Quarto Capítulo
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As luzes suaves do salão da galeria criavam um contraste com o céu escuro da noite em Asakusa. As grandes janelas revelavam a vista urbana enquanto os convidados circulavam pelo espaço, admirando as obras de arte cuidadosamente expostas. %Iara% estava parada perto de uma de suas telas favoritas, ajustando a postura para parecer tranquila, embora seu coração estivesse acelerado.
A exposição era uma oportunidade de ouro para ela, um espaço para mostrar ao mundo sua visão e seu talento. Mas, mesmo com tantos elogios vindos de críticos e amigos, algo parecia incompleto. Era como se ela esperasse por algo — ou alguém.
Não demorou muito para que uma figura familiar cruzasse a porta. %Hongjoong% entrou, usando um casaco preto elegante, que contrastava com o sorriso caloroso que ele lançou assim que a viu. Ele parecia deslumbrado com o ambiente, mas seus olhos rapidamente encontraram os dela, e ele se aproximou com passos firmes.
— Uau — disse ele, parando em frente a ela. — Isso aqui é incrível, %Iara%.
Ela sorriu, sentindo o calor subir às bochechas.
— Obrigada. Eu estava começando a achar que você não viria.
— Eu nunca perderia isso. Você sabe disso.
%Hongjoong% desviou o olhar para as telas próximas. Ele parou em frente a uma em particular, uma pintura abstrata que parecia misturar cores e formas de maneira caótica, mas harmoniosa.
— Esta é sua, certo? — perguntou ele, apontando.
— Sim. Chama-se Fragmentos. É sobre... momentos que parecem desconexos, mas que, quando você olha de longe, fazem sentido.
Ele ficou em silêncio, admirando a obra, e então a olhou.
— Como você consegue traduzir sentimentos assim em algo tão visual?
— Acho que é o mesmo jeito que você faz com suas músicas — respondeu ela, sorrindo.
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Enquanto os dois circulavam pela exposição, %Iara% o apresentava a algumas das suas peças favoritas e compartilhava as histórias por trás delas. %Hongjoong% ouvia atentamente, como se absorvesse cada palavra, cada emoção que ela transmitia.
Eles pararam em frente a uma escultura, um trabalho minimalista que evocava delicadeza e força ao mesmo tempo.
— Isso me lembra você — comentou %Hongjoong%, inesperadamente.
%Iara% arqueou uma sobrancelha, surpresa.
Ele coçou a nuca, ligeiramente embaraçado.
— Bem, é simples, mas cheio de camadas. E... não tem como não reparar.
Ela riu, tentando esconder o quanto o comentário a afetara.
— Você é cheio de surpresas, %Hongjoong%.
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Conforme a noite avançava, o salão ficava mais cheio, mas eles permaneciam próximos, como se o restante do mundo fosse apenas um plano de fundo.
— Você já pensou em expor fora do Japão? — perguntou ele, enquanto tomavam uma taça de vinho perto de outra grande janela.
— Já, mas sempre fico com receio de que não seja o momento certo.
— Eu acho que qualquer lugar ficaria melhor com a sua arte — disse ele, com sinceridade.
%Iara% olhou para ele, sentindo o peso daquelas palavras. Antes que pudesse responder, uma voz chamou por ela, quebrando o momento.
— %Iara%! Você precisa vir aqui. Estão querendo falar sobre sua obra principal.
Ela assentiu, pedindo licença para %Hongjoong%, mas antes de se afastar, tocou levemente em seu braço.
— Não vá embora ainda, tá?
— Nem penso nisso — garantiu ele.
%Hongjoong% ficou observando-a se afastar, sentindo-se ainda mais inspirado. Não era apenas o talento dela que o fascinava, mas também a forma como ela parecia enxergar o mundo de um jeito único e especial.
Ele sabia que aquela noite seria inesquecível, e, de alguma forma, sentia que estava apenas começando.
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%Iara% voltou ao salão após atender ao chamado, sentindo a energia frenética de elogios e perguntas sobre sua obra principal. Ela havia sorrido, conversado e agradecido a todos que se aproximaram, mas agora só queria retornar para perto de %Hongjoong%.
Quando o avistou novamente, ele estava parado em frente à mesma tela abstrata que haviam discutido antes: Fragmentos. %Hongjoong% parecia perdido na pintura, os braços cruzados e a cabeça ligeiramente inclinada, como se estivesse tentando desvendar algo mais profundo.
Ela se aproximou silenciosamente, mas ele percebeu sua presença antes que pudesse dizer algo.
— Você voltou — disse ele, virando-se para encará-la.
— Voltei — respondeu ela, com um sorriso suave. — Desculpe a demora.
%Hongjoong% balançou a cabeça, indicando que não havia problema. Ele apontou para a tela à sua frente.
— Acho que entendi por que isso aqui me prende tanto.
%Iara% arqueou as sobrancelhas, curiosa.
Ele hesitou por um instante, como se tentasse encontrar as palavras certas.
— É como... um espelho. A gente passa a vida olhando para pedaços desconexos, tentando entender como tudo se encaixa. E, de repente, percebe que o caos faz parte da beleza.
%Iara% o observou, sentindo o impacto daquelas palavras. Era raro encontrar alguém que entendesse sua arte tão profundamente.
— Você realmente tem uma sensibilidade especial para interpretar as coisas — disse ela, quase em um sussurro.
%Hongjoong% riu, levemente encabulado.
— Talvez eu só esteja projetando — respondeu ele, mudando de assunto com um sorriso. — Mas e você? O que queriam com você?
%Iara% suspirou, cruzando os braços.
— Era sobre a minha obra principal. Eles queriam saber se estou disposta a levá-la para uma exposição em
Kyoto no próximo mês.
— Uau! Isso é incrível, %Iara%! E você disse sim?
— Ainda não. Eu queria pensar um pouco.
Ele franziu a testa, claramente surpreso.
— Pensar? Isso é uma oportunidade enorme! Por que a hesitação?
Ela deu de ombros, olhando para a pintura.
— Acho que é o medo de sair da minha zona de conforto. De não estar pronta para algo maior.
%Hongjoong% inclinou a cabeça, estudando-a.
— Você sabe o que eu acho? — começou ele, com um tom sério. — Acho que você subestima o impacto que a sua arte pode ter. Se você conseguiu tocar alguém como eu — que mal entende de pintura —, imagine o que pode fazer em Kyoto.
%Iara% sorriu, tocada pela sinceridade dele.
— Você realmente acha isso?
— Tenho certeza — respondeu ele, sem hesitar.
Por um instante, o mundo ao redor pareceu desaparecer. Eles estavam apenas os dois ali, conectados por algo mais profundo que palavras.
— Talvez você tenha razão — disse ela, finalmente.
%Hongjoong% sorriu, como se estivesse aliviado por ela ter aceitado suas palavras.
— Você vai arrasar, %Iara%. Tenho certeza disso.
Ela desviou o olhar, um pouco envergonhada, mas profundamente grata por tê-lo ali.
— Obrigada, %Hongjoong%. Por acreditar em mim.
Ele apenas sorriu novamente, um brilho nos olhos que a fez sentir que, de alguma forma, tudo estava no lugar certo.
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Com a exposição chegando ao fim, os convidados começaram a se dispersar. %Iara% caminhava ao lado de %Hongjoong%, conduzindo-o até a saída. O ar da noite estava frio, mas agradável, e as ruas de Asakusa ainda vibravam com o burburinho típico daquela época do ano.
Eles andavam lado a lado, conversando sobre detalhes do evento, mas a presença de %Hongjoong% tornava cada troca de palavras especial. Quando chegaram à porta da galeria, ele hesitou, como se algo estivesse pesando em sua mente.
— Então, já vai embora? — perguntou %Iara%, ajeitando a echarpe ao redor do pescoço.
%Hongjoong% parou, olhando para ela por um momento antes de enfiar as mãos nos bolsos do casaco.
— É, acho que sim. Já está ficando tarde.
Ela assentiu, mas algo em sua expressão indicava que talvez preferisse que ele ficasse mais um pouco. %Hongjoong%, percebendo isso, respirou fundo e tomou coragem.
— Sim? — respondeu ela, curiosa.
Ele desviou o olhar por um segundo, reunindo forças.
— Eu estava pensando... Você já sabe como vai passar a virada do ano?
%Iara% piscou, surpresa pela pergunta repentina.
— Bem, eu não tenho nada planejado ainda. Geralmente fico em casa ou vou até o templo para as orações tradicionais. Por quê?
%Hongjoong% deu de ombros, tentando parecer casual, mas havia um leve nervosismo em sua voz.
— Eu também não tenho nada planejado. Pensei que talvez pudéssemos fazer algo juntos. Quero dizer, se você não se importar.
Ela sorriu, claramente surpresa, mas também animada com a ideia.
— Fazer algo juntos? Como o quê?
— Ainda não sei exatamente. Mas talvez explorar a cidade, assistir aos fogos, ou até mesmo só conversar enquanto o ano novo chega.
%Iara% o encarou por um momento, sentindo o calor de suas palavras em meio ao frio da noite.
— Isso parece... uma ótima ideia. Eu adoraria.
%Hongjoong% relaxou visivelmente, um sorriso genuíno se formando em seu rosto.
— Claro — respondeu ela. — Acho que seria uma ótima maneira de começar o ano novo.
Eles ficaram em silêncio por alguns segundos, apenas trocando olhares que diziam mais do que qualquer palavra poderia expressar.
— Então está combinado — disse ele, finalmente. — Nos vemos mais tarde.
— Combinado — confirmou ela, sorrindo.
Enquanto %Hongjoong% se afastava, acenando de forma descontraída, %Iara% sentiu o coração acelerar. Algo lhe dizia que aquele ano novo seria diferente de todos os outros — e talvez fosse exatamente isso que ela precisava.
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