As Mulheres Da Vida de John O’Callaghan

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 30 minutos

  — Pai, não dá para ser outra hora?
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  — Se você quiser continuar tendo um pai amanhã, você irá me obedecer e vir tomar um café comigo agora — digo saindo de casa com um casaco. Ouço então passos arrastados atrás de mim.
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  — Não sei o que pode ser tão importante.
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  — É bem importante — murmuro e ligo o carro, seguindo para uma cafeteria no centro da cidade.
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  Eu me lembro quando meu pai falou comigo sobre sexo. Nós estávamos em um estábulo prestes a montar em um cavalo e praticar um exercício másculo (correr atrás de ovelhas na fazenda do meu tio-avô) quando ele começou a falar sobre os problemas de ter um filho. Na hora, achei que ele quisesse me pedir para me alistar no exército, como ele e meu avô fizeram durante a juventude. E então, de repente, ouço a conversa passar a ser sobre as vantagens dos preservativos e quão bom seria se na época dele houvesse algo eficiente como aquilo. Saber que meus pais poderiam ter feito mais sexo não foi a melhor maneira de falar sobre o assunto comigo, mas definitivamente me deixou traumatizado o suficiente para comprar caixas de preservativo na época da universidade.
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  Deixo as chaves com o manobrista e sigo até a mesa mais afastada de todos. Se teríamos essa conversa, deveria pelo menos respeitar a privacidade do meu filho. Uma garçonete se aproxima e nós fazemos os pedidos. Olho para Pat, que me olhava curioso e então deixo escapar:
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  — Sua mãe está preocupada com o fato de você e %Natalie% estarem saindo e morarem na mesma casa.
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  — %Marina%, fofoqueira. — O ouço sussurrar e levanto uma sobrancelha. — Olha pai, não estamos nem ficando, só saindo, é sério. Mamãe não tem nada que se preocupar.
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  — Você sabe como ela é com você digo, mexendo na borda do aparador de prato. — Quando falamos de você, a fera vira monstro.
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  — Eu sei. — Ele faz uma careta. — Mas o senhor tem que falar pra ela que não é nada sério. Quero dizer, %Natalie% é toda certinha e ainda tem %Marina% no nosso pé.
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  — %Marina% no pé?
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  — É. Ela fica falando que depois que eu e a %Naty% começamos a sair, ela tem ficado menos tempo com a amiga. Mas a culpa não é minha, certo? Se a %Naty% quisesse sair com a %Mary%, ela simplesmente me diria que não dava para sairmos.
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  Ah, essa cena. Eu e Annie passamos pela mesma situação quando eu estava namorando %Tiffanny%. Ao invés de ter ciúmes do irmão, elas têm ciúmes da amiga. Como um homem e irmão que passou por isso, repentinamente me sinto no dever de ajudar Patrick.
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  — Vendo pelo seu ponto de vista, sim. — Ele me olha confuso. — Mas vendo pelo de %Natalie%, não, filho.
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  — Não entendo.
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  — Hum... – Paro para pensar. — Já pensou que %Natalie% gosta de você e não quer deixar você mal e acaba cedendo a tudo o que faz? %Marina% é a amiga dela e sempre irá entender. O problema das mulheres é que quando elas se tornam melhores amigas, parecem até que nasceram do mesmo útero. Elas fazem tudo juntas, por isso, quando chega uma terceira pessoa, é normal que a que sobre fique solitária e nervosa com a razão de sua melhor amiga ter sido tirada de si. %Marina% e %Natalie% são amigas desde pequenas, não é normal um dia você ter alguém para acompanhar no caminho da faculdade e no dia seguinte ter de ceder a outra pessoa.
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  Ele fica calado.
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  — Não me confunde, pai. Não é como se eu estivesse reclamando, nós nunca saímos muito mesmo.
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  — Sim, a principal razão de estarmos aqui é que sua mãe pediu para eu conversar com você sobre sexo.
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  Ficamos calados. Ele abriu a boca e vi seus olhos vidrarem com a notícia. Permaneci sério e calado, com as mãos apoiadas na mesa.
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  — Ah não, pai! — finalmente anunciou. — Não, é sério. Podemos falar sobre o que quiser menos isso.
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  — Filho, somos homens, podemos falar livremente. Não dê uma de %Marina%, eu entendo que mulheres tem mais sensibilidade sobre o assunto, mas não espero que você seja tão tímido.
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  — Pai, o problema é que essa conversa não vai ser do tipo, se gabar por ter transado com várias garotas, entende? O senhor vai dizer exatamente o que eu já sei. Usar camisinha, as consequências de engravidar uma garota, que seja longe da sua mãe se amar sua vida, blábláblá. Não dá pra gente pular?
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  O olho sério. Ele tinha razão. Pensei por vários segundos uma maneira de reverter a situação, mas no final, sabia que havia somente uma solução: ser igual ao meu pai.
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  — Patrick, tinha um garoto em meu colégio que era da mesma maneira que você começo a história, o vendo fazer uma careta e encostar na cadeira, derrotado. — Ele nunca aceitava as opiniões alheias. Até que um dia ele engravidou uma garota. Foi o fim da vida dele. Depois que você tem filhos sua vida muda. Você não pode mais sair porque tem de cuidar deles, não pode mais se divertir com os amigos porque tem sempre que trocar uma fralda e ainda tem de trabalhar para sustentá-lo e a mãe dele. Não é fácil e tem de ser bem planejado.
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  Ele concorda com a cabeça entediado. Eu estava mais ainda, mas eu tinha de fazer o meu papel de pai. Essa é outra chatice de ter filhos, mas eu só direi a ele quando ele tiver um.
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  — Você entende o que eu digo? pergunto, sério.
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  — Pai. Eu tive aula de orientação sexual no colégio. Eu sei bem o que é isso e já ouvi todo esse sermão. Ele bagunça seu cabelo, estressado. — Eu não sou como os outros caras que transam e somem, tá legal?
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  — Não estou tendo essa conversa porque não confio em você, mas sim porque agora pode ser que você me ouça e ache saiba de tudo o que digo, mas na hora não é bem assim. Na hora você sequer pensa. — Experiência própria meu filho, você veio mais cedo do que eu planejava.
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  Ele mais uma vez balança a cabeça concordando, mas com a típica expressão de quem não ouviu nada senão a mulher do balcão gritando os números dos pedidos para viagem. É bom que ele pelo menos não me chegue dizendo que engravidou uma garota ou pegou uma doença. Ele seria um garoto encrencado e eu, um pai moto.
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  BLAM!

  — Mas o que aconteceu? — %Tiffanny% pergunta saindo de meus braços e olhando para trás. Eu não sei como ela ainda pergunta, a única pessoa que bate a porta nesta casa — além dela — é %Marina%.
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  — Pai, eu não aguento mais! Oi mãe. — Ela dá um beijo em %Tiff%, que a olhava assustada e eu desvio meu olhar para ela. — Aquele Kennedy é uma causa sem cura! Uma epidemia desenfreada, um boneco de posto cujo ar nunca acaba! ARGHT! – e termina a cena jogando sua bolsa no sofá.
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  Suspiro. Fazia um tempo que %Marina% estava reclamando do garoto. Olho para ela, triste por seu futuro. Se ela soubesse o que está por vir, não estaria desabafando comigo, mas sim “descontando” em mim.
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  — O que aconteceu dessa vez? murmuro, na verdade, bem desinteressado.
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  — Aquela praga de gente cismou querer rever todas as contas que eu fiz comigo, tudo bem, mas ele só arranjava defeito atrás de defeito! Eu não sei como eu não fui despedida ainda, porque do jeito que ele fala, parece que eu não faço nada certo! Já era para o pai dele ter vindo até mim e falando: "um beijo %Marina%, você é uma péssima contadora".
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  — Você não é uma péssima contadora, filha — %Tiffanny% diz carinhosa.
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  Olho para ela com uma de minhas sobrancelhas erguida. Aqui em casa há uma regra clara entre %Tiffanny% e %Marina%. Quando as duas não estão discutindo aos gritos pela casa, se o assunto não tem a ver com a outra, faz parte da lei O’Callaghan que a outra deve fazer o possível para não estressá-la ainda mais. Assim, toda vez que %Tiffanny% resolve fazer uma reforma em algum lugar cujo problema ela inventou somente para ter o que fazer, %Marina% sempre se coloca ao seu lado, de modo que eu não tenho escolha senão ceder aos pedidos da minha esposa porque minha filha não me deixa dormir em paz até dizer ‘tudo bem’.
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  — Eu sei, mãe! — Ela se joga na poltrona. — Mas eles parecem que não! E eu tenho que provar pra eles que eu sou boa! Ela bate as mãos nos braços do sofá. — Claro que pra senhora também, mas são eles quem estão me dando um salário legal todo mês. E eu sempre fico fazendo hora extra, mesmo eles brigando comigo por isso.
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  — Talvez você esteja se esforçando demais — falo para ela. — Kennedy é quem tem que fazer hora extra e demonstrar interesse no assunto ainda mais que você.
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  Ficamos calados. Olho para as duas. Não sei como, mas sou um gênio. Quando elas estão fora de si, é difícil fazê-las parar para pensar no que eu disse de modo a aceitar, assim, quando vejo que %Marina% não continuará a gritaria e %Tiffanny% não irá forçar a barra dizendo que ela não deveria trabalhar mais, decido que é o momento certo para soltar a bomba.
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  — Tenho uma péssima notícia.
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  As duas me olham, sérias.
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  — Sério, pai? Agora? %Marina% levanta os braços, exigindo um pouco de respeito ao seu momento de drama.
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  — Que péssima notícia? — %Tiffanny% pergunta, já preocupada e nervosa.
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  — Bom, é uma péssima notícia para %Marina%. Tento livrar os gritos da minha mulher e volto a olhar para nossa filha, que arregala mais os olhos, surpresa. — O senhor Brock me chamou à sala dele hoje — pauso. — Veio me oferecer uma promoção, finalmente.
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  — Ainda não sei onde está a péssima notícia — %Marina% murmura e eu levanto minha mão indicando que ainda não havia acabado.
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  — Tinha apenas um porém. Senhor Brock irá viajar por esse mês inteiro de julho e pediu para que Kennedy ficasse aqui em casa durante este período. Como um tipo de estágio obrigatório...
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  — O QUÊ? – Eu sabia, é o fim. Perderei minha filha. — PAI! O SENHOR NÃO PODE FAZER ISSO COMIGO! JULHO SÃO MINHAS FÉRIAS E EU PASSO AQUI!
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  — Meu amor, você concordou com isso? — %Tiffanny% não parecia também muito feliz. Levanto os ombros.
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  — Tecnicamente, sim. Então me arrependi de não ter te consultado antes me apresso a me explicar, o que a fez considerar meu desespero, sorrindo.
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  — O que for melhor pra família. Uma promoção veio em boa hora.
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  Ficamos calados trocando olhares. Não foi necessário mais de um minuto para eu saber exatamente o que se passa na mente da minha esposa. Mais dinheiro significa poder fazer a reforma em sua cozinha que tanto quer E não ter de escolher o material mais barato. Um pequeno resquício de sorriso aproveitador surgiu em seus lábios, o sorriso consumidor dela.
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  — Alou! Sua filha está aqui indignada, podem dar um pouco de atenção à ela? — Ouvimos a voz de %Marina% ecoar em nossos ouvidos e nos viramos em sua direção. — Pai. Paizinho. Ela se aproximou de mim e se sentou na mesa de centro à nossa frente. — Kennedy Brock é o meu pesadelo. É a sujeira grudada na minha panela. O zero da minha prova. O cheiro de banheiro público. Eu odeio ele!
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  — Não seja tão radical, filha — %Tiffanny% diz compreensiva. — É apenas um garoto, uma fase. Vai melhorar. Você verá.
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  — Eu duvido que melhore — ela murmura, mau humorada. — Pau que nasce torto nunca se endireita. — E sobe as escadas batendo os pés ainda mais forte do que da maneira que chegou em casa.
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  Eu e %Tiffanny% nos entreolhamos. Alguém teria que conversar com nossa filha mais tarde e como eu já falei com Patrick sobre sexo, é claro que o trabalho seria todo dela.
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  — Quando ele vem? ela perguntou.
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  — Semana que vem.
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  — Eu vou fazer compras. — Ela se levanta e então para, olhando para mim. — Você não vem?
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  — Eu tenho de ir? — Faço uma careta e ela troca o peso do corpo de perna. Suspiro: — Tudo bem... – e pego o controle remoto, triste por não conseguir assistir ao programa.
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  — Esqueça.
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  — %Marina%.
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  — Pai!
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  — %Marina%.
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  — Ô mãe, quer parar?
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  — %Marina%.
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  — Que é, seu idiota?
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  — Por que quando chega na minha vez, você adiciona um xingamento? Patrick se exalta, aumentando seu tom de voz.
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  — Porque você eu posso xingar, pangaré. Além do mais, você não tem razão nenhuma para citar meu nome divino.
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  — Era só para não quebrar o ritmo. — Ele sorri como se sentisse inteligente por ter feito algo tão besta. — Aí, será que a %Naty% poderia vir jantar aqui, já que o namoradinho gay da %Mary% vai estar aqui?
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  — Espera um pouco! — %Marina% levanta uma mão. — EU é quem devo chamar MINHA amiga para vir jantar em casa!
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  — Acontece que sua amiga está saindo COMIGO, então EU quem irei chamá-la e VOCÊ irá fazer companhia pro seu namorado.
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  — ELE NÃO É MEU NAMORADO PATRICK, QUE SACO!
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  Ele começa a rir. De fato, era engraçado. Só não mais, porque estamos falando de minha garotinha e o filho do pior chefe do mundo. Antes mesmo de eu falar algo, %Tiffanny% interviu os dois:
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  — Patrick, agora chega. Patrick imediatamente parou de dar risadinhas, mas continuou a provocar %Marina% com o olhar, a deixando ainda mais emburrada. — Patrick  ela repetiu.
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  — Não falei nada, mãe!
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  — %Marina%, filha. — %Tiff% olha para %Mary%. — Eu sei que você não gosta desse rapaz, mas pense dessa maneira: Nós temos que fazer certo pelo bem do seu pai. Ele acabou de ganhar uma promoção. Esteve esperando por isso há anos. É só um mês.
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  A vejo olhar para mim e então suspirar.
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  — Tudo bem.
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  — Essa é minha menina digo, ignorando %Tiffanny% revirando os olhos por eu deixa-la acalmar a fera e então terminar a conversa como se eu tivesse a domado.
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  Ding Dong
  %Tiffanny% se levanta e caminha até a porta, abrindo-a e dando de cara com um garoto a cópia de meu chefe, só que mais charmoso. O mais evidente eu seu perfil, era o mesmo nariz batata (desculpe, não consigo evitar) e os cabelos escuros que tanto odeio no senhor Brock. Acho que ele nunca ficará careca.
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  — Boa tarde, senhora O'Callaghan.
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  — Boa tarde querido, pode entrar. — Ela sorri simpática e ele sorri agradecido, olhando para nós. — Sinta-se em casa.
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  — Obrigado. Boa tarde, senhor O'Callaghan — diz educado e eu me levanto, caminhando até ele e apertando-lhe a mão.
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  — Seja bem-vindo, Brock.
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  — Obrigado pela estadia. E... Hum... Me desculpe pela inconveniência — ele diz. Oh-oh! Meu sensor de chatice não apitou nesse rapaz educado. Vejo seu olhar se desviar de mim para alguém atrás de mim. — O'Callaghan. Seu tom de voz rapidamente se tornou sério ao se dirigir a Pat, que devolve na mesma moeda:
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  — Brock.
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  %Marina% adentrou a sala com sua expressão fechada e os braços cruzados. Se pôs ao lado de Pat, que deu um passo para frente, como se fosse necessário protege-la de Brock. Abri um pequeno sorriso por ver, pela primeira vez, Patrick se preocupar com a irmã mais nova.
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  — Oi %Marina%. Kennedy volta com seu sorriso no rosto e vejo minha filha revirar os olhos.
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  — %Marina%, por que você e Patrick não levam Kennedy até seu quarto e mostram a casa enquanto eu e seu pai vamos cuidar do jantar? — %Tiffanny% dizia carinhosa. Franzo minha testa e olho para ela.
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  — Eu vou ajudar com o jantar?
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  — É só para me fazer companhia. — Ela se vira, antes me mandando um olhar de que era melhor eu lhe obedecer e então retira-se do hall de entrada e segue para a cozinha, deixando nós quatro para trás.
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  — E a TV que nós compramos para você deixar lá não é uma boa companhia? grito de onde estou. Para variar, quando John não recebe uma resposta de %Tiffanny%, significa que é hora de obedecê-la sem pestanejar. Assim, deixo os três se virarem para trás.
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  — John, que parar de ser bobo? É para nós conversarmos — ela diz assim que entro na cozinha. No momento em que olha em direção à sala, sei que o tipo de conversa que ela quer ter não é sobre como foi meu último dia de trabalho antes de começar o homeoffice, mas sim sobre o filho do chefe. — Ele não me pareceu um garoto ruim.
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  — Meu chefe não parece um homem mala quando está fora do ambiente de trabalho. Mas ele é.
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  — Você me entendeu. Me mandou um olhar para eu parar de encrencar com o garoto.
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  — Tudo bem... Admito que também não vi maldade nele.
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  — Sabe o que eu acho? — Ela coloca o avental na cintura e liga o fogão para esquentar o arroz já pronto. Carne com batatas de %Tiffanny%, o favorito de John O'Callaghan. — Que se ele é assim tão insuportável com ela, talvez seja porque esteja interessado nela e essa seja a maneira de lhe chamar a atenção.
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  — Não me venha com essas ideias, %Tiffanny%. Tento pegar uma batata, mas recebo um tapa em minha mão. — Deixe minha filha solteira em paz, e solteira.
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  Ela ri.
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  — Patrick estar saindo com uma garota não é um problema, mas %Marina% estar sendo paquerada é?
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  — É claro. Patrick é um homem e quem deve se preocupar com ele é o pai de %Natalie%. %Marina% é minha filha e homem nenhum se aproxima dela sem a permissão do pai dela, que a propósito, sou eu.
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  — Hum... Papaizão — ela brinca com a minha cara e eu rio, a abraçando pela cintura. — Sabe, às vezes eu tenho vontade de ter outro filho.
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  Oh-oh.
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  Fico sério apenas ouvindo o som do gás aberto enquanto ela mistura o arroz na panela. Mantenho meu queixo apoiado em seu ombro e tento fazer nenhum ruído que dê a entender que acho a ideia um absurdo. No entanto, ela se mexe desconfortável, de modo a saber que queria que eu dissesse algo.
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  — É mesmo? Tento o método mais fácil.
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  — Uhum — murmura. — Ver essa casa tão vazia... É como se tivéssemos voltado ao início, quando não tínhamos os dois.
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  — Bom, aquele tempo era melhor, porque não tendo os dois, não tínhamos grandes despesas, agora não temos os dois e temos despesas.
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  — John! — Ela me dá um tapinha e eu rio mais uma vez. — É sério. Você fica o dia inteiro fora e eu tenho que me virar para fazer algo.
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  Aquilo me pareceu fazer sentido. Enquanto estou fora a trabalho, %Tiffanny% fica dentro de casa, encontrando novos problemas para serem resolvidos e criando novos argumentos para reformar alguma área. Se ela tivesse um novo propósito, gastaria menos com as reformas e seríamos um casal de pais sem filhos por perto bastante felizes.
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  — E se comprarmos um bichinho de estimação pra você?
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  Ela me olha séria.
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  — Foi uma ideia apenas. Levantei os ombros.
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  — John, bichinhos de estimação são para início de casal, para eles se prepararem para os filhos que virão.
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  — Oras, cachorros são bons companheiros, você nunca iria se sentir sozinha.
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  — Eu não quero cachorros, eles dão problemas e eu acabei de terminar o meu jardim.
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  — Quer o que então? Gatos? Hamsters? Pássaros?
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  — Eu não quero um bicho em casa.
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  — E que tal um aquário? — A ignoro.
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  — Claro, eu me divertiria muito a tarde inteira observando os peixes nadarem de um lado para o outro — ela diz irônica e eu me calo. — E além do mais... — Ela se vira para mim. — Não é como se eu quisesse um filho. Eu só tenho vontade. Como quando eu estava grávida e queria guaraná, lembra?
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  — Ô se lembro. Você me fez rodar Arizona inteira pra achar uma loja que vendesse produtos brasileiros às 3 e meia da manhã. Você sabe a margem de probabilidade de conseguir um produto desses a essa hora? Zero. Por isso tive que ir até a cidade vizinha.
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  Ouço sua linda risada e seus braços enlaçam meu pescoço.
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  — Não seja exagerado, a cidade vizinha nem é tão longe. Só quarenta minutos.
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  — Você tem noção do pânico que eu passei quando você disse que nosso filho iria nascer com cara de guaraná? — A olhei séria, ela ria mais ainda. — Eu nem sabia de que forma era um guaraná!
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  — Não seja tão dramático, John.
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  — Não seja tão dramático... resmungo em meio às suas risadas.
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  — Já mostramos a casa. — Ouvimos a voz de %Marina% entediada e sem graça vindo da porta, viramos para ela e vemos Pat se aproximando com Kennedy. Eu e %Tiff% nos soltamos, pego a travessa de salada e a coloco na mesa perto da onde eles estavam.
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  — Que a propósito, é muito bonita  Brock diz.
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  Ele estava tentando fazer uma média ou fora sincero?
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  — Obrigada, querido — %Tiffanny% diz simpática. — É muita gentileza sua.
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  — Sentem-se, sentem-se — falo acenando para a mesa. — Mais alguma coisa, madame?
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  — Pegue as bebidas na geladeira, por favor.
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  — Essa era a parte onde você diria para eu me sentar e descansar, já que trabalhei o dia inteiro e mandasse um de seus filhos que estão de férias fazer por mim.
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  Ouço risadas de Kennedy e a expressão irônica de %Tiffanny%.
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  — Eu perdi a aula de bons modos ao marido, meu amor, acostume-se com isso.
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  Respiro derrotado.
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  — Tudo bem, essa é mais uma provação de que meu lugar é no céu. — Sigo até a enorme geladeira e de lá retiro duas garrafas de refrigerante.
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  — Pai, não esquece meu suco — %Marina% diz e a olho sério. — Por favor?
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  — Pelo menos. — Abro novamente a porta da geladeira e pego o maldito suco dela.
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  — Vai uma ajuda, senhor O'Callaghan? — Kennedy se levanta e se aproxima de mim, pegando as garrafas de minha mão.
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  — Obrigado, Brock. — Sorrio. — Que tal um curso de boas maneiras com ele? — Olho para meus dois filhos. — É surpreendente o fato de que estudaram no mesmo colégio.
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  — Pai. Não começa.
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  Levanto uma sobrancelha e vejo %Marina% finalmente encolher. Ela sabia que eu odiava que me desrespeitassem na frente dos outros. Principalmente o filho do meu chefe, que eventualmente pode falar para o meu chefe, que provavelmente começará a discutir sobre modos comigo no meio do escritório me fazendo passar pelo maior mico desde a confraternização de final de ano do ano passado, quando fui obrigado a passar a festa inteira com um capacete infantil de polvo na cabeça por ter perdido uma aposta contra Mike, do comercial. Minha foto ainda está no mural dos aniversariantes, mesmo não tem nada a ver com aniversário.
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  — Tudo bem, todos sentando, a carne está chegando à mesa. — %Tiffanny% se aproxima com a enorme travessa e se senta do outro lado da mesa. — Quem quer ervilhas?
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  O silêncio tomou conta da mesa. Em seguida, o olhar mortífero de minha mulher veio em minha direção. Eu podia até ler seus pensamentos: "Ou você come e dá um bom exemplo, ou eu compro o armário embutido com madeira canadense de doze mil dólares que eu vi na loja outro dia."
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  — Eu, por favor. — Levanto meu prato e ela o pega, sorrindo simpaticamente como se nada tivesse acontecido. Mulheres, elas sempre tendem a achar que nós homens somos masoquistas.
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  — Mais alguém? — Ela devolve meu prato coberto de ervilhas, ou seja, menos espaço para a minha carne com batatas.
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  — Eu, por favor, senhora O'Callaghan.
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  — Oh, que maravilha! — ela diz encantada. Claro, em casa só ela gosta de ervilhas. É uma maldade fazer para o jantar. — Não sabia que gostava de ervilhas, Kennedy.
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  — Na verdade, não sou muito fã delas, mas porque lá em casa são as cozinheiras geralmente quem preparam a comida e eu não aprecio muito o que elas fazem, mas a senhora fez com as próprias mãos e está com um cheiro muito bom. — Ele sorri e %Tiffanny% parece ser ainda mais conquistada por ele.
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  — Mas que amor, sua mãe não cozinha?
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  — Minha mãe? — Ele dá uma risada. — Não, ela só sabe mandar cozinhar.
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  — Oh, que pena. — %Tiffanny% estende as duas mãos para nossos filhos, que se entreolham e então reviram os olhos e entregam os próprios pratos para ela. — Então você planeja seguir a carreira de seu pai?
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  — Bom, é o que ele quer. — Ele dá uma pequena risada.
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  %Tiffanny% sorri. Não era muito a favor de os jovens fazerem o que os pais querem, mas sim seguir sua própria vida da maneira que quer, por outro lado, tampouco gosta de dar opinião na vida dos outros.
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  Ding Dong
  — Eu atendo! — Pat se levanta e corre em direção à porta com um sorriso no rosto.
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  — Mas o que...
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  — Deixa, mãe. — %Marina% corta %Tiffanny%. — Deve ser a %Naty%. Aponta para porta. — Viu?
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  — Boa noite, senhor O'Callaghan. — %Natalie% sorri para mim, que me levanto e dou um beijo na testa dela.
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  — Como vai?
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  — Bem, obrigada. Oi tia. — Ela abraça %Tiffanny% que sorri.
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  — Já jantou, %Natalie%?
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  — Já sim tia, obrigada!
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  — Tem certeza que não quer comer?
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  — Vai perder a comida da sua tia? — Ajudo %Tiffanny% a acabar com as malditas ervilhas.
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  %Natalie% sorri sem graça.
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  — Toma, %Naty%. — Patrick aparece com pratos e talheres. — Come um pouco.
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  — A-ah... Certo, obrigada. Ela sorri sem graça e olha para %Marina%, que a olhava feio. A via olhar insegura de Pat para %Mary% e vice-versa. Eu sentia uma certa tensão no ar. Nada que eu fosse me intrometer, afinal, o pai deve ser sempre o último a saber de tudo.
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