As Mulheres Da Vida de John O’Callaghan

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Capítulo 15

Tempo estimado de leitura: 15 minutos

  Depois daquele acontecimento, eu tive de conversar com Brock e meu filho. %Tiffanny% disse que iria falar com %Natalie% e %Marina%, já que a mãe da amiga da minha filha estava ocupada demais em tentar tirar tudo do marido-ex-marido. Peguei os dois e os levei para uma cafeteria, a mesma que eu sempre ia quando queria conversar com Pat. Como sempre, eu não pedia nada e deixava os dois enrolarem o quanto quisessem fingindo escolher algo para comer. Fui direto para a mesa dos fundos, a que nós sempre sentávamos e passei a esperar pelos dois, que admito, excederam minha paciência.
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  — Vocês sabem sobre o que nós iremos falar — digo sério e os dois assentem. — A amiga de sua irmã – aponto para Pat — e sua namorada — aponto para Kennedy — está grávida.
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  — Olha pai, o Garrett é responsável...
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  — Isso não justifica ele engravidar uma garota que não está nem no segundo ano da faculdade — o corto e ele se cala, voltando a encolher. — Ele é responsável, sim. Uma boa pessoa. Mas ela ainda não tem um futuro. Agora terá de parar os estudos para enfim pensar se poderá voltar ou não a eles.
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  Os dois nada diziam.
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  — Não ache que estou te chamando aqui apenas porque namora minha filha, Brock. Seu pai faria a mesma coisa se meu filho estivesse a par da situação. — Obviamente aquilo era uma grande besteira e nós dois sabíamos disso. O pai de Kennedy não liga para nada a não ser status na sociedade, o que eu admito, ele tem para dar e vender, mas atenção para a família é algo escasso nos Brock. — Isso acontece. E não é do tipo de coisa que não se dá para evitar. Dá. Existem preservativos, pílulas anticoncepcionais, métodos contraceptivos. Eu não quero ver minha filha chegando com uma barriga maior do que o normal até ela estar com uma vida própria estabilizada, senhor Brock. Por mais que eu sei que o senhor é bem orientado e tem um bom futuro garantido, caso siga a carreira de seu pai, não é porque tem dinheiro que poderá dar a atenção ao filho. E muito menos quero ver você engravidando %Natalie%, principalmente com todo esse problema que ela está passando com sua família.
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  — Pai, nós não transamos ainda.
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  — Ainda. — Meu filho é um santo, puta que o pariu. Esse puxou a tia, porque nem o pai e nem a mãe eram assim, e isso eu posso garantir. — Da mesma maneira que vocês devem se precaver, eu estou me precavendo conversando com vocês. Pai não existe só para pagar suas contas, lhe dar educação e receber presente no dia dos pais. Nós também já tivemos a idade de vocês, sabemos como essa conversa é constrangedora e chata e sabemos que vocês acham que sabem de tudo sobre isso e que não precisam ouvir sempre a mesma coisa. Mas somos pais. E temos que fazer o que é preciso.
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  — A %Mary% disse que a %Caroline% vai morar com o Garrett — Patrick diz mais baixo. — Ele vai assumir e tudo mais.
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  — É o mínimo que ele deve fazer. E não pense que acontecerão isso com vocês. Se engravidou, vai casar. Tem que ter papel assinado com a responsabilidade. Ouça isso bem, os dois.
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  — Não vai acontecer, senhor O'Callaghan. — Kennedy parecia mais seguro. — Não vamos fazer nada que atrapalhe o nosso futuro.
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  — É bom que seja assim. Nos matamos para lhes dar esse tipo de educação. Se esforcem para mantê-las, essa idade de vocês é a idade em que vocês têm de provar para nós pais que armazenaram tudo o que nós ensinamos durante toda a vida de vocês até agora.
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  — Ele já disse pai, não vai acontecer.
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  Concordo com a cabeça.
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  — Ótimo. — E retiro a minha carteira do bolso, retirando dois pacotes de preservativos. — É sempre bom ter na carteira.
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  — O senhor... Anda com pacotes de preservativo na carteira? — Pat parecia surpreso. Mas que vontade de dizer que pais também transam, mas por experiência própria, vou privar meu filho e seu amigo de terem pesadelos.
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  — Pais tem de dar o exemplo. — Boa saída. Foi uma boa saída.
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  Logo que chegamos em casa, %Tiffanny% ainda estava com %Marina% e %Natalie% em seu quarto. Fui direto para o escritório trabalhar e recebi o telefonema de Jared:
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  — O que vai fazer essa noite?
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  — Jantar, assistir aos Ravens e dormir.
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  — Cancele o jantar, vocês vêm para casa. %Any% está fazendo aquele festival de massas que nós adoramos.
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  — Feito. — Eu nunca faço cena quando estamos colocando o festival de massas da minha irmã. Se tem uma coisa — além de decorar espaços — que %Any% é boa, é cozinhar massas. %Tiffanny% cozinha bem sempre, mas as massas da minha irmã... Não é à toa que o Jared não consegue emagrecer. — Que horas?
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  — Às sete. A médica disse que ela tem de evitar comer depois das oito, oito e meia. Então estamos tentando mudar os hábitos aqui em casa.
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  — Tenho de levar algo?
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  — O merengue da sua mulher, claro, mas que pergunta!
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  Dou uma risada.
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  — E peça para ela trazer aquela torta de limão! — Ouço %Any% gritar ao fundo. — Senão eu prometo que seu sobrinho ou sua sobrinha nasce com cara de limão!
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  — O filho é seu mesmo — murmuro e Jared resmunga.
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  — Traz a maldita torta porque comprei uma para ela na Brunella, que é a melhor da cidade e ela reclamou que não era a da %Tiffanny%.
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  — Tudo bem, tudo bem. Vou avisá-la agora.
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  — Fiquei sabendo da %Caroline% e do Garrett.
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  — Parece que os dois vão morar juntos.
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  — É, estou sabendo dessa também. Garrett me ligou dizendo que não conseguiu te encontrar no escritório, como eu estava lá, ele acabou falando comigo. Queria um contador para ajudar ele a calcular todas as despesas. Está pensando em pedir a menina em casamento.
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  — É o certo.
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  — Não sei por que, mas senti que ele estava animado com isso. Do tipo, "minha mulher está para ter um bebê!", sabe? Parece que ele nem se importa dela não estar nem formada na faculdade.
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  — Vai ver para ele é normal.
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  — Bom, teremos tempo de conversar. %Any% e %Tiffanny% acharam melhor convidar os dois para que elas pudessem conversar com %Caroline% e nós com Garrett.
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  — É ótimo a maneira que minha mulher me deixa a par das coisas.
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  — Pare de reclamar, pelo menos agora é certeza de que ele nunca estaria afim dela.
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  — Não é porque se engravida uma pessoa, que impede ela de gostar de outra.
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  — Pare de ver água no deserto, John. Aceite o fato de que o Garrett está em outra.
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  — É o que eu mais quero.
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  — Tá, tá, seu velho resmungão. Nos vemos hoje à noite. E não se esqueça da maldita torta, senão faço vocês dois darem meia volta e só voltarem com ela em mãos!
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  — Tá, tá, seu velho resmungão. — O imito rindo e ele dá uma risada antes de desligar o telefone. Me levanto e ao sair, dou de cara com Kennedy e Pat conversando.
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  — Escuta pai... Podemos conversar com o senhor?
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  — Podem esperar alguns minutos? Tenho que dar um aviso à sua mãe e não é para ser deixado de lado. — Caminho em direção às escadas. — E hoje vamos jantar na sua tia %Any%, ela está preparando o festival de massas. — Não dei tempo de meu filho reclamar ou demonstrar animação, pois já estava no meio das escadas. Kennedy sempre estaria neutro nas conversas, ele sempre demonstrava estar confortável com qualquer decisão que eu tomasse. Continuando assim, seria melhor aceito por mim em minha família.
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  Bato na porta de meu quarto e ouço um 'Entre', abro a porta e vejo as três conversando. Mulheres...
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  — Desculpe interromper o clube das Luluzinhas... — Ouço risadas de %Natalie% e %Marina%. — Mas meu cunhado me ligou informando que minha irmã estará fazendo o maravilhoso festival de massas em sua residência esta noite e que é imprescindível a nossa presença, a de seu merengue e principalmente da sua torta de limão caseira. — Me aproximo de %Tiffanny%, que sorri.
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  — O senhor pode então, ir até o supermercado comprar os ingredientes enquanto eu preparo a massa do fundo da torta, já que são cinco e meia e sua irmã está numa nova dieta de não comer nada antes das oito?
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  — Seu desejo é uma ordem. — Faço uma reverência.
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  — Não senhor, minha ordem é o seu desejo. — Ela pisca e eu dou uma risada, dando um beijo em sua bochecha. — Arraste os dois com você, vou arrastá-las comigo na cozinha.
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  — Ah não, mãe!
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  — Anão é um homem bem pequenininho. — Solto uma gargalhada e sigo para fora do quarto, indo em direção ao primeiro andar.
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  — Vamos ao supermercado — falo para os dois e Kennedy prontamente se levanta.
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  — Ahh pai... — Pat resmunga.
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  — Ou supermercado comigo ou cozinha com sua mãe.
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  — Caramba, é a sopa de grilo ou torta de barata — ele murmura se levantando e me seguindo. — Mancada isso, pai.
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  — Mancada é corrida pra aleijado — falo entrando no carro.
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  — Ah-vá. Eu odeio quando o senhor e a mamãe começam com essas piadinhas sem graça.
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  — Elas podem ser sem graça para você, mas o que importa é que para nós é engraçado. — Ligo o carro.
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  — Tomara que a tia %Any% faça o rondelle — ele diz.
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  Passamos alguns minutos em silêncio, pelo menos até chegarmos no supermercado, então Patrick se lembrou que tinha algo a me dizer:
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  — Seguinte pai, como a %Caroline% vai sair de casa...
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  — Temos que ver a mudança de quartos — eu completo.
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  — É mais ou menos isso.
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  O olho esperando uma explicação enquanto ia para a sessão de doces pegar o leite condensado, o chantilly e o suspiro. Se há uma coisa que John O'Callaghan sabe cozinhar, são doces.
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  — Nós estávamos pensando...
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  — Nós quem?
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  — Eu e Kennedy.
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  — Certo.
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  — A %Mary% podia dormir com a %Natalie% no quarto e o Kennedy mudava para casa e ficava no quarto da %Mary%.
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  Mas-que-merda.
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  Não tinha a marca que eu e %Tiffanny% gostávamos do chantilly. Como se ninguém no mundo gostasse disso, caramba! Como uma empresa pode parar de produzir um doce desses?
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  — Desculpe filho, não estava prestando atenção. O que disse?
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  — Eu estava dizendo que já arranjamos alguém para substituir a %Caroline%.
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  O olho surpreso.
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  — E quem seria?
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  — O Kennedy.
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  Olho para o garoto e o vejo encolher os ombros.
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  — Achei que não se davam bem.
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  — Nós estamos nos esforçando, para o bem da %Mary%, sabe como é. — Pat dá dois tapinhas no ombro de Kennedy e este concorda com a cabeça, sorrindo.
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  — Não somos mais crianças, senhor O'Callaghan. Já sabemos diferenciar nossas brigas infantis — ele diz e eu concordo com a cabeça.
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  — Isso é muito bom — falo, tentando não parecer desgostoso. O namorado da minha filha morando no quarto ao lado do dela 365 dias por ano? Como se não bastasse tê-la longe durante os cinco dias da semana, agora terei de vê-la uma vez por mês na companhia dele?
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  — O fato do Kennedy morar no apartamento ou de nós sabermos diferenciar as coisas?
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  — O segundo fato, claro. Estão virando gente. — Pego algumas latas de leite condensado. — Já conversou com seu pai sobre isso, Brock?
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  — Ainda não, senhor O'Callaghan, eu queria primeiro saber se há algum problema para o senhor... O meu pai sempre quis que eu tomasse algum rumo na vida, mas eu nunca soube direito o que é que eu queria... Então acho que se eu tomar alguma iniciativa, vai ser melhor.
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  — Seja honesto consigo mesmo, senhor Brock.
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  — Tudo bem. É por causa da %Mary%, mas juro que não é com segundas intenções, senhor O'Callaghan! — Ele parecia mais desesperado agora. — O que eu disse também faz parte disso tudo. Até mais do que o fato de eu ter de dividir um apartamento com a %Mary%, eu só achei que não seria problema, já que Patrick e %Natalie%...
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  — Não estou retrucando nada, senhor Brock. O senhor e minha filha estão dormindo sobre o mesmo teto agora.
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  Vejo o garoto respirar aliviado. Pego algumas caixas de morango na sessão de frutas e sigo para os limões.
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  — E Patrick pode ser bem inoportuno quando ele quer. — Olho para ele, passando a mensagem de que ele conseguiria ganhar uma boa grana para ser o inoportuno que eu quero que ele seja.
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  Ouço uma risada como resposta.
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  — Nada diferente da irmã que esteve sendo até agora com ele e a amiga. — Era melhor não puxar sardinha pra minha cria. — Se o seu pai concordar, eu até acho bom que esteja entrando alguém conhecido.
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  Assim que terminamos de pegar tudo, seguimos para o caixa e voltamos para casa. %Tiffanny% e as garotas estavam conversando na cozinha e eu pude ficar um pouco com a minha mulher, enquanto os quatro saíram de fininho para não precisarem mais ajudar. Certo, eu admito. Só fiquei na cozinha porque tive de ajudá-la a lavar e cortar os morangos e o limão, já que os quatro se trancaram em seus quartos para se arrumarem.
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