Capítulo 23
POV %Seb%
Finalmente estou no quarto com minha mulher e minha filha, sãs e salvas. Bem, Sophie ainda está com o Chuck no outro quarto. Estou aqui cuidando da %Li%, pois ela ainda não se sente bem. Está se lamentando, pois ela sentia um pressentimento ruim e mesmo assim marcou a viagem. Mas, não é culpa dela. Não é culpa de ninguém, simplesmente aconteceu. Não dá para adivinhar que sonhos assim se realizarão. Dá para prevenir e, da próxima vez, temos que trancar a porta do quarto para Sophie não sair andando por aí sozinha.
- Olha quem está aqui! - A voz do Chuck invadiu o quarto.
- Mamãe! Papai! - Sophie disse feliz e veio correndo na nossa direção.
- Meu amor! - Deu um abraço forte em mim. - Que bom sentir esse abraço gostoso! Está tudo bem, mocinha?
- Uhum! Eu estava com o dindo e a dinda no outro quarto. Eu já tomei café da manhã. – Ela disse sorrindo.
- Comeu tudo, mocinha? - %Li% falou e apertou de leve o nariz dela.
- Ai, mamãe! Comi sim! Tudinho! - Ela disse num tom orgulhoso de si mesma.
- Princesa, diz para seus pais o que disse para mim e para dinda. - Chuck disse e nós olhamos para ele com cara de interrogação. - Ela vai explicar o porquê de ter sumido ontem, não é mesmo, Sophie? - Ele cruzou os braços e fixou o olhar na Sophie. Todos fizemos o mesmo.
- Fala Sophie, por que você sumiu ontem? - Eu perguntei meio angustiado.
- Eu fui ver as montanhas que o dindo tinha prometido me levar. - Ela falou cabisbaixa. Eu levantei seu queixo.
- Sozinha? De noite? - Eu falei firme. Nunca fiquei assim antes ao falar com a Sophie, acho que a %Li% nunca me viu assim. Eu estava sério, com o cenho franzido. – Por que não esperou seu padrinho te chamar? Hein, Sophie? - Ela olhava para mim com um bico de choro. Estava me dando pena (ela está fazendo a mesma carinha que a %Li% faz, puta merda), mas era necessária a bronca.
- É por que o dindo disse ontem que hoje a gente ia ver as montanhas e na escola a professora falou que quando é meia-noite, já começa outro dia, e eu olhei no relógio do quarto e mostrava que era meia-noite já; aí eu peguei minha roupa, vesti e saí para chamar o dindo, mas ele estava dormindo; aí eu fui sozinha porque eu queria muito ver as montanhas, mas estava nevando; aí estava escuro e começou a chover. Quando eu percebi eu estava perdida; desculpa, papai. Desculpa, mamãe. Desculpa, dindo. Eu sei que não devo sair sozinha na rua, mas eu queria ver muito as montanhas.
Ela falou, disparadamente e depois começou a chorar. Não resisti e soltei um sorriso junto com um barulho. %Li% me olhou e eu logo entendi que não devia ser tão duro com ela, apesar da gravidade do ocorrido.
- Tudo bem, Sophie, não chore, vem cá. – Peguei ela no colo e enxuguei suas lágrimas. - Prometa que nunca mais fará isso, está bem? - Ela afirmou que sim com a cabeça.
- Eu expliquei para ela que, da próxima vez que formos sair, será de dia e, mesmo se for à noite, vocês dois ficarão sabendo. E que ela só pode sair acompanhada por um de nós. - Chuck disse sorrindo.
- Foi. Verdade, papai, e eu já entendi que fiz besteira. Prometo que não faço mais, ‘tá? Não fica bravo comigo, papai! – Ela inchou as bochechas e fez biquinho de novo. Eu não resisto a essa carinha que ela faz.
- Tudo bem, meu amor! – Eu disse, depositando um beijo em sua testa.
Ficamos mais dois dias aqui. Depois, arrumamos nossas coisas e voltamos para Quebec e de lá para LA. %Li%, Sophie e eu fomos para San Diego para nossa casa. Assim que chegamos, a primeira coisa que Sophie fez foi ir para o quarto dormir. Disse que estava cansada da viagem. Ainda é cedo, nem deu 19h. Acho que nossa pequena está cansada da aventura que teve nesta viagem. %Li% agora está mais calma. Ficou o tempo todo, durante a viagem de volta, me contando sobre sua peregrinação atrás de nossa filha no meio da floresta e da neve. Contou do medo que sentiu ao ver a Sophie dentro daquele enorme buraco. Do medo que sentiu da nossa filha ficar doente ou algo pior. E, enquanto ela me contava, eu sentia calafrios e um medo imenso. Medo de perder as minhas duas preciosidades.
Hoje já é quinta-feira e já estamos no estúdio para gravar o nosso novo CD. Sábado temos um show em Orlando e depois em San Diego, pertinho de nossa casa, no domingo. Ainda tempos nosso apartamento, aquele que eu morei sozinho por um tempo e depois a %Li% veio morar comigo, em LA, então, quando nós viemos para cá (para gravar ou seja lá o que for), ficamos nele. %Li% trouxe Sophie para o estúdio para a gravação. Elas estão lá na outra sala, enquanto gravamos. De repente, para minha surpresa, ela entra no local de gravação com uma câmera nas mãos.
-
Wow, vai fotografar, gatinha? – Eu falei e fiz um olhar sedutor para ela que logo sorriu e arqueou as duas sobrancelhas e piscou para mim.
- Vim tirar suas fotos, senhor %Lefebvre%. – Falou com uma voz extremamente sexy e me deu um beijo estalado na boca.
- Vou fazer pose, então... – falei e comecei a fazer caras e bocas para ela, que logo ia registrando cada uma delas. Eu estava tocando. Ensaiando os acordes novos que irei gravar mais tarde.
- Prontinho senhor, fotos tiradas. – Ela disse e se aproximou do meu ouvido, sussurrando: – Quero meu pagamento depois... – e mordeu minha orelha. Suspirei, começando a ficar excitado, virei meu rosto para ela e sorri de canto de boca.
- Mais tarde eu te pago, ok? – Eu disse e ela sorriu safadamente.
Dave saiu do local de gravação e me chamaram para gravar a minha parte. Me despedi da fotógrafa mais gostosa que eu já vi na vida, que mulher maravilhosa, e entrei na salinha de gravação. Ela tirou mais uma foto do lado de fora e voltou a sumir para fora da sala. Terminada a gravação eu saí e me juntei aos outros, só faltava a minha guitarra para gravar. Depois, fomos todos jantar num restaurante aqui perto. Os dias passaram e logo chegou o show de San Diego, foi insano! Após o show, %Li% e eu voltamos juntos para casa e encontramos a babá e a Sophie dormindo na sala, como sempre. Sophie sempre faz a babá esperar por mim ou pela %Li%, quando saímos, aqui na sala. Acordamos a babá e paguei um táxi para ela voltar para casa. Carreguei nossa filha até seu quarto e a coloquei na cama. Logo, %Li% e eu, também estávamos dormindo. No meio da madrugada, o celular dela começa a tocar. Ela estava tão cansada de ter fotografado o show inteiro, passou horas em pé tirando foto até da entrada dos fãs, que nem ouviu o celular tocar. Eu despertei, peguei ele e atendi a ligação. Nem vi quem era.
- Alô? Quem é? – Falei com a voz sonolenta.
- %Seb%? – Logo reconheci a voz do %Pete% do outro lado. – Desde quando você atende o celular da minha irmã?
- Ela está dormindo, não ouviu tocar. – Respondi ainda sonolento e perguntei, curioso – O que houve, cara? São quase 2AM. – Falei e me sentei na cama, coçando os olhos.
- Abre a porta. Estou aqui fora. Posso dormir aqui, por favor? – Só agora notei que a voz dele tinha um tom entristecido. Com certeza, o %Pete% havia chorado. Sua voz estava um pouco rouca também.
- Claro que pode. Espera. – Desliguei a chamada e levantei da cama, coloquei o roupão e, antes de sair, %Li% acordou.
- %Seb%... – falou com a voz manhosa – Volta para cama, amor. –
Awnt, que fofinha!
- Amor, seu irmão está aí na porta. Acho que aconteceu alguma coisa. Ele estava chorando. – Uma coisa para falar para %Li% e fazer com que ela desperte de qualquer sono: falar que o irmão dela está precisando de ajuda. De imediato, %Li% acordou e levantou também, vestindo seu roupão.
- %Pete%! O que houve, irmão? – %Li% disse após encontrar com o irmão na porta de nossa casa. Liberei o portão e deixei ele entrar. Ele tinha a feição bastante abatida.
- Briguei com a Chelle e saí de casa. – Ele disse cabisbaixo. %Li% ficou boquiaberta e foi abraçar o irmão. %Pete% encostou a cabeça nos ombros dela e fechou os olhos com força. – Posso ficar aqui hoje? – Questionou quase chorando.
- Claro que pode, meu amor. Claro que pode! Vem cá... – %Li% disse e puxou o irmão para dentro de casa. Eu acompanhei eles, calado. Imagino a dor que %Pete% está sentindo agora: brigar com quem se ama é destrutivo para o coração. – Quer tomar um banho? – Perguntou %Li%. %Pete% sentou-se no sofá e deu de ombros. Ela olhou para mim, esperando ajuda. Eu nem sei o que dizer, amor...
- Quer comer algo, %Pete%? – perguntei e %Li% me olhou como se dissesse
“Que pergunta idiota, amor!”. - Não. Estou sem fome. – Claro que está, comemos bastante no camarim após o show, antes de virmos para casa. Essa briga deve ter rolado quando ele chegou em casa. – Mana... me dá um abraço? – %Pete% disse com um olhar parecido com o olhar que a %Li% faz quando está triste ou quando quer algo de mim: um cafuné, por exemplo.
%Li% sentou-se ao lado do irmão e abraçou ele. %Pete% estava de costas, então nem viu quando ela disse, sem emitir som, que ficaria ali com ele. Eu falei, também sem emitir som, que subiria para ver a Sophie e deixei eles à sós. Ela deitou-se no sofá e %Pete% deitou em seu colo, a cabeça apoiada na barriga dela. %Li% acariciou seus cabelos, como ele fazia com ela quando estava triste ou como ela faz comigo quando eu quero um colo dela. Eles acabaram adormecendo. Uma hora depois eu desci e encontrei os dois dormindo. Me aproximei deles e dei um beijo na testa da %Li%, que logo acordou.
- Desculpa, te acordei. – Falei sussurrando, para não acordar o %Pete%.
- Tudo bem, amor. – Ela respondeu sorrindo e voltou a acariciar os cabeços do irmão.
- Quer que eu traga um cobertor?
- Por favor... – subi e peguei um edredom para cobrir eles. Ao voltar, joguei o edredom por cima do %Pete%, que se ajeitou aninhando-se no colo da %Li%. – Obrigada, amor. – Ela disse selando nossos lábios. Trouxe também um travesseiro para ela colocar nas costas. – E a Sophie?
- Dormindo. –Sussurrei e ela sorriu. – Qualquer coisa me chama, ok? Vou ficar no escritório. – Falei e ela assentiu. Selei nossos lábios e fui até o escritório.
Já no escritório, que fica ao lado, e sentei numa poltrona. Acabei perdendo o sono. São 3:15AM. Peguei o notebook e apoiei no colo. Liguei e coloquei algo para ver na internet. Pus os fones, para não incomodar %Pete% e %Li% que dormiam na sala. Não demorou muito e eu também adormeci.
Na manhã seguinte, eles despertaram primeiro que eu. %Li% foi até o escritório me acordar, enquanto %Pete% preparava café da manhã, hoje é o dia de folga da empregada. Ela me deu um beijo doce e quente na boca. Belíssima maneira de acordar.
- Bom dia, meu amor! – Ela disse sorridente e me deu outro beijo. – Dormiu todo torto na cadeira de novo, né? – Falou e tirou o notebook do meu colo. Me ajeitei na cadeira e cocei os olhos.
- Bom dia, minha querida. E o %Pete%? Está melhor? - Perguntei curioso.
- Parece que sim. Saí da cozinha porque ele recebeu uma ligação da Chelle. Parece que vão conversar e se acertar. Tomara! – Ela disse animada. – Meu irmão estava tão mal ontem. Fiquei morrendo de pena... – completou a frase sentando-se no meu colo.
- Pois é, espero que se acertem de vez. – Eu disse e ela concordou com a cabeça. – Vou ver como a Sophie está. – Falei e ela se levantou do meu colo.
- Olhei ontem, veja mesmo, pois ela estava um pouco quentinha, mas acho que era o aquecedor do quarto que está forte demais. Até diminuiu um pouco. – Ela disse e eu assenti.
- Já volto, amor. – Caminhei até a escada e subi. Antes de entrar no quarto da Sophie, pude ver %Li% entrando na cozinha. Abri a porta, que estava apenas encostada, e entrei. Sophie estava choramingando, sentada na cama. – Filha, o que houve, meu amor? – Perguntei, aproximando-me da cama dela e me sentando na mesma.
- Papai, ‘tô com dor de cabeça. – Ela disse manhosa. Passei a mão na testa dela, afastando os cabelos bagunçados, e constatei que ela estava queimando de febre.
- Você está com febre, filha. Caramba... – carreguei ela no colo e ela imediatamente encostou a cabeça no meu ombro.
- ‘Tá dodói, papai, tá doendo muito... – depois de ver a %Li% chorando, meu segundo ponto fraco é ver a Sophie chorar. Me corta a alma.
- Vai passar, bebê. Vai passar. – Peguei um casaco para ela e desci as escadas apressado. Cheguei à cozinha e encontrei %Li% e %Pete% preparando o café. – Gente, a Sophie está com febre. Muito alta! – Ambos os olhares caíram sobre mim e %Li% veio apressada e pegou Sophie no colo.
- Meu Deus, filha! – Disse ela ao ver que Sophie está com febre alta.
- Mamãe, ‘tá doendo, faz parar. – Ela chorava desesperada com dor de cabeça.
- Calma, filha, vai passar. – Ela disse e depois se virou para mim dizendo: – Temos que ir ao hospital, agora!
- Já peguei as coisas dela. Vamos! – Eu disse e nós quatro fomos para o hospital. Sophie não quis ficar na cadeirinha dela, então, foi no colo do %Pete%.
- Sophie? Sophie?! – Ele disse, de repente, já estávamos a caminho do hospital. – Gente, acho que ela dormiu... Sophie?!
- Meu Deus, corre, %Seb%! – %Li% disse desesperada, pois Sophie estava, na verdade, desmaiada. – Tudo culpa minha! Eu deveria ter ficado com ela ontem quando vi que ela estava quentinha. Idiota! – ela gritava para si mesma, se culpando pela febre da Sophie. – Irresponsável! – Começou a bater na porta do carro. Eu olhava para ela, angustiado, com medo dela se bater.
- %Li%! Para, amor, por favor. Fica calma! – Falei e segurei seu braço com uma das mãos, a outra mantive no volante, já estamos quase chegando.
- Minha irmã, não é culpa sua, calma! – %Pete% disse. %Li% parou de bater em tudo e chorou compulsivamente.
- Hey, amor... – falei chamando a atenção dela, ainda segurando seu braço. Quando ela olhou para mim, ainda chorando, eu disse: – Eu te amo! Vai ficar tudo bem com nossa filha, ok? Fica calma! – Falei e ela beijou minha mão, fiz o mesmo com a mão dela. Ao chegarmos no hospital, %Pete% foi o primeiro a descer, levando Sophie, ainda desacordada, com ele. %Li% foi atrás.
- Ajuda, por favor! Minha sobrinha está desmaiada e com uma febre muita alta! – %Pete% disse ao entrar no hospital. Logo dois enfermeiros trouxeram uma maca e levaram minha filha para dentro do atendimento.
- Os documentos da paciente, por favor. – Disse a recepcionista. Neste momento, eu vinha entrando.
- %Seb%, os documentos da Sophie, cadê? Já levaram ela lá para dentro. – %Pete% disse, me abordando, antes mesmo de eu falar qualquer coisa.
- Aqui. – Falei, entregando os documentos dela e os meus para a recepcionista. – Amor... – falei ao receber um abraço da %Li% que me agarrou pelas costas. Virei ela para mim e acariciei sua nuca. – Vai ficar tudo bem. Vai ficar tudo bem!
Quase duas horas se passaram e nenhuma notícia da Sophie. Apesar de nossas insistentes idas até a recepção, atrás de alguma novidade, nada de novo vinha de lá. Até que, finalmente, o médico veio falar conosco. Ele disse que Sophie está fora de perigo, mas que precisará dormir no hospital porque ainda está com falta de ar. A febre está cedendo e sua dor de cabeça, segundo ela mesma, havia passado. O médico explicou ainda que ela teve um quadro de gripe leve, porém, se não fosse atendida rapidamente poderia se agravar. Fomos visitar a pequena e ela ficou bem contente ao nos ver. Queria descer da cama, mas é claro que não deixamos, né?
No dia seguinte, levamos Sophie para casa muito melhor que ontem. O médico passou alguns remédios para prevenir que a febre retorne ou que a falta de ar volte também. Ela está cansada e foi direto para cama quando chegamos. %Pete% voltou para casa dele, parece que se acertou com a Chelle. Que bom! %Li% e eu estamos tão cansados que fomos dormir também.
Na manhã seguinte, acordei com o barulho da %Li% vomitando no banheiro.
- Amor? – Perguntei, me levantando e caminhando até o banheiro. Chegando lá, encontrei a %Li% debruçada no vaso sanitário, vomitando. – Está tudo bem, bebê? – Pergunta idiota, né, %Sebastien%?
- Não... – disse rapidamente e voltou a vomitar. Segundos depois, ela me olhou meio enojada com o que acabou de fazer. – %Seb%... acho que estou grávida. Está atrasada... – ela disse e meus olhos se encheram de lágrimas de felicidade.
- Tem certeza, amor?! – Após ela confirmar com a cabeça, eu me aproximei dela, agachando ao seu lado – Que maravilha, amor! Estou tão feliz! Seremos papais de novo!! – Eu disse animado e ela me abraçou sorrindo, mas logo voltou a vomitar bastante enjoada.
- Ahhh, eu não vomitei tanto assim na gravidez da Sophie... Aff! – Ela disse e revirou os olhos. Eu ri e ela riu junto comigo.
Alguns meses se passaram e confirmamos a gravidez dela. Ela já está com sete meses. É um menino! Gustavo será o seu nome. Sophie ficou muito animada em ter um irmãozinho. Não fala em outra coisa e está mais empolgada do que eu e %Li% juntos para o nascimento do Gustavo.
[...]
No dia do nascimento do Gustavo eu estava presente desde o início. Desta vez, ele nasceu em um dia planejado, no tempo certo e, por sorte, não tínhamos show no dia. Estávamos todos juntos na casa do %Pete% e Chelle, comemorando mais um aniversário da Chelle, quando a bolsa da %Li% estourou e fomos todos para o hospital. Chelle ficou feliz pelo Gustavo nascer no mesmo dia que ela. Só não está mais contente do que eu e a %Li%. No nascimento da Sophie eu estava no palco gravando o DVD ao vivo da banda, mas, desta vez, eu pude acompanhar todo o processo: desde o rompimento da bolsa, as contrações, o esforço que fizemos para que o Gustavo saísse de dentro da %Li% (sim, pois minha mão dói até hoje pelos apertos da %Li% nela), até o primeiro chorinho do nosso bebê, todo gordinho, e melado de sangue. Realmente, foi muito emocionante acompanhar tudo desde o início. Sophie é só alegria com o irmãozinho novo. Toda babona, fica o tempo todo grudada na mãe para cuidar do irmão também. Ela disse que agora está mais responsável e que não dará trabalho para gente, pois ela sabe que o Gustavo já dá bastante trabalho. Essa nossa filha é uma coisa linda. Amo demais!
3 anos depois...
Hoje é meu aniversário. 39 anos, caramba, estou quase quarentão! HAHAHA %Pete% fica me zoando, mas esquece de que é mais velho do que eu e que ele já fez 41 anos.
“Mas, continua bonitão!”, sempre dizia a %Li% quando o %Pete% começava com esse papo de idade. Nesse intervalo de tempo, %Pete% e Chelle tiveram uma filha também, a Soren, e eu sou o padrinho junto com a %Li%. O Gustavo está com três anos e %Pete% e Chelle são os padrinhos.
- Dessa vez me escolheu para ser o padrinho! Achei que ia fazer quinze filhos e eu não seria padrinho de nenhum deles, maninha!
Lembro do %Pete% choramingar isso durante a viagem que fizemos ao Canadá, foi quando levamos o Gustavo, ainda bebezinho, para nossos pais conhecerem. Oficializamos o %Pete% como padrinho dele durante o batizado na igreja e tudo mais. %Li% fez 29 anos no início deste ano, 2020, e eu estou tão feliz, pois comemoramos, semana que vem, mais um ano de casamento. Seis anos de casamento e doze anos juntos. Estamos preparando a festa do meu aniversário aqui em casa. As crianças estão lá embaixo correndo pelo quintal, enquanto eu estou aqui no quarto me arrumando.
- Hummm, está cheiroso! – %Li% disse, me abraçando por trás e me dando um beijo no pescoço.
- Tudo para agradar minha linda esposa. – Eu disse, sorrindo e ela me virou para si. Abracei-a pela cintura e dei um beijo gostoso.
- Te amo tanto, amor. Você nem imagina o quanto! – Ela disse manhosa, enquanto esfregava o rosto levemente pelo meu. Me encarou sorrindo e completou: – Feliz aniversário, amor.
- Obrigado, minha linda, estou feliz, sabia? – Falei e ela concordou com a cabeça. – E eu te amo tanto, mais do que você a mim. – Ela arqueou a sobrancelha rindo.
- Ah, mas isso não mesmo, senhor %Lefebvre%. – Disse, ainda arqueando a sobrancelha – Eu te amo muito antes de você parar de me notar apenas como irmã mais nova do seu melhor amigo – ela disse jogando na minha cara a minha covardia em admitir meu amor por ela antes.
- Ah, mocinha, mas isso não é verdade. – Falei e ela fez biquinho, retorcendo a boca em reprovação – Eu te amava, mas não queria admitir. – Falei – E desmancha esse bico, senão vou morder ele. – De imediato, ela desmanchou o biquinho que fazia e riu. Da última vez que ela fez um bico parecido, eu cumpri minha fala de morder o bico dela. Doeu mais em mim, pois apanhei bastante dela.
- Bobão! Nem parece que está fazendo 39 aninhos, continua gostoso e bobo! – %Li% olhou para mim de cima abaixo, sem sair do meu abraço, me analisando. – É, está muito gostoso esse meu maridão! – Concluiu o pensamento e piscou para mim.
- Se eu estou gostoso, imagina você... uma delícia de mulher e eu durmo com ela todo dia. Nossa! Que maravilha!
Ela começou a me beijar ferozmente, com desejo. Retribuí tal desejo e começamos a andar devagar até chegarmos até a cama. Antes mesmo de deitarmos nela, ouvimos um barulho de gritos. Paramos de nos beijar, sem sair do abraço, e olhamos para direção do barulho.
- Para, Gustavo, vem cá! – Sophie gritava. Ela agora está com oito anos (fará nove anos no fim do ano), uma meninona linda e inteligente, igual a mãe. Gustavo, agora com três anos, chegou primeiro que ela na corrida. – Deixa a mamãe e o papai conversarem, vem cá, Gu! – Sophie disse e puxou o irmão pela camisa e o carregou no colo.
- Devagar, Sophie, para não derrubar seu irmão. – Alertei.
- Pode deixar, papai. – Ela disse e foi saindo com o Gustavo no colo.
- Eu
quelo ver o papai e a mamãe, me solta
Tchôfi. –
“Tchôfi” era como o Gustavo pronunciava o nome da Sophie. Ouvimos a voz dele reclamando até sumir quarto adentro. Na certa, Sophie levou ele para o quarto para brincarem lá. %Li% e eu nos olhamos e rimos.
- Nossos filhos são uns amores, né? – Ela disse rindo.
- Puxaram a você: uns amorzinhos iguais a mamãe. – Eu disse meio bobo e voltamos a nos beijar. – Amor, a festa? – Perguntei ofegante. Já estávamos deitados na cama. Ela sorriu maliciosamente
- Podemos nos atrasar alguns minutos, amor. – Disse e voltou a me beijar. – Ah, espera. – Levantou-se e me largou na cama, abandonado. Foi até a porta, fechou-a e se virou encostada na porta sorrindo de canto de boca. – Deixe-me te dar o seu presente de aniversário.
- %Li%... – Eu não conseguia esconder a minha cara de desejo ao vê-la tirando a roupa devagar e jogando cada peça em cima de mim. Aspirei o cheiro dela em cada peça e depois de seu pescoço, quando ela se deitou por cima de mim. – Você é maravilhosa, %Li% %Bouvier% %Lefebvre%! – Ela não quis tirar o sobrenome da família dela quando nos casamos, mas isto não é importante agora. O que importa é que nos entregamos a alguns minutos de puro prazer e amor intenso. Após o maravilhoso ato, nos abraçamos, ainda na cama, e suspiramos aliviados.
- Amor... – ela disse e eu apenas resmunguei um “hm...” – Você tem noção de que estamos há seis anos casados? – Ergueu um pouco o corpo e me encarou sorridente.
- E doze anos juntos. – Completei e ela sorriu ao saber que eu sabia exatamente quanto tempo temos de relacionamento – Achou que eu não estivesse prestando atenção nisso, né? – Ela concordou com a cabeça e nós rimos. – Pois estou, tudo que diz respeito a você ou aos nossos filhos me interessa. Eu te amo, %Li%. Muito!
Nos beijamos novamente com muito amor envolvido. Tomamos outro banho e nos arrumamos de novo. Ao descermos para a festa no quintal, já estavam todos lá. Questionaram nossa demora, mas logo despistamos aos risos. %Li% e eu temos uma história longa, doze anos não são doze dias, né? Uma história longa, mas nem por isso finita. Quero ter muitos e muitos anos a comemorar ao lado dela e de nossos filhos. Nossas conquistas, que são as coisas mais importantes em nossa relação. Além, é claro, do nosso imenso amor mútuo e respeito, da mesma maneira. Eu não consigo imaginar minha vida sem ela, acho que desde que a conheci melhor, há anos, que eu tive certeza, quando ela tinha dezessete anos e eu tive aquele pressentimento de que ela precisava de mim (e, de fato, precisava), que eu tive certeza de que ela é a mulher da minha vida. E de que o amor que eu sentia não era apenas proteção com a irmã mais nova do meu melhor amigo. Era amor de verdade. Era desejo. Era amor dos mais puros e intensos de que se pode sentir por alguém. E ele perdura além da vida. Pois, nós somos almas afins. Nossas almas se amam e nada nem ninguém as separará. Pela eternidade. E mais um dia, quem sabe.
%Seb% %Lefebvre%
Fim