As Mulheres Da Vida de John O’Callaghan

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Capítulo 18

Tempo estimado de leitura: 14 minutos

  — Mamãe está doente? — %Marina% pergunta assim que aviso que estávamos indo ao médico.
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  — Nada demais, ela teve um enjoo ontem à noite, resolvemos que um médico seria bom agora. — Abro o carro. — Onde está Patrick?
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  — Saiu logo cedo. — Ela levanta os ombros e volta para casa. Alguns segundos depois, %Tiffanny% aparece. Abro a porta do carro para ela e então dou a volta, entrando no lado do motorista e seguindo para o médico. Ficamos calados durante toda a viagem. Isso sempre acontecia quando estávamos pensando no que aconteceria a seguir. Aconteceu quando estávamos a caminho da casa dos pais de %Tiffanny% para contar-lhes a notícia de que ela estava grávida. Aconteceu quando soubemos que %Marina% estava com início de pneumonia quando neném. Aconteceu quando %Tiffanny% foi a sua primeira entrevista de emprego, claro que foi da parte dela, mas quando ela não fala, dificilmente sou eu quem irá puxar assunto.
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  Chegamos ao consultório e não demorou muito para o doutor Marcs nos atender. Ele já era um médico da família de %Tiff% e acabou se tornando o nosso com muita facilidade.
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  — E como estamos?
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  — Enjoados — %Tiffanny% diz se sentando em uma das cadeiras. — Achamos que estamos grávidos.
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  — Grávidos? Achei que tivesse feito vasectomia depois de %Marina%.
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  Honestamente? Eu também achei.
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  — Achei que seria bom nós termos três na época e depois disso nunca mais aconteceu, o médico disse que não havia necessidade de fazer, a probabilidade de eu engravidar era minúscula.
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  — Que médico? — Olho para ela sério. — Achei que Adam era nosso médico.
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  — Meu ginecologista, John.
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  — O seu ginecologista falou sobre você não engravidar?
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  — Ele sabe das coisas.
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  — Claro, e aí está você grávida.
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  — Não vamos nos precipitar — Adam diz calmo. — Vamos fazer o teste sanguíneo para ter a certeza, imagino que seja melhor para você, %Tiffanny%.
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  — Claro, claro.
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  — Vou marcar para amanhã de manhã. Hoje estou mesmo com os horários lotados, só consegui encaixar vocês agora no meu café da manhã.
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  — Desculpe por isso, doutor.
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  — Não há problema, John. Sabe que sempre que posso, dou um jeito para vocês. Mas não posso desmarcar outras consultas.
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  — Podemos fazer amanhã sim, não estamos com tanta pressa assim — %Tiffanny% diz carinhosa. Sorrio junto e o vejo então falar no telefone com sua secretária para conseguir encaixá-la em um horário de manhã. Assim que terminou de falar, olhou para %Tiffanny%:
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  — Faça desjejum desde hoje à noite, vamos aproveitar e fazer aqueles exames que deveria ter feito há dez meses atrás. — Ele sorri e olho para %Tiffanny% surpreso. — Não é nada grave, só algo que as mulheres devem fazer depois de certa idade.
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  — Claro, doutor. — Nós levantamos e nos despedimos de Adam, que nos acompanhou até a porta de seu consultório. — Até amanhã.
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  Adentramos no carro e nos mantivemos calados, e, como sempre acontecia quando eu estava mediamente nervoso, eu iniciava a conversa:
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  — Você vai em outro médico e falta com exames que deveria ter feito há dez meses?
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  A vejo suspirar e resmungar algo.
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  — John, eu precisava ir num ginecologista, minha cólica estava anormal.
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  — Que eu saiba, Adam é clínico geral.
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  — Tudo bem, mas era uma ótima pessoa. E eu estava tão ocupada há dez meses atrás, que mal pensei em procurar por Adam.
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  — Mas ele é nosso médico!
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  — John! Eu já disse que não me lembrei disso! — E recebo um tapa. Se ela não estiver grávida, está aproveitando a situação para voltar ao meu estado masoquista, porque essa noite acordei três vezes recebendo tapas dela. Até inconsciente ela é agressiva.
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  A olho sério e a vejo se calar. Encosta em seu banco e nos mantivemos calados o caminho inteiro de volta para casa.
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  — MÃE!
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  — Sua mãe está se arrumando, Patrick, deixe-a paz — falo lendo o jornal no dia seguinte.
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  — Mas é questão de vida ou morte, pai!
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  — Você e sua irmã tem uma mania de dramatizarem coisas sem tanta importância...
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  — Pai, to falando sério.
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  — Dá para esperar ela fazer o exame que marcamos para daqui a pouco? — Uma coisa que não sou, é curioso. Além do por que %Tiffanny% sempre vir falar comigo sobre tudo o que as crianças falam.
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  — Ah... Ta bem, mas de hoje não pode passar, preciso de ajuda urgente.
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  — E seu pai não pode te ajudar? — Vocês devem entender que eu posso ser insensível, mas ainda sou pai.
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  O vi me olhar inseguro e sem graça.
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  — Melhor minha mãe.
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  Moleque mimado.
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  — Tudo bem.
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  O vejo me dar as costas e correr até o segundo andar em seu quarto. Mais alguns quinze minutos e %Tiffanny% desce lentamente as escadas, me levanto e a ajudo:
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  — Não está se sentindo bem?
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  — Um pouco tonta.
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  — Vamos pedir pro Adam passar um remédio para isso hoje. — A vejo concordar com a cabeça.
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  Durante o caminho ela tentou manter uma conversa, mas preferiu fechar os olhos e ir descansando até o hospital. Peguei em sua mão e a acariciei enquanto dirigia. Arriscava olhá-la de vez em quando, para saber se estava tudo bem. Apesar de ela me deixar louco, eu ainda sou tão apaixonado por ela quanto era há mais de vinte anos atrás.
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  Chegando ao hospital, ainda demorou vinte minutos para Adam poder nos atender.
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  — Vou tirar uma seringa para o teste de gravidez — ele diz enquanto passava um algodão na dobra do braço de %Tiffanny%. Eu ficava atrás apenas olhando para a decoração, o que a fazia rir de mim. Eu tenho um pequeno problema com seringas. As odeio tanto quanto odeio meu chefe. — Já entrara na menopausa?
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  — Ainda não.
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  — Que bom, não está na época ainda e uma gravidez assim não deve ser levada em conta com a falta de sangue no útero.
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  %Tiffanny% sorri. Demorou ainda uma hora para ele realizar os exames que faltavam. Fiquei a encarando feio durante todo o tempo, até Adam me puxar para um canto — a pedido dela, claro — e me explicar que não eram exames graves, eram apenas precauções que ele exigia que suas clientes fizessem para a melhor segurança com a saúde delas. E era por isso que Adam era nosso médico e não outro qualquer. Porque ele se preocupava com suas clientes e as faziam se precaver melhor. Preferi apenas aceitar o fato e não comentar nada com %Tiffanny%, que já estava estressada demais para ver o resultado do teste.
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  — Ele chegará em sua casa pelo correio, não se preocupe — Adam dizia para %Tiffanny% que perguntava, pela segunda vez, quando o teste ficaria pronto. — Tudo depende do laboratório, estamos em época de preventização e vacinas, então eles tem muito trabalho na produção dos medicamentos e analizamento dos testes que chegam.
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  — Ah, claro.
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  — Dou no máximo uma semana e meia para chegar.
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  — Sim, sim, obrigada Adam.
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  — Não há de quê. — Ele sorri e se levanta. — Qualquer problema, liguem em meu celular, amigos tem prioridade.
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  — Obrigada mais uma vez, Adam.
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  — Obrigado. — Sorrio e dou um tapa nas costas dele, recebendo o mesmo. — Temos que combinar o tênis.
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  — Opa, depois que terminar essa temporada de plantões vou te ligar. Michael e Brendon estavam falando sobre jogar há pouco. Disseram que estão ficando fora de forma.
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  — Não são os únicos. — Rimos e nos despedimos. %Tiffanny% literalmente não parara de falar até o caminho de casa. Era o que acontecia quando ela ficava nervosa. A agonia se transformava em palavras saídas de sua boca.
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  Fomos nós entrar que Patrick aparece correndo.
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  — Mãe, preciso falar com a senhora, vem.
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  — Patrick! — ela o chama atenção, mas ele não a ouve. Me olha exausta.
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  — Patrick, sua mãe está prestes a desmaiar de cansaço...
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  — Mas eu preciso de ajuda agora! — Ele estava tão desesperado que eu mesmo achei que era melhor ela ouvi-lo.
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  — Filho, o que é tão importante quanto o bem estar da sua mãe? — E aqui diz %Tiffanny%, a rainha do drama.
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  — A sanidade de %Natalie% — ele diz sério. Fecho os olhos e tento sair de fininho da sala, mas ouço a voz de minha mulher me chamando. O filho preferido dela estava priorizando uma garota a ela. Patrick é um filho da mãe mesmo, faz isso porque quer ver o pai sofrer. Mal ele sabe o quanto irei ouvir depois disso. — Não mãe, é sério, acho que ela está usando drogas.
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  Olhamos para o garoto sérios.
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  — Como pode achar isso, filho? Ela estava ótima alguns dias. — %Tiffanny% o puxa para o sofá e me manda aquele olhar de "ou senta, ou discutiremos sobre isso depois", então me sentei. Obviamente ela iria discutir sobre isso depois, mas pelo menos eu não seria a vítima do dia.
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  — Mãe, aquilo não é o normal dela, eu sei disso. Ela estava mais feliz do que o normal e mais... Monga.
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  — Patrick, monga não é a palavra para descrever os drogados, ela estava delirando — explico e ele estala os dedos em minha direção.
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  — Isso. Como ela estava na casa da %Caroline%, eu achei que estaria tudo bem, até que ontem de tarde eu estava com meus amigos no bar...
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  — Desde quando foi no bar? — %Tiffanny% o corta e ele revira os olhos.
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  — Aniversário do Jeremy, eu estava de carona, mãe. Posso terminar? — A vê concordar. — Então encontrei com Garrett saindo do supermercado no lado do bar e corri até ele, perguntando se %Caroline% e %Natalie% estavam muito ocupadas para eu poder ligar para ela. E ele me disse que ela havia ido embora logo depois do almoço. Aí estranhei, porque %Natalie% sempre me ligava quando fosse para outro lugar.
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  — Ela sempre te liga, é? — Mamãe ciumenta é fogo, a menina está prestes a entrar em overdose e ela não deixa barato.
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  Patrick me olha sério e eu levanto minhas mãos:
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  — Esse é o preço a se pagar quando se recusam minha ajuda.
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  — Enfim. — Ele balança a cabeça. — Fui procurar ela depois do aniversário e não a achei no apartamento, a mãe dela havia dito que ela não havia passado lá. Fui até a casa dela e o pai dela disse o mesmo. Tentei ligar no celular dela e ela não atendia, então a encontrei caminhando sozinha por uma rua meio escura e quando a vi, ela estava um tanto insana. A peguei e achei isso no bolso do casaco dela. — Ele levantou um pequeno pacote de pó branco.
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  %Tiffanny% rapidamente tirou o pacote das mãos de Pat e me encarou. Era óbvio que aquilo era droga, só não sabíamos qual. Provavelmente cocaína, as coisas ultimamente andavam injetáveis demais.
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  — E onde ela está agora?
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  Ele aponta para cima.
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  — Você a trouxe para casa?
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  — Queria que eu a levasse aonde?
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  — Hospital — falo sério e ele me encara ainda mais do que eu, em seguida desviando os olhos.
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  — Ela não gosta de hospitais. E se o pai dela souber...
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  — Patrick, o pai dela sempre quis o bem dela, ele tem que saber para entender que essa situação entre ele e a mãe dela não está fazendo bem à filha.
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  — Mas mãe...
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  — Vá pegá-la para levá-la ao hospital.
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  — Mas ela está dormindo.
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  — Obedeça sua mãe, Patrick — falo sério e o vejo suspirar e se levantar, correndo escadaria acima. Olho para %Tiffanny% e a vejo cheirar o pó e fazer uma careta.
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  — Não é cocaína — diz descobrindo meus pensamentos. — É definitivamente mais forte.
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  Suspiro pesaroso.
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  — Ela não é garota disso, devem descobrir o motivo para fazer isso. — A ouço dizer. Concordo com a cabeça. Alguns minutos mais e Patrick descia lentamente as escadas com %Natalie% no colo adormecida.
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  — Não consegui acordá-la — ele diz caminhando até a mãe, que se levanta e mede a febre da garota.
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  — Ela não está muito bem, vamos ao pronto-socorro.
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