As Mulheres Da Vida de John O’Callaghan

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Capítulo 25

Tempo estimado de leitura: 16 minutos

  — E então? — ela dizia enxugando as mãos no avental. — Quem tem medo?
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  — É uma coisa entre pai e filho, %Tiff% — falo calmo e lhe mando um olhar, que eu tenho certeza que ela ignorou propositalmente.
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  — Patrick — ela diz séria. Ele a encara receoso. — Fale.
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  — Não é nada, mãe. Só uma dúvida que eu estava tirando com o pai.
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  — Meu filho, uma coisa que você já deveria ter aprendido, é que sua mãe aqui não nasceu ontem e já teve a sua idade — ela diz apoiando as mãos no sofá. — Então não perca nosso tempo tentando me enrolar.
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  — É pessoal, ok?
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  — Eu sou sua mãe.
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  — Acontece, mãe, que tem certas coisas que filhos não contam para as mães, só para os pais.
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  Vi o olhar de %Tiffanny% em mim e balanço os ombros, de um modo que concordei com o nosso filho. Ela então o analisa da cabeça aos pés e se endireita, colocando as mãos na cintura.
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  — Não vai levar %Natalie% a lugar nenhum, mocinho. — E se vira, voltando para a cozinha.
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  Eu e Patrick nos encaramos e ele aponta para a mãe dele boquiaberto. Suspiro e me levanto:
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  — Sua mãe gosta de um drama. Não se preocupe, ela vai esquecer disso logo, está atolada demais com o chá de bebê da sua tia.
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  Mas, como era de se esperar, %Tiffanny% não esqueceu.
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  Assim que saí do banho, um pouco antes do horário de dormir, a vi sentada em nossa cama me encarando seriamente. Ignorei a matança e segui para nosso closet, pegando uma boxer e a colocando. Encaro o espelho da penteadeira de %Tiff% e arrumo-o um pouco com as mãos. Caminhei lentamente até nossa cama e a vi me encarar ainda séria:
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  — Não vai me contar?
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  — O quê?
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  — Não se faça de bobo.
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  Suspiro.
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  — %Tiff%, isso é algo do Patrick, pare de ser uma mãe possessiva.
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  — Eu sou uma mãe possessiva, John, você sabe disso. Sei quando tem algo de errado com meus filhos.
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  — Não há nada de errado com Pat — digo e ela levanta sua sobrancelha bem feita. — É verdade. Não há. Ele só está preocupado com sua relação e veio tirar dúvidas comigo.
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  — Que tipo de dúvidas? — Ela cruza os braços.
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  — Dúvidas do tipo que um pai e um filho devem conversar em algum ponto da vida.
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  %Tiffanny% não era lerda, nem muito menos desprovida de neurônios. Soube que ela havia entendido na hora a conversa que nós tivemos. Me encarou um pouco mais doce e nada disse, esperando que eu dissesse algo. E o que eu poderia fazer? Apesar de tudo, eu ainda sou louco por essa mulher.
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  — A menina não quer transar e ele está achando isso esquisito. Veio perguntar o que fazer e por que ela faz isso.
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  — %Natalie% não quer transar com Patrick? — %Tiffanny% levantou as sobrancelhas e eu soube na hora que ela estava começando a aceitar o namoro de Pat.
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  — Querer ela deve querer, é claro — digo em tom óbvio, o que a fez se remexer desconfortável. — Mas a menina deve ser virgem, vai saber.
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  — Pobre garota... — Eu sabia que ela estava reconsiderando %Natalie% como a doce amiga de nossa filha. — Nem tem uma mãe para ajudá-la nessa hora...
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  Como sempre, me mantive calado enquanto ela murmurava palavras para si mesma. A observava conversar sozinha, mas não me atrevia a perguntar sobre o que ela falava. Provavelmente seria coisas de mulheres que eu não entenderia mesmo ela me explicando.
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  — Patrick quem quer, não é?
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  — Como todo garoto de sua idade.
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  — Você sabe se ele é virgem?
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  — Sei.
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  Ela me encara curiosa.
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  — %Tiff%... — murmuro exausto e ela levanta as mãos.
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  — Tudo bem, tudo bem. Não vou pressionar — diz rapidamente. Sorrio e me deito, a puxando para meus braços.
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  — Pare de se preocupar com isso. São jovens, devem aproveitar isso agora enquanto podem. Daqui a pouco terão de trabalhar e o tempo vai diminuir.
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  — Engraçado. Brock trabalha e não é isso o que fico sabendo. — %Tiffanny% sorri e beija meus lábios, fechando os olhos e dormindo.
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  — Como?
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  No dia seguinte quando acordei, %Tiffanny% já não estava mais na cama. Olho para o relógio e vejo-o mostrar ser quase onze da manhã. Eu deveria estar muito cansado para ter dormido até aquela hora. Fiz minha higiene matinal e já coloquei uma confortável roupa limpa — estar em casa era como quando éramos adolescentes, pijama o dia inteiro, porém, se eu aparecesse como aparecia todos os finais de semana na frente de meu chefe, ele e minha filha me matavam — então desci vendo minha mulher com minha irmã na cozinha, conversando e limpando uma erva que eu não sei dizer qual era.
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  — Bom dia, bela adormecida! — ela diz sorridente e retribuo, dando um beijo em sua bochecha, seguindo até o outro lado da bancada e dando um beijo em minha mulher.
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  — Cadê o gordo? — pergunto por Jared, %Any% adorava quando nós dois discutíamos porque eu o chamava de gordo e ele dizia que eu apenas achava isso porque eu quem era magro demais. No final das contas, todos sabemos que nós dois estamos certos.
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  — Preparando a churrasqueira e conversando com as crianças. — Ela aponta com a cabeça para o lado externo da casa. Sorrio e pego o cooler com cervejas, arrastando-o para fora comigo.
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  — Saudações — digo vendo Patrick ajudando Jared e %Marina% com %Natalie% arrumando a mesa onde seriam postas as comidas. — Bom dia, %Brown%.
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  — Bom dia, senhor O'Callaghan. — Ela corre até mim e me dá um beijo.
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  — Como está?
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  — Bem. — Ela sorri e vejo que de fato ela estava muito melhor.
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  — E seus pais? — Aponto para o cooler assim que vejo Patrick desviando seu olhar dos afazeres para nossa conversa. %Tiffanny% havia me dito que era melhor eu demonstrar um pouco mais de carinho pela garota, já que Patrick estava preocupado com essa situação em particular.
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  Ela abriu um pequeno sorriso sem graça e mexeu as mãos nervosa:
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  — Estão bem... Quero dizer, na medida do possível. Papai está bem, mas minha mãe saiu da cidade.
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  — É mesmo? — A vejo concordar com a cabeça. — Talvez ela queira pairar a mente um pouco.
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  — Talvez — ela concorda e eu sorrio.
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  — Se precisar, sabe que aqui é sua segunda casa.
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  — Obrigada, senhor O'Callaghan, de verdade. Mas acho que já dei trabalho demais pro senhor e a senhora O'Callaghan.
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  Sorrio e dou dois tapinhas carinhosos no rosto de %Natalie%. Era uma garota sensata e pelo que percebi, estava voltando ao normal em seu comportamento.
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  — Fala, gordo.
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  — Como vai, desnutrido? — Jared sorri e me dá um abraço. — Churrasquinho com o chefe, então?
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  — Não pude te deixar de fora. — Lhe dou dois tapas no peito enquanto estávamos num pseudo-abraço, ele ri e volta sua atenção à carne que já estava sendo assada.
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  — Me dei a liberdade de começar a preparar o churrasco. Se te esperasse, ele só iria sair amanhã.
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  — Como sempre, certo. — Pego duas cervejas no cooler e lhe jogo uma. Ouvimos um berro de %Tiffanny% da cozinha, pedindo para alguém pegar os pratos com os alimentos prontos, enquanto ao mesmo tempo, a campainha toca e %Marina% corre. Patrick me encara e eu levanto os ombros: — Você não espera que a sua irmã atenda as visitas e traga a comida ao mesmo tempo, não é?
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  — Do jeito que ela anda, é bem capaz dela conseguir — ele diz e dou uma risada, murmurando um 'vai', que foi interpretado por ele com uma revirada nos olhos e uma bufada. %Natalie% já estava lá dentro vendo todas as travessas que iriam ser trazidas.
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  — E como anda a preparação? Ela melhorou? — Olho para Jared, e ele respira fundo.
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  — Olha, não que esteja melhor, mas pelo menos ela não piora mais. Parece que estacionou.
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  Damos uma risada.
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  — Falta ainda pouco menos de meio ano pro bebê nascer e ela já está neurótica.
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  — São mulheres, Jared, você não espera que elas deixem pra fazer tudo pro primeiro filhos dela de última hora.
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  — Ela me perguntou esses dias se eu vou querer estar com ela na sala de parto.
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  Levanto uma sobrancelha.
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  — E por que não iria querer?
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  — Ela acha que só porque ela tem medo do parto, que eu terei também.
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  Dou uma risada. Isso era típico de %Any%, achar que as pessoas compartilham dos mesmos receios que ela e ela tratar os outros cuidadosamente da maneira que gostaria que fosse tratada.
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  — De qualquer maneira, os seus pais ligaram essa semana, querem vir para cá um dia para vê-la.
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  — Eles não vão estar aqui no chá de bebê?
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  Jared me olha com uma expressão óbvia. Era tão óbvia que até eu me senti um imbecil por ter feito a pergunta.
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  Era óbvio que meus pais estavam arranjando uma nova desculpa de vir para Phoenix nos visitar. Eles adoravam vir para cá, principalmente para dormir em casa e ficarem o dia inteiro grudados em mim e na %Tiffanny%. Acontece que agora seus netos não estariam sempre com eles, já que não moram mais em casa, o que significa mais trabalho para mim e minha mulher.
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  — Diga que eles ficarão na sua casa.
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  — %Any% vai pedir pra %Tiffanny% para eles ficarem aqui.
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  — Droga — murmuro. — Po, Jared.
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  — John, desculpa, mas eu já estou no limite aguentando a %Any%. Aguentar seus pais, mais ela estressada por causa deles depois do trabalho não é uma coisa que eu esteja me animando em ter não, viu?
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  Suspiro. Era verdade. Era sem condições meus pais ficarem na casa de %Any% e Jared. Eu teria que engolir a espinha.
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  — Bom dia. — Ouvimos da porta e olhamos em direção, vendo o senhor Brock parado com um engradado de cerveja em mãos. Abro meu automático sorriso e vou até ele cumprimentá-lo.
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  — Pode deixar isso comigo, senhor.
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  — Pode me chamar de James, John. Hoje não estamos em ambiente de trabalho. — Ele sorri e me dá dois tapas no ombro.
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  — Claro, claro. É apenas difícil de acostumar.
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  — Você consegue. — E se dirige para Jared enquanto eu fazia uma careta e levava o engradado para perto do cooler. Não demorou muito para Kennedy vir me cumprimentar e então a senhora Brock sair acompanhando %Tiffanny% e %Any%, que pareciam bem entretidas em uma conversa.
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  Diferente de tudo que um dia eu imaginei daquela situação. O dia fora bem mais agradável do que eu esperava. James se mostrara ser um homem completamente diferente do que era quando estamos no trabalho e %Tiffanny% pareceu se dar muito bem com Alice, a mulher dele. %Marina% se esforçava para dar atenção para os dois sempre que podia e Kennedy procurava sempre conversar comigo para demonstrar o interesse em nossa família.
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  — Não são tão maus. — Ouvi %Tiffanny% dizer assim que a família Brock fora embora, deixando apenas Kennedy com seu carro em casa. Ele e Patrick aguardavam %Natalie% e %Marina% estarem prontas para saírem para o cinema e então comerem algo fora, o que deu uma breve discreta discussão entre %Marina% e %Tiffanny%, como sempre. %Tiff% queria que as crianças jantassem em casa, com o tanto de comida que sobrara, mas eles queriam comer fora. Tive que intervir e dizer que era feriado e eles estavam livres para comer fora, já que o dinheiro era deles. Minha doce mulher não teve escolha senão deixar. Pelo menos Jared e %Any% estariam aqui conosco.
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  — É, achei que seria um pesadelo — digo e ouço risadas de Jared e %Any%.
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  — Não seja tão insensível.
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  — Acredite, %Tiff%. Ele foi bastante sensível. — Jared me protege e eu aponto para ele.
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  — Bom, agora que tudo isso acabou, podemos terminar de organizar a decoração do chá de bebê da %Any%. — %Tiffanny% sorri para minha irmã, que devolve o sorriso.
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  — Enquanto isso eu e Jared estaremos na sala assistindo aos jogos dos Lakers. — Caminho com meu amigo para o ambiente, mas fomos interrompidos por %Tiff%.
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  — Ah, John! Seus pais vão pousar aqui em casa durante algumas semanas, eles querem ficar um pouco com %Any% durante a gestação dela.
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  Olho para Jared, que levanta os ombros em uma expressão de "eu não disse?"
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  — Claro. Sabe quanto tempo vão ficar?
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  As duas se entreolham. Vou repetir. As duas se entreolham. Quando isso acontece, nunca vem coisa boa.
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  — Bom... Mamãe está com aquela preocupação toda sobre minha alimentação, e ficar sem Jared o dia inteiro... — ela começa hesitante. Me viro, lhe intimando ainda mais. — Então eles podem ficar mais do que da última vez.
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  Fico sério e cruzo os braços.
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  — Eles ficaram por dois meses da última vez.
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  — Pois é... — Ela dá uma risada sem graça.
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  — Nossos pais vão ficar em casa por mais de dois meses?
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  — John, são seus pais... — %Tiffanny% começa.
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  — É? Vou dizer para eles quando estiverem aqui, que você irá adorar tê-los consigo o dia inteiro.
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  Ela nada respondeu. Era óbvio que não queria isso. Suspiro.
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  — Tá, tá. Não tenho escolha, né? Por que eles não vieram nas férias? Eu podia dizer que a casa estava cheia e vocês reformando a sua... — murmuro, lhes dando as costas e caminhando para a sala, onde Patrick, ao ver a minha cara, jogou o controle para mim assim que sentei em minha poltrona.
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