Sexto Capítulo
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O templo estava situado em uma colina afastada do barulho do centro da cidade, cercado por árvores que balançavam suavemente ao ritmo do vento gelado. Pequenas lanternas iluminavam o caminho de pedra que levava ao portão principal, criando um contraste entre a agitação que eles haviam acabado de deixar para trás e a serenidade quase mágica daquele lugar.
%Hongjoong% parou por um momento, observando o cenário ao redor. O portão
torii vermelho, as lanternas penduradas, as árvores que pareciam tocar o céu estrelado — tudo parecia saído de um sonho.
— Uau... — ele murmurou, enfiando as mãos nos bolsos do casaco para se proteger do frio. — É como se estivéssemos em outro mundo.
%Iara% sorriu ao vê-lo admirando o lugar.
— Minha avó costumava dizer que os templos são portais para a alma. Aqui, tudo fica mais claro, como se você pudesse escutar o que seu coração realmente quer.
Eles continuaram andando, subindo os degraus de pedra que levavam ao pátio principal. Algumas poucas pessoas estavam ali, cumprindo seus rituais de fim de ano, como tocar os sinos, rezar e purificar as mãos na fonte de água.
— É tão tranquilo — comentou %Hongjoong%, olhando ao redor. — Acho que nunca estive em um lugar assim antes.
%Iara% parou ao lado de uma tigela de água, pegando a concha de bambu para derramar o líquido sobre as mãos, como mandava a tradição. Ela fez um gesto para que ele a imitasse, e %Hongjoong%, ainda um pouco confuso, seguiu seu exemplo.
— Você lava as mãos para se purificar antes de fazer um desejo ou uma oração — explicou ela, com paciência. — É um jeito de começar limpo, renovado.
%Hongjoong% assentiu, respeitoso, e depois os dois se aproximaram do sino grande que ficava no centro do pátio. Um grupo pequeno estava reunido ali, esperando para tocar o sino, e o som grave e ritmado ecoava pelo ar, criando uma atmosfera ainda mais mística.
— A tradição é tocar o sino 108 vezes para purificar os desejos mundanos — disse %Iara%, olhando para o objeto imponente. — Mas cada pessoa geralmente toca só uma vez.
%Hongjoong% olhou para o sino e depois para ela, um sorriso suave nos lábios.
— E o que você deseja para o próximo ano?
%Iara% desviou o olhar, fingindo pensar.
— Eu acho que...
quero coragem. Para seguir em frente, para arriscar mais, para não ter medo de viver.
%Hongjoong% ficou em silêncio por um momento, absorvendo as palavras dela. Então, ele deu um passo para mais perto, os olhos fixos nos dela.
Ela corou ligeiramente, mas antes que pudesse responder, o som de uma contagem regressiva começou a ecoar ao longe.
— Dez minutos para a virada — disse ela, verificando o relógio no celular. — É melhor fazermos nossos desejos antes que o tempo acabe.
Eles se aproximaram do sino, e %Hongjoong% segurou a corda, olhando para %Iara% por um instante antes de fecharem os olhos e fazerem seus pedidos silenciosos. O som grave do sino preencheu o ar, como se carregasse com ele não apenas os desejos dos dois, mas também algo mais profundo, algo que ambos ainda não sabiam como colocar em palavras.
Ao terminarem, eles se afastaram um pouco, observando o céu escurecer ainda mais. As luzes das lanternas pareciam mais brilhantes agora, e a calma ao redor os envolvia como um cobertor.
— Obrigado por me trazer aqui — disse %Hongjoong%, quebrando o silêncio. — Isso significa mais do que você imagina.
— Eu também precisava disso — respondeu %Iara%, sorrindo suavemente.
Os dois ficaram em silêncio por mais alguns minutos, aproveitando a serenidade do momento, enquanto esperavam o início do novo ano que estava prestes a chegar.
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%Hongjoong% e %Iara% continuaram caminhando pelo templo, o som distante dos sinos ainda ecoando suavemente no ar. O vento frio fazia as folhas das árvores balançarem, criando sombras dançantes no chão iluminado pelas lanternas.
Eles não trocavam muitas palavras, deixando que a tranquilidade do lugar falasse por si. Após algum tempo, chegaram a um jardim discreto, onde uma grande cerejeira se destacava, mesmo sem flores devido à estação. %Iara% olhou para a árvore com um sorriso nostálgico.
— Minha avó adorava cerejeiras — ela disse, parando perto do tronco robusto. — Ela dizia que, mesmo no inverno, quando parece que está morta, ela ainda guarda vida dentro de si, esperando pela primavera.
%Hongjoong% observou a árvore e depois os olhos dela, que brilhavam sob a luz suave do lugar.
— É um pensamento bonito — comentou. — Talvez a gente também seja assim... carregando coisas boas, mesmo quando tudo parece estéril ou difícil.
%Iara% assentiu, um sorriso pequeno surgindo em seus lábios. Ela se sentou no banco de madeira ao pé da árvore e fez um gesto para que %Hongjoong% a acompanhasse. Ele hesitou por um momento, mas acabou se acomodando ao lado dela.
— Você pensa muito sobre recomeços, não é? — ele perguntou, virando-se um pouco para encará-la.
— Acho que sim — respondeu ela, pensativa. — Talvez seja porque eu sempre sinto que estou buscando algo... algo que me faça sentir inteira de novo.
%Hongjoong% ficou em silêncio, as palavras dela ressoando em sua mente. Ele inclinou a cabeça para o lado, observando-a com uma atenção que a deixou um pouco inquieta.
— Você não parece incompleta para mim — ele disse, baixinho, mas com sinceridade. — Na verdade, você parece mais... inteira do que muitas pessoas que já conheci.
%Iara% piscou, surpresa pela intensidade das palavras dele. Seus olhos se encontraram, e o ar ao redor pareceu mudar, ficando mais denso, mais carregado de algo não dito.
Ela abriu a boca para responder, mas nada saiu. %Hongjoong%, por outro lado, parecia querer dizer algo mais, mas hesitava, o olhar oscilando entre os olhos dela e seus lábios.
O silêncio entre eles foi quebrado pelo som de vozes distantes começando uma contagem regressiva.
%Iara% desviou o olhar rapidamente, a magia do momento se dissipando como fumaça.
— Já está quase na hora... — ela disse, levantando-se apressada, tentando esconder o leve rubor em suas bochechas.
%Hongjoong% também se levantou, ajustando o cachecol ao redor do pescoço.
— Sim, melhor encontrarmos um lugar para ver os fogos.
Ambos começaram a caminhar de volta para o pátio principal, onde uma pequena multidão já se reunia. O som da contagem regressiva se tornava mais alto, e a tensão que os envolvera minutos antes parecia se diluir no entusiasmo geral ao redor.
A contagem regressiva alcançava os últimos números, e %Hongjoong% e %Iara% se posicionaram ao lado da multidão que lotava o pátio do templo. As lanternas iluminavam os rostos ansiosos, e os sinos ao fundo pareciam prontos para anunciar o novo ano.
O som dos sinos ecoou pelo templo exatamente no momento em que a multidão gritava em uníssono:
O céu acima deles foi iluminado por fogos de artifício que, embora distantes, pintavam as nuvens com cores vibrantes. %Hongjoong% olhou para o alto por alguns instantes, maravilhado, mas logo desviou o olhar para %Iara%.
Ela estava com os olhos fixos nos fogos, um sorriso suave nos lábios. O brilho das lanternas misturado ao reflexo das luzes no céu dava a ela uma aura quase mágica. %Hongjoong% não conseguia desviar os olhos, o som ao redor ficando abafado em sua mente.
— Feliz Ano Novo, %Iara% — ele disse, sua voz baixa e carregada de sinceridade.
Ela virou a cabeça para ele, os olhos brilhando não apenas pelas luzes, mas também pela emoção do momento.
— Feliz Ano Novo, %Hongjoong%.
Houve um momento de silêncio entre eles, apenas os ecos dos sinos e os risos da multidão preenchendo o ar. Sem pensar muito, %Hongjoong% deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles.
— Eu sei que isso pode parecer repentino, mas... obrigado por hoje — ele disse, quase em um sussurro. — Foi o melhor dia que eu tive em muito tempo.
%Iara% sorriu, os olhos fixos nos dele.
— Para mim também foi especial. Acho que... recomeços podem ser mais significativos quando não estamos sozinhos, né?
%Hongjoong% assentiu, o coração batendo forte. Ele queria dizer algo mais, talvez confessar que sentia uma conexão com ela desde o momento em que ouviram música juntos, mas a coragem parecia fugir.
Foi %Iara% quem deu o próximo passo. Com o calor do momento, ela estendeu a mão, segurando a dele com delicadeza.
— Vamos fazer um pedido? — sugeriu, olhando para o céu iluminado pelos fogos que ainda continuavam.
%Hongjoong% olhou para a mão dela na sua e depois para o rosto dela, um sorriso pequeno e terno surgindo em seus lábios.
Eles fecharam os olhos ao mesmo tempo, cada um mentalizando seus desejos para o ano novo. Quando abriram os olhos novamente, a atmosfera parecia diferente, mais íntima, mais carregada de expectativa.
%Hongjoong% apertou levemente a mão dela.
— Não sei qual foi o seu pedido, mas o meu... acho que já está se realizando.
%Iara% arqueou as sobrancelhas, surpresa e curiosa.
— Sim — ele respondeu, o olhar fixo nos dela.
Ela não precisou perguntar mais nada. O silêncio entre eles falava mais do que qualquer palavra poderia dizer, e o mundo ao redor parecia ter desaparecido por um instante. %Hongjoong% soltou um suspiro, reunindo coragem enquanto seus olhos deslizavam dos olhos dela para os lábios, hesitante, mas incapaz de esconder o desejo.
— %Iara%… — ele disse, sua voz baixa e quase engasgada pela intensidade do momento.
— Sim? — ela respondeu, a respiração um pouco mais rápida, como se já soubesse o que estava por vir.
— Posso... — ele começou, mas parou, franzindo as sobrancelhas ligeiramente, como se lutasse para encontrar as palavras certas. —
Posso beijar você? A pergunta pairou no ar como uma promessa, e %Iara% sentiu o coração disparar. Ela sabia que não era só o encanto da virada de ano; era algo mais profundo, algo que eles tinham construído nos pequenos momentos que compartilharam desde que se conheceram.
Ela não precisou pensar muito. Com um leve sorriso que misturava timidez e confiança, assentiu.
%Hongjoong% não esperou mais nada. Ele se inclinou devagar, fechando os olhos quando a distância entre eles desapareceu. Os lábios dele tocaram os dela com delicadeza, como se ele quisesse prolongar cada segundo daquele momento.
O beijo começou suave, mas logo ganhou mais profundidade, um misto de nervosismo e desejo evidente entre os dois. O mundo ao redor parecia ter se calado novamente, e tudo o que importava era a sensação de estarem juntos ali, sob as luzes dos fogos e a atmosfera mágica do templo.
Quando se separaram, ainda próximos, os olhos de %Hongjoong% encontraram os dela, um brilho misturado de felicidade e surpresa iluminando seu rosto.
— Isso foi... — ele começou, mas riu baixinho, sem saber como terminar a frase.
— Foi mesmo — %Iara% completou, sorrindo com um tom brincalhão, mas o olhar dela era tão intenso quanto o dele.
Eles ficaram ali por mais alguns instantes, o mundo lentamente voltando a invadir sua bolha. Mas algo havia mudado. O novo ano não era apenas uma promessa; era uma realidade que eles estavam prontos para explorar, juntos.
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