As Rainhas e Princesas de Aragão - Parte 1


Escrita porDaysys
Revisada por Lelen


Capítulo 11 • O Desenrolar das Páginas — Parte I

Tempo estimado de leitura: 14 minutos

  A bruma da manhã ainda envolvia os jardins de Tordesilhas quando %Isabel% de Aragão surgiu à soleira da grande varanda, os olhos marejados de curiosidade. Atrás dela vinham, saltitantes, %Maria% e %Catarina%, e por fim %Joana%, de passos suaves, observando as flores como se ali encontrasse consolo para pensamentos que nem sempre sabia traduzir em palavras. A vida na corte era, desde cedo, um misto de deveres e descobertas, mas, entre as quatro irmãs, formara-se um laço de cumplicidade inquebrável.
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  — %Isabel%, olha só! — exclamou %Catarina% de Aragão, espetando o dedo numa pétala rosa que tremia sob a brisa.
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  — Perfeita como o teu vestido, %Catarina%. — Riu %Maria%, ajeitando o franzido da própria túnica.
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  %Joana% aproximou-se em silêncio, os cabelos negros presos em tranças finas. Fechou os olhos por um instante e murmurou:
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  — Às vezes fico pensando… será que ser princesa nos dá mesmo liberdade?
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  %Isabel% pousou a mão no ombro mais novo.
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  — Temos privilégios, claro. Mas a liberdade… essa construímos juntas, nas brincadeiras, nas confidências.
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  %Catarina% deu um pulo.
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  — E quem vencer o próximo duelo de adivinhações leva o último pedaço de torta de amêndoas!
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  A risada geral que se seguiu dissolveu qualquer sombra de melancolia. A amizade das quatro crescia a cada dia como as trepadeiras que enfeitavam os muros do palácio: tecida de segredos, gestos anônimos — um bilhete escondido, um colar emprestado — e de sonhos que só elas ousavam compartilhar.
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**********

  — Mãe, por que me casar com alguém que não me fará feliz? — perguntou %Joana% a mãe, %Isabel1% I de Castela. — Ele não vai me amar.
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  — Ele aprenderá, doce %Joana% — disse %Isabel1% I de Castela. — O importante é buscar o melhor para o reino.
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  — E se o melhor para o reino, não for o melhor para mim? — perguntou %Joana% insegura.
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  — Você saberá, minha filha — prometeu %Isabel1% I de Castela.
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  — É um prazer conhece-lo, príncipe Filipe de Hasburgo — disse %Joana%.
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  — O prazer é todo meu — disse o príncipe de Hasburgo.
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  A atração foi instantânea, os dois rapidamente se viram como atrativos um ao outro. Filipe, após conquistar %Joana%, já casados, a levou para o quarto dos Hasburgo e deitou-se sobre ela, tirando sua roupa medieval, começando a beija-la e entrar a ela. Aos poucos %Joana% se rendia aos desejos do novo marido.
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****

  1518, Palácio de Fontainebleau

  O crepúsculo filtrava-se por vitrais coloridos, tingindo de púrpura os corredores silenciosos do castelo. %Claudia%, rainha de França, envolta em um simples vestido de cambraia, caminhava sem destino, os pensamentos ainda girando em torno de seus dois filhos: Carlota, de quatro anos, e o recém-nascido Francisco. Seu coração latejava de amor por eles, mas do rei — seu marido, Francisco I — apenas escutava rumores de risos e festins, palavras sussurradas sobre suas amantes, como Anne de Pisseleu d’Heilly.
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  Ela parou diante de uma tapeçaria bordada, retrato mítico de Diana caçando na floresta. “Quantas flechas deixou escapar em meu peito?” perguntou a si mesma. No instante seguinte, o grande portão rangeu e o rei entrou, impassível, envolto em peles cinza. Seus olhos, antes tão vibrantes durante o cortejo, agora olharam-na com a frieza própria de alguém acostumado a obter tudo.
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  — %Claudia% — disse ele, com voz baixa, quase mecânica —, falemos de verdade. Preciso de um terceiro filho. É dever de uma rainha.
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  Ela respirou fundo, segurando a ira em meio à surpresa.
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  — Meu senhor, dei-lhe dois filhos. Dois! E não passa de um simulacro de amor a mim.
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  Ele franziu a testa, um detalhe tão raro quanto precioso.
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  — Amor? Tenho pressa de assegurar a dinastia. Você recusará?
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  %Claudia% ergueu o queixo, a voz firme:
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  — Você sequer sabe se ama-me ainda. Sou mais que útero.
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  O silêncio instalou-se. O rei saiu, deixando atrás de si um rastro de vento gelado.
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  Horas depois, na sala de estar da rainha, as criadas arrumavam almofadas. %Claudia% sentiu o toque suave de um bilhete deslizando em suas mãos: “Encontre-me nos jardins, ao entardecer. — F.” Curiosa, vestiu-se com um manto leve e seguiu até a roseira branca onde encontraria, não o soberano autoritário, mas...
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  Ele surgia entre ciprestes, agora com um ramo de violetas silvestres. Aproximou-se devagar, sem pressa de rei, como se fosse um amante tímido.
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  — Perdoe-me — começou ele, num sussurro distinto do costumeiro tom cortês da corte. — Excedi-me hoje cedo.
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  %Claudia% sentiu algo diferente em seu timbre: uma intenção de convencimento, não de imposição. As flores eram singelas, mas falavam mais alto que joias ou coroas.
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  — Por que isso? — Sua voz soou baixa, quase temerosa.
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  Francisco sorriu, os olhos suavizando.
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  — Porque percebi que, sem você, minha vitória seria vazia. A corte ri de minha frieza. Riem, mas não me conhecem. Desejo-a por inteiro, %Claudia%. — E estendeu a mão para ela.
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  Ela hesitou, lembrando das tardes solitárias, dos beijos roubados no salão de baile antes da coroação. Mas algo na genuinidade do olhar dele quebrou seus muros. Aceitou-lhe a mão.
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  — Se for para o nosso bem — murmurou ela, quase para si.
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  Voltar ao palácio foi como redescobrir cada degrau. Lá dentro, velas acesas iluminavam um corredor forrado de estrelas pintadas no teto. Em cada passo, abafados, ouvia o coração sorrir pela primeira vez em muito tempo.
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  Quando adentraram as câmaras reais, Francisco fechou a porta e, com ternura, afastou-lhe o véu negro. %Claudia% sentiu nas mãos dele o calor antigo que quase esquecera existir. Não houve pressa, nem frieza cortesã, apenas dois corpos que se reconheciam depois do esquecimento.
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  Na manhã seguinte, o Castelo acordou sob um manto de orvalho. %Claudia% despertou nos braços do rei — seu rei —, ainda com as violetas descansando sobre a mesa de cabeceira. Lá fora, as primeiras carícias do sol anunciavam o futuro: talvez ele ainda fosse capaz de amar, e ela, de perdoar. Entre o frio dos corredores e o desejo que renascia, uma nova aurora despontava para a rainha e o seu rei.
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  E morreu naqueles dias %Maria% de Aragão e Castela, a esposa de Manuel I e rainha de Portugal. E é aqui que começa a nossa história. Ou melhor a segunda fase...
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  %Isabelle% de Portugal olhava pela janela do palácio, as brisas suaves do inverno acariciando seu rosto. A luz dourada do sol poente filtrava-se através das nuvens, criando uma atmosfera mágica que, ironicamente, não conseguia tocar seu coração. Os sinos da catedral badalavam ao fundo, anunciando a união que, por mais que desejasse, não fora voluntária. Casar-se com Carlos V, o imperador do Sacro Império Romano-Germânico, não era o que ela sonhara para sua vida. Mas a necessidade política superou seus anseios pessoais, e agora ali estava, vestida com um magnífico vestido de cetim bordado, pronta para um novo capítulo que não escolheu.
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  Ao entrar na sala, o olhar de Carlos encontrou o dela. Ele estava imponente, mas havia uma doçura em seu semblante que a surpreendeu. Vestido em roupas ricas com detalhes em ouro, ele a cumprimentou com um sorriso caloroso.
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  — %Isabelle%, você está deslumbrante — disse ele, a voz profunda e suave como um murmúrio de brisa.
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  Ela sorriu timidamente, um gesto que mal sentia surgir. As palavras estavam presas em sua garganta, mas ele não pareceu se importar. Carlos V, com sua educação e charme, fez pequenos gestos que a deixaram mais à vontade.
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  — Prometo que farei o meu melhor para que você se sinta em casa aqui — continuou ele, enquanto os convidados se reuniam ao redor deles para brindar.
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  Depois de uma série de discursos e celebrações, a música começou a tocar, e Carlos estendeu a mão para ela.
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  — Vamos dançar?
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  %Isabelle% hesitou, mas a sinceridade em seus olhos a encorajou. Aceitou a mão dele e, ao se aproximar, sentiu uma eletricidade no ar. O baile seguia, e, mesmo no meio da multidão, parecia que estavam sozinhos. A música os envolvia como um manto, e cada passo a fez sentir-se mais leve.
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  — Você não está tão nervosa quanto pensei que estaria — ele comentou, observando-a com um sorriso.
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  — Com certeza, isso é surpreendente — respondeu %Isabelle%, rindo nervosamente.
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  — Não precisa ser assim. Estamos juntos nisso, %Isabelle%. Iremos enfrentar o que vier de mãos dadas.
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  Ela acreditou por um momento que, talvez, aquele casamento pudesse ser mais do que uma aliança política. Podia haver espaço para compreensão e carinho.
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  Quando a festa chegou ao fim, Carlos a levou ao quarto onde passariam sua primeira noite como marido e mulher. A atmosfera era carregada de expectativa e nervosismo. %Isabelle% hesitou à porta, o coração batendo rápido.
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  — Você está bem? — Carlos perguntou, notando sua apreensão.
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  — Sim, só… um pouco nervosa — ela admitiu, mordendo o lábio inferior.
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  — É natural. Vamos apenas nos conhecer melhor, %Isabelle%. Não precisa se preocupar.
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  Ele entrou no quarto e, assim que a porta se fechou, uma nova realidade se instalou entre eles. O ambiente era acolhedor, iluminado por velas que projetavam sombras dançantes nas paredes. Um grande leito ornado aguardava, mas o que mais chamou a atenção de %Isabelle% foram os olhos de Carlos, cheios de sinceridade.
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  — Venha, vamos conversar um pouco — ele sugeriu, puxando-a gentilmente para sentar-se ao lado dele.
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  A conversa fluiu como um rio tranquilo, entre risos e histórias sobre suas infâncias, sonhos e medos. O gelo entre eles começou a derreter e, em um momento de vulnerabilidade, Carlos tomou a mão dela.
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  — %Isabelle%, quero que saiba que desejo que você seja feliz. Não estou aqui apenas por política, mas porque acredito que podemos construir algo especial juntos.
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  As palavras dele ressoaram profundamente em seu coração. Ela sentiu algo que não esperava: a centelha de um afeto que poderia crescer, uma conexão que poderia ser mais do que um dever.
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  Os dias se passaram e, com eles, a convivência se tornava cada vez mais natural. Carlos se mostrava atencioso, sempre se certificava de que ela estava confortável e feliz. Um mês se passou desde o casamento, e o que começou como uma obrigação começou a se transformar em algo mais. %Isabelle% começou a se permitir sonhar.
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  Certa noite, enquanto estavam à mesa, um novo assunto surgiu.
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  — Você gostaria de ter filhos? — Carlos perguntou, olhando diretamente nos olhos de %Isabelle%.
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  A pergunta a pegou desprevenida. Ela não tinha pensado nisso ainda, mas a ideia de ter uma família começou a germinar em sua mente.
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  — Eu… não sei. Sempre pensei que um dia gostaria, mas…
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  — Não precisa ter pressa. Podemos nos conhecer melhor antes disso, mas eu adoraria compartilhar isso com você, se você quiser.
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  Aquelas palavras tocaram o coração dela. Um sentimento profundo, algo que começou como um fardo, estava se transformando em uma escolha. E assim, as semanas passaram, e %Isabelle% percebeu que algo estava mudando dentro dela. Os sinais começaram a aparecer, e em uma manhã ensolarada, ao descobrir que estava grávida, a emoção tomou conta.
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  %Isabelle% estava cheia de alegria, mas também de incertezas. Ao contar a Carlos, ele a abraçou com força, a felicidade brilhando em seus olhos.
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  — Isso é uma bênção, %Isabelle%! — exclamou ele, seu entusiasmo contagiante. — Eu sempre esperei que um dia tivéssemos uma família.
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  E assim, mesmo sem querer, %Isabelle% de Portugal começou a ver a vida com novos olhos. O casamento que começou como um acontecimento imposto transformou-se em uma jornada de amor e descoberta. A cada dia, ela se apaixonava mais por Carlos, e a vida que esperava parecia finalmente se alinhar com seus desejos.
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  Os preparativos para a chegada do bebê tornaram-se uma nova aventura, e, aos poucos, ela percebeu que naquele palácio, ao lado de Carlos V, havia encontrado um lar. O amor inesperado florescia e, com ele, a esperança de um futuro brilhante. E assim, a história de %Isabelle% e Carlos se tornava não apenas uma aliança entre reinos, mas um verdadeiro conto de amor que superou todas as expectativas.
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  Voltando a 1518.

  — Que notícia maravilhosa, %Claudia% — disse Francisco I da França. — Estamos esperando mais uma criança! — disse com ternura.
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  — Espero que seja mais um menino — disse %Claudia%.
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  — Eu também espero — concordou Francisco.
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  E assim nasceu Henrique da França.
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Continua na parte 2

Capítulo 11
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