Um
Tempo estimado de leitura: 8 minutos
Diggory estava sentado no parapeito do corredor, olhando distraidamente para os jardins, nos quais os estudantes continuavam a conversar e se despedir dos visitantes antes que estes fossem embora. A confusão na final do Torneio e o anúncio de Dumbledore de que Voldemort havia retornado não parecia importante naquele momento. Poucos alunos falavam a respeito, a maioria não parecia ter assimilado a importância daquela informação e outros tantos, a grande maioria dos estudantes, não estava realmente convencido. Afinal, apenas Harry Potter tinha o visto, e Dumbledore só dizia que o Lorde das Trevas havia retornado, por causa do garoto. Mas, e as provas?
Cedrico era um dos poucos que tinha acreditado na história, internamente sabia que só havia feito por saber de todos os detalhes, talvez se só tivesse uma versão mal contada como os outros, também não acreditasse.
Se fosse sincero, parte do motivo de Cedrico acreditar de prontidão em tudo aquilo, mesmo antes de ter todos os detalhes, era porque %Samantha% acreditava. E era porque Dumbledore acreditava: o diretor já estava tomando as devidas precauções, embora Cedrico não soubesse exatamente quais, %Sam% tinha dito que o bruxo havia dado ordens para alguns professores e para Sirius, a missão deles era de reunir alguns amigos antigos e conversarem com outras tantas pessoas. Dumbledore preparava-se para uma Guerra que o Ministério e o próprio Ministro nem mesmo cogitavam.
Fudge achou ridícula a simples ideia de Voldemort ter retornado.
Era um absurdo e por isso o Ministério decidiu abafar os comentários.
Com tudo isso acontecendo, mesmo embora seu orgulho parecesse ter sofrido um grande golpe por ter perdido para Potter no Torneio, Cedrico conversou com Harry, oferecendo algum apoio caso viesse a precisar de alguma coisa.
Assustou-se quando sentiu alguém apertar-lhe os ombros, virando-se e vendo %Sam% sorrir para ele, antes de pegar impulso para sentar-se ao seu lado, cruzando as pernas. Permaneceram em silêncio por alguns instantes, olhando para o pessoal rindo nos gramados.
— O que foi? — perguntou ao perceber o sorriso contido que ela mantinha nos lábios. %Samantha% deu de ombros, o sorriso crescendo aos poucos.
— Dora me mandou uma carta pela manhã… Talvez… Talvez meu pai passe alguns dias em casa com a gente… — Encarou-o sorridente.
Cedrico piscou surpreso, sorrindo em seguida, vendo a animação da loira.
— Fantástico!
— Eu sei! — Concordou com a cabeça, tornando a olhar para os colegas, o sorriso ainda presente em seu rosto. Diggory permaneceu olhando-a por tempo indeterminado, sorrindo consigo mesmo, até ela olhar em sua direção, curiosa com seu sorriso fácil sem motivos aparentes.
— O que foi?
— Gosto de te ver sorrindo. — Deu de ombros, vendo-a ficar levemente constrangida. — Você fica realmente fofa quando fica vermelha, mas não é mais tão fácil te fazer ficar com vergonha desde que começamos a sair…
— E esse é seu objetivo para hoje, Diggory? — questionou rindo fracamente, sentindo o rosto esquentar cada vez mais.
— Talvez, mas também tenho outra coisa em mente, sabe?
— Hm, e o que seria? — Riu ao vê-lo ficar em pé, apoiando o braço na perna da garota, inclinando-se em sua direção.
— Vou deixar você descobrir sozinha dessa vez… — Piscou antes de beijá-la.
Black riu baixinho contra os lábios do namorado antes de passar os braços por seu pescoço, acariciando os seus cabelos curtos.
Cedrico chegou em casa mais sorridente do que o normal por duas razões simples: Primeiro, tinha se despedidomuito bem da namorada em uma das salas de aula vazias para compensar os dias que não se veriam. E, a segunda, tinha sido a primeira vez que realmente aparatara!
A sensação era horrível, mas ao mesmo tempo era ótimo poder finalmente fazer aquilo sem precisar da ajuda dos pais por ser menor de idade. Não precisava mais de vassouras, lareiras ou do nightbus. Poderia estar em qualquer lugar que quisesse em poucos segundos. E, obviamente, uma das vantagens de agora ser considerado maior de idade, era que poderia, por exemplo, aparatar na casa de %Samantha% a hora que quisesse. Óh, aquilo era fantástico! Já se imaginava fazendo algumas visitas para a namorada, depois, é claro, de descobrir os dias que Sirius Black estaria por perto. A última coisa que queria era o pai da garota o encontrando escondido em algum canto.
Conversava com os pais enquanto comia, contando-lhes sobre o ano turbulento e tudo o mais que se lembrava. O casal o deixava a par das novidades, que não eram tantas assim, dos meses que ele esteve na Escola.
— Ah, Ced, vamos viajar nessas férias! Seu pai conseguiu alguns dias de folga! — Rachel contou empolgada, olhando do marido para o filho.
Cedrico parou de mastigar, franzindo o cenho.
— Viajar?
— Vamos visitar seus avós, estivemos com eles no Natal, mas como você estava em Hogwarts, prometemos que assim que retornasse das aulas íamos para lá!
— Estão morrendo de saudades, não paravam de perguntar sobre você, querido.
O rapaz tomou um gole de suco, pensando sobre o assunto. Até não era má ideia visitar os avós em Liverpool, mas aquilo significava que não poderia ver %Samantha%, e seu recente plano de visitá-la à noite não seria colocado em prática.
— Quanto tempo?
— Umas três ou quatro semanas, talvez um pouco mais…
— Eu provavelmente voltarei para o trabalho antes, mas vocês ficarão mais dias, seus tios e primos também estão indo!
— Será ótimo poder rever todo mundo, eles não estavam no Natal — Rachel comentou, sorrindo para o filho.
— Você pode contar sobre o Torneio, filho! — Cedrico suspirou um tanto frustrado.
— O que foi, querido?
— Eu… Tinha planejado passar alguns dias com a %Samantha%… — Amos abanou a mão, rindo levemente.
— Vocês poderão se ver quando voltarmos, garanto que ninguém vai morrer de saudades! Além do mais, já passaram o ano todo juntos!
— Mas… Um mês? Não pode ser sei lá… Umas duas semanas?
— Um mês passa tão rápido quanto duas semanas, vocês nem vão perceber!
— Talvez para você… — reclamou apoiando o rosto na mão.
— Jovens, sempre tão dramáticos…
— Por que você não a convida, Ced? — Rachel sugeriu animada. — Tenho certeza que todos vão gostar de conhecê-la!
Cedrico sorriu com a ideia, ajeitando-se na cadeira, seria ainda melhor passar alguns dias com ela longe de Londres, sem tanta supervisão da família, mas logo desfez o sorriso.
— Ela não vai.
— Como sabe? Nem perguntou… Tenho certeza que Andrômeda confiaria em deixá-la passar alguns dias conosco…
— É claro que separaríamos os quartos… — Amos comentou, vendo o filho engasgar-se com o suco que tomava. Após poucos segundos, no qual ainda sentia o rosto queimar e via o sorriso divertido do pai, finalizou seu raciocínio:
— Sirius vai ficar na casa dos Tonks por alguns dias, não vejo a menor possibilidade de ela querer ficar longe de casa…
— Ah, mas isso vai ser muito bom para eles! — Rachel novamente sorriu, Cedrico a encarou. — Ela não passa muito tempo com o pai, Ced, vai ser bom para eles. Os dois precisam disso!
— E essa viagem vai ser boa para vocês dois também, filho. É sempre bom sentir um pouco de saudades de quem se ama, melhora a relação! — Cedrico encarou seu pai por alguns instantes, rolando os olhos e negando com a cabeça, rindo baixo.
%Samantha% o abraçou por vários minutos na entrada da casa, despedindo-se antes da viagem dos Diggory para Liverpool. Prometeram mandar cartas durante as semanas que estivessem separados, e, aproveitando o momento que estavam sozinhos, após certificar-se que não tinha ninguém na rua, Cedrico virou-se para beijá-la com intensidade, querendo memorizar com detalhes para as semanas que passariam distantes.
%Sam% apertou-lhe os ombros, arfando leve quando o rapaz mordeu o seu lábio inferior, antes de ouvirem um latido alto, próximo demais; Cedrico soltou-a no mesmo instante, virando-se assustado para os lados, sua mente fértil já imaginava Sirius apontando-lhe a varinha e azarando-o ali mesmo. Contudo, para sua sorte, não era um cachorro negro que estava latindo, era apenas o cachorrinho do vizinho, latindo para um pássaro que tinha pousado na cerca que separava os dois terrenos.
— Você parece nervoso… — %Sam% cantarolou, segurando a risada.
— Você não pode me culpar por ter medo do seu pai — resmungou, antes de respirar fundo, tornando a abraçá-la por alguns instantes. — Te vejo na volta!
— Sentirei saudades!