Capítulo 07 • Output Bother
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Fer’s POV
Estava me sentindo fraca e um pouco zonza, fui despertando aos poucos e me sentando na cama hospitalar, então enquanto esfregava as mãos nos olhos para desembaçar a visão, percebi que Niall estava debruçado na janela mexendo no celular. Ele não percebeu eu acordar; então eu sinto alguma coisa do meu lado, era um buquê de peônias! Um buquê simples, com três flores, nada escandaloso, acho que era justamente esse o charme, com um laço delicado, tinha um cheiro agradável, doce e suave; com manchas azuis misturadas ao branco nas pétalas.
Enquanto cheirava vi que tinha um cartão no meio dobrado.
Como podia ser tão delicado? Se preocupar tanto comigo? Adorei aquelas palavras no cartão. Não pude evitar, senti algumas lágrimas caírem no cartão que ainda estava segurando. Comecei à limpa-las e vi que Niall estava olhando para mim. Não queria explicar o motivo das lágrimas, nem que ele as visse mas não teve jeito ele já tinha visto; e agora estava se aproximando da cama.
Pude sentir suas mãos no meu ombro, me arrepiei, não esperava por aquilo. Ficamos nos olhando por alguns segundos, nenhum dos dois sabia o que falar, ou só não conseguia falar; até que vi um pequeno movimento nos lábios dele.
- Por que? – só um “por que?” o que ele quis dizer? Por que das lágrimas? Por que estávamos tão próximos como se nos conhecêssemos a algum tempo? Por que? Por que? Muitas dúvidas que estavam deixando nós dois loucos. Então resolvi fazer mais uma pergunta:
- As lágrimas?
- Também, isso é tristeza? – senti preocupação na voz dele, uma voz baixa e carinhosa.
- Para falar a verdade eu não sei, mas acho que um pouco dos dois. A última vez que alguém falou que eu era importante, tirando minha mãe, no final eu o perdi, e não quero que aconteça o mesmo. Mas estou feliz também, de saber que estou com alguém agora que eu gosto a muito tempo. Eu adorei essa noite, mesmo vindo parar em um hospital. Foi o melhor aniversário da minha vida! –percebi que a cada frase, Niall tinha uma reação diferente, estaria ocorrendo mudanças lá dentro?
- Seu aniversário? – ele falou surpreso.
- É, o presente da Gabi foram as entradas para a boate e a área VIP. Isso porque eu não estava querendo ir.
- Devia ter me falado, que eu iria te daria um presente, quantos anos? – era algum tipo de bronca misturado com brincadeira?
- Não eu não quero mais nenhum presente, o da Gabi já abriu porta para outros muito melhores, e essas flores são perfeitas. – estava olhando fixamente nos olhos dele, e ele estava me encarando; as mãos dele tinham saído do meu ombro o que me deu um vazio e calafrios, como se elas estivessem me aquecendo.
- Não se pergun... – antes de eu completar a frase, pude ver ele se debruçando rapidamente em minha direção. Me envolveu em seus braços musculosos e pude sentir suas mãos na minha nuca e seu perfume masculino, que ficou em meu nariz.
Foi um beijo inesperado; sua boca estava completamente envolvida na minha, eu não podia querer mais nada. Nenhum dos dois queria que aquele momento acabasse. Suas mãos começaram a acariciar meu cabelo na nuca, a sensação era perfeita e estava me dando arrepios em diferentes graus.
A porta abriu e então abri os olhos em um momento e vi o doutor.
- Hã hã – ouvimos ele raspando a garganta com a mão na frente da boca como se estivesse interrompendo algo; e de fato, ele ESTAVA interrompendo algo. - Então... Vim aqui para falar que a senhorita já está boa e que pode voltar para casa, e por favor antes de dormir coma algo.
Que médico paciente, agora eu estava muito aliviada em saber que podia sair do hospital, e por ele ter cortado o beijo antes que terminasse (apesar de ter sido o melhor beijo da minha vida) por que como iriamos reagir depois do beijo? Um iria ficar olhando para a cara do outro, sem saber o que falar?
O doutor fez algumas anotações, tirou agulha que estava com soro na minha veia e chamou uma enfermeira para me ajudar a me trocar e arrumar minhas coisas. Niall falou que ia me esperar lá fora, então eu pude me trocar sem me sentir incomodada. A enfermeira era muito dedicada, foi como se eu tivesse me trocado perto de alguém que conhecia a tempos.
Sai do quarto e Niall estava sentado na cadeira do corredor. Ao me ver ele levantou e pegou da mão da enfermeira alguns comprimidos que o doutor havia me passado. Então como se fosse algo natural ele colocou o braço no meu ombro e fomos até a recepção para encerrar a mina ficha no hospital.
Chegamos no carro e ele abriu a porta do passageiro para mim, ele estava agindo surpreendentemente fofo comigo a partir da hora que eu vi as flores. Isso só podia ser um sonho, será que aquele beijo iria ficar por aquilo mesmo? O carro começou a andar e eu estava olhando fixamente para aquelas três flores no meu colo, e o cartão dobrado no meio, assim como antes. Eu não sabia que assunto arrumar para conversar. Então o Niall me salva, daquele mar de agonia.
- Olha eu não sei o que você achou do beijo, porque o doutor entro na sala de repente e não tivemos chance de conversar sobre isso depois. Me desculpe ter começado tudo aquilo tão de repente, ter pegado você de surpresa sem ao menos saber se podia ou não. – senti uma certa ambiguidade na frase e na voz dele, ele estava preocupado se eu não teria gostado? Ou não teria deixado ele me beijar se não tivesse sido tudo tão de repente? Coloquei a mão na sua boca não deixando ele falar mais nada. Olhei para aquele garoto lindo do meu lado, se desculpando de algo que eu tinha simplesmente amado. Ele me olhou, como se estivesse me perguntando com o olhar o porquê da minha interrupção.
- Niall não fale mais nada... – não sei por que mas eu fiz uma pausa um pouco dramática – Eu simplesmente amei aquilo.
Ele me olhou por alguns segundos processando aquela simples frase. Depois devagar (ao contrário da surpresa com que ele começou me beijar) ele tirou minha mão que ainda estava tampando a boca dele; e segurou ela acariciando-a. Ficamos de mãos dadas o resto da viagem até a boate com as mãos dadas, apenas curtindo aquilo, não precisamos falar nada um para o outro por que estávamos tranquilos com o que havia acontecido.
Niall dirigindo, e eu lá do seu lado apenas observando o trânsito e sentindo a sua mão na minha.