As Mulheres Da Vida de John O’Callaghan

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Capítulo 4

Tempo estimado de leitura: 16 minutos

  — Com licença, senhor Brock. Posso falar com o senhor por um minuto?
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  — Um minuto e nada mais, O'Callaghan, estou atolado de coisas. Entre. — O ouço dizer por trás de sua mesa e só eu sei o quanto eu me segurei, e me seguro sempre que falo com ele, para não bater em seu nariz gordo e redondo. Não que eu pudesse dizer algo sobre os narizes alheios, já que o meu não é lá aquelas coisas que eu possa me orgulhar, mas como o nariz foi a primeira coisa que vi nesse homem, ficou marcado.
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  Adentro à sala e me mantenho em pé.
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  — Eu gostaria de perguntar, se é possível de eu arranjar um estágio para minha filha aqui na empresa, senhor. — Eu odiava ser humilde perto dele. Eu sou humilde. Mas o que eu daria para dar um chute na bunda desse cara, não tem preço.
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  Ele levanta o olhar e uma sobrancelha junto.
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  — O que faz sua filha, senhor O'Callaghan?
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  — Administração. Na federal da cidade.
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  Ele concorda com a cabeça e encosta no banco.
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  — Sente-se. — E aponta para a cadeira à frente de sua mesa.
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  Lá vem.
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  Rapidamente, sigo até o lugar indicado por ele e me sento calado o observando.
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  — Quer dizer que sua filha quer seguir os passos do pai?
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  — Algo assim. Ela ainda está no início, mas gostaria de ter uma experiência em algo, para facilitar as escolhas de uma profissão.
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  — Achei que tivesse um filho, O'Callaghan.
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  — Ele optou por fazer outro curso.
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  — E você deixou? — ele pergunta surpreso.
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  — Claro, senhor.
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  O vejo se manter calado e pensativo.
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  — Sua filha escolheu seguir para contabilidade por conta própria?
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  — Sim, senhor.
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  — Você não a influenciou em nada?
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  — Talvez o fato de eu ser o pai dela e trabalhar com isso, possa ter ajudado, mas diretamente, nunca sequer conversei com ela sobre o assunto. Minha filha é muito decidida sobre seus desejos. E é por isso que é o orgulho do papai, gostaria de dizer.
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  Mais uma vez o vejo balançar a cabeça pensativo, e então se aproxima, apoiando os cotovelos em sua mesa e juntar as mãos.
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  — Ela, por acaso, está na sala do meu filho, Kennedy?
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  — Não faço a mínima ideia, senhor Brock. — Eu espero realmente que não, minha filha não merece uma cópia do pai escroto na vida dela.
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  — Provavelmente. Com isso, lembrarei de aumentar a mesada dela por aguentar o filho do diabo. — Kennedy não se sente muito à vontade na empresa. — Ele parecia mais desabafar. — Façamos o seguinte, John. — Desde quando ele é tão próximo à mim? — Traga sua filha amanhã de manhã para uma entrevista. Como ela e meu filho estudam juntos, vou procurar saber disso hoje, farei os dois trabalharem na mesma área, assim, quem sabe, Kennedy não aprenda a ter um pouco mais de amor pela profissão que lhe aguarda?
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  Tradução: Ele quer usar minha filha pra fazer o filho dele ocupar o lugar dele. É um sem vergonha mesmo.
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  — Sim, senhor. Obrigado.
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  — Marque um horário com Brigitte. — Brigitte, a amante. — Diga que pedi para antes da reunião com as Indústrias Macorp.
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  Concordo com a cabeça e me levanto, retirando da sala e indo em direção à bela mulher sentada numa enorme mesa do lado de fora do escritório.
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  — Olá, John. — Ela tinha mesmo uma voz bem sensual. Sorrio.
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  — Senhor Brock pediu para agendar para amanhã de manhã, antes da reunião com as Indústrias Macorp uma entrevista para minha filha.
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  A vejo levantar uma sobrancelha.
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  — Não sabia que tinha filhos.
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  — Dois. — E uma mulher de tirar o fôlego, se quer saber.
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  — Que adorável. — Tradução: Mas que diabos!
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  Sorrio e a vejo abrir uma agenda de couro preta e pegar sua caneta.
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  — Que tal às... Nove?
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  — Perfeito.
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  — Está marcado.
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  — Obrigado, Brigitte.
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  — À disposição, John.
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  Sem mudar minha expressão à sua frente, me viro e saio em direção ao elevador que me levaria de volta para o caos do meu trabalho. Apenas desfaço o falso sorriso quando a porta se fecha e ela não podia mais me ver.
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  Ding Dong

  — Ah, olá senhor O'Callaghan, entre! — %Caroline% sorria e abria a porta do apartamento onde estavam hospedados.
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  — Desculpe o horário, %Marina% está?
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  — Tá sim, fica à vontade, vou lá chamar ela! — Ela rapidamente fecha a porta atrás de mim e some no corredor dos quartos.
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  — Boa noite, %Natalie% — falo ao ver a garota na mesa cheia de cadernos e o notebook aberto. Ela levanta os olhos surpresa para mim atrás de seus óculos de grau e sorri, se levantando.
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  — Boa noite, senhor O'Callaghan, eu não o havia visto aí, desculpe!
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  — Sem problemas. Estudando? – olho para o material espalhado pela mesa.
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  — Tenho prova semana que vem. E um trabalho para sexta.
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  Concordo com a cabeça.
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  — Está gostando daqui?
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  — Muito!
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  — E Patrick...
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  — Ele é bem legal, senhor O'Callaghan, não estamos tendo nenhum problema com ele. — Ela sorria demais e então me vê balançar a cabeça novamente.
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  — Oi pai! — %Marina% me olhava surpresa e então %Natalie% se vira e volta à mesa estudar. — O que tá fazendo aqui?
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  — Resolvi passar aqui antes de ir pra casa, você tem uma entrevista amanhã.
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  — Sério? — Ela sorri. Concordo com a cabeça. Ela então pula e me dá um abraço.
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  — Escuta... — Sigo para o sofá com ela. — Você, por acaso, tem alguém chamado Kennedy Brock na sua sala?
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  Ela fica séria e vejo até %Natalie% levantar a cabeça ao ouvir o nome do garoto. Eu imagino que a resposta fosse positiva.
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  — Hm... Tenho. Por quê?
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  — Ele provavelmente irá trabalhar com você.
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  — TÁ FALANDO SÉRIO? — ela berra se levantando. — Desculpe. — Coloca as mãos na boca ao ver minha careta.
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  — O pai dele é meu chefe.
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  — O pai do Kennedy é seu chefe? — %Marina% me olha absorta e eu concordo com a cabeça. — Ele deve ser tão legal quanto o filho.
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  — Você está sendo irônica?
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  — Cem por cento. Pai, o Kennedy é o cara mais mala que eu já conheci. Sério. Não tem como nós trabalharmos separados?
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  — O pai dele é o chefe. – repito. Ótimo, definitivamente irei aumentar a mesada dela.
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  — Lembra quando o Pat entrou numa confusão no começo do ano?
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  Concordo com a cabeça.
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  — Foi com o Kennedy. Ele se acha o bambambam da faculdade só porque o pai dele é rico e tem um cargo alto em uma empresa grande. Então acho que era por isso que o Pat brigou com ele. Na época ele só me falou que o Kennedy o havia provocado, mas não me disse o que ele havia dito.
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  Moleque problema. Agora irei aumentar a mesada de Patrick também. Se ele conseguiu quebrar o nariz do garoto, duplico. Suspiro. Estou colocando minha filha numa encrenca.
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  — Talvez seja melhor procurarmos outro trabalho para você, filha — falo receoso.
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  — Não pai! Eu consigo lidar com ele, sério! Eu quero muito trabalhar na sua empresa!
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  Se ela acha que dizendo isso irá conseguir que eu aumente ainda mais a mesada dela, ela conseguiu.
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  — Isso é um estágio, filha. Você não poderá entrar e sair quando bem entender.
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  — Eu sei, eu consigo lidar com isso. Sério.
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  Me mantenho calado por mais um tempo, a observando. Olho para atrás dela e vejo %Natalie% olhando boquiaberta em nossa direção. Suspiro.
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  — Tudo bem. — Me remexo desconfortável. — Passo aqui quando estiver indo para o trabalho. Oito e meia. Em ponto.
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  — Estarei pronta. — Ela sorri. ‘Brigada pai. — E me abraça além de depositar um beijo em minha bochecha. Sorrio e me levanto.
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  — É melhor eu ir antes que sua mãe me ligue perguntando se deu tempo de eu engravidar ao menos cinco mulheres. — Reviro os olhos ao lembrar da última vez que %Tiffanny% me ligou por causa da minha demora para retornar para casa. Ela era sempre tão criativa que eu até me espantava quando dizia que não estava com humor para imaginar algo.
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  Noite do dia seguinte...

  — Então... — %Tiffanny% colocava a mesa para nós dois. Desde que Pat e %Marina% se mudaram e passaram a vir com menos frequência para casa, ela reclamava da quantidade de comida que tinha que fazer. Eu nunca a entenderia. Quando eles estavam, ela brigava pelo fato de ter de fazer muita comida sozinha, agora que eles foram, ela reclama que quer voltar à quantidade anterior. Mulheres.
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  A olho esperando por uma especificação do início de sua sentença e ela coloca as mãos na cintura.
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  — %Marina%.
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  — Ah, sim. Ela conseguiu. Começa semana que vem. — Sorrio e volto minha atenção à comida.
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  — E quanto ela irá receber, o que fará... John! Será que eu terei de ficar perguntando tudo?
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  — Ora mulher, você quer que eu conte tudo na hora do jantar? — Aponto para meu prato feito e ela então revira os olhos e tira meu prato de minha frente e o guarda no forno. — Mas o que...
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  — Me conte sobre %Marina% e depois janta, já que essa conversa o atrapalha tanto.
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  Fico boquiaberto a olhando e então respiro fundo, tomando toda minha paciência.
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  — Ela trabalhará das duas da tarde às oito da noite. Receberá 700 dólares por mês, mais vale transporte e refeição.
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  — Ela receberá tudo isso por mês? No primeiro estágio?
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  — Sim, %Tiffanny%, agora pode... Aponto para o meu prato de comida, mas não sou ouvido.
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  — Ela não deveria começar por baixo?
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  — Tecnicamente, ela está começando por baixo, meu amor. Eu ganho muito mais do que ela.
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  — E quanto você ganhava quando entrou na empresa?
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  — Isso não vem ao caso — desconverso. — Naquela época as coisas não eram tão caras como são agora. Tudo de acordo com o tempo em que vivemos.
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  — Mas...
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  — %Tiffanny%, toda essa contradição é pelo fato de %Marina% juntar dinheiro para comprar seu carro? — Me canso e a vejo olhar para o lado. — Pois fique tranquila, ela não comprará o carro enquanto não houver carteira de motorista e isso não irá acontecer enquanto ela ficar trabalhando de segunda à sábado.
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  — Ela trabalhará de sábado?
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  — Ela se ofereceu, Brock aceitou.
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  — Mas é demais para uma garota de 19 anos.
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  — Diga isso à ela e à ambição dela. Agora, pode me devolver meu prato, por favor? Eu estou mesmo com fome.
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  — Quem vai levá-la e buscá-la no trabalho? — Essa era uma cena não frequente no meu dia-a-dia. %Tiffanny% raramente se preocupava com %Marina%, pois sabia que disso eu fazia muito bem e que nossa filha era absolutamente independente de nós dois.
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  — Ela irá direto da faculdade. Patrick irá buscá-la. Parece que %Caroline% ganhou um carro e se ofereceu para ir pegá-la caso Pat não queira.
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  — Mas ela teria de pagar...
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  — Isso é com ela. Agora ela já tem o próprio salário. — Me levanto e pego meu prato de sua mão. — Se não se importa, eu estou faminto e preciso terminar um trabalho para amanhã.
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  %Tiffanny% se senta pensativa, mas tão pensativa que não brigou comigo por pegar algo de sua mão.
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  — E como foi com %Any%?
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  — Ah sim, fora fácil, não vamos mudar muita coisa. — Ela volta a sorrir. Mexo a cabeça de modo que pedia para que ela continuasse. — Vamos mudar os azulejos de cima da pia e mudar o filtro dela, que está péssima. Podemos trocar a geladeira? Eu gosto do meu fogão.
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  — Claro. — Claro que ela gostava do fogão dela, eu dera um novo em nosso aniversário de casamento ano passado quando ela surtou com o objeto na loja. Não pude não comprar para ela.
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  — Ótimo. — Ela sorri. — E vamos colocar mais algumas luzes ali perto da bancada porque o número de vezes que já me cortei pela falta de iluminação chega a ser absurda. E pintar as janelas para o jardim. Elas estão desgastadas e fazendo barulhos estranhos. Fora que eu realmente gostaria de poder abri-las no início do dia quando o vento é mais leve e gostoso.
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  Concordo com a cabeça.
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  — E vamos ter de comprar outra mesa de jantar. %Marina% está reclamando do tamanho da mesa do apartamento porque %Natalie% está ocupando todo o espaço com suas lições e trabalhos. Podemos dar essa para eles e ver uma nova para nós.
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  — E aquela?
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  — %Natalie% irá comprar e deixar em seu quarto. De acordo com %Marina%, a menina não tem nada no quarto mesmo.
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  Balanço a cabeça novamente.
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  — Vamos amanhã na loja procurar os modelos dos azulejos. Te mando as fotos por celular.
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  — Escolha o que quiser, %Tiff%. A cozinha é sua.
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  — John. Eu estou querendo que você faça parte da reforma da nossa casa, você pode se importar, nem que seja um pouco?
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  Mas eu não me importava. Ainda assim, afim de evitar uma discussão com minha esposa, finalizo nossa conversa da maneira mais prática: Deixando-a vencer.
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  — Claro, me desculpe.
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