Beautiful Liar


Escrita porMaru Ferrari
Editada por Natashia Kitamura


Capítulo 2 • Problem

Tempo estimado de leitura: 24 minutos

  POV. %Oliver%

  Olhava para a garota repousada na cama hospitalar e não conseguia encontrar nenhuma outra resposta – além da mais óbvia – para aquela tentativa de homicídio. Aquilo me parecia uma cobrança de dívida, mas de que tipo? Drogas? Dinheiro de jogo? Informações? Eu apostaria em drogas. O que levava uma garota como aquela a se envolver com coisas do tipo? %Sofía% Jude, pelo que eu havia visto até o momento em minhas investigações, parecia ter uma vida perfeita, e agora estava em um estado lastimável, foi surrada e deixada para morrer. Tinha outra hipótese que eu pudesse levantar além de drogas? Não sei, talvez eu estivesse sendo muito raso. A pior parte (depois da garota quase ter morrido) era a falta de pistas no caso. Depois que ela foi resgatada, a pareicia tomou conta da casa e nada foi encontrado, nenhum fio de cabelo, nenhuma pegada e nenhuma digital que não fosse de pessoas próximas. Quem fez isso era extremamente profissional, provavelmente um assassino de aluguel. Eu tinha até cogitado que ela pudesse ser esquizofrenia e ter feito tudo aquilo sozinha, por mais insano que soasse, mas os exames não detectaram nada, ela era perfeitamente normal. O que nos levava de novo à estaca zero. Só teríamos resposta quando ela acordasse.
0
Comente!x

  Faziam dois dias que ela estava no hospital, em coma. Havia tantos hematomas em seu rosto, mas ainda sim, era possível ver como era bonita.
0
Comente!x

  Não conseguimos contato com ninguém da família, o mais perto que chegamos foi encontrar sua melhor amiga, que por sinal era sua vizinha. Segundo ela, os pais de %Sofía% se encontravam no Egito, totalmente incomunicáveis, e seu irmão, Lucas, não aparecia em casa já a uns bons dias. Aquilo me incomodou um pouco, teria algo haver?
0
Comente!x

  Outra coisa que estava me incomodando bastante era o Nicolás. Ele andava um tanto quanto perturbado desde que saiu da casa com a garota nos braços. Murmurava coisas sem sentido toda vez que olhava para ela, fora o fato de eu ter certeza que ele chorou quando tirou ela do quarto – mesmo ele tendo negado e colocado a culpa na fumaça. No começo eu achei que era só emoção por ter salvo uma vida, mas tinha algo mais que isso, algo que ele não queria me contar. Estávamos revezando a segurança no quarto do hospital onde ela estava, caso alguém tentasse ataca-lá outra vez, e Nicolás assumia uma postura estranha cada vez que entrava no ambiente. Era como se ele tivesse medo dela e ao mesmo tempo sentisse uma preocupação absurda com seu estado, e era mais que uma preocupação de um policial com um caso.
0
Comente!x

  Fui tirado de meus pensamentos por uma tosse baixa, vinda da cama em minha frente. Ela estava acordando. Pensei em apertar o botão de emergência perto da cama, mas achei melhor não, temi assusta-lá se chegasse perto demais. Levantei da cadeira e fui em direção a porta, chamando a primeira enfermeira que vi no corredor. Encostei-me ao batente, observando a enfermeira tomar notas sobre a paciente - que ainda não tinha aberto os olhos por completo - só para sair logo depois dizendo que iria chamar um médico.
0
Comente!x

  Aproximei-me da cama com as mãos no bolso da calça.
0
Comente!x

  - %Sofía%? – Chamei por seu nome, vendo seus olhos se abrirem devagar. Eles eram tão verdes, tão brilhantes. Faziam uma sincronia perfeita com seus cabelos levemente acastanhados.
0
Comente!x

  - Eu não morri? – Perguntou mais para si mesmo do que para mim, com a voz fraca.
0
Comente!x

  - Não, você não morreu. – Respondi com um riso, voltando a me sentar na cadeira. Por que todo mundo que acorda num quarto de hospital depois de um acidente acha que morreu? Seria pelas paredes brancas e a claridade gritante? – Você sofreu uma tentativa de homicídio, mas graças a uma ligação anônima e a ação rápida da polícia, se salvou. – Ela me olhava atentamente enquanto eu relatava a situação – Você ficou em coma por dois dias.
0
Comente!x

  Eu esperava qualquer reação, menos uma risada.
0
Comente!x

  - Desculpe, eu disse alguma coisa engraçada? Está tudo bem com você? – perguntei, me sentindo perdido.
0
Comente!x

  Mesmo puxando um pouco o ar para falar, ela respondeu mais do que depressa.
0
Comente!x

  - Eu estou numa cama de hospital, é claro que eu não estou bem. – %Sofía% respondeu, num tom grosseiro, mas sua voz voltou ao que parecia ser o seu normal logo depois – Eu só estou feliz por estar viva.
0
Comente!x

  Senti-me constrangido na mesma hora por sua resposta afiada, mas ainda sim, achei sua reação estranha. De novo pensei que ela pudesse ser esquizofrênica.
0
Comente!x

  - Certo, me desculpe. Eu só não esperava esse tipo de reação, é que uma pessoa normal teria ficado assustada.
0
Comente!x

  - É – ela concordou – e só uma sádica daria risada não? – Rebateu de forma irônica. - Você é psicólogo por acaso para me dizer se eu sou ou não normal?
0
Comente!x

  Céus, como ela era afiada, apesar da voz fraca, %Sofía% se fazia ouvir em alto e bom tom. Baixei minha cabeça tentando pensar em uma resposta para aquilo. Entretanto, não havia. Decidi mudar de assunto então. Voltei a olhar para ela, que ainda tinha seus olhos em mim.
0
Comente!x

  - Quer saber quem eu sou?
0
Comente!x

  - É meio óbvio, eu não preciso de explicações. – Respondeu de forma grosseira, apontando a cabeça para o bracelete da polícia que estava acima do meu cotovelo, por cima do blazer preto.
0
Comente!x

  Irônica, grosseira, esquisita e provavelmente masoquista. Eu estava tentando ser cuidadoso devido a seu estado, mas já que ela parecia não se importar, eu também não me importaria.
0
Comente!x

  - Certo, você não precisa, mas a polícia sim. – disse sério, já de pé – Assim que o médico chegar eu irei pedir uma autorização para recolherem seu depoimento, já que você parece em perfeitas condições, mesmo no seu estado.
0
Comente!x

  - Fala comigo como se eu fosse uma criminosa, eu sou a vitima aqui. E eu não tenho nada a esconder – ela fez uma pausa, olhando para a etiqueta do hospital no meu blazer – Policial Green.
0
Comente!x

  - Eu não disse que você tinha – respondi rápido, me sentindo surpreendido com suas palavras. Ela havia se entregado sozinha, assim que ela ouviu minhas palavras ficou quieta, seu sorriso irônico sumiu, ela abriu a boca duas vezes para falar algo, mas acabou desistindo.
0
Comente!x

  O médico entrou no quarto, me tirando a chance de fazer-lhe qualquer pergunta. Não havia problema. Mais cedo ou mais tarde, eu iria descobrir o que escondia %Sofía% Jude.
0
Comente!x

  POV. %Sofía%

  O meu plano havia dado certo. Na verdade, tinha saído melhor do que eu esperava, eu não pretendia entrar em coma, mas como aconteceu, era algo mais a meu favor. Pobre %Sofía%.
0
Comente!x

  Eu não parecia ser suspeita do crime, então decidi melhorar meu plano, só para me assegurar de que a polícia iria mesmo querer ficar perto de mim, então em vez de apenas dizer que meu irmão pertencia à máfia, eu daria a entender que estava escondendo algo, e pareceu funcionar. O tal %Oliver% havia ficado um tanto quanto inquieto quando eu deixei escapar aquelas palavras, não deixou de me olhar estranho desde então.
0
Comente!x

  Quando o médico entrou para me analisar ele pegou um celular e foi para o corredor, me tirando a chance de observá-lo melhor. Já sabia que ele estava intrigado comigo, mas queria mais. Talvez provocá-lo, me desse algo. Isso não seria tão difícil, uma vez que eu era mestre em irritar as pessoas e fazia com mais gosto ainda quando eu não ia com a cara de alguém, o que era o caso dele, ainda estava inconformada que ele praticamente me chamou de anormal.
0
Comente!x

  Ele parecia ter saído de um filme policial, tinha um ar de mocinho de trama romântica e era o típico galã que faria a protagonista suspirar. Seus cabelos eram castanhos e seus olhos eram contrastavam entre o castanho e o verde, sua pele era clara e a boca perfeitamente desenhada, contendo um tom levemente rosado. Vestia calças skinny na cor preta e seu peito estava coberto por uma blusa branca, com um blazer na mesma cor de sua calça. Típico.
0
Comente!x

  Sai de meus devaneios quando o médico me disse que eu era uma garota de sorte por ter sobrevivido, agradeci mentalmente a Deus por me ajudar a sair viva daquele quarto, apesar da minha loucura – que no final, era por um bom motivo. O doutor também disse que minha alta viria de acordo com minha evolução. Ele saiu logo depois, mas não sem antes me dizer para agradecer ao policial que havia salvado a minha vida.
0
Comente!x

  Então %Oliver% havia sido quem me tirou do quarto antes que a água chegasse até mim? Droga, eu ia ter que ser agradecida justo com aquele cara? Infelizmente parece que sim.
0
Comente!x

  Vi minha chance de agradecer quando ele entrou no quarto novamente. O policial Green caminhou até perto de minha cama e se sentou na cadeira, sem me dizer uma palavra, em seu rosto só havia um sorrisinho cínico.
0
Comente!x

  - Então – comecei – você foi o policial que salvou minha vida?
0
Comente!x

  Ele riu.
0
Comente!x

  - Não – respondeu mudando de posição na cadeira, seu cotovelo estava apoiado no braço do móvel, e ele despenteava o próprio cabelo. Sua outra mão repousava em seu colo, segurando seu celular. – Foi Nicolás.
0
Comente!x

  - Nicolás? – quem era Nicolás?
0
Comente!x

  - Meu parceiro, ele arriscou ser eletrocutado pra tirar você de lá, poderia ter morrido. - Eu estava doida ou ele estava reclamando?
0
Comente!x

  – E depois disso você o espantou com esse seu mau humor? - Retruquei, no mesmo tom.
0
Comente!x

  Ele bufou, demonstrando que estava irritado, e por dois segundos eu achei que ele iria me sufocar com o travesseiro.
0
Comente!x

  - Ocupado com coisas mais importantes. Aliás – fez uma pausa cruzando os braços e assumindo uma postura mais séria – eu preferia estar no lugar dele a ter que ficar cuidando de uma garotinha mimada, grosseira e sem educação. E eu não deveria nem ter que te lembrar de que eu represento a lei, então você deveria ter um pouco mais de respeito quando se dirigir a mim.
0
Comente!x

  Grosso
0
Comente!x

  - Essa é a sua análise sobre mim? – questionei irônica, me ajeitando na cama – Excelente, %Oliver%. - Frisei seu nome, o pirraçando de propósito.
0
Comente!x

  - Você só me mostrou isso até agora. Além do mais, acredito que você já esteja metida em encrenca demais, e não gostaria de ser presa por desacato. E para você, é Oficial Green.
0
Comente!x

  Ele sabia quem eu era? Meu Deus, que cara insuportável. Pelo menos eu não era obrigada a ser gentil com ele, uma vez que não foi ele quem me salvou.
0
Comente!x

  - Vê se eu vou levar a sério alguém cujo o sobrenome é Green. Descansa, Shrek. E você nem é verde. - Cutuquei debochando de seu nome, só para depois rir de minha própria piada, mesmo que fosse sem graça.
0
Comente!x

  - Já chega – ele disse se levantando – Eu tentei ser gentil com você, mas já que você tá ótima pra fazer piadinhas, eu posso muito bem pedir uma autorização pra te levar pra delegacia assim que você tiver alta.
0
Comente!x

  Observei o policial retirar uma algema do bolso de trás da calça. Ah mas ele não ia mesmo.
0
Comente!x

  Puxei meu braço assim que ele se aproximou com uma das algemas.
0
Comente!x

  - Olha só - comecei, olhando bem feio em seus olhos avelã - você tem um sério problema de mau humor. – Além do mais – fiz uma pausa, mudando o meu tom de voz para um tom sexy e diminuindo em um sussurro quase inaudível – só deixaria você me prender em um outro tipo de cama.
0
Comente!x

  Ele me olhou incrédulo por quase um minuto. Estava quase rindo da cara dele quando ele pegou um rádio no bolso de seu blazer e chamou uma viatura. Como foi que eu deixei a minha boca grande me foder tão rápido?
0
Comente!x

  Formulei na minha cabeça uma desculpa o mais rápido que pude, eu queria a polícia na minha cola, mas isso não poderia ser na cadeia. Estava prestes a falar quando a porta do quarto foi aberta, revelando um moço de aparência jovial que tinha mais ou menos a minha altura.
0
Comente!x

  %Oliver% andou até onde ele estava e se dirigiu ao rapaz, que mantinha os olhos em mim. Olhei o bracelete em seu braço. Nicolás.
0
Comente!x

  Talvez pelo sentimento de gratidão, meu sorriso se abriu instantaneamente.
0
Comente!x

  - Você chegou na hora certa, Nicolás.
0
Comente!x

  Aquele policial parecia mais amigável.
0
Comente!x

  Seus olhos estavam em mim, ele sorria ignorando completamente o seu parceiro.
0
Comente!x

  - Você acordou! – Disse, ainda sorrindo. Meu sorriso se alargou, foi quase de imediato.
0
Comente!x

  - É, ela acordou, e eu vou levar ela para a delegacia. – Disse %Oliver%, tomando atenção do rapaz parado na porta que finalmente pôs atenção em seu amigo.
0
Comente!x

  - Não – respondeu, sem entender o outro policial direito – Ela acabou de sair do coma, você nem deve ter autorização pra tirar ela daqui, sem falar que depois ela pode dar o depoimento sem sair do hospital.
0
Comente!x

  %Oliver% bufou.
0
Comente!x

  - Ela tá presa. – o outro policial fez uma careta de confusão, e quando ia perguntar o porquê, %Oliver% se apressou em responder – Por desacato – explicou, vendo que seu parceiro não entendia a situação - assim que ela tiver alta ela vai pra delegacia, vou deixar dois policiais na porta.
0
Comente!x

  - Eu não fiz nada. – me intrometi, adoçando o tom da minha voz. – Você me chamou de anormal, sua presença estava me incomodando, eu só queria te irritar pra que você saísse do quarto. – Menti.
0
Comente!x

  - Primeiro, eu não te chamei de anormal, isso foi o que você interpretou. Em segundo, se era só isso, por que não me pediu? Eu teria ficado do lado de fora do quarto.
0
Comente!x

  Fiquei sem ter o que responder. O quarto ficou em silêncio por alguns segundos, até o outro policial começar a falar.
0
Comente!x

  - Qual é cara, ela só está com medo! – Ele se dirigia a %Oliver%, mas gesticulava na minha direção. – Não precisa ter medo, nenhum de nós vai te machucar - completou, me olhando de forma terna.
0
Comente!x

  Eu tinha minhas dúvidas quanto a isso caso alguém descobrisse minha identidade.
0
Comente!x

  Quando ele começou a caminhar na minha direção, pude olhar seu rosto melhor. Seus olhos eram azuis e oscilavam para o verde cada vez que a luz entrava pela janela e batia em seu rosto, seus cabelos eram um pouco mais castanhos que o meu. Ele não parava de sorrir.
0
Comente!x

  - Obrigada – disse baixo.
0
Comente!x

  Ele assentiu, sentando-se, na cadeira e colocando uma caixa marrom em seu colo. Ia começar a falar quando foi interrompido pela porta batendo.
0
Comente!x

  %Oliver% tinha saído.
0
Comente!x

  - Nervosinho – disse Nicolas, e eu ri, mas ainda queria perguntar algo, então me recompus.
0
Comente!x

  - Eu ainda vou presa? – mordi meu lábio com medo da resposta.
0
Comente!x

  - Não – Nicolás respondeu com um risinho e eu senti um alívio. – Ele não vai fazer nada, você pode ficar tranquila, eu não vou deixar.
0
Comente!x

  Ok, esse policial era mais legal, e ele parecia preocupado o suficiente comigo, eu não precisava fazer mais nada, então procurei saber mais sobre seu parceiro.
0
Comente!x

  - Ele é sempre assim? – perguntei.
0
Comente!x

  - Não, ele só anda estressado nos últimos dias. Não é fácil ser filho do chefe. – Sorriu.
0
Comente!x

  - Ele é filho do chefe? – Aquilo era interessante. Se eu conseguisse que ele ficasse na minha cola eu poderia conseguir informações mais fácil ainda.
0
Comente!x

  - Sim, por quê? – Quis saber o policial Nicolás, erguendo sua sobrancelha.
0
Comente!x

  - Nada, só sou curiosa. – dei de ombros, mentindo. Eu era curiosa mesmo, mas não era por isso que eu havia perguntado.
0
Comente!x

  - Então temos uma coisa em comum. – disse sorrindo outra vez, seus dentes eram perfeitamente brancos – E no momento eu estou curioso para saber como você está.
0
Comente!x

  - Minha cabeça ainda dói um pouco, minha cintura fica latejando, e também sinto um pouco de desconforto quando eu falo muito rápido ou dou risada, mas acho que eu tô bem dentro do possível – Respondi, parando pela primeira vez desde que acordei para analisar minhas dores.
0
Comente!x

  - É normal - ele assentiu - você sofreu pancadas fortes e quebrou duas costelas.
0
Comente!x

  - Duas? – eu pensei que fosse só uma.
0
Comente!x

  - Sim.
0
Comente!x

  Superou-se, %Sofía%.
0
Comente!x

  Olhava pela janela do quarto apreciando o pouco de sol que entrava e batia em minha pele. O ambiente tinha ficado em silêncio pelo que eu supus ser quase cinco minutos. Eu não me importava, Nicolas parecia agradável, mesmo quando não dizia nada. Estava me lembrando de que não deveria me sentir confortável assim – mesmo que ele tenha me salvado da minha própria armadilha – afinal ele poderia ser um dos meus suspeitos. Ele começou a falar novamente.
0
Comente!x

  - Eu fico muito feliz que você tenha acordado. – Ele soava sincero. – Eu fiquei com tanto medo quando vi você naquele quarto – ele fez uma pausa, parecendo perdido no tempo, e fez uma expressão que eu não consegui interpretar – eu achei que você estivesse...
0
Comente!x

  Ele parou de falar, sem conseguir completar a frase, sua cara amarga me fez ter a impressão de que seu estômago estava embrulhado. Seria ele tão bom policial que sentiria remorso por não poder salvar uma vida?
0
Comente!x

  - Morta – completei sua frase e ele assentiu.
0
Comente!x

  Decidi mudar de assunto, uma vez que aquilo parecia deixar ele perturbado.
0
Comente!x

  - Você pode me dar um copo de água? – pedi olhando para o filtro no canto do quarto.
0
Comente!x

  - Claro.
0
Comente!x

  Ele se levantou e deixou a caixinha marrom na cadeira, voltando logo depois para ajeitar a cama de modo que eu pudesse me sentar, logo depois me estendeu o copo de plástico, cheio. Vi ele pegando novamente a caixinha nas mãos, o interessante é que ele estendeu ela na minha direção.
0
Comente!x

  - Ninguém merece comida de hospital. – disse sorrindo novamente.
0
Comente!x

  Olhei para ele sem entender, mas Nicolás nada disse. Coloquei o copo já vazio na mesinha ao lado da cama e abri a caixa assim que a peguei de suas mãos. Senti-me uma criança.
0
Comente!x

  - Doces. – Disse empolgada, olhando o conteúdo que tinha ali dentro, havia muffins, cookies, rosquinha cobertas de chocolate e até cupcakes. Foi inevitável sorrir abertamente.
0
Comente!x

  - Shhh – ele levou um dedo ao lado da boca me pedindo silêncio, e eu mordi os lábios travessa. – Às enfermeiras não podem saber - apesar de parecer estar me repreendendo, ele tinha um sorriso nos lábios.
0
Comente!x

  - Certo.
0
Comente!x

  Meus olhos brilhavam enquanto eu pegava um muffin com gotas de chocolate, era meu favorito, ofereci a caixa a ele, que agora se encontrava sentado novamente. Nicolás pegou um cupcake, fazendo sujeira em seu nariz ao dar a primeira mordida. Eu comecei a rir e ele me acompanhou, limpando a cobertura com as costas de sua mão. Estava prestes a pegar uma rosquinha quando a maçaneta da porta fez barulho. Nicolás pegou a caixa de meu colo na velocidade da luz, para nossa sorte, pois era uma enfermeira, a mesma de mais cedo.
0
Comente!x

  - Como a senhorita se sente? – perguntou ela, com um olhar terno enquanto me examinava rapidamente.
0
Comente!x

  - Tenho um pouco de dor na cabeça e na cintura, mas não está mais tão ruim.
0
Comente!x

  Aquilo não era mentira, eu tinha certa resistência à dor.
0
Comente!x

  - Certo. – Assentiu me olhando, seus olhos pararam no fino cobertor que estava em cima de mim. – Isso por acaso é farelo de bolinho?
0
Comente!x

  Seus olhos passaram da minha coberta direto para o policial na cadeira. Ele tampou a boca com uma das mãos, tentando esconder um riso. Fechei a minha boca imediatamente, antes que eu mesma desse risada da situação. A enfermeira cruzou os braços, assumindo uma postura informal enquanto se virava na direção dele.
0
Comente!x

  - Você andou dando bolinhos para a minha paciente que acabou de sair do coma, Sr. Nicolás?
0
Comente!x

  - Ah qual é, Annie - me surpreendi ao ver ele falar com ela de forma tão familiar. - Comida de hospital é horrível. - Tentou se defender.
0
Comente!x

  Será que eles se conheciam? Tive certeza que sim quando ele abriu a caixa na direção dela.
0
Comente!x

  - O seu favorito ainda tá aqui - ele falou, estendendo um cupcake de baunilha na direção dela.
0
Comente!x

  - Só hoje. Ok? – Ela olhou para nós dois, que assentimos praticamente ao mesmo tempo. A enfermeira, que era pura delicadeza, aceitou o cupcake e se retirou do quarto, sendo acompanhada até o último segundo pelo olhar de Nicolás.
0
Comente!x

  Ele soltou um suspiro quando ela saiu pela porta, me deixando intrigada.
0
Comente!x

  Queria perguntar se eles eram amigos, mas nós voltamos a comer os doces logo depois e Nicolás já havia começado um assunto, conversando sobre coisas aleatórias e me arrancando um riso vez ou outra. Me permiti esquecer o porquê de estar ali, só aconteceu.
0
Comente!x

  Nicolás me perguntou se eu me incomodaria se ele me tratasse pelo primeiro nome, deixando de lado a formalidade, eu disse que não e logo passei a chamar ele pelo nome também, estava realmente à vontade com aquele policial. Em momento algum ele quis me interrogar ou me encher de perguntas sobre o suposto ataque, ele parecia mais preocupado comigo do que com a sua investigação. Ele tinha um olhar tão sincero, eu não conseguia ver mentiras nele, parecia tão preocupada por mim. Por esse motivo, quando estava prestes a cair no sono novamente, eu desejei que ele não fosse quem eu procurava, não queria que aquela história acabasse comigo colocando Nicolás atrás das grades.
0
Comente!x

Capítulo 2
0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Todos os comentários (0)
×

Comentários

×

ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Você não pode copiar o conteúdo desta página

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x