Segundo Capítulo
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O sol da manhã iluminava o pequeno corredor do prédio, enquanto %Iara% descia as escadas em passos hesitantes. A curiosidade não a deixava em paz desde que %Hongjoong% fora embora. Ele havia ajudado tanto, e a conexão que sentiram enquanto trabalhavam juntos ainda pulsava em sua mente. Ela queria agradecê-lo apropriadamente e, quem sabe, saber mais sobre ele.
Mas havia um pequeno problema: ela não tinha ideia de qual apartamento era o dele no andar debaixo.
Parando no patamar, ela olhou para as portas do corredor, todas idênticas, sem nenhuma pista óbvia.
“Será o da direita ou da esquerda?” murmurou para si mesma, apertando a alça da bolsa que carregava.
Antes que pudesse decidir, o som de uma porta se abrindo ecoou pelo corredor, e ela se virou rapidamente. Para sua surpresa – e alívio –, lá estava ele. %Hongjoong% saía do apartamento à esquerda, vestindo um casaco simples e um gorro preto.
Ele notou sua presença e abriu um sorriso amigável.
— Bom dia. O que faz por aqui tão cedo?
%Iara% corou ligeiramente, sentindo-se flagrada.
— Ah, bom dia! Eu... só queria te agradecer de novo pela ajuda de ontem. — Ela hesitou, tentando parecer casual. — E, bem... acho que queria descobrir onde você mora.
%Hongjoong% riu baixinho, fechando a porta atrás de si.
— Acho que agora você já descobriu. — Ele deu uma olhada no relógio de pulso e depois voltou a encará-la. — Estava indo tomar café na padaria aqui perto. Quer vir comigo?
O convite pegou %Iara% de surpresa. Ela piscou algumas vezes antes de responder.
— Ah, eu... claro, seria ótimo.
— Então, vamos! — disse ele, gesticulando para que ela o acompanhasse.
Caminharam juntos pelas ruas tranquilas de Asakusa, onde o movimento matinal ainda era tímido. O ar fresco da manhã trazia o aroma de pão recém-assado, e %Iara% sentiu-se estranhamente à vontade ao lado de %Hongjoong%.
— Você costuma vir para cá? — perguntou ela, tentando puxar conversa.
— Sim… — respondeu ele, enfiando as mãos nos bolsos do casaco. — É um lugar simples, mas a comida é boa. Além disso, é um dos poucos lugares que me fazem sentir que estou realmente vivendo aqui, sabe? Ainda estou tentando me acostumar.
%Iara% assentiu, compreendendo perfeitamente o sentimento.
— Mudar para outro país deve ser difícil. Mas você já está se adaptando bem, pelo que parece.
%Hongjoong% deu um sorriso de lado.
—Acho que ontem foi um bom começo. Conhecer você e ajudar com as lanternas foi melhor do que ficar sozinho no meu apartamento tentando escrever algo que fizesse sentido.
Ela sorriu também, sentindo uma pontada de satisfação com o comentário.
— Bem, espero que o café de hoje ajude também.
Chegaram à padaria, um pequeno estabelecimento acolhedor com mesas de madeira e uma vitrine repleta de pães e doces. %Hongjoong% segurou a porta para %Iara% entrar, e ela agradeceu com um leve aceno.
Enquanto pediam seus cafés e pães, a conversa fluiu com naturalidade. %Hongjoong% contou mais sobre sua vida como músico, e %Iara% compartilhou histórias de suas exposições e das peculiaridades de viver em Tóquio.
Quando finalmente se acomodaram em uma mesa perto da janela, %Hongjoong% a observou por um momento, um sorriso suave no rosto.
— Eu não esperava começar meu dia assim, mas estou feliz que você tenha me encontrado no corredor.
%Iara% desviou o olhar por um instante, sentindo o calor subir ao rosto, mas logo tomou coragem.
— Para ser honesta... — começou ela, colocando a xícara de café de volta na mesa. — Eu também queria aproveitar para te convidar para a exposição de hoje à noite. É uma instalação pequena, mas significa muito para mim.
%Hongjoong% arqueou as sobrancelhas, surpreso, mas logo o sorriso em seu rosto se alargou.
— Isso é um convite oficial?
— Sim, exatamente isso, um convite oficial — respondeu %Iara%, com um toque de nervosismo, mas também decidida. — Afinal, você ajudou tanto ontem. Acho justo que veja o resultado.
Ele assentiu, cruzando os braços sobre a mesa.
— Eu adoraria ir. Qual o horário?
— Começa às sete, mas você pode chegar um pouco antes, se quiser. Assim posso mostrar tudo com calma antes de todo mundo aparecer.
%Hongjoong% sorriu novamente, genuinamente encantado com o convite.
— Sete está perfeito. Mal posso esperar para ver como ficaram as lanternas.
%Iara% sentiu um alívio misturado com expectativa. O simples ato de convidá-lo parecia um pequeno passo, mas também carregava uma sensação de algo novo e inesperado surgindo entre eles.
Enquanto continuavam conversando, o clima leve e descontraído transformava a manhã em algo memorável. %Iara% não podia deixar de pensar no que a noite poderia reservar.
A conversa entre os dois fluiu naturalmente durante o café da manhã. %Iara% sentia-se mais à vontade a cada minuto, enquanto %Hongjoong% demonstrava um charme despretensioso que a deixava intrigada. Eles falaram sobre a adaptação dele ao Japão, o amor de %Iara% por arte e as dificuldades que ambos enfrentavam para expressar suas paixões de maneira autêntica.
%Hongjoong% contou histórias de sua infância na Coreia, sua jornada na música e as razões que o levaram a Tóquio. Ele falou sobre a busca por inspiração e como sentia que, de alguma forma, o destino o colocara ali no momento certo.
— E você? — perguntou ele, inclinando-se levemente sobre a mesa. — Desde quando a arte faz parte da sua vida?
%Iara% sorriu, mexendo no café.
— Acho que desde sempre. Minha mãe costumava pintar, e eu me encantava vendo-a transformar telas em mundos. Mas só depois de adulta percebi que queria criar algo que fizesse as pessoas sentirem o mesmo que eu sentia quando olhava para as pinturas dela.
%Hongjoong% ouviu com atenção, admirando a paixão em sua voz.
— Acho incrível como a arte pode conectar as pessoas, mesmo quando vêm de lugares tão diferentes.
Ela assentiu, e por um momento, os dois ficaram em silêncio, apenas aproveitando a tranquilidade da padaria e a companhia um do outro.
De volta ao prédio, o clima já estava mais quente, e a caminhada foi repleta de comentários sobre a arquitetura das ruas e as peculiaridades do bairro.
— Você mora aqui há muito tempo? — perguntou %Hongjoong%, curioso.
— Faz alguns anos. Gosto de Asakusa porque tem essa mistura de tradição e modernidade. É como viver em dois mundos ao mesmo tempo.
— Faz sentido — disse ele, pensativo. — Talvez seja por isso que eu me sinto confortável aqui, mesmo sendo tão diferente de casa.
Quando chegaram à entrada do prédio, %Iara% parou por um momento, virando-se para ele.
— Obrigada por aceitar o convite. Vai ser bom ter um rosto conhecido por lá hoje à noite.
%Hongjoong% sorriu, ajustando o gorro.
— Estou ansioso para ver o que você criou. Além disso, acho que agora somos oficialmente vizinhos, não?
Com uma despedida amigável, %Iara% subiu para seu apartamento, sentindo o coração mais leve. Algo na simplicidade daquele encontro a fazia acreditar que talvez aquele ano novo pudesse trazer mais do que ela imaginava.
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