As Mulheres Da Vida de John O’Callaghan

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Introdução

Tempo estimado de leitura: 6 minutos

  — Pai, e minha aula de Jazz? Tô atrasada!
[wpdiscuz-feedback id="u7lt6tzheg" question="Comente!" opened="0"]  — Pai, preciso de dinheiro para o meu trabalho da faculdade. Posso pegar o carro da mãe?
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  — Pai, posso sair esse final de semana com a %Naty%?
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  — Pai, não to afim de ir para a casa da tia %Any% esse final de semana, posso faltar na reunião?
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  — Pai! Minha aula! Vamos!
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  — VOCÊS DOIS QUEREM PARAR QUIETOS UM MINUTO? TUDO O QUE EU PEÇO É PAZ! — Bato a porta da garagem, deixando as duas pestes que ajudei a colocar no mundo do lado de fora da casa. Respiro fundo, tento fazer a meditação que aprendi durante as aulas de orientação a novos pais que minha esposa me obrigou a ir, mas ao ver que não teria sucesso, apenas deixo dois minutos passar e abro a porta, vendo %Marina% e Patrick parados calados; ela, com os braços cruzados e ele, com as mãos no bolso olhando para o céu; os dois, como se me ouvir gritando e batendo a porta em suas caras fosse a ação mais normal do mundo. — Vamos logo.
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  — O senhor não vai me responder? — Vejo minha garota não movendo um passo para frente. Suspiro enquanto passo a mão no rosto, clamando por paciência.
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  — Não, os dois não podem faltar na reunião da sua tia %Any%. É a festa surpresa do seu tio Jared e ele quer ver os sobrinhos favoritos dele junto com eles. Imediatamente os resmungos começaram a ecoar pela garagem.
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  — Pai, somos os únicos sobrinhos dele. — %Marina% é terrível quando quer dar uma de esperta para cima de mim. Acho incrível como ela esquece que o adulto aqui sou eu.
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  — E outra que ele não quer ver nada, porque se a festa é surpresa, não tem como ele saber que vamos estar lá. — Patrick passa por mim e espera eu me virar para ir até o lado do motorista do carro. Não pude deixar de encará-lo um tanto surpreso com sua afirmação: Pat dando uma de esperto é novidade.
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  — Sem rebater. Me recomponho, apontando para os dois tentando parecer o mais sério possível.
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  — Pai, posso ou não ficar com o carro? — Patrick me olha, como se ele estivesse impaciente.
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  — Não está vendo que estou prestes a entrar nele para dirigir?
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  — E quando é que eu vou ganhar o meu?
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  — Quando você trabalhar — respondo entrando e fechando a porta do meu lado. Ouço mais resmungos vindo do garoto e %Marina% entrar calada no carro. Tento não olhá-la pelo retrovisor para descobrir se há algo de estranho, já que em um momento em que os dois me bombardeiam de perguntas e pedidos, ela nunca deixa Patrick terminar a discussão.
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  — Então posso levar a %Naty% comigo? Aí estamos, minha filha de volta à normalidade. Solto o ar mais uma vez e clico o botão do controle depois de batê-lo no painel por não funcionar. — A %Carol% não vai poder ir mesmo.
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  — Pode, %Marina%, pode respondo em tom de desistência. Foi o suficiente para calá-los.
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  Ligo o carro e aguardo o portão terminar de abrir; mal acelero e já freio bruscamente.
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  — Tá louca, mulher? grito, abrindo a janela ao ver %Tiffanny%, minha esposa, parada com os braços cruzados na frente do portão. — Quer me deixar viúvo?
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  — Quem está prestes a enviuvar aqui sou eu — ela fala séria e então vem até mim. — Esqueceu que tenho de ir até o mercado comprar os ingredientes do bolo de Jared?
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  Ficamos calados. Rapidamente a lembrança dela mencionar algo sobre supermercado enquanto Patrick e %Marina% falavam sem parar sobre suas vidas que nomearam como ‘miseráveis’ me vem à mente. Faço uma careta e suspiro:
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  — Pat. Banco de trás. Aponto o local com a cabeça, observando %Tiffanny% ir até o assento passageiro enquanto Patrick soltava a fivela do cinto para dar-lhe o lugar.
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  Minha família era como aquelas famílias dos seriados de domingo de manhã, onde o pai é sempre a vítima. Seja o que for, o pai nunca está certo, nunca sabe das coisas e deve sempre obedecer às esposas sem reclamar. Mesmo assim, acredito que, assim como os estrangeiros enxergar as famílias americanas, a minha poderia ser considerada simplesmente a melhor de todas. Minha esposa era um amor, meus filhos, dois anjos.
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  Bom, %Tiffanny% é mesmo um amor, menos quando não possui obrigações a fazer, o que é 24 horas por dia. %Marina% e Patrick estão longe de serem taxados de anjos; o único momento que consigo amá-los como os amei no dia em que nasceram, é quando estão em suas camas, dormindo. Tenho uma irmã maluca, mas que, apesar de tudo, me ama e sempre quer o meu bem (contanto que eu não maltrate sua melhor amiga, digo, minha esposa).
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  Apesar dos apesares, somos uma boa família como “outra qualquer”.
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  Repare nas "aspas".
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  Exato. Foi uma ironia.
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  A verdade é que ninguém nunca terá uma vida tão monopolizada por mulheres quanto a minha. Não seria estranho se algum dia me ouvissem dizer que tenho aversão à elas.
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