As Raizes de Dois Destinos


Escrita porDaysys
Revisada por Lelen


Capítulo 2

Tempo estimado de leitura: 6 minutos

  O vento noturno soprava sobre as colinas de Élam, trazendo consigo um eco de aço e fogo. No alto do vale, duas centenas de seres alados se reuniam lado a lado, seus olhos faiscando com a luz ígnea dos astros. Eram os anjos caídos — agora autoproclamados deuses — que, sob a liderança imponente de Samyaza, haviam renunciado ao Trono Celestial para entrelaçar seu destino ao dos mortais.
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  Samyaza ergueu a espada de ébano, repleta de inscrições arcanas, e falou com voz grave:
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  — Irmãos, não somos mais prisioneiros de mandamentos alheios. Chegou o momento de nos tornarmos senhores deste mundo. Não há nada mais poderoso que a união de nosso sangue com a carne frágil dos humanos!
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  Um murmúrio percorreu a assembleia. Entre eles, os anjos Aldriel e Barachiel trocaram olhares hesitantes. Barachiel baixou a voz, murmurando:
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  — Será que não traímos nossos originais votos?
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  Mas Aldriel sorriu, passando a mão sobre as runas cintilantes em suas asas:
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  — Trair? Não nos enganemos: fomos exilados sem piedade. Agora, o poder nos pertence. E para forjá-lo, precisamos de herdeiros — mestres de magia e carne reunidas.
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  Samyaza então descreveu o plano: cada anjo escolheria uma mulher mortal, da linhagem mais pura possível, e a elevaria ao patamar de deusa consorte. Em troca, revelariam a ela segredos arcanos, ensinando-lhe sortilégios que fariam estremecer os próprios pilares do mundo.
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  Quando a aurora tingiu de sangue o horizonte, os Caídos desceram em bandos. Em vilarejos adormecidos, lanternas mal acesas tremeluziam ao sentir a aproximação dos visitantes. Alguns homens, atônitos, caíam de joelhos; as mulheres, vacilantes, erguiam o rosto para médios vultos alados.
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  Entre elas estava Cesaria, filha de um lavrador de espigas douradas. Seus olhos, grandes como luas, se encheram de fascinação quando Azzahel, um dos anjos mais jovens, se pôs diante dela, envolvendo-a em luz prateada.
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  — Não temas — sussurrou ele, sua voz um cântico de brasa. — Eu te escolho, Cesaria, por tua alma pura. Venha, e conhecerás mistérios além da carne.
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  Enquanto Azzahel pronunciava encantamentos, o céu formou arabescos de fogo e cinza. E, num instante, Cesaria sentiu nas veias um novo latido: sangue que queimava com o poder dos céus.
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  Em outra campina, Samyaza cortejava Adira, sacerdotisa do templo de Éa. Ele a envolveu em véus de névoa estrelada e seus dedos roçaram a fronte dela, revelando-lhe o grimório dos Ínsubmissos.
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  — Aqui se guardam as chaves do destino — disse Samyaza. — Com ele, erguerás uma dinastia capaz de subverter o céu e a terra.
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  Adira inclinou-se, sedenta de saber:
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  — E quando nosso sangue se misturar, o que nos aguarda?
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  — Filhos, Adira — respondeu Samyaza, pousando a mão sobre o ventre da jovem. — Filhos que herdarão o poder humano e angélico, e serão mestres do tempo e da matéria.
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  Nem todos os anjos estavam convictos. Barachiel, de asas plumíferas tingidas de carvão, encontrou-se com Giuseppe, um velho feiticeiro humano a quem ainda guardava lealdade.
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  — Giuseppe — disse ele, cauteloso —, tu que conheces o pacto ancestral, dizem que esse caminho nos redimirá ou nos consumirá.
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  O feiticeiro escovou a barba grisalha, fitando as estrelas cadentes:
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  — O sangue híbrido é ponte e abismo. Cuidado para não criar monstros que vos déspitem — advertiu Giuseppe.
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  Barachiel, inseguro, voltou-se para o firmamento e, por um momento, sentiu a saudade do lar celestial. Mas a lembrança de correntes invisíveis o fez suspirar.
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  — Se é este o preço da liberdade… que venha.
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  Quando a luz do sol se tornou plena, cem mulheres já haviam sido tocadas pelos anjos. Em vilarejos, surgiram círculos de adoração e templos profanos, misturando incenso de mirra a sangue virginal. Os sussurros das artes místicas corriam de boca em boca: feitiços de transformação, ligações de almas, invocações de sombras.
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  Ao cair da noite, reuniram-se novamente os anjos caídos. Cada consorte ergueu-se ao lado de seu senhor, adornada por uma aura inesperada. Samyaza, no centro, alçou a voz:
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  — Irmãos, vejam! O futuro já palpita em suas peles! Amanhã, começaremos o ciclo de criação: mães de deuses substituirão velhos reis mortais. E eu, Samyaza, serei o primeiro senhor desse império novo!
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  Entre os acólitos humanos, os semblantes refletiam tanto êxtase quanto medo. Pois nas sombras que se estendiam, algo só se tornava claro: nenhuma bênção viera sem preço. E o verdadeiro teste de sua aliança ainda estava por começar.
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  E assim, sob o luar prateado, selou-se o pacto dos céus caídos: a aurora de uma linhagem que carregaria em si a chama da divindade e o veneno do orgulho. O mundo tremia em expectativa — e o rugido de um destino incerto ecoava pelos vales de Élam.
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*******

  — Isso é errado! — disse %Haykel%. — O mundo está se contaminando.
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  — O que é certo, o que é errado, %Haykel%? — perguntou Asmua Betenos. — Talvez esses sejam deuses, afinal.
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  — Deuses — disse %Haykel%. — Não existia um único Deus? — perguntou à %Ashmua%.
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  — Eu não sei mais — disse %Ashmua%. — O mundo está tão perdido.
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  — Talvez devêssemos orar a Deus para que o mundo melhore — disse %Haykel%.
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  %Ashmua% parecia pensativa, talvez %Haykel% estivesse certa...
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Capítulo 2
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