As Mulheres Da Vida de John O’Callaghan

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Capítulo 26

Tempo estimado de leitura: 16 minutos

  Meus pais são adoravelmente infernais.
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  Logo que chegaram, em uma quarta-feira — quem diabos chega em uma quarta? , tive de ir buscá-los às quatro da manhã — não, vocês entenderam muito bem, eles chegaram às quatro da manhã , no aeroporto de Phoenix, a mais ou menos uma hora e meia de casa. O fato era que eu acordei às duas e meia para chegar lá às quatro, esperei uma hora os dois bonitinhos desembarcarem e depois os aguentei falando em meu ouvido sobre a nova moda de Tucson, separar os jardins dos vizinhos com placas de metal para que não danificasse a terra, por uma hora e meia, até chegar em casa às seis e meia e ver o café da manhã posto na mesa, coisa que %Tiffanny% havia feito antes de ir dormir. O café estava quente graças à cafeteira automática que podia se agendar o horário que ela deveria começar a processar o café e aos pães frescos que eu comprara no caminho para casa.
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  — Mas vejam só, %Tiffanny% deve estar muito feliz com este fogão novo, ele é lindo! Eu vi na casa de Adam e Brigitte, sabe? Terrível, os dois não cuidam nem um pouco das coisas que tem. — Minha mãe não parava de falar, enquanto eu e meu pai trazíamos as malas para dentro de casa. Eu a chamo de 'mamãe', acho que por eles me obrigarem, eu acabei me acostumando. Meu pai aceitou ser chamado apenas de 'pai' depois do ataque que eu dei quando tinha vinte anos. Mesmo assim, isso ainda era motivo de risadas entre todos os meus amigos e filhos, mas depois de um tempo o motivo é esquecido.
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  Isso não é verdade. Com Patrick mais velho, ele e Jared são terríveis juntos.
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  — Mamãe, que tal se a senhora e o pai não forem tirar um cochilo um pouco? Logo %Tiffanny% irá acordar e eu preciso ir para o trabalho.
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  — Não vai tomar um banho, filhinho? Mamãe prepara o café para você enquanto isso — ela diz já abrindo os armários, que já sabia exatamente onde era o quê. %Tiffanny% fazia questão de deixar tudo da maneira de sempre porque conhecia meus pais. Se eles vissem que as coisas estavam diferentes, a atormentariam perguntando onde elas estavam agora e por que ela os mudou de lugar.
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  — Não posso mamãe, estou entrando mais cedo agora.
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  — Achei que você tivesse recebido uma promoção, filho — meu pai pergunta aceitando a xícara de mamãe.
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  — Eu recebi, mas combinei com meu chefe que entraria mais cedo e sairia mais cedo para que pudesse aproveitar mais tempo vocês dois. — Sorrio em um falso tom alegre. Obviamente havia feito isso quando %Tiffanny% disse que se eles a atormentassem demais, ela daria uma desculpa e iria dormir na casa de %Any% e Jared, me deixando sozinho com as duas peças. Antes aguentar algumas horas — os dois dormiam cedo, amém — do que período integral.
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  Afinal, eu não podia receber ligações familiares no trabalho a não ser que fosse urgente, e %Tiffanny% sim. Isso meus pais entenderam muito bem.
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  — Ah, mas que amor, querido! — Mamãe sorri e vem me dar um beijo na bochecha. — Vamos fazer assim, eu e seu pai vamos no mercado daqui a pouco, podemos pegar um táxi, não é, querido? — ela olha para papai que bate continência, finjo uma risada. — E prepararemos um belo jantar para você e %Tiffanny%. Então amanhã irei visitar sua irmã. Sua barriga deve estar enorme, não é? Estou curiosíssima para vê-la!
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  — Ah, ela também está. Tenho certeza. — A deixo arrumar o nó de minha gravata. Uma coisa que mamãe sabia fazer bem, são nós de gravata e pudim de leite.
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  — Você tem certeza de que ela não irá preferir que nós fiquemos lá com ela? Não quero parecer desfeita com você e %Tiffanny%, mas nossa %Any%...
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  — Mamãe. %Any% está ocupada com o trabalho e toda a preparação do bebê. Jared fica cansado de ter de cuidar dela e trabalhar. Acho que a senhora e papai dariam mais trabalho.
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  — De jeito nenhum! Estaríamos apenas lá para ajudá-la! — Mamãe pareceu um pouco ofendida.
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  — Nós nunca atrapalharíamos os dois, campeão! — Meu pai ainda acha que eu sou o garotinho de doze anos que jogava baseball apenas porque ele gostava.
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  — Eu sei que não, mas nós combinamos assim, então manteremos assim, tudo bem? Eles não moram longe e vocês podem pegar meu carro sempre que precisarem. Aqui, fique com a chave, pai. — Jogo um pequeno molho de chaves para ele. — Tem as chaves de casa também.
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  — E como você vai?
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  — Pego um ônibus. — Sorrio.
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  — De jeito nenhum, filhão! Eu te levo então! — Meu pai dá o famoso sorriso brilho eterno. Ele foi modelo de pasta de dente quando jovem e parece que manter os dentes perfeitos, limpos e brancos era fundamental. Toda vez que ele sorria, eu vejo o banner com o slogan "Seus dentes mais brancos e limpos por mais tempo! Cleanfresh, a refrescância em sua boca!", publicitários infelizes eram os de antigamente.
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  Durante todo o caminho nós dois fomos conversando, meu pai sempre puxando assuntos mais animado. Eu apenas respondia e via no caminho se demoraria muito mais. Até James estava mais aguentável do que meus pais. E olha que era apenas o primeiro dia deles em Phoenix.
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  Eu sou um pai mais sortudo do que um filho.
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  — %Tiffanny%, estou no meio de um atendimento com um cliente importante — digo quando vi meu celular tocar e o nome de %Tiffanny% aparecer no visor.
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  — Desculpe, amor, mas seus pais souberam do namoro de %Marina% e Brock e disseram querer conhecer James e Alice este final de semana.
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  Fecho os olhos pesaroso. Não era possível. Juntar uma manada de leão com a de uma onça-pintada era tudo o que eu menos desejava nesta vida.
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  — Vou ver o que posso fazer.
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  — Lembre-se. Se você não os convidar, seus pais irão.
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  Resmungo alguma coisa, desligando e voltando a atender meu cliente, agora com minha paciência reduzida a noventa por cento.
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  — E então John cismou de que o céu, na verdade, era rosa! — meu pai dizia durante o churrasco que estávamos fazendo no primeiro sábado deles em casa. %Tiffanny% fez questão de convidar Garrett e %Caroline% também para que a casa ficasse mais cheia e nós dois não fossemos obrigados a conversar com meus pais ou James, que tecnicamente, estavam em uma conversa que os dois pareciam bem interessados.
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  — Como ele consegue? — Jared pergunta para mim e Garrett, que estávamos na churrasqueira com Kennedy e Patrick sentados nas cadeiras.
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  — Ele está fingindo? — Patrick pergunta olhando para Kennedy, que nega com a cabeça.
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  — Ele adora conversas fora do normal. Sem ofensas senhor--
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  — Ele é tão anormal quanto meus pais — digo recebendo a confirmação de todos juntos. — O que tem de graça ter anões no jardim? Não existem gremilins!
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  — Não tente entender o que não pode ser entendido, John. — Garrett dá dois tapas em minhas costas. — Quem não nasce com esse dom, nunca o terá por mais que se esforce. É a vida. — Ele levanta os ombros e pega outra cerveja.
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  — Escuta Jared, vocês não tem planos para um nascimento prematuro, não? — pergunto, tirando risadas de todos.
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  — Olha, se eu te disser que estava pensando bastante no assunto desde o momento em que sua mãe disse que eu pareço mais ruivo e gordo, você não ficaria surpreso, não é?
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  — Nem um pouco. — Rio. Era verdade. Assim que Jared pisou em casa, mamãe imediatamente disse: "Por Deus, como é que você consegue engordar mais do que minha filha que está grávida? E olhe só esse cabelo! Você tem tendência a ser ruivo assim ou está se alimentando mal?"
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  Fora o suficiente para %Any% começar com sua crise de choro dizendo que mamãe havia afirmado que ela não era uma boa mulher de família. Demorou quinze minutos para fazermos parar de chorar.
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  — Vou perguntar isso para o médico. Se o bebê nascer com sete meses, daqui a dois meses ele estaremos vendo seus pais pegando o ônibus de volta para Tucson.
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  — Vocês são muito maus, sabiam? — %Any% se aproxima com uma travessa de petiscos, sendo rapidamente amparada por Kennedy. — Obrigada, querido.
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  — Ah é? Papai e mamãe então estão indo para sua casa passar um tempinho com você — digo emburrado, tomando mais um gole de minha cerveja. %Any% abre a boca e então respira fundo.
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  — Filho, nasça logo! — Aponta para a barriga, tirando risadas de todos nós.
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  — O que você acha dessa manta?
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  — Mamãe, é um menino, %Any% já disse. Por que cisma em comprar rosa?
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  — Oras, não é sempre que um médico adivinha o sexo do bebê, mesmo com toda essa modernidade. A neta de minha amiga Sarah achava que era uma menina e comprou tudo para menina, então quando nasceu, viram que na verdade era um menino. Sabe o trabalho que deu para mudar tudo para o azul?
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  — Então compre amarelo, pelo menos não precisaremos vir mudar novamente.
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  — Não filho, amarelo deixa o bebê com um aspecto de desnutrido — ela diz colocando a caixa rosa no carrinho. Eu reviro os olhos. Por que então diabos minhas fotos de bebê eu estou vestido em amarelo com manta amarela?
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  Já faziam duas semanas que meus pais estavam em casa e eu não sabia o que era folga. Minha rotina era acordar cedo para o trabalho, aguentar meu chefe insuportável — descobri que ele se esforçava em ser assim, o que posso dizer que fazia muito bem — voltar para casa e aguentar meus pais para que %Tiffanny% não queimasse o dedo novamente e nascesse uma bolha antes do chá de bebê de %Any%, que seria daqui a uma semana. Nos finais de semana, as crianças voltavam para casa, mas não dormiam, já que elas também entendem como meus pais são.
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  Neste sábado, minha mãe cismou de que queria dar diversas coisas para %Any%, já que não pudera comprar nada em Tucson, porque os dois não aguentariam trazer nada aqui para Phoenix por ser muita coisa. Já faziam cerca de quatro horas que nós estávamos naquele Walt Mart apenas eu e ela. Meu pai levara Patrick e Kennedy para pescarem com Jared e Garrett, enquanto %Caroline%, %Natalie% e %Marina% ajudavam %Tiffanny% e %Any% com as coisas do chá de bebê. Meu papel era deixar minha mãe longe delas o maior tempo possível, por isso, dei a ideia de um dia de mãe e filho, coisa que dona Urna adorara, claro.
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  Saímos de manhã e já eram quase sete da noite. E nós ainda havíamos acabado de entrar na loja. Eu já voltei para meu carro diversas vezes, pois não aguentava carregar as sacolas de todas as compras que minha mãe fazia. Eu voltava pela trilhonésima vez para a loja onde mamãe estava, quando decidi ligar para %Tiffanny%.
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  — Como está se saindo com sua mamãe? — Ouço risadas atrás dela.
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  — Até você é brincadeira — digo emburrado. Ela ri graciosamente, me deixando um pouco mais calmo e sorrio. — Ligo perguntando se já posso voltar para o acomodamento da minha casa.
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  — Mais uma hora — ela diz e eu resmungo. — Estamos quase terminando o menu, John, você sabe que sua mãe ama opinar nessa parte.
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  — Tá, tá. Vou jantar com ela por aqui então — digo entrando na loja e vendo minha mãe em um papo bem engrenado com umas quatro vendedoras. Óbvio, acho que ela fora a maior cliente que esta loja já teve.
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  — Tudo bem, amor, te amo. Você é um anjo.
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  — Eu vou pro céu. — Ouço sua risada antes de desligar. — Pronto mamãe? Estou com fome, %Tiffanny% disse que estão quase terminando por lá, mas acho que seria legal se jantássemos um japonês que tem aqui por perto, o que acha?
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  — Elas não estão precisando de ajuda? %Tiffanny% é minha nora, um amor de pessoa — ela diz para as vendedoras que concordam com a cabeça. — Achavam que esse garanhão estava disponível, não é? — E solta uma risada, me fazendo sorrir sem graça pela atitude dela. — Bom, ele é bem casado e tem dois filhos maravilhosos, que já devem estar voltando da pescaria com seu avô. Conseguiu falar com eles, querido?
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  — Não, vou lá fora telefonar. Com licença. — Sorrio para as vendedoras que riam da graça de minha mãe. Queria eu poder dizer que elas poderiam ficar com mamãe por quanto tempo quisessem.
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  Passei cerca de meia hora fora da loja até conseguir contato com um deles. Obviamente Kennedy era o único que não se atreveria a não me atender, portanto, foi o único que fez um esforço até para arranjar sinal no meio do nada em que estavam.
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  — Acho que vamos nos atrasar no horário combinado — ele diz. — Senhor Monaco está um pouco feliz demais com o senhor seu pai, senhor O'Callaghan.
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  — Como sempre — resmungo. — E Garrett?
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  — Também.
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  — Para variar. Faça-me um favor, Brock. — Olho para a loja, onde mamãe terminava as compras. Eu esperava.
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  — Sim senhor.
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  — Volte dirigindo. — Ouço sua risada e concordância e então desligo. Voltando para a loja.
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  — Ah, querido! Que ótimo que voltou, pode me ajudar com as compras? — Ela aponta para cerca de oito sacolas.
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  — Claro. — Sigo em direção às duas vendedoras que seguravam quatro sacolas cada e pego todas elas, agradecendo a atenção com mamãe. Elas eram santas. Devem receber bem por isso.
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  Caminhávamos em direção ao carro, mamãe não parando de parar em todas as vitrines que via, por mais que as tivesse visto duas vezes naquele mesmo dia. Assim que sentamos no carro, ela cismou que queria falar com meu pai.
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  — Já disse que onde eles estão não tem sinal.
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  — Mas que porcaria de telefone móvel que não funciona quando mais precisamos! — Ela joga o celular dentro de sua bolsa aborrecida. — Espero que ele não tenha exagerado na cerveja, você sabe como seu pai é.
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  — Sei, sei — concordo. Seu Tyneese quando quer, consegue ser um bêbado maior que o Garrett. E olha que Garrett em época de faculdade era o vencedor do cara menos bêbado que bebeu mais cerveja no campus inteiro.
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  Passei mais uma hora e meia ouvindo mamãe falar sobre todos os assuntos possíveis. Eu nunca entendi como as mulheres mais velhas conseguem arranjar tanto assunto para se tratar e emendar ao outro, não parando nunca de falar. %Any% e %Tiffanny% podem passar o dia inteiro conversando e se encontrarem no dia seguinte e continuarem conversando por durante o dia inteiro sem parar.
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  Mulheres.
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