando seu copo na mesa e virou-se com a sobrancelha arqueada.
— Então eu tenho que fazer alguma coisa — respondeu, alterando a postura —, não nasci para ficar em segundo na vida, Potter. Vou passar você na lista dela!
— Ah, pelas calças de Merlin! — Granger ralhou, rolando os olhos enquanto os dois riam.
— Potter? Tonks? — Angelina apareceu poucos segundos depois. Desde que assumiu como Capitã do time de Quadribol, Angelina parecia muito mais estressada que o habitual, embora ainda não estivesse no mesmo nível de Olivio Wood. — Estamos com problemas!
— O que aconteceu? — Harry perguntou, virando-se no banco para ficar de frente com a colega.
— Umbridge ainda não assinou a permissão do nosso time, ainda não podemos jogar.
— O quê? Ela não pode não liberar! O que ela disse? — %Samantha% perguntou exasperada.
Angelina respirou fundo, passando a mão pelos cabelos longos.
— Que ainda está estudando a possibilidade. — Começou ansiosa. — Eu só queria pedir para vocês dois se comportarem. Eu sei que você tem tido problemas nas aulas dela Harry, mas — suspirou — ela pode usar isso para não nos deixar jogar!
— Não pode ser… — %Sam% negou com a cabeça.
— Eu não estou pedindo, na verdade estou mandando: ou vocês dois se comportam ou estão fora do time, entendidos? — Colocou as mãos na cintura, querendo soar imponente, mas no final da frase fez uma cara de quem poderia chorar a qualquer momento, quase desculpando-se pelo tom de voz usado.
— Sem problemas — responderam em uníssono.
— Não! — Harry cortou o amigo. — Não pode! Não pode.
— Eu uso o poder a mim investido como filha de um Comensal foragido, se ela não liberar a gente de jogar!
— Ah, pronto. Daqui a pouco vão criar a nova versão dos Marotos! — Granger rolou os olhos, rindo em seguida junto com os amigos.
No final da aula de Herbologia seguiram direto para o Salão Principal, querendo comer o máximo que podiam depois de duas horas num trabalho pesado e chato, no qual reenvasaram algumas plantas venenosas. Estavam conversando e comendo tranquilos quando Umbridge entrou seguida de um grupo de alunos, Draco foi o primeiro que Black viu, logo atrás da professora. Rolou os olhos, voltando a virar-se para seu prato de comida quando escutaram o pigarro da mulher.
— Eu quero apresentar a vocês — começou sorridente, olhando demoradamente para a mesa da Corvinal, Lufa-Lufa e, então Grifinória —, os primeiros integrantes da Brigada Inquisitorial! Lembrando que quem quiser participar, é só falar comigo! — Apontou para o grupo que fazia fila ao seu lado.
Meia dúzia de alunos da Sonserina, dois da Corvinal (o que já era uma surpresa), Filch (o que a fez rolar os olhos), e…
— Cedrico? — A voz de Rony chegou aos seus ouvidos.
%Samantha% encarou o namorado por alguns instantes, notando sua cabeça baixa e a expressão séria em seu rosto. O pequeno distintivo brilhando em sua capa, logo ao lado do M de Monitor. Pareceu levar uma eternidade até Diggory erguer o rosto, olhando para os colegas e, por fim, virando para a mesa da Grifinória. A expressão confusa da namorada logo mudou ao encará-lo nos olhos, a loira negou com a cabeça, tornando a virar-se em direção aos amigos, mas Diggory notou o olhar decepcionado. Respirou fundo, fechando os olhos por alguns segundos antes de ouvir a voz da professora, dizendo que já podiam ir almoçar com seus colegas.
Cedrico andou diretamente para sua mesa, não querendo olhar para mais ninguém ao sentar-se ao lado de Monty, o lufano encarou-o por alguns instantes, a expressão tão confusa quanto a de %Samantha%.
— O que foi que aconteceu? Ontem mesmo estávamos rindo dessa ideia de Brigada?
O rapaz demorou um minuto completo para respondê-lo, servindo-se antes de dar de ombros, soprando um simples “Crédito extra”.
Emmett continuou a olhar o amigo, não parecendo muito convencido com a justificativa, mas sem saber se deveria mesmo insistir no assunto. Sabia que Diggory não faria algo que não concorda por causa de notas extras, nem mesmo precisava daquilo! E o loiro esteve no dia anterior junto dele, Davies e Parker falando sobre como Umbridge estava tentando controlar todos os alunos com toda essa história de Brigada Inquisitorial. Cedrico não mudaria de ideia tão rápido sem motivos.
Virou-se para continuar a almoçar, mas logo Rogério sentou-se ao seu lado, despojado como sempre e sem importar-se em estar na mesa da Lufa-Lufa ao invés da Corvinal, mesmo com o Salão lotado.
— Ser Monitor e Capitão do time não era suficiente para sua agenda? — Começou brincalhão, logo notando o suspiro cansado do loiro. — O que aconteceu?
— Ced acha que precisa de crédito extra! — Monty respondeu pelo amigo, tornando a encará-lo. — Se até eu que provavelmente serei reprovado em Poções não estou preocupado com notas extras, você acha mesmo que essa desculpa é suficiente?
— Não que eu não ache que você pudesse mesmo estar atrás de notas extras — Davies considerou —, mas ao lado dela? Se fosse da Minerva ou do Flitwick talvez…
— Está tentando se tornar menos popular? — Monty continuou. — E solteiro? Porque a Grifinória não está parecendo muito animada com a ideia. — Apontou com a cabeça ao ver %Samantha% andando para fora do Salão, notando quando Cedrico ergueu o olhar para ver a loira se afastar.
— Talvez seja exatamente isso, ele quer terminar e não sabe como… — Cedrico rolou os olhos, negando com um aceno.
— Qual é, Ced, o que rolou? Que tipo de amizade é essa que deixa seu melhor amigo sem respostas?
— Melhores — Daves corrigiu —, não passei sete anos aguentando vocês dois para nem ser considerado um melhor amigo!
— Você não tem andado muito conosco depois que começou a sair com a outra loirinha — Monty pontuou. Daves ficou vermelho.
— Não é bem assim… E não vem ao caso agora, o foco é no Diggory!
Montgomery e Davies continuaram encarando o loiro quando ele terminou de explicar o que acontecia, tendo revelado que %Samantha% era filha de Sirius porque sabia que nenhum dos dois repetiria aquela informação para nenhuma outra pessoa e nem julgariam a garota por aquilo (embora, apenas por garantia, tivesse evitado dizer que %Sam% tinha sim contato com o pai).
— E ela quer que vocês terminem porque o pai da garota foi para Azkaban?
— Mas ele não foi apenas para Azkaban! — Rogério começou, deixando as brincadeiras de lado. — O cara matou treze Trouxas, não foi?
Diggory se segurou para não rebater a informação, dizendo que o bruxo na verdade era inocente. Era melhor não se aprofundar naquele assunto agora, afinal, não havia provas além da palavra de %Samantha% e Harry.
— Sim, mas foi Sirius Black e não %Samantha%. Você acha que se meu pai dá uma poção errada no St Mungus e alguém morre a culpa é minha?
— Cara, você tá comparando duas coisas sem sentido! — Daves tornou a negar. — Seu pai não daria uma poção sabendo que está errada para matar um paciente. O pai dela deliberadamente matou treze pessoas!
— Que seja… — Monty deu de ombros, embora concordasse que não era realmente uma boa comparação. — Não foi ela quem matou os Trouxas, foi? E se mais nenhum professor liga para essa história, por que a Umbridge tá usando isso contra você? Ela sequer pode revelar que a Grifinória é filha dele? Você não disse que tem um acordo dos Tonks com o Ministério? — Cedrico concordou com um aceno, já tendo pensado sobre o assunto.
— Também pensei nisso, se existe um acordo direto com o Ministro, ela não poderia revelar isso para ninguém, mas foi praticamente isso que ela quis dizer quando me chamou para conversar hoje pela manhã! — contou, passando a mão pelos cabelos curtos. — Simplesmente insinuou que era apenas uma questão de enviar uma Coruja para o Profeta Diário e amanhã mesmo estaria na primeira página a história toda sobre %Samantha% ser filha de Sirius Black e Victoria Lestrange.
— Pô, mas que família, hein? — Rogério comentou de repente. — Com tantas garotas em Hogwarts, Diggory, não tinha uma melhor não?
Os dois lufanos riram do comentário, embora ainda se mantivessem mais sérios do que o que costumavam quando estavam juntos.
— Talvez ela esteja blefando! — Montgomery argumentou, passando a língua pelos lábios. — Apenas querendo que você entre na Brigada, mas mesmo que não participasse ela não diria nada, porque não pode!
— É, mas olha o que ela tem feito em Hogwarts — Cedrico replicou —, já está mandando mais do que a McGonagall, quem garante que se ela falar algo o Ministro vai fazer algo a respeito?
— Quem garante que ela vai sequer confirmar que foi ela quem deixou “escapar” a informação? Poderia só mandar uma Coruja dizendo ser uma fonte anônima — Daves pontuou —, mesmo que você saiba que foi ela, vai ser a sua palavra contra a dela. A gente vai saber que você está dizendo a verdade, mas você acha que alguém do Ministério vai acreditar em você só por ter boas notas?
— E se você falasse para o Dumbledore ou para a McGonagall? Eles com certeza acreditariam, ainda mais a Minerva que também parece odiar a Umbridge!
— E ela gosta da Tonks também — Davies concordou com Monty —, deve tentar ajudar a não divulgarem essa informação!
— Talvez, mas também nada impediria a Umbridge de despedir a própria Minerva, você não ouviu o que ela falou durante a aula de Transfigurações? Ela pode mandar qualquer funcionário embora!
— Você acha mesmo que ela ousaria enfrentar a Minerva? A Minerva? — Emmett questionou, incrédulo.
— Se ela realmente tem tanto apoio do Fudge como ela diz que tem…
— E é provável que tenha — Daves concordou —, eles não a colocariam em Hogwarts se não tivesse!
— Achei que era só para abafar as histórias sobre Você-Sabe-Quem que o Potter conta desde a última prova… — Monty considerou, o corvino deu de ombros.
— Talvez inicialmente, mas parece mesmo que ela quer desmoralizar todos os professores e o próprio Dumbledore!
— Rogério tem razão — Diggory concordou suspirando ao passar a mão pelos cabelos — ou seja, não tenho opções, não é? — Os três permaneceram em silêncio por alguns instantes.
— Deveria falar para a %Samantha% o motivo de ter entrado na Brigada — Emmett aconselhou —, é claro que ela e os amigos odeiam a Umbridge, assim como quase toda Hogwarts — pontuou —, pelo menos ela vai entender que é pra tentar ajudá-la!
— Monty está certo — Davies colocou a mão sobre o ombro do loiro —, se você não falar o motivo, ela vai achar que é pelo futuro possível emprego no Ministério!
Diggory negou com um aceno:
— Sei que sim, mas se eu falar que é pra Umbridge não espalhar no Profeta sobre a família dela, vai ser pior. %Samantha% não vai querer que eu faça isso e é capaz de realmente arranjar problemas com a Umbridge, aí sim todo mundo vai saber sobre os pais dela!
— Você está sendo nobre e burro também! — Monty falou por fim. — Se não disser que está tentando ajudar, vão acabar terminando, sabe disso, não sabe?
Cedrico concordou, soube no mesmo minuto que Dolores Umbridge ameaçou contar para todos sobre a família da garota que ele não teria escolhas. Talvez %Samantha% não se importasse por Sirius ser inocente, mas quase ninguém sabia disso. Se descobrissem que ela é filha de dois dos maiores Comensais de Voldemort, a loira não teria mais um minuto de paz em Hogwarts, era capaz de o Ministério tentar até mesmo expulsá-la quando começassem a ser cobrados pelos pais de outros alunos.
Diggory não tinha opções, só esperava que fosse como fosse, %Samantha% ainda confiasse o suficiente nele para apenas aceitar suas escolhas.